EFEITO DA CLASSIFICAÇÃO NÃO DESTRUTIVA DA MADEIRA DE PINUS NO DESEMPENHO MECÂNICO DE PAINÉIS CLT
madeira laminada cruzada; classificação não destrutiva; classificação mecânica; cisalhamento transversal; adesivo poliuretano.
O Cross-laminated timber (CLT) é produzido pela união de camadas de lamelas dispostas ortogonalmente, e seu desempenho mecânico resulta da interação entre as propriedades da madeira, a configuração das camadas e a qualidade da colagem. Nesse contexto, esta tese avaliou como a classificação mecânica da madeira de pinus por métodos não destrutivos se relaciona com o desempenho mecânico de painéis CLT. Inicialmente, uma revisão crítica e cienciométrica mostrou que os métodos não destrutivos empregados na classificação das lamelas caracterizam predominantemente a rigidez longitudinal, enquanto os modelos analíticos de CLT dependem também de propriedades associadas à deformação por cisalhamento das camadas transversais. Essa diferença limita a transposição direta das propriedades das lamelas para a predição do comportamento do painel e evidencia o cisalhamento transversal como parâmetro crítico. Experimentalmente, 144 lamelas de pinus foram avaliadas por três métodos não destrutivos para determinação de propriedades de rigidez. Os métodos preservaram em grande parte o ordenamento relativo das peças, porém produziram divergências quando os valores foram convertidos em classes mecânicas. Foram produzidos oito painéis CLT de três camadas segundo um gradiente de rigidez. A resistência ao cisalhamento transversal obtida em ensaios de vão reduzido variou de 2,88 ± 0,38 MPa no painel de maior rigidez para 1,59 ± 0,50 MPa no de menor rigidez, com falha progressiva por cisalhamento na camada transversal. A resistência ao cisalhamento da linha de cola variou de 3,15 a 4,38 MPa e não acompanhou o gradiente de rigidez da mesma forma. A comparação entre os métodos analíticos mostrou ainda que a consideração da deformação por cisalhamento reduz substancialmente a rigidez prevista para o painel, reforçando a relevância da resistência ao cisalhamento transversal na resposta fora do plano. Por fim, o estudo com painéis de Pinus pinaster colados com três formulações de poliuretano (R1, R2, R3) demonstrou efeito significativo da formulação sobre a adesão: a formulação com maior tempo de aberto (R3) apresentou a maior resistência ao cisalhamento da linha de cola em condição seca (8,10 MPa, frente a 7,10 e 7,41 MPa para R1 e R2) e também o maior desempenho em cisalhamento transversal. A exposição à água reduziu significativamente a resistência de todas as formulações e alterou o modo de ruptura para “falha do adesivo”, evidenciando a sensibilidade das ligações à umidade. Conjuntamente, os resultados evidenciam que o controle tecnológico do CLT não deve se limitar à classificação inicial da matéria-prima, mas acompanhar as transformações que ocorrem entre a lamela e o painel produzido. Isso requer considerar os efeitos do processamento sobre as propriedades da madeira, a contribuição das camadas transversais para o comportamento mecânico do painel e a qualidade da ligação adesiva.