EFEITO DO TREINAMENTO OLFATIVO EM HABILIDADES, SENSORIAIS NASAL E ORAL, EM INDIVÍDUOS COM SEQUELAS PÓS- COVID-19: UM ESTUDO QUASE-EXPERIMENTAL
COVID-19, Olfato, Paladar, Estereognose, Treinamento Olfativo
Introdução: Dentre os vários sintomas já conhecidos da COVID19, de 40 a 60% dos acomeƟdos apresentam anosmia e disgeusia. Este fato ocorre devido o vírus SARS-CoV-2 uƟlizar a enzima conversora de angiotensina 2 , presente nas células na mucosa nasal e oral, para adentrar no organismo, lesionando as células de suporte e afetando os neurônios sensoriais. Apesar da maior parte dos indivíduos apresentarem recuperação do olfato e paladar após 4 semanas da infecção, cerca de 13% permanece com alterações após meses da COVID. Dentre as terapêuƟcas descritas na literatura, o treinamento olfaƟvo é o que possui maior evidência cienơfica para tratamento dos distúrbios olfaƟvos. ObjeƟvo: Comparar o olfato, paladar e estereognosia oral de indivíduos com sequelas após a COVID-19 antes e após a realização de treinamento olfaƟvo. Métodos: Forão recrutados 32 indivíduos recuperados de COVID-19 que possuíam queixa de olfato e/ou paladar, há mais de 30 dias após a infecção, considerando os critérios de inclusão e exclusão. Para avaliação os indivíduos responderam o quesƟonário qualitaƟvo sobre olfato (Versão portuguesa do QuesƟonnaire of Olfactory Disorders- NegaƟve Statements - (bvQOD-NS)), e avaliação do olfato (ConnecƟcut Chemosensory Clinical Research Center - CCCRC), paladar (Taste Acuity Kit) e estereognosia oral (Instrumento de Estereognosia Intraoral PRO-FONO). A intervenção consisƟu no treinamento olfaƟvo clássico (Henkin, 1969), 2 vezes ao dia, durante 8 semanas, com realização supervisionada semanalmente. A avaliação foi repeƟda após 1 mês e ao final da intervenção. Resultados: A mediana da idade da amostra foi de 32,5 anos e de meses de sequela desde a COVID-19 foi de 38 meses, sendo 84,4% da amostra do sexo feminino. 53,1% apresentavam queixas tanto de olfato quanto de paladar. No baseline 84,4% da amostra apresentou algum grau de hiposmia, enquanto a mediana de acertos no paladar foi de 7,5 e todos apresentaram falha na estereognosia oral. Na comparação das 3 avaliações, apresentaram variância significaƟva escore (P<0,01), bem como limiar (P<0,01) e idenƟficação olfaƟvos (P<0,03), e paladar (P<0,04), porém esse sem comparações por pares com significância estaơsƟca. Não houveram mudanças significaƟvas no QOD-NS e estereognosia oral. Os quadros de normosmia passaram de 15,6% para 62,5% na úlƟma avaliação olfaƟva. Conclusão: Mesmo com mais de 3 anos de sequelas, a amostra apresentou melhora no escore olfaƟvo, tanto no limiar quando na idenƟficação, e no paladar, após realização do treinamento olfaƟvo. Não houveram mudanças no QOD-NS e na estereognosia oral.