ESTUDO DO EFEITO DO DMT (N,N-DIMETILTRIPTAMINA) NA NEUROGÊNESE IN VITRO DE PRIMATAS NÃO-HUMANOS ADULTOS
Neurogênese adulta; DMT; Neuroesferas; Primatas; Viabilidade celular
A neurogênese é o processo pelo qual novos neurônios são gerados a partir de células-tronco neurais ou progenitores neuronais. No cérebro adulto, sua ocorrência é restrita a nichos específicos e de baixa atividade, o que representa um dos principais desafios para a regeneração neural. Nesse contexto, compostos endógenos como o N,Ndimetiltriptamina (DMT) vêm sendo estudados por seu potencial de estimular vias neurotróficas e neurogênicas. Este trabalho avaliou o efeito do DMT sobre a viabilidade celular e o crescimento de neuroesferas derivadas de primatas não humanos adultos. No ensaio de viabilidade MTT, em 72h, o DMT apresentou um perfil bifásico: a dose de 200 mg/L aumentou a atividade metabólica celular em aproximadamente 31%, enquanto 800 mg/L reduziu a viabilidade para cerca de 30%, caracterizando o limite entre efeito trófico e tóxico. No teste de neuroesferas (0,1–1000 µM), observouse que o tempo de cultivo foi o principal determinante do crescimento, mas o DMT modulou a maturação das esferas, reduzindo o número das intermediárias e favorecendo o aumento das maiores (>500 µm). No sétimo dia, as doses de 100 µM e 1000 µM (≈188 mg/L) apresentaram maior proporção de esferas grandes, indicando maturação neuronal mais avançada sem prejuízo à viabilidade celular. O ensaio complementar com doses de 2–2000 mg/L confirmou o padrão observado: 200 mg/L manteve o crescimento e a viabilidade ideais, enquanto concentrações mais altas apresentaram toxicidade. Conclui-se que o DMT atua como modulador neurotrófico, promovendo crescimento, viabilidade e maturação neuronal de forma dose-dependente, com efeito ótimo em torno de 200 mg/L, corroborando seu potencial para estimular neurogênese em tecidos adultos.