MUDANÇAS CLIMÁTICAS, MIGRAÇÃO E TRABALHO: INTERSEÇÕES CRÍTICAS PARA A SAÚDE DOS TRABALHADORES.
Mudança Climática; Migração; Saúde do Trabalhador
As mudanças climáticas são um dos desafios mais urgentes da atualidade, com impactos que se estendem para além das fronteiras ambientais e redefinem as dinâmicas sociais, econômicas e geopolíticas. A intensificação de eventos climáticos extremos tem provocado deslocamentos populacionais, evidenciando lacunas significativas na governança global e nas políticas públicas. Neste contexto, a intersecção entre mudanças climáticas e mobilidade humana ganha destaque, com projeções que indicam que milhões de pessoas podem ser forçadas a migrar até 2050, configurando o fenômeno dos “refugiados climáticos”, uma categoria ainda sem reconhecimento pleno no direito internacional. A migração induzida pelo clima é atravessada por desigualdades históricas e sociais que agravam a vulnerabilidade de grupos já marginalizados. Os fluxos migratórios são acentuados por colapsos de meios de vida tradicionais e pela ruptura da estabilidade econômica, resultando em aumento do desemprego e do trabalho precário. Compreendida como uma estratégia de adaptação e como reflexo de desigualdades estruturais, a migração climática exige políticas públicas integradas que articulem mitigação climática, inclusão social e promoção de empregos dignos e sustentáveis. Este estudo visa analisar como as mudanças climáticas influenciam os padrões migratórios e seus impactos no mundo do trabalho. A pesquisa, de abordagem qualitativa, utilizou uma revisão integrativa da literatura para investigar os mecanismos pelos quais eventos climáticos extremos impulsionam o êxodo populacional e impõem novas exigências aos sistemas produtivos e para as políticas públicas de saúde. A pesquisa visa oferecer subsídios teóricos e práticos para a formulação de políticas públicas mais sensíveis às conexões entre clima, migração e trabalho, fomentando a justiça climática, a inclusão social e a saúde do trabalhador.