"D-(-)-SORBITOL NA REGULAÇÃO DA EXPRESSÃO DE FATORES DE VIRULÊNCIA E NA PATOGENICIDADE DE ESTIRPES DE ESCHERICHIA COLI UROPATOGÊNICA (UPECS) RESISTENTES ÀS MÚLTIPLAS DROGAS (MDR)"
Escherichia coli uropatogênica, metabolismo de carboidrato, transporte de açúcar, virulência, fitness, fímbrias tipo 1
Escherichia coli uropatogênica (UPEC) é o patótipo ExPEC, oportunista, mais comumente associado a doenças humanas, sendo responsáveis pelas ITUs adquiridas na comunidade e por uma grande parte das ITUs nosocomiais, mobilizando custos médicos elevados. A bexiga é um dos locais mais comuns de infecção em humanos, e as infecções do trato urinário (ITUs) são uma das principais razões para o uso clínico de antibióticos, respondendo por 9% de todo o uso de antibióticos em um ambiente de atendimento ambulatorial. A capacidade de UPEC em sobreviver no trato urinário depende de sua fisiologia, metabolismo e de seus determinantes de virulência. Estudos sobre a fisiologia bacteriana demonstraram que a regulação da expressão dos fatores de virulência é controlada pela disponibilidade de nutrientes, e que o transporte e o metabolismo dos carboidratos são amplamente aceitos como base nutricional necessária para tal fim, tendo influência direta sobre o crescimento, colonização e manutenção de cepas de E. coli patogênicas. Todavia, como o papel preciso da utilização de carboidratos na expressão e regulação da virulência bacteriana ainda não foi determinado, esse trabalho teve como objetivo identificar o efeito da utilização de sorbitol na expressão de fatores de virulência e patogenicidade de diferentes linhagens de UPECs MDR isoladas de pacientes com ITUs. Para isso, três linhagens de UPECs foram submetidas ao sequenciamento de genoma completo, a mutagênese sítio dirigida (lambda red) para os genes srlA e srlD, análise da capacidade de sobrevivência e reprodução (fitness bacteriano), de expressar fímbrias tipo 1 funcionais e de formar biofilme em LB e meio mínimo M9 (1X) contendo frutose, glicose e sorbitol como única fonte de carbono, nas concentrações de 35 mM e 3%. Em condições anaeróbicas todas as UPECs analisadas utilizaram sorbitol como fonte de carbono de alto rendimento. Na concentração de 35 mM, CFT073△srlA apresentou um tempo de geração menor na presença de todos os açúcares analisados. CFT073△srlD apresentou o mesmo comportamento na presença de frutose e sorbitol e na presença de 3% de sorbitol. UPEC32△srlD apresentou um tempo de geração menor na presença de glicose e frutose a 35 mM. Linhagens △srlD apresentaram uma capacidade significativamente menor de expressar fímbrias tipo 1 funcionais em sua superfície quando comparado às suas respectivas linhagens selvagens. Em conjunto, nossos dados sugerem que o metabolismo de sorbitol modula a expressão de fatores de virulência como o crescimento exacerbado e a expressão de fímbrias tipo 1 funcionais em diferentes estirpes de UPECs MDRs.