OFICINAS FORMATIVAS DO PROGRAMA “JOVEM DE EXPRESSÃO”: ESCREVIVÊNCIAS, ENCRUZILHADAS E TRAJETÓRIAS DE INCLUSÃO DOS EGRESSOS NA CEILÂNDIA/DF
Juventudes Negras; Encruzilhadas; Programa jovem de expressão; Resistência; Ceilândia/DF.
Este projeto de pesquisa propõe pensar e problematizar as Oficinas Formativas do Programa “Jovem de Expressão” (JEX) e as repercussões nas trajetórias de inclusão dos egressos na Ceilândia/DF. A pesquisa se assenta e se constrói a partir de um olhar decolonial, de saberes que se performam na encruzilhada da literatura-terreiro e na confluência negro-diaspórica, onde o meu corpo, meu lugar e meu pertencimento enquanto mulher negra lésbica e macumbeira são atravessados em todo processo de subjetividade e de escrita. Dito isso, tais “escrevivências” de egressos serão atravessados por uma perspectiva feminista negra, onde evocarei a sensibilidade das encruzilhadas ancestrais que moldaram as trajetórias de egressos do Programa “Jovem de Expressão”, em oficinas formativas na Ceilândia/DF. Partindo de
uma perspectiva afrocêntrica, orientada pela teoria de pensadoras pretas como Leda
Maria Martins, bell hooks, Grada Kilomba, Audre Lorde, Djamila Ribeiro e Conceição
Evaristo, ancorada nas subjetividades que (re)existem neste território, esse estudo
investiga como as oficinas formativas do programa atuaram como “giras expressivas”
que reverberam na vida profissional, educacional e espiritual desses jovens. A partir de
um Caminho Metodológico atrelado às epistemologias da encruzilhada, busca-se
compreender como a espiritualidade e a ancestralidade, simbolizadas pelas forças de
Exú e Ogum ( meu orixá de cabeça), guiaram as escolhas e resiliências desses sujeitos.
A pesquisa adota uma postura interseccional, em entrevistas com egressos negros e
de religiões de matriz africana, revelando como suas identidades plurais de gênero,
raça e territorialidade entrelaçam em suas conquistas. A linha de força dessa pesquisa
concentra-se em pensar o pertencimento e a trajetória de inclusão dessas juventudes
e ao mesmo tempo dar visibilidade a uma ciência construída a partir de saberes
ancestrais, orgânicos, onde a vivência, emerge da experiência situada, enegrecida e
no cruzo e na gira com o corpo.