Envelhecimento Populacional como Ameaça Percebida: Efeitos sobre o Etarismo e o Apoio a Políticas Públicas para Pessoas Idosas
Etarismo; Envelhecimento Populacional; Ameaça Intergrupal; Gestão do Terror; Políticas Públicas.
Esta tese investigou como a percepção de ameaça associada ao envelhecimento populacional influencia as emoções dirigidas às pessoas idosas e o apoio a políticas públicas voltadas a essa população, examinando o papel mediador da ansiedade de morte e da ansiedade de envelhecimento e o papel moderador das normas sociais antipreconceito e dos estereótipos negativos. O trabalho ancora-se na Teoria da Ameaça Intergrupal, na Teoria da Gestão do Terror e no Modelo BIAS, e organiza-se em três artigos. O Artigo 1 (N = 556) reuniu evidências de validade e precisão da Escala de Ansiedade de Morte (DAS) em uma amostra brasileira, confirmando uma estrutura unifatorial de 14 itens e correlações coerentes com dimensões de etarismo e de ansiedade de envelhecimento. O Artigo 2 (N = 556) reuniu evidências de validade e precisão da Escala de Ansiedade de Envelhecimento (AAS) na mesma amostra, identificando uma estrutura de quatro fatores com ajuste satisfatório (42,1% da variância explicada). O Artigo 3 testou experimentalmente o modelo proposto por meio de três estudos. O Estudo 1 (N = 211) não encontrou efeito direto da manipulação de ameaça demográfica sobre os mediadores cognitivos nem sobre as emoções, mas evidenciou que a percepção de ameaça intergeracional predisse consistentemente as emoções de hostilidade e de ansiedade intergrupais dirigidas a pessoas idosas. O Estudo 2 (N = 461) , com a manipulação redesenhada por meio de um enquadramento explícito de competição por recursos entre gerações, ativou os mediadores cognitivos — percepção de ameaça intergeracional e crença de soma zero —, cujos efeitos sobre as emoções confirmaram o padrão anterior. A hostilidade emergiu como principal preditora do apoio a políticas excludentes e da redução do apoio a políticas inclusivas, ao passo que o paternalismo predisse o apoio a políticas inclusivas e às de cuidado e controle, em um padrão coerente com o Modelo BIAS. O Estudo 3 (N = 414) , de delineamento fatorial 2 (ameaça demográfica) × 2 (saliência de mortalidade), com a ansiedade de morte como traço examinada como moderadora, integrou o mecanismo existencial e examinou conjuntamente os efeitos da ameaça demográfica e da saliência de mortalidade sobre as emoções e o apoio a políticas públicas, testando a dissociação prevista entre as duas vias. Em conjunto, os achados sugerem que percepções de ameaça e crenças de competição intergeracional, mais do que a mera exposição a projeções demográficas, sustentam respostas emocionais e atitudes etaristas com implicações diretas para o apoio a políticas públicas.