Liderança de mulheres: um modelo multinível integrando fatores organizacionais, relacionais e psicológicos
Desenvolvimento profissional; motivação para liderar; suporte organizacional; redes de colaboração; liderança de mulheres.
A literatura de gênero indica que a liderança de mulheres envolve fatores individuais, relacionais e estruturais, mas ainda carece de modelos que integrem dimensões organizacionais, relacionais e psicológicas para explicar o desenvolvimento profissional de mulheres. Esta tese busca investigar de que forma a percepção de redes de colaboração entre mulheres e recursos psicológicos influenciam a motivação para liderar, bem como examinar o papel dessa motivação na explicação do desenvolvimento profissional, considerando ainda o efeito moderador do suporte organizacional à equidade de gênero nessa relação. O modelo integra fatores organizacionais, relacionais e psicológicos, nos quais a percepção de redes de colaboração entre mulheres atua como antecedente de variáveis individuais, empoderamento psicológico, autoeficácia de liderança e identidade de líder, que, por sua vez, influenciam a motivação para liderar. A motivação para liderar é concebida como mecanismo central na explicação do desenvolvimento profissional, enquanto o suporte organizacional à equidade de gênero atua como moderador da relação entre motivação para liderar e desenvolvimento profissional. A pesquisa adota um delineamento misto, estruturado em três estudos complementares: (1) construção e validação de instrumentos para mensurar suporte organizacional à equidade de gênero; (2) survey transversal com mulheres de diferentes organizações, com o objetivo de testar o modelo teórico proposto; e (3) grupos focais com mulheres para aprofundar a compreensão das percepções sobre desenvolvimento profissional. As análises incluem estatísticas descritivas, análises fatoriais exploratória e confirmatória, modelagem de equações estruturais e análise lexicométrica. Espera-se que os resultados desta tese avancem na compreensão psicossocial da liderança de mulheres ao evidenciar os mecanismos pelos quais fatores organizacionais, relacionais e psicológicos se articulam na formação da motivação para liderar e em sua conversão em desenvolvimento profissional. No plano prático, os resultados oferecem subsídios mais precisos para o desenho de intervenções organizacionais, ao indicar que políticas de equidade devem ir além de iniciativas formais, contemplando o fortalecimento de redes de colaboração entre mulheres, o desenvolvimento de recursos psicológicos associados à liderança e a criação de contextos que legitimem e sustentem o engajamento em trajetórias de liderança. Como também, a adaptação de instrumento com validade psicométrica para o contexto brasileiro possibilita o diagnóstico organizacional e a avaliação de intervenções voltadas à promoção da equidade de gênero.