Efeito da pandemia de Covid-19 na mortalidade causada por Diabetes Mellitus no Brasil: Análise de série temporal
“Diabetes mellitus; mortalidade; pandemia de COVID-19; análise de tendências; regressão de Prais-Winsten_”
“O Diabetes mellitus (DM) constitui uma preocupação global no campo da saúde pública, particularmente no Brasil. Este estudo teve como objetivo analisar as tendências de mortalidade por DM antes e durante a pandemia para avaliar a possível influência da pandemia de COVID-19 na tendência de mortalidade do DM no Brasil. A mortalidade foi avaliada por meio das taxas de mortalidade padronizadas estratificadas por faixa etária (20–29 anos, 30–49 anos, 50–69 anos, 70 anos ou mais), sexo (masculino, feminino) e região do Brasil (Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste). As taxas de mortalidade foram calculadas usando o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e estimativas populacionais nacionais oficiais. Uma análise de séries temporais foi realizada, usando o modelo de regressão de Prais–Winsten para avaliar a tendência de mortalidade relacionada ao DM em dois cenários: antes (2010–2019) e incluindo o período da pandemia (2010–2023). A variação percentual anual (APC) e os intervalos de confiança de 95% (ICs) foram calculados para determinar as tendências como decrescentes, crescentes ou estacionárias. As taxas de mortalidade relacionadas ao DM variaram de 28,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2011 a 24,1 óbitos por 100 mil habitantes em 2023, com os maiores valores na região Norte. Um aumento na mortalidade foi observado a partir de 2020 em diante. A análise de regressão apresenta tendência decrescente no período pré-pandêmico (2010–2019) em mulheres (- 1,87%), 50–69 anos (-1,19%) e ≥70 anos (-1,35%). Um declínio também foi observado no Nordeste (-1,45%), Sudeste (-1,84%), Centro-Oeste (-0,62%) e no total do país (-0,98%). No entanto, após incorporar dados do período da pandemia (2010–2023), a tendência se tornou estacionária para indivíduos com idade ≥70 anos e para o Nordeste, Sudeste e Brasil. Essa mudança torna a mortalidade esperada incerta e destaca a necessidade de estratégias de enfrentamento eficazes após a pandemia. _