O fonoaudiólogo egresso da UnB possui uma visão integrada das ciências e conhecimentos que fundamentam sua prática, para a promoção da funcionalidade e comunicação humana, com suas diferenças, reconhecidas por suas características próprias nos ciclos da vida. Será capaz de se incorporar como parte fundamental nos sistemas de saúde, assistência e educação, reconhecendo sua atuação não como especialidade, mas sim como integralidade na atenção individual e coletiva, capacitado a fazer uso de abordagens, métodos, técnicas, exercícios e instrumentais avaliativos, profiláticos, de treinamento e reabilitação próprios do seu exercício profissional e/ou compartilhados com o exercício de outras profissões. Será capaz de liderar ou integrar equipes multiprofissionais em ações interdisciplinares para promover saúde, acessibilidade e desenvolvimento social, continuamente repensando os saberes e os fazeres do fonoaudiólogo, bem como ter uma visão inovadora que também promova o desenvolvimento científico e tecnológico na área da saúde e em particular para a Fonoaudiologia. Adquirirá competências que o permitirão exercer a Fonoaudiologia enquanto instrumental, enquanto profissão e enquanto ciência, apto a atuar como fonoaudiólogo na assistência, no magistério superior, na pesquisa, na gestão e como figura política; capaz de promover sua prática profissional baseada em evidências e reflexões, bem como estabelecer indicadores e balizadores para se criar, fomentar e fortalecer políticas públicas.
As competências e habilidades específicas esperadas do egresso do curso de Fonoaudiologia da FCE/UnB são:
I. compreender e analisar criticamente os sistemas teóricos e conceituais envolvidos no campo fonoaudiológico, que abrange o estudo da motricidade oral, voz, fala, linguagem oral e escrita e da audição, e os métodos clínicos utilizados para prevenir, avaliar, diagnosticar e tratar os distúrbios da linguagem (oral e escrita), audição, voz e sistema sensório motor oral;
II. compreender a constituição do humano, as relações sociais, o psiquismo, a linguagem, a aprendizagem. O estudo deste processo como condição para a compreensão da gênese e da evolução das alterações fonoaudiológicas;
III. apreender as dimensões e processos fonoaudiológicos em sua amplitude e complexidade;
IV. avaliar, diagnosticar, prevenir e tratar os distúrbios pertinentes ao campo fonoaudiológico em toda extensão e complexidade;
V. apreender e elaborar criticamente o amplo leque de questões clínicas, científico-filosóficas, éticas, políticas, sociais e culturais implicadas na atuação profissional do fonoaudiólogo, capacitando-se para realizar intervenções apropriadas às diferentes demandas sociais;
VI. possuir uma formação científica, generalista, que permita dominar e integrar os conhecimentos, atitudes e informações necessários aos vários tipos de atuação em Fonoaudiologia;
VII. reconhecer a saúde como direito e atuar de forma a garantir a integralidade da assistência entendida como o conjunto articulado e contínuo de ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema;
VIII. desenvolver, participar e/ou analisar projetos de atuação profissional disciplinares, multidisciplinares, interdisciplinares e transdisciplinares;
IX. possuir recursos científicos, teórico-práticos e éticos que permitam a atuação profissional e reavaliação de condutas;
X. conquistar autonomia pessoal e intelectual necessárias para empreender sua contínua formação profissional;
XI. situar a Fonoaudiologia em relação às outras áreas do saber que compõem e compartilham sua formação e atuação;
XII. observar, descrever e interpretar de modo fundamentado e crítico as situações da realidade que concernem ao seu universo profissional;
XIII. pensar sua profissão e atuação de forma articulada ao contexto social, entendendo-a como uma forma de participação e contribuição social;
XIV. conhecer métodos e técnicas de investigação e elaboração de trabalhos acadêmicos e científicos;
XV. utilizar, acompanhar e incorporar inovações técnico-científicas no campo fonoaudiológico. Desta forma, considerando o egresso do Curso em seus aspectos social e profissional, o Curso prepara o fonoaudiólogo com perfil generalista, capaz de desenvolver ações de atenção à saúde a partir de decisões baseadas em evidências científicas, privilegiando a comunicação com outros profissionais e o público em geral. Comprometido com a realidade, o aprendizado contínuo e o gerenciamento da força de trabalho, dos recursos físicos e materiais; apto a empreender, gerir e liderar equipes
Em acordo com o PDI 2018-2022 da Universidade de Brasília, a metodologia do curso de Fonoaudiologia se baseia em princípios que promovem a observação e a reflexão da realidade, aprofundando a articulação entre a teoria e a prática, contribuindo para a integralização das atividades acadêmicas por meio da oferta de componentes curriculares obrigatórios com conteúdos técnicos, científicos e práticos integrados. O currículo busca não apenas um forte embasamento teórico, como também proporcionar situações e problemas práticos interdisciplinares para aplicação do conhecimento adquirido. Os alunos trabalham de forma individual ou conjunta, conhecendo e aprendendo a utilizar diversas abordagens, métodos, técnicas e tecnologias. O aluno é incentivado a participar de atividades extracurriculares como: projetos de pesquisa, iniciação científica, atividades complementares à formação, eventos técnico-científicos, entre outras, uma vez que esta vivência também permite a aplicação dos conhecimentos de maneira transversal e interdisciplinar, melhorando sua formação e sua capacidade de lidar com a diversidade dentro e fora da Universidade.
