"Avaliação de anticorpos policlonais direcionados a epítopos bacterianos com potencial de uso em diagnóstico de infecções do trato urinário."
Infecções do trato urinário; bactérias uropatogênicas; imunodiagnóstico.
As infecções do trato urinário (ITUs) estão entre as mais comuns na prática clínica e configuram um importante problema de saúde pública. Estimativas apontam que, em 2019, aproximadamente 400 milhões de casos de ITUs foram registrados em todo o mundo. Frequentemente causadas por bactérias como Escherichia coli, Klebsiella spp., Proteus mirabilis e Staphylococcus saprophyticus, essas infecções estão cada vez mais associadas ao aumento da resistência aos antimicrobianos. O tempo necessário para o diagnóstico utilizando métodos convencionais é considerável, muitas vezes levando ao início empírico do tratamento, geralmente com o uso de antibióticos de amplo espectro, tal conduta contribui para o aumento da resistência antimicrobiana, que representa um dos principais problemas de saúde pública atualmente. Considerando a necessidade de métodos diagnósticos mais rápidos, este trabalho investigou a capacidade de três anticorpos policlonais, desenvolvidos a partir de três epítopos distintos de proteínas associadas à parede celular de S. saprophyticus, em reconhecer outras bactérias uropatogênicas. Para isso, os isolados de E.coli, K. pneumoniae, K. variicola e P. mirabilis foram submetidos ao protocolo adaptado da técnica On-Cell Western, a qual envolve incubação com anticorpos primários e secundários diretamente em células intactas, sem a necessidade de extração proteica, seguida de detecção por quimioluminescência. Os resultados demonstraram que os anticorpos foram capazes de reconhecer E.coli, K. pneumoniae e K. variicola, sugerindo que os epítopos utilizados, são estruturalmente conservados entre elas. A avaliação experimental de P. mirabilis, por sua vez, exigiu interpretação cautelosa, devido à presença de sinal no controle negativo. Quando aplicados à Candida albicans, microrganismo que pode integrar a microbiota humana e atuar como uropatógeno oportunista em situações de desequílibrio imunológico, não foi observado reconhecimento, o que reforça a especificidade dos anticorpos para antígenos de origem bacteriana. Em conjunto, os achados obtidos reforçam a relevância da abordagem imunodiagnóstica baseada em anticorpos como estratégia promissora para a detecção de bactérias uropatogênicas e para o desenvolvimento futuro de métodos diagnósticos mais rápidos aplicados às ITUs, com possíveis contribuições para a melhoria da conduta clínica e para a promoção do uso racional de antimicrobianos.