Projeto Pedagógico do Curso

Segundo as diretrizes curriculares nacionais para o Curso de Física 3, o perfil do egresso em cursos de Bacharelado em Física deve corresponder à seguinte descrição: Físico – pesquisador: ocupa-se preferencialmente de pesquisa, básica ou aplicada, em universidades e centros de pesquisa. Esse é com certeza, o campo de atuação mais bem definido e o que tradicionalmente tem representado o perfil profissional idealizado na maior parte dos cursos de graduação que conduzem ao Bacharelado em Física.

O espírito científico, com o pensamento reflexivo que lhe é natural, fica mapeado no presente PPP-Bacharelado/Física na existência de um Programa PET, no fomento à prática de pesquisa no Programa de Iniciação Científica da Universidade de Brasília, nos programas de Extensão desta Universidade, no Programa Jovens Talentos, da CAPES, além de muitos outros programas de caráter mais sazonal. Estes elementos são ainda, na especificidade do curso de Física à qual já se aludiu, reforçados pelo novo grau de importância que a prática experimental ganha na formação dos alunos. Está no cerne da capacidade de reflexão em Física a possibilidade de cotejamento entre os resultados hauridos dos procedimentos teóricos e aqueles verificados ou verificáveis pelos processos experimentais. Os elementos de erudição, tão caros ao presente Projeto, municiam o aluno egresso com as ferramentas mais importantes para um desempenho flexível e profundo em seu processo de inserção no mercado de trabalho. Sua formação, mediada por incursões nos aspectos históricos e filosóficos da Física, permitem um desenvolvimento mais sólido, no qual a Física não é mais vista como ciência acabada, mas campo de conhecimento vivo, em constante transformação mediada por elementos históricos e sociais sem os quais seus desenvolvimentos restam incompreensíveis. Está prevista na nova grade curricular toda uma cadeia de seletividade que conta com inúmeras disciplinas (e.g. Filosofia da Física, História da Física, etc.) capazes de desenvolver essa característica no aluno. Dada a característica do curso de Física, na sua relação próxima com os desenvolvimentos tecnológicos, principalmente computacionais, fomenta-se no egresso, igualmente, uma grande erudição nos mais recentes avanços da Cultura nesse campo. Mais especificamente, há inúmeras disciplinas sobre o que há de mais recente em desenvolvimentos computacionais no campo da Física, bem como disciplinas envolvendo a criação de novos materiais, para citar apenas alguns exemplos. Para além de seus elementos mais específicos, a grade curricular do Bacharelado em Física ora proposta também fornece ao aluno a possibilidade de uma atuação ética, que compreende o adequado dimensionamento das questões relativas à formação étnica brasileira, assim como daquelas questões referentes à relação entre os indivíduos e os elementos naturais, na promoção de uma formação ética também no processo de educação ambiental.

Competências: C1 Dominar princípios gerais e fundamentos da Física, estando familiarizado com suas áreas clássicas e modernas; C2 Descrever e explicar fenômenos naturais, processos e equipamentos tecnológicos em termos de conceitos, teorias e princípios físicos gerais; C3 Diagnosticar, formular e encaminhar a solução de problemas físicos, experimentais ou teóricos, práticos ou abstratos, fazendo uso dos instrumentos laboratoriais ou matemáticos apropriados; C4 Manter atualizada sua cultura científica geral e sua cultura técnica profissional específica; C5 Desenvolver uma ética de atuação profissional e a consequente responsabilidade social, compreendendo a Ciência como conhecimento histórico, desenvolvido em diferentes contextos sociopolíticos, culturais e econômicos.

Habiidades: H1 Utilizar a matemática como uma linguagem para a expressão dos fenômenos naturais; H2 Resolver problemas experimentais, desde seu reconhecimento e a realização de medições, até à análise de resultados; H3 Propor, elaborar e utilizar modelos físicos, reconhecendo seus domínios de validade; H4 Concentrar esforços e persistir na busca de soluções para problemas de solução elaborada e demorada; H5 Utilizar a linguagem científica na expressão de conceitos físicos, na descrição de procedimentos de trabalhos científicos e na divulgação de seus resultados; H6 Utilizar os diversos recursos da informática, dispondo de noções de linguagem computacional; H7 Conhecer e absorver novas técnicas, métodos ou uso de instrumentos, seja em medições, seja em análise de dados (teóricos ou experimentais); H8 Reconhecer as relações do desenvolvimento da Física com outras áreas do saber, tecnologias e instâncias sociais, especialmente contemporâneas; H9 Apresentar resultados científicos em distintas formas de expressão, tais como relatórios, trabalhos para publicação, seminários e palestras.