O PPC do Curso de Fonoaudiologia da FCE/UnB, em consonância com as DCN para a área, ressalta a importância da articulação ensino-serviço-comunidade, objetivando “a formação geral e específica dos egressos/profissionais com ênfase na promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, indicando as competências comuns gerais para esse perfil de formação contemporânea dentro de referenciais nacionais e internacionais de qualidade” (p.3, Parecer CNE/CES nº 1133/200148 , de 03/10/2001). Nesta perspectiva, procura prover uma formação que acompanha as necessidades sociais em saúde da população local e regional mediada pela articulação entre teoria e prática, assumindo como princípios orientadores:
I. Campo da saúde: Entende-se o campo da saúde como a totalidade das práticas da saúde, onde se articulam o modo de vida, a biologia humana e as formas de estruturação, organização e atenção à saúde. Essa articulação é mediada pela integração do espaço da formação (universidade) e o mundo do trabalho (cenário das práticas de saúde) que se concretiza nas atividades de ensino, pesquisa e extensão;
II. Concepção de saúde: A saúde é compreendida em seu sentido amplo, como uma resultante do modo de vida, que toma como objeto as necessidades sociais e o direito à saúde. Por modo de vida, entende-se as práticas estruturadas dos indivíduos e grupos. A concepção de saúde que norteia o processo de formação pretende avançar para o campo da promoção da saúde, com práticas de prevenção de riscos e danos; de promoção e proteção da saúde;
III. Saúde-doença como um processo: A saúde-doença é vista como decorrente de um conjunto de práticas que ultrapassa os fenômenos de natureza biológica. Incorpora o modo de produção da sociedade e as relações que se estabelecem entre os indivíduos e grupos sociais, as suas subjetividades e as diversidades. Essa dinâmica se expressa no modo como os indivíduos e grupos nascem, crescem, reproduzem-se, trabalham, sofrem desgastes nas dimensões físicas, biológicas, psicológicas e espirituais, adoecem e morrem;
IV. Interdisciplinaridade: Entende-se a interdisciplinaridade como uma das estratégias para que áreas do conhecimento delimitadas e separadas encontrem e produzam novas possibilidades, favorecendo as relações entre diferentes conteúdos no âmbito do ensino, da pesquisa e da extensão. Busca-se, a troca de experiências e saberes mediante uma postura de respeito à diversidade e cooperação, como forma de efetivação de práticas transformadoras no campo da saúde;
V. Integralidade da atenção à saúde: A integralidade da atenção à saúde como eixo organizativo de práticas de gestão das ações que considera a articulação dos níveis preventivo, assistencial e promocional; do biológico e do social; e traduz-se na articulação/diálogo que envolve as redes de atenção à saúde básica, média e de alta complexidade;
VI. Orientação metodológica: O projeto político-pedagógico dos cursos de graduação orienta-se por metodologias ativas e emancipadoras, e tem como eixo central a construção das competências e habilidades que valorizem o significado da experiência do estudante e a sua individualidade.
