AS INTERFACES ENTRE O TRABALHO DE CUIDADOS REMUNERADO E NÃO REMUNERADO NA VIDA DE MULHERES MÃES TRABALHADORAS DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE.
Trabalho de cuidado; Atenção Primária à Saúde; Maternidade; Gênero; Feminismo decolonial; Interseccionalidade.
O presente projeto de tese analisa o trabalho de cuidados, remunerado e não remunerado, exercido por mulheres mães trabalhadoras da Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil. Historicamente feminilizado e associado à divisão sexual do trabalho, o cuidado foi socialmente atribuído às mulheres, produzindo desigualdades de gênero, raça e classe. Nesse contexto, a articulação entre maternidade e trabalho em saúde implica o acúmulo de responsabilidades, frequentemente associado à sobrecarga e à precarização da vida e do trabalho. A pandemia de COVID-19 evidenciou a centralidade do cuidado para a sustentação da vida e a forma desigual como ele é distribuído socialmente. Parte-se do pressuposto de que os trabalhos de cuidado exercidos por mulheres mães trabalhadoras da APS estabelecem relações de influência mútua, repercutindo tanto no trabalho em saúde quanto no cuidado com os filhos e a família. Embora essa sobreposição possa produzir desgaste e intensificação do trabalho, também pode favorecer a construção de saberes e práticas singulares de cuidado. O objetivo da pesquisa é compreender as interfaces entre o trabalho de cuidados remunerado e não remunerado na vida de mulheres mães trabalhadoras da APS. O referencial teórico fundamenta-se nos estudos do cuidado, especialmente nas contribuições de Helena Hirata, em diálogo com perspectivas feministas decoloniais e interseccionais de gênero, raça/etnia e classe. Trata-se de um estudo qualitativo, orientado pela postura da pesquisadoraencarnada. A metodologia inclui a aplicação de questionários a aproximadamente 200 participantes e a realização de entrevistas semiestruturadas com até 20 mulheres atuantes na APS em diferentes regiões do país. Os dados serão analisados por meio de análise temática e de conteúdo. Espera-se contribuir para o debate sobre o cuidado e para a formulação de políticas voltadas à redução das iniquidades e à melhoria das condições de vida e trabalho das mulheres.