CLUSTERS DE MORBIDADES E OCORRÊNCIA DE QUEDAS EM IDOSOS BRASILEIROS - ESTUDO ELSI-BRASIL
Envelhecimento da População; Multimorbidade; Acidentes por Quedas; Análise de Agrupamento; Atenção Primária à Saúde; Saúde Pública; Idoso
O envelhecimento populacional no Brasil tem aumentado a prevalência de doenças crônicas e da multimorbidade entre idosos. Nesse contexto, as quedas destacam-se como importante síndrome geriátrica devido à sua alta frequência e às graves consequências clínicas e funcionais. Assim, compreender os padrões de agrupamento de morbidades e sua relação com a ocorrência de quedas é fundamental para orientar estratégias de prevenção. Diante deste cenário, este estudo teve como objetivo avaliar a associação entre diferentes clusters de morbidades e a ocorrência de quedas em idosos brasileiros. Trata-se de um estudo transversal realizado com dados da segunda onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), realizado entre 2019 e 2021, com representatividade nacional. Foram incluídos indivíduos com 60 anos ou mais. A ocorrência de queda nos últimos 12 meses e as morbidades (n=16) foram identificadas por autorrelato. Técnicas de clustering foram aplicadas para identificar os agrupamentos de morbidades mais frequentes na amostra. Posteriormente, a ocorrência de quedas foi analisada segundo os clusters identificados. A prevalência de multimorbidade foi elevada na população estudada (67,7%). Entre os idosos que sofreram queda, 81,8% eram multimórbidos. Foram identificados quatro clusters de multimorbidade: Cluster 1 (Baixa Multimorbidade), Cluster 2 (Cardiometabólico), Cluster 3 (Musculoesquelético/respiratório) e Cluster 4 (Multimorbidade Complexa). A prevalência intraclasse de quedas foi de aproximadamente 14,0% no Cluster de Baixa Multimorbidade, elevando-se para cerca de 23,8% no Cluster Cardiometabólico, 22,6% no Cluster Musculoesquelético/respiratório e 35,9% no Cluster de Multimorbidade Complexa. Os resultados evidenciaram a existência de agrupamentos distintos de multimorbidade, com diferentes níveis de complexidade clínica, e demonstraram que a ocorrência de quedas variou de acordo com o perfil de morbidades, sendo mais comum nos clusters de maior complexidade clínica. Esses achados indicam que a prevalência de quedas não depende apenas da presença de uma morbidade isolada, mas da combinação e interação entre múltiplas condições crônicas. O estudo contribui ao demonstrar que a análise dos padrões de multimorbidade oferece uma compreensão mais precisa da prevalência de quedas em idosos, reforçando a necessidade de abordagens integradas e coordenadas na Atenção Primária à Saúde e no planejamento de políticas públicas voltadas à população idosa.