Banca de QUALIFICAÇÃO: VANESSA ARAÚJO MARTINS

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : VANESSA ARAÚJO MARTINS
DATA : 11/11/2024
HORA: 10:00
LOCAL: Plataforma Microsoft Teams
TÍTULO:

ANÁLISE DOS REGISTROS DAS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: REFLEXO NA AVALIAÇÃO DOS RESULTADOS NAS UBS 02 E 07 DE SANTA MARIA, DF.


PALAVRAS-CHAVES:

Atenção Primária à Saúde; Terapias Complementares; Sistema Único de Saúde, eSUS.


PÁGINAS: 100
RESUMO:

A Atenção Primária à Saúde (APS) é fruto de um grande movimento sanitário da década de 70, que resultou na criação do Sistema Único de Saúde (SUS), onde o Estado assume o papel de garantir assistência à saúde a toda população, bem como, orientar os municípios a assumirem de forma progressiva a prestação de cuidados básicos aos seus cidadãos, como prevenção e promoção à saúde (Silva e Camargo, 2019). A APS foi ganhando certa notoriedade e institucionalidade na agenda governamental. Ainda que seja uma prioridade que camufle as fragilidades, ela serve como estratégia de enfrentamento de oposições e disputas (Borges & Baptista, 2010). Inserida no movimento de reforma dos sistemas de saúde, a APS possui um papel central na mudança dos modelos de atenção e das práticas sanitárias, sendo a porta de entrada para implementação de ações de promoção da saúde e de articulação intersetorial (Aquino et al., 2014). A APS é uma das principais conquistas do SUS, pois é o local onde as pessoas buscam o primeiro atendimento na rede de atenção à saúde para suas necessidades, é também, uma estratégia do SUS para reorganizar seu atendimento, tendo como principais objetivos a família como foco da assistência, o trabalho em equipe interdisciplinar, vínculos entre profissionais e famílias assistidas e escuta qualificada (Silva e Camargo, 2019). O cuidado é parte fundamental para que o vínculo entre usuário e profissional seja estabelecido. Logo, é preconizado amplamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e pela APS, a implementação de ações que sejam direcionadas para o cuidado pautado em tecnologias mais leves, como o acolhimento, acompanhamento horizontal e longitudinal dos usuários, fortalecimento da autonomia e o enfoque na subjetividade, assim como, incentivo à participação em atividades comunitárias e grupos de apoio (Campos, Bezerra & Jorge, 2018; Nascimento, 2020). Estudos apontam que o uso de tecnologias de cuidado na APS tem o potencial de ampliar o acesso e a qualidade da assistência (Campos, Bezerra & Jorge, 2018). Neste contexto, tem-se inserido na APS as Práticas Integrativas e Complementares (PICs), como complemento à medicina tradicional. A APS, como porta de entrada dos usuários aos serviços de saúde, possui a missão de ser coordenadora do cuidado,sendo o espaço ideal para a implementação das PICs, atendendo o paciente de forma holística, corroborando para a promoção da saúde (Silva e Camargo, 2019). As PICs são consideradas como tecnologias leves que contemplam os preceitos da promoção da saúde de empoderamento, sustentabilidade, autonomia e participação social. Elas orbitam a esfera de cuidado da promoção da saúde não competindo com as práticas médicas convencionais, e podem coexistir e ampliar a capacidade terapêutica e de cuidado (Dall’Alba, 2022). Esse tipo de tecnologias, para produzir cuidado, necessitam principalmente da relação, do encontro, da atenção, da escuta, não dependendo estritamente de objetos. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), as PICs foram institucionalizadas no ano de sua constituição em 1988, por meio das resoluções da Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação. Deste modo, como resultado da mudança de paradigmas relacionados à assistência em saúde, da demanda popular e recomendada pela Organização Mundial da Saúde, foi aprovada, em 2006, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. A política tem como objetivo a incorporação e implementação das PICs no SUS, e visa garantir a integralidade nos serviços de saúde, a racionalização de ações de saúde e a estimulação da participação social, como uma forma de cuidado que buscava olhar o indivíduo integralmente. A institucionalização de outras abordagens de cuidado, com a criação da PNPIC foi um importante avanço para a consolidação do SUS (Brasil, 2006). A inclusão das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) no Sistema Único de Saúde (SUS) representa um marco significativo na promoção de uma abordagem mais holística e humanizada na atenção à saúde. Desde a sua oficialização, essas práticas têm sido cada vez mais incorporadas na Atenção Básica, oferecendo alternativas terapêuticas que complementam os tratamentos convencionais (Lemos, 2019). É possível observar que o modelo de cuidado ofertado pela rede de serviços de saúde possui a necessidade de se adaptar à mudança no perfil das necessidades de saúde da população, procurando um modelo de cuidado centrado na pessoa e não na doença, centrado na família e na comunidade, um modelo que considere e atue na complexidade biopsicossocial. A PNPIC é transversal em suas ações no SUS e está presente em todos os níveis de atenção, em especial na Atenção Primária à Saúde (APS), e com grande potencial de atuação nas Redes de Atenção à Saúde (RAS) (Brasil, 2006). A APS tem se mostrado um espaço privilegiado para a introdução das Práticas Integrativas e Complementares (PICs), que, por sua vez, oferecem uma abordagem holística e humanizada ao cuidado de saúde, complementando as práticas médicas convencionais. Entretanto, o texto aponta para desafios significativos na implementação e registro das PICs, especialmente no que diz respeito ao uso adequado dos sistemas de informação, como o e-SUS AB. Entre os principais problemas identificados estão a falta de treinamento adequado dos profissionais de saúde, a padronização inconsistente dos registros e as limitações tecnológicas em algumas unidades de saúde. Esses obstáculos comprometem a avaliação e o monitoramento dos resultados das PICs, afetando a tomada de decisões e a criação de políticas públicas efetivas. O problema de pesquisa que emerge no estudo é: Como se apresenta o registro das PICs na Atenção Primária à Saúde no Distrito Federal? A investigação se justifica pela necessidade de compreender como essas práticas estão sendo registradas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) n° 02 e 07 de Santa Maria, DF, e como esses registros afetam a análise dosresultados e a implementação eficaz das PICs. A pesquisa pretende contribuir para a melhoria da qualidade dos registros, o que, por sua vez, pode fortalecer a implementação das PICs no Distrito Federal, além de fornecer evidências para o aprimoramento das políticas públicas e práticas clínicas. Ao mapear os desafios e lacunas na utilização do sistema de informação, o estudo visa promover uma análise mais clara do impacto das PICs na APS.


MEMBROS DA BANCA:
Interna - 1510391 - DAIS GONCALVES ROCHA
Interno - ***.182.870-** - RAFAEL DALL'ALBA - UnB
Interna - 1905372 - VERONICA CORTEZ GINANI
Notícia cadastrada em: 29/10/2024 17:52
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