"Variabilidade genética em begomovírus neotropicais: especiação e adaptação à hospedeira."
Begomovirus, Recombinação, Tomate.
Os begomovírus, pertencentes à família Geminiviridae, representam um dos grupos virais de maior impacto econômico na agricultura, especialmente em culturas dicotiledôneas como o tomateiro (Solanum lycopersicum). A elevada variabilidade genética que caracteriza esses vírus decorre da ação combinada de mutações, recombinação homóloga, pseudo-recombinação e interações moleculares complexas com seu vetor Bemisia tabaci Middle East Asian Minor 1MEAM 1. Esses processos permitem rápida adaptação a novos hospedeiros, quebra de resistência genética e emergência de estirpes altamente virulentas. A literatura recente reforça que a dinâmica evolutiva de begomovírus em ambientes tropicais é intensificada por fatores como elevada biodiversidade vegetal, práticas agrícolas intensivas e circulação simultânea de múltiplas espécies virais. Nesse contexto, compreender os mecanismos de variabilidade e os determinantes moleculares da adaptação viral é essencial para elucidar padrões de especiação e prever riscos epidemiológicos. Neste estudo foram analisadas 154 amostras sintomáticas de tomateiro provenientes de diferentes biomas brasileiros, integrando extração de DNA, amplificação via Rolling Circle Amplification (RCA), sequenciamento de nova geração (High-Throughput Sequencing- HTS) e montagem de novo. Três novos contigs de begomovírus foram identificados, cada qual apresentando menos de 91 % de identidade nucleotídica com espécies descritas, o que sugere a presença de novas espécies virais. A anotação genômica revelou diferenças estruturais relevantes, incluindo variação na presença das ORFs AC5, AC6 e AC7 associadas a patogenicidade, supressão de silenciamento e adaptação viral, além de variações nos iterons e domínios de Rep, fundamentais para a compatibilidade replicativa entre componentes genômicos. Análises filogenéticas e de demarcação de espécies confirmaram que esses genomas se distribuem em diferentes clados dentro do complexo de begomovírus neotropicais, refletindo múltiplas trajetórias evolutivas na interação vírus e hospedeira. Além disto, a recombinação foi investigada utilizando os sete algoritmos implementados no RDP5, com foco na definição de parâmetros estatísticos que permitam distinguir eventos reais de ruído metodológico. Testes baseados em correlação (Pearson, Spearman e Kendall), validação cruzada, bootstrap e abordagens bayesianas (lfdr) foram empregados para avaliar a sensibilidade e a convergência entre métodos. Os resultados evidenciam heterogeneidade significativa entre algoritmos, reforçando a importância de critérios padronizados e hierárquicos de decisão. A análise dos eventos conhecidos, aliada à construção de cutoffs mínimos, confiáveis, robustos e bayes podem ser usados como guia para análises mais confiáveis dos eventos de recombinação, possibilitando um maior grau de confiança e padronização na pesquisa.