O atendimento em grupo com adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto no Distrito Federal: (Re)Significações e potencialidades
Socioeducação. Grupo. Atendimento em Grupo. Medida socioeducativa em Meio Aberto. Adolescentes.
A pesquisa qualitativa discorre sobre as significações e as potencialidades de trabalhos em grupo junto a adolescentes em atendimento socioeducativo em meio aberto em duas Gerências de Atendimento em Meio Aberto (GEAMAs) do Distrito Federal (DF). Os processos grupais são considerados importantes espaços promotores de reflexividade, processos desenvolvimentais pessoais e sociais de adolescentes, elementos centrais para sua responsabilização e para a garantia de seus direitos. A pesquisa guia-se pela abordagem histórico-cultural por teorias críticas sobre grupos, entendendo os adolescentes e as relações grupais como diversos, complexos, dinâmicos e multicircunscritos pela história e pelos contextos socioculturais. O objetivo foi compreender as significações de adolescentes e jovens em cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) no DF sobre o atendimento socioeducativo ofertado na modalidade de grupo. A revisão da literatura caracterizou as medidas socioeducativas e os adolescentes em atendimento socioeducativo; a Liberdade Assistida; e o atendimento em grupo enquanto um dos eixos do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Foi feito um breve histórico sobre grupos em teorias críticas e em perspectivas psicológicas sociais e histórico-culturais. Abordaram-se estudos sobre adolescências, a relevância da socialização para o desenvolvimento humano, e grupos no contexto socioeducativo, existindo consenso sobre a necessidade de qualificação das equipes em metodologias grupais e sobre o incentivo a atendimentos socioeducativos realizados em grupo. A metodologia envolveu três fases: 1) entrevistas semiestruturadas com adolescentes e jovens que cumprem a LA no DF em duas GEAMAs; 2) observação participante de grupos ofertados nessas GEAMAs; 3) grupo focal com adolescentes e jovens que vivenciaram o atendimento socioeducativo ofertado em grupo. Os resultados foram organizados em cinco núcleos de significação que emergiram da triangulação das três fases da pesquisa. As análises revelaram que os grupos foram significados pelos adolescentes como espaços de acolhida e diálogo, ainda que o atendimento socioeducativo seja obrigatório e que exista resistência inicial a participar de grupos. Preferiram o formato grupal ao individual, destacando as trocas com pares, a promoção de novas experiências, atividades coletivas expressivas e atividades externas de esporte, cultura e lazer. As análises evidenciam a importância do vínculo e da afetividade para os processos grupais bem como da qualificação das equipes de atendimento socioeducativo em metodologias grupais e de garantir transporte e mobilidade urbana dos adolescentes. Conclui-se que os grupos, quando concebidos como processos dinâmicos, dialógicos e situados socioculturalmente, potencializam transformações pessoais e institucionais, alinhando-se aos princípios do SINASE e objetivos das medidas socioeducativas e colaborando para metodologias participativas de atendimento socioeducativo. A pesquisa reforça a urgência de incentivos a práticas grupais no atendimento socioeducativo e em outros serviços relacionados a políticas públicas ligadas à área da infância e juventude, visando à promoção do desenvolvimento dos adolescentes/jovens e à garantia de seus direitos.