O COLETIVO: UM DISPOSITIVO DE CUIDADO INOVADOR NA ATENÇÃO PSICOSSOCIAL INFANTOJUVENIL?
“Processos Grupais; Saúde Mental; Cuidado da Criança; Saúde do Adolescente; Serviços de Saúde Mental; Serviços Comunitários de Saúde Mental; Intervenção Psicossocial.”
“O presente trabalho analisa o plano das formas e das forças do Coletivo como um dispositivo de cuidado em um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) no Distrito Federal, a partir do método cartográfico. Em um cenário marcado por retrocessos nas políticas públicas de saúde mental, agravamento do sofrimento psíquico entre crianças e adolescente, especialmente após a pandemia de COVID-19, o estudo evidencia como o Coletivo opera como dispositivo que sua micropolítica pode produzir um cuidado pautado na inventividade e promoção de autonomia. Sob a ótica dos movimentos institucionalistas no âmbito da saúde coletiva, principalmente das ideias desenvolvidas por Jean Oury, Félix Guattari e Emerson Merhy, compreende-se o Coletivo como uma máquina abstrata que promove encontros, horizontalidade e espaços de fala. O cuidado se dá a partir do encontro, do movimento e do inesperado, articulando múltiplas tecnologias (leves, leve-duras e duras), em uma clínica ampliada e inventiva, que valoriza a escuta e o protagonismo dos sujeitos. As análises mostram como o Coletivo resiste à lógica biomédica e fragmentada, ao promover transversalidade entre saberes, corresponsabilização da equipe e mobilização da rede. Contudo, enfrenta desafios diante da precarização institucional, da rotatividade da equipe e as forças e disputas de se produzir um cuidado contra hegemônico à lógica da patologização da vida. Ainda sim, a presença das residências em saúde e o engajamento de trabalhadores apontam para a força instituinte do Coletivo como uma trabalho vivo em ato. A inovação, neste caso, não está na técnica, mas na capacidade de sustentar práticas ético-políticas coletivamente engajadas e em constante devir.”