A avaliação do ensino e da aprendizagem é considerada como processo permanente e sistemático que deve ocorrer durante todas as etapas da formação e deve abranger todos os componentes curriculares do curso. A finalidade da avaliação é compreender as diferentes variáveis que incidem sobre a qualidade do Curso e de sua formação. No âmbito das disciplinas, os docentes possuem autonomia para estabelecer os mecanismos avaliativos dos discentes, que levam em consideração alguns princípios discutidos coletivamente: ● diversificação das modalidades e temporalidades das avaliações, ou seja, busca-se combinar diferentes tipos de avaliação (provas individuais, coletivas, trabalhos, seminários, apresentações, realização de investigações) em diferentes momentos da disciplina, em função de sua modalidade (disciplina teórica, disciplina prática, disciplina teórico-prática, etc); ● exploração da criatividade e capacidade de análise crítica dos discentes, em substituição a avaliações fundadas meramente na memória de conteúdos; ● estímulo a avaliações que explorem a capacidade criativa dos discentes no processo de abstração e absorção dos conteúdos. As avaliações realizadas pelos docentes ficam sob sua guarda/responsabilidade por um semestre, e os discentes possuem mecanismos legais/regimentais para contestação, recursos, e questionamento dos critérios avaliativos nas instâncias institucionais. Neste âmbito, os alunos devem obter notas finais iguais ou superiores a 5,0 para aprovação. A Universidade de Brasília adota o sistema de menções para avaliar seus alunos. Ao final do semestre, a nota obtida pelo estudante é convertida em uma menção, seguindo a equivalência: • SS - Superior (9,0 a 10,0) • MS - Médio superior (7,0 a 8,9) • MM - Médio (5,0 a 6,9) • MI - Médio inferior (3,0 a 4,9) • II - Inferior (0,1 a 2,9) • SR - Sem rendimendo (zero) As menções para aprovação são MM, MS e SS. A menção SR é atribuída à reprovação por faltas, quando o aluno não compareceu ao mínimo de 75% das aulas. A Universidade conta ainda com um importante indicador geral - o Índice de Rendimento Acadêmico (IRA). O IRA é o índice calculado com base nos créditos cursados pelos estudantes, bem como as menções obtidas por eles nas disciplinas em questão. Ele varia de 0,0 a 5,0. Seu cálculo é feito segundo os critérios: ● Cada menção tem um peso: SS=5, MS=4, MM=3, MI=2, II=1, SR=0. Assim, se o aluno obtiver apenas menções SS em seu currículo seu IRA será 5,0. Diz-se que cada menção "puxa" o IRA para o valor do seu peso. Um IRA entre 3,0 e 4,0 é médio, acima disso é alto e abaixo de 3,0 é baixo. Essas classificações são extraoficiais, mas para algumas atividades extracurriculares na universidade, como intercâmbio, ingressar em um dos grupos PET pode ser requerido um IRA geralmente maior ou igual a 3,0 ou 3,2. No âmbito dos Projetos de Pesquisa, as avaliações são realizadas internamente pela equipe e externamente pelas agências financiadoras de pesquisa, quando for o caso; os resultados das pesquisas são socializados no Congresso Anual de Iniciação Científica (CIC) da UnB, e avaliados por dois avaliadores externos, sendo um da área de Física e outro da área geral de Ciências Exatas. Vários discentes do Departamento já receberam prêmios por suas pesquisas no âmbito do CIC. A participação em Projetos de Extensão também é avaliada pela própria equipe e as atividades são socializadas na Semana de Extensão, realizadas anualmente na UnB. O desempenho dos discentes em atividades de monitoria nas disciplinas também é objeto de avaliação semestral, ao final da disciplina, com base em relatório preenchido pelo docente e pelo discente, que avaliam conjuntamente o desempenho na disciplina. O Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso (PTCC) é avaliado pelo professor orientador e por banca constituída pelo Colegiado de Curso com número variável (mas maior ou igual a dois) de professores do Instituto de Física e o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é avaliado por banca composta por três profissionais, sendo o orientador, um docente do Instituto de Física e o terceiro podendo ser docente do Instituto ou membro externo. Os procedimentos avaliativos estão em consonância com os princípios, orientações pedagógicas, objetivos e perfil dos egressos deste Projeto Pedagógico.

