COMUNICAÇÃO NA PRÁTICA FARMACÊUTICA HOSPITALAR: UMA AVALIAÇÃO DA QUALIDADE METODOLÓGICA DE REVISÕES SISTEMÁTICAS E DOCUMENTOS DE PRÁTICA CLÍNICA
Comunicação em Saúde; Farmácia Hospitalar; Revisão Sistemática; Qualidade Metodológica.
Introdução: A comunicação efetiva é fundamental para a segurança do paciente e a qualidade do cuidado hospitalar. O farmacêutico clínico desempenha papel estratégico na equipe multiprofissional, sendo essencial que a troca de informações seja clara e precisa para garantir farmacoterapia racional. Entretanto, a implementação de serviços clínicos farmacêuticos deve fundamentar-se em evidências robustas e documentos diretivos com rigor metodológico. Objetivos: Avaliar a qualidade metodológica de Documentos de Prática Clínica (DPCs) e Revisões Sistemáticas (RS) sobre comunicação aplicada à prática farmacêutica hospitalar, abrangendo habilidades de comunicação, letramento em saúde, linguagem simples e comunicação verbal e escrita. Métodos: Conduziu-se revisão sistemática com avaliação de qualidade em duas frentes de evidência. Realizaram-se buscas nas bases PubMed, Embase, Scopus, Web of Science e BVS, além de literatura cinzenta, sem restrições de data ou idioma. A seleção foi realizada por pares independentes usando estratégia PICO. A qualidade metodológica foi avaliada pelos instrumentos Appraisal of Guidelines for Research and Evaluation II (AGREE II) para DPCs e A MeaSurement Tool to Assess Systematic Reviews (AMSTAR II) para RS. A concordância entre avaliadores foi mensurada pelo índice Kappa de Fleiss. Resultados: Incluíram-se 6 DPCs e 21 RS. Os DPCs apresentaram baixa qualidade metodológica global pelo AGREE II, com o domínio "Rigor no Desenvolvimento" obtendo as menores pontuações (média: 29%). Apenas dois DPCs (33%) foram recomendados, um com modificações. Das RS avaliadas pelo AMSTAR II, 76% (16/21) apresentaram confiança criticamente baixa, com falhas em itens críticos como registro de protocolo e justificativa de exclusões. Apesar das fragilidades metodológicas, as recomendações qualitativas convergiram para a importância da empatia, adaptação da linguagem e uso de tecnologias. Observou-se escassez de documentos específicos para a atuação farmacêutica. Conclusão: A evidência disponível sobre comunicação na prática farmacêutica hospitalar apresenta fragilidades metodológicas significativas. Há necessidade urgente de desenvolver DPCs e conduzir RS com maior rigor metodológico, especificamente desenhados para o contexto farmacêutico, visando maior segurança e efetividade na implementação de serviços clínicos focados em comunicação em saúde.