O (Im)pacto da Branquitude: uma autoetnografia sobre a racialização de experiências profissionais negras no mundo corporativo
Racialização; Diversidade e inclusão; Profissionais Negros; Autoetnografia
Embora as iniciativas de diversidade e inclusão racial tenham se expandido no campo organizacional nas últimas décadas, seus efeitos sobre a experiência vivida de profissionais negros permanecem negligenciados na avaliação da eficácia e eficiência de tais iniciativas. Esta estudo autoetnográfico teve como objetivo analisar a reprodução da racialização de experiências profissionais de uma mulher negra em contextos corporativos majoritariamente brancos, considerando seus efeitos subjetivos, relacionais e organizacionais ao longo da trajetória profissional. O estudo foi teoricamente informado por operadores analíticos centrais para a interpretação das relações raciais no campo do trabalho: princípios da Teoria Crítica da Raça, a noção de ideologias raciais e de pacto da branquitude. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa de natureza autoetnográfica que mobilizou a análise narrativa para interpretar episódios-chave da biografia profissional da primeira autora em diferentes setores, contextos organizacionais e níveis hierárquicos. Os resultados evidenciam que a racialização das experiências profissionais se manifesta por meio de códigos organizacionais implícitos, exigências de performance comportamental, mecanismos de pertencimento e exclusão e processos de adoecimento associados à convergência de interesses institucionais. Conclui-se que, quando dissociadas de mudanças institucionais mais profundas, as iniciativas de diversidade tendem a reconfigurar a forma da exclusão, mantendo o ônus da adaptação concentrado sobre profissionais negros e intensificando os custos subjetivos da permanência no mercado de trabalho.