TERREITÓRIOS DE CANDOMBLÉ: (sobre)vivências e arquiteturas da reexistência
Arquitetura afro-brasileira; Candomblé; Terreitório de Candomblé; Patrimônio Cultural; e Racismos religioso, epistemológico e ambiental.
Os estudos afro-brasileiros, desde seus precursores Nina Rodrigues (1896), Arthur Ramos (1934), Edison Carneiro (1948) e Roger Bastide (1961), adentraram os terreiros de candomblé e descreveram, entre as variáveis percepções, suas dinâmicas ritualísticas, parentais, socioespaciais e arquitetônicas. Contudo, estes estudos canônicos concentraram suas pesquisas nos terreiros de origem nagô. Na busca em romper com esta barreira acadêmica, diversificar os campos de estudo sobre esta temática, e ampliar o entendimento acerca da dimensão ser/pertencer a estes espaços de terreiro, que se definem pela complexa relação estabelecida entre a ancestralidade, o corpo e o espaço que ocupam, este trabalho traz uma nova roupagem para o termo terreiro de candomblé, trazido para esta pesquisa através do conceito Terreitório de candomblé. Para isto, costuro reflexões relacionais entre a Antropologia Social, a História e a Geografia Cultural. Através da metodologia de pesquisa qualitativa (Minayo, 2001), procuro mensurar a realidade que não é quantificada (Peirano, 2008), mas que pode ser percebida através dos valores, significados, crenças, pertencimentos e demais variáveis. Diante disso, esta pesquisa busca ampliar a compreensão arquitetônica desses territórios, ilustrar a complexidade (tangível e intangível) que materializa e edifica todo este conjunto. Analisar as partes a fim de se compreender o todo (Lévi-Strauss, 1958), e assim elucidar sua autenticidade (Menezes, 1984). Tal autenticidade fundamentada a partir da rizomática complexidade que será descrita neste estudo, ainda é compreendida pelas políticas de proteção ao patrimônio de maneira separatista, dicotômica e dual (material/imaterial, tangível/intangível, imóvel/móvel etc.). A fim de se estender esta compreensão, esta pesquisa também adentra na história da construção da noção e do ideário de patrimônio cultural brasileiro, perpassando a maneira pela qual a estruturação dessas políticas de salvaguarda caminhara e por vezes ainda caminha, com o ideário nacionalista e de pureza cultural.