AVALIAÇÃO DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES SOBRE NASCIDOS VIVOS, BRASIL, 2015 A 2022
Sistemas de Informação em Saúde; Avaliação em Saúde; Vigilância em Saúde Pública; Declaração de Nascimento; Nascido Vivo
Introdução: o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) é a principal fonte de informação para a vigilância dos nascimentos no Brasil. Todo sistema de vigilância epidemiológica, para ser efetivo, deve ser continuamente avaliado e atualizado. A avaliação de sistemas de vigilância assegura que os problemas de relevância em saúde pública estejam sendo monitorados de forma eficiente e eficaz e que as informações fornecidas sejam úteis para a prática em saúde pública. Objetivo: o presente estudo tem como objetivo avaliar o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos no Brasil, no período de 2015 a 2022. Método: a avaliação foi baseada nas Diretrizes para Avaliação de Sistemas de Vigilância em Saúde Pública do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos da América, a partir da análise dos atributos qualitativos (simplicidade, flexibilidade, qualidade dos dados, aceitabilidade), quantitativos (representatividade, estabilidade, oportunidade) e da sua utilidade. Resultado: O Sinasc foi considerado um sistema complexo em seu funcionamento, flexível a mudanças conforme as necessidades e com excelente qualidade dos dados, apresentando uma completude média de 96,2%. Contudo, a variável "Idade do responsável legal" apresentou uma completude de 38,8%, e a variável "Cesárea ocorrida antes do trabalho de parto" teve 49,5% de completude, sendo avaliadas como regular e baixa, respectivamente, em termos de completude dos dados de partos hospitalares. O sistema também se mostrou representativo, com diferença nas proporções de registros de nascidos vivos segundo o sexo, apresentando maior registro de nascimentos masculinos e uma diferença de 3,2% em relação aos registros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A região Norte apresentou a maior diferença percentual (4,9%), com mais registros no Sinasc. Além disso, o sistema foi considerado estável, pois os dados foram registrados e disponibilizados anualmente na plataforma do Ministério da Saúde, com capítulos publicados no livro "Saúde Brasil" a cada ano. Em quase todos os anos, mais de 50% dos municípios brasileiros mantiveram regularidade no envio de informações, conferindo ao Sinasc a característica de ser considerado oportuno. Quanto à utilidade do sistema, as informações coletadas e fornecidas pelo Sinasc foram avaliadas como úteis. Conclusão: Os atributos avaliados e a utilidade do Sinasc destacam a importância do sistema como uma ferramenta de gestão essencial para a construção de cenários epidemiológicos fidedignos, o monitoramento de eventos estratégicos e a tomada de decisões em diversas áreas da vigilância e da assistência à saúde materno e infantil._ Recomenda-se a realização de pesquisas sobre as discrepâncias na cobertura do Sinasc por região, considerando tanto áreas remotas quanto urbanas, além das diferenças regionais na qualidade do preenchimento dos dados, com foco nas causas dessas disparidades.”