Do curso:

Os componentes previstos neste Projeto Pedagógico (PPC) devem estabelecer articulação com o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) e com o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), quanto ao referencial teórico-metodológico, princípios e diretrizes, abordagens, estratégias e ações por meio de práticas institucionais sólidas e de ações desenvolvidas pelos sujeitos institucionais junto à sociedade que assumirão formas diversas conforme demandas e possibilidades reais contextualizadas e obedecendo a dinâmica da realidade. O acompanhamento e avaliação do curso buscará atender às Metas e Estratégias traçadas pela UnB e as ações e projetos propostos pela Unidade Acadêmica para fortalecimento do Curso e do Instituto. Orientar-se-á também pela avaliação produzida das Unidades semestralmente no momento da avaliação docente. Requer também o acompanhamento da dinâmica das alterações e reais demandas do mercado de trabalho; criação de mecanismos de acompanhamento dos egressos na inserção no mercado de trabalho e o perfil correspondente ao referencial teórico-metodológico verificando a coerência entre as competências e habilidades desenvolvidas e as demandas profissionais. Este acompanhamento será realizado por meio de levantamento permanente da aprovação dos egressos em concursos públicos, da relação entre número de egressos e da entrada no mercado de trabalho, e adequação da formação oferecida às necessidades profissionais e sociais.

Das disciplinas:

As disciplinas configuram-se em importante componente curricular que deve oferecer concretude ao Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e a observância da coerência das disciplinas com este, oferece garantia para uma adequada formação. A avaliação utilizará, como um dos elementos, o resultado da avaliação produzida nas Unidades Acadêmicas semestralmente no momento da avaliação docente. O acompanhamento das disciplinas pelo Instituto será realizado por meio de oficinas periódicas com o objetivo de analisar ementas, programas e bibliografia das disciplinas, verificando o cumprimento das ementas e a necessidade de atualizações e/ou alterações e por meio da Comissão Docente Estruturante criada no Instituto em 2013.

Do corpo docente

Formação: No processo de avaliação será considerada a compatibilidade da formação e trajetória profissional do docente, considerando as competências desenvolvidas que propiciam aos docentes aptidões que o habilitam de forma mais adequada para disciplinas específicas, e sua formação geral para um conjunto ampliado de outras disciplinas. A qualificação do corpo docente constitui uma preocupação do Instituto, assegurada na Política de Afastamento em vigor no Instituto de Física. A Universidade de Brasília conta com um sistema de avaliação permanente do corpo docente pelo corpo discente que fornece dados preciosos para intervenções.

Pesquisa e Extensão:

A pesquisa e inserção do docente em Grupos de Pesquisa cadastrados no CNPq é um elemento de avaliação a ser considerado permanentemente, pois constitui um importante indicador de produção de conhecimento envolvendo alunos da graduação e da pós-graduação. A socialização das pesquisas por meio da produção bibliográfica e técnica é outro importante elemento de avaliação docente. Outro item que deve compor a avaliação é a experiência profissional e acadêmica, tempo de dedicação, carga horária dos docentes se elas permitem que o mesmo realize todas as atividades previstas no plano pedagógico do curso.

Capacitação:

O curso tem consolidado institucionalmente uma política de afastamento para capacitação permanente do corpo docente, o que permite uma qualificação e formação continuada no Instituto de Física da UnB.

Do Corpo Discente:

O Instituto prevê mecanismos efetivos de incentivo, apoio, promoção e participação de eventos internos e externos no sentido de qualificar o processo de formação do corpo discente, previstos e aprovados no PDI do Instituto de Física. Outro item destacado é o mecanismo de nivelamento para que os alunos possam se qualificar principalmente na produção de textos, artigos e outros. A vinculação a grupos de pesquisas do Instituto representa uma possibilidade para tal qualificação. O processo de avaliação individual será realizado em cada um dos componentes curricular que o discente estiver vinculado, como disciplinas, monitoria, projetos de pesquisa, atividade e eventos de extensão, estágio, e TCC, dentre outros, sob a responsabilidade do professor/coordenador. Há ainda a avaliação produzida pelo próprio MEC através do ENADE.

Do Corpo Técnico-administrativo:

A avaliação do corpo de técnico-administrativo será realizada permanentemente pela gestão do Instituto e especificamente em período de progressão funcional, conforme normas institucionais. A avaliação deve considerar a adequação da formação e experiência profissional do corpo técnico-administrativo ao projeto de desenvolvimento dos cursos diurno e noturno e do Instituto, bem como a compatibilidade da quantidade de profissionais às necessidades destes cursos.

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