MORADA CANDANGA: a Fazendinha da Vila Planalto como vestígio de uma brasília em construção.
Conjunto Fazendinha; Vila Planalto; Brasília; Arquitetura moderna; Madeira; Sintaxe Espacial.
A Fazendinha é um conjunto de casas em madeira localizado na Vila Planalto, erguido ainda no início da construção de Brasília, entre 1957 e 1960, como parte dos acampamentos que abrigaram trabalhadores, sobretudo engenheiros, e técnicos responsável pela construção da capital. Entendida aqui como expressão de uma “morada candanga”, a Fazendinha constitui um vestígio das formas de habitar do início da cidade. Nesse contexto, o trabalho investiga as condições de permanência desse conjunto, originalmente concebido como provisório, analisando suas relações com a arquitetura moderna dita candanga, com a sua condição socioespacial no âmbito dos acampamentos e seu percurso histórico. A pesquisa articula métodos histórico-interpretativa sob análise documental, iconográfica e cartográfica a procedimentos de análises configuracionais, a partir da Sintaxe Espacial, a fim de compreender a organização espacial das habitações e suas implicações nos modos habitar. Os resultados evidenciam que a permanência da Fazendinha se configura como um fenômeno paradoxal: embora concebida como arquitetura provisória, em madeira e vinculada à lógica transitória dos acampamentos, o conjunto se consolida como forma de habitar permanente. Dessa maneira, o estudo contribui para a compreensão da arquitetura provisória na formação de Brasília, que permaneceu e faz parte do patrimônio material da cidade, além do seu suporte material das dinâmicas social que marcam os acampamentos no processo de construção da cidade e permanência de seus moradores.