A aprendizagem significativa refere-se ao vínculo entre o novo material de aprendizagem e os conhecimentos prévios dos estudantes e a sua capacidade de estabelecer as relações do novo com os conhecimentos prévios. Tem na intervenção pedagógica a finalidade de proporcionar ao estudante a base necessária para compreender como e porque se relacionam os novos acontecimentos com os que já possui e transmitir-lhe o suporte efetivo que possibilite utilizar estes novos conhecimentos em diferentes contextos. Entende-se, que o método de ensino-aprendizagem, não deve ser único, mas deve perpassar várias possibilidades. No entanto, as estratégias que induzem a integração entre ensino, pesquisa e extensão têm caráter central, e se refletem nas atividades voltadas para as necessidades da realidade local; na busca de parcerias com a comunidade, estimuladas especialmente, pelo envolvimento dos serviços no processo de formação, a exemplo da participação dos profissionais das redes de educação e saúde, no papel de supervisores de estágio. A aquisição das competências profissionais deve ser promovida desde os estágios iniciais de formação e evoluir gradualmente em termos de independência e autonomia do estudante. Assim como previsto no Projeto Pedagógico Institucional, o PPC do curso de Fonoaudiologia da FCE/UnB oferece contato com os cenários de prática desde os níveis iniciais em propostas mais observacionais, progredindo para propostas mais demonstrativas, seguida por propostas mais reprodutivas, até alcançar as propostas intervencionistas, observadas nos estágios curriculares obrigatórios. Em paralelo a esta evolução, a presença do docente em termos de ação e acompanhamento diminui gradualmente para que o estudante se sinta cada vez mais responsável pelas suas ações no cenário de prática até que, no estágio curricular obrigatório, o estudante tenha mais contato com o profissional do que com o docente. Nesse enfoque, os conteúdos são entendidos como fatos, conceitos, princípios, procedimentos, normas e valores, possibilitando o desenvolvimento de habilidades, para o saber pensar e o aprender a aprender. Desta forma, busca-se o desenvolvimento de independência para os estudos autodirigidos, para a avaliação crítica das intervenções de saúde e para a resolução de problemas, articulando as dimensões individuais e coletivas inseridas no contexto, possibilitando a construção de competências, entendidas nesta perspectiva, como um conjunto de saberes (conhecimentos), como o saber-fazer (práticas), como o ser profissional (atitudes), bem como o saber-agir (mobilização de todos os aspectos para um fazer mais adequado), junto às capacidades e habilidades, desenvolvidas por meio da integração das realidades do trabalho e da educação.
A CPA, instituída pela Lei Nº 10.861/200454 , é a comissão responsável por coordenar os processos de avaliação interna das IES e pelo fornecimento de informações solicitadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). A CPA da Universidade de Brasília foi instituída pela Resolução CONSUNI nº 31/201355 , e atua de forma autônoma em relação aos órgãos da instituição. Anualmente, a CPA elabora um Relatório de Autoavaliação Institucional, com ações voltadas a avaliar os eixos e dimensões conforme instrumento de avaliação institucional externa utilizado pelo INEP. A autoavaliação visa conhecer a percepção dos usuários dos serviços institucionais e aferir seu grau de satisfação. Ciente dessa tarefa, a CPA lançou o Programa AvaliaUnB, que integra o Plano de Autoavaliação Institucional para triênio 2017-2019. Seu objetivo é ampliar o contato da CPA com as unidades acadêmicas da UnB e desenvolver ações de aproximação com a gestão acadêmica. Nesta ação, a CPA realiza visitas programadas às Faculdades e aos Institutos e apresenta o Relatório de Autoavaliação Institucional, incluindo a reflexão sobre os indicadores acadêmicos, os resultados dos processos de avaliação interna e externa para subsidiar a construção de planos de melhoria e estudos relacionados ao perfil e trajetória dos estudantes, além da política de acompanhamento dos egressos. Além dos processos internos de autoavaliação, o curso de Fonoaudiologia da FCE/UnB também é submetido ao Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), uma prova do Governo Federal que avalia o desempenho dos estudantes de cursos de graduação (bacharelados, licenciaturas e superiores de tecnologia) em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares dos cursos, o desenvolvimento de competências e habilidades necessárias ao aprofundamento da formação geral e profissional, e o nível de atualização dos estudantes com relação à realidade brasileira e mundial. O Ciclo Avaliativo do Enade define as áreas de conhecimento que terão os cursos avaliados a cada ano. As áreas têm seus estudantes concluintes avaliados de três em três anos. A inscrição é obrigatória para estudantes concluintes habilitados de cursos vinculados às áreas de avaliação da edição, desta forma, quem vai se formar nos cursos das áreas avaliadas precisa participar da prova e responder ao Questionário do Estudante para colar grau. Os resultados das provas e as respostas ao Questionário são importantes para os Indicadores de Qualidade da Educação Superior do País. Os cursos e as IES recebem notas de 1 a 5. O Curso de Fonoaudiologia da FCE/UnB foi avaliado em 2019 e obteve Conceito ENADE 4.
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