Banca de DEFESA: CAROLINA GUIDA TEIXEIRA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : CAROLINA GUIDA TEIXEIRA
DATA : 17/04/2026
HORA: 19:00
LOCAL: sala de videoconferência
TÍTULO:

Cristais do São Francisco: Fraturas por Sobradinho e Itaparica nos ciclos da matéria e da memória


PALAVRAS-CHAVES:

História do Planejamento Urbano e Regional; Território; Infraestruturas; Usinas Hidrelétricas; Cidades Barrageiras; Cidades Novas.


PÁGINAS: 450
RESUMO:

O estrondo que anunciou o fim de mundos inteiros no Vale do São Francisco não veio do céu, mas do avanço inexorável das águas que, ao se avolumarem, devoraram a paisagem para cumprir sua promessa de “redenção”. Por séculos, a perenidade do rio, em pleno semiárido, desenhou um leito civilizatório que atraiu comunidades e consolidou cidades; a partir da década de 1970, porém, as águas que fundavam passaram a afundar. No avanço da demanda energética dos centros industriais, o sertão foi convertido em “zona de sacrifício”, encontrando no Polígono das Secas – estigmatizado como “região-problema” – a legitimidade para a construção de sucessivas muralhas de concreto que afundaram cidades inteiras. Nesse gesto inscreve-se o Capitaloceno – quando o rio é convertido em mercadoria e a bacia em campo de expropriação – tendo nas usinas de Sobradinho (1979) e Itaparica (1988) seus emblemas, expressos na submersão de sete núcleos urbanos e no desalojamento de aproximadamente 137 mil pessoas. Ao acorrentar o Velho Chico, tal engenharia estancou o pulso das cheias e vazantes e instaurou uma temporalidade que, tal qual o rio, paralisou-se. Nesse tempo suspenso, o passado reprimido de habitar apenas o pretérito e passa a tensionar continuamente o presente. Sob a lente da “imagem-cristal” de Gilles Deleuze e da “duração” de Henri Bergson, a pesquisa investiga a circularidade de um território cindido pelas barragens, onde a matéria e a memória retornam, configurando a cisão entre um passado virtualmente intacto e um presente materialmente fraturado. Tal ruptura desdobra-se em quatro fraturas: a ambiental, na qual o ciclo ancestral de simbiose entre rio, terra e homem retorna como um circuito necrófago; a social, em que a promessa estatal de progresso e luz refrata-se no desterro e reaparece como espera; a material, onde as cidades novas erguem-se dos escombros das antigas; e a memorial, na qual a rachadura do território concentra a fissura do trauma. Metodologicamente, o trabalho combina história, urbanismo e sociologia por meio de cartografia crítica e um mosaico de vozes (2021-2024). Para além do apagamento físico, a investigação desvela uma paisagem de insistências onde nada possui início ou fim quando a inundação se dá por dentro; pelas fendas abertas pelo desenvolvimento, o represado transborda e a vida insiste em brotar, fazendo da morte o substrato que sustenta o eterno retorno da existência.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1374229 - RICARDO TREVISAN
Interno - 1083498 - CARLOS HENRIQUE MAGALHAES DE LIMA
Interna - 1855707 - CAROLINA PESCATORI CANDIDO DA SILVA
Externa à Instituição - RITA DE CASSIA LUCENA VELLOSO - UFMG
Notícia cadastrada em: 16/04/2026 11:32
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