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Dissertações |
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TAIS OLIVEIRA DE ARAUJO
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Aplicação da inteligência artificial para identificação de mosquitos vetores da febre amarela
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Orientador : RODRIGO GURGEL GONCALVES
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MEMBROS DA BANCA :
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RODRIGO GURGEL GONCALVES
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MARCOS TAKASHI OBARA
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RAFAEL DE OLIVEIRA CHRISTE
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Filipe Vieira Santos de Abreu
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Data: 11/02/2025
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A identificação de mosquitos vetores é fundamental para o controle de doenças. Estudos de identificação automatizada usando Redes Neurais Convolucionais (CNNs) já foram realizados para alguns mosquitos vetores urbanos, mas ainda não para mosquitos silvestres que transmitem a febre amarela e outras arbovíroses. Avaliamos a capacidade da rede CNN AlexNet de identificar quatro espécies de mosquitos: Aedes serratus, Aedes scapularis, Haemagogus leucocelaenus e Sabethes albiprivus e se há variação na capacidade da AlexNet de classificar mosquitos com base em fotos de quatro regiões diferentes do corpo. Os espécimes foram fotografados usando um telefone celular conectado a um estereoscópio. Foram tiradas fotografias de corpo inteiro, pronoto e vista lateral do tórax, que foram pré-processadas para treinar o algoritmo AlexNet. A avaliação foi baseada na matriz de confusão, na média de acurácia (10 pseudo-replicatas) e no intervalo de confiança de cada experimento. Nosso estudo constatou que o AlexNet pode identificar com precisão imagens de mosquitos dos gêneros Aedes, Sabethes e Haemagogus com mais de 90% de precisão. Além disso, o desempenho do algoritmo não mudou de acordo com as regiões do corpo apresentadas. É importante observar que o estado de preservação dos mosquitos, que muitas vezes estavam danificados, pode ter afetado a capacidade da rede de diferenciar essas espécies e, portanto, as taxas de precisão poderiam ter sido ainda maiores. Nossos resultados apoiam a ideia de aplicar CNNs orientadas por IA para identificação automatizada de mosquitos vetores de doenças tropicais. Essa abordagem pode ser usada na vigilância de vetores da febre amarela pelos serviços de saúde e na vigilância de base comunitária.
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Identifying mosquito vectors is crucial for controlling diseases. Automated identification studies using Convolutional Neural Network (CNN) have been conducted for some urban mosquito vectors but not yet for sylvatic mosquito vectors that transmit the yellow fever and other arboviruses. We evaluated the ability of the AlexNet CNN to identify four mosquito species: Aedes serratus, Aedes scapularis, Haemagogus leucocelaenus and Sabethes albiprivus and whether there is variation in AlexNet's ability to classify mosquitoes based on pictures of four different body regions. The specimens were photographed using a cell phone connected to a stereoscope. Photographs were taken of the full-body, pronotum and lateral view of the thorax, which were pre-processed to train the AlexNet algorithm. The evaluation was based on the confusion matrix, the accuracy (10 pseudo-replicates) and the confidence interval for each experiment. Our study found that the AlexNet can accurately identify mosquito pictures of the genus Aedes, Sabethes and Haemagogus with over 90% accuracy. Furthermore, the algorithm performance did not change according to the body regions submitted. It is worth noting that the state of preservation of the mosquitoes, which were often damaged, may have affected the network's ability to differentiate between these species and thus accuracy rates could have been even higher. Our results support the idea of applying CNNs for AI-driven identification of mosquito vectors of tropical diseases. This approach can potentially be used in the surveillance of yellow fever vectors by health services and the population as well.
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ISADORA RIBEIRO DE CARVALHO GOMES
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Identificação de carrapatos de importância em saúde pública na América do Sul com um algoritmo de aprendizagem aprofunda (ALEXNET)
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Orientador : RODRIGO GURGEL GONCALVES
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MEMBROS DA BANCA :
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RODRIGO GURGEL GONCALVES
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MARCOS TAKASHI OBARA
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EDUARDO KREMPSER DA SILVA
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THIAGO FERNANDES MARTINS
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Data: 13/02/2025
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Os carrapatos são ectoparasitos importantes para a abordagem One Health, pois são vetores de patógenos que infectam humanos, animais domésticos e silvestres. Estudos nas áreas médica e biológica mostram que a inteligência artificial, por meio do aprendizado de máquina, tem grande potencial para auxiliar pesquisadores e profissionais de saúde em práticas de identificação por imagens. O objetivo deste estudo foi avaliar o desempenho da Rede Neural Convolucional AlexNet para identificar carrapatos. Organizamos um banco de imagens com os seguintes experimentos: fêmeas (368), machos (458), dorsais (423), ventrais (403), baixa resolução (328), alta resolução (498) e todos juntos (sexo+posição+resolução=826), para identificar os quatro principais vetores de bioagentes da febre maculosa. Organizamos também outro conjunto de imagens com os seguintes experimentos: capacidade de diferenciar carrapatos (1.744 imagens) e outros artrópodes (1.744 imagens); identificação dos gêneros de carrapatos (1.266 imagens imagens de Amblyomma, 255 de Rhipicephalus, 113 de Dermacentor, 102 de Argas e 8 de Ornithodoros); e identificação de 25 espécies de carrapatos. Para avaliar o desempenho da rede, mensuramos a acurácia geral, sensibilidade e especificidade. A rede usou 70% das imagens para treinamento, 10% para validação interna e 20% para testes no MATLAB. No capitulo 1, a AlexNet demonstrou uma acurácia geral de mais de 80% para identificação de carrapatos, com bom desempenho independentemente do sexo, posição ou resolução da imagem. O algoritmo atingiu uma sensibilidade de mais de 80% para identificação correta de A. cajennense s.s., A. sculptum e A. triste, bem como especificidade acima de 90% paraclassificação de todas as espécies, independentemente dos experimentos realizados. No capítulo 2, a AlexNet demonstrou uma acurácia geral de 98% para diferenciar carrapatos de outros artrópodes, 93% para identificação de gêneros e 69% para identificação de espécies. A sensibilidade da rede para identificação de carrapatos foi de 99%, para gêneros foi de 100%, 96%, e 92% na identificação de Argas, Amblyomma e Rhipicephalus, respectivamente. A rede obtive sensibilidades acima de 80% para identificar as espécies Argas miniatus, Amblyomma coelebs, A. geayi, A. varium, R. sanguineus, A. humerale, Rhipicephalus microplus, A. brasiliense e A. maculatum. A especificidade foi de 96% para carrapatos, acima de 0,90 para os gêneros Argas, Dermacentor, Ornithodoros e Rhipicephalus e para as espécies a especificidade foi menor que 0,70. O excelente desempenho da AlexNet para identificação de carrapatos e gêneros representa um passo significativo na direção ao desenvolvimento de um aplicativo para identificação automatizada de carrapatos na América do Sul. Essa inovação poderá contribuir de maneira relevante para a vigilância em saúde pública e para o fortalecimento de iniciativas de ciência cidadã.
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Ticks are important ectoparasites for the One Health approach, as they are vectors of pathogens that infect humans, domestic animals, and wild animals. Studies in the medical and biological fields show that artificial intelligence, through machine learning, has great potential to assist researchers and health professionals in image identification practices. The objective of this study was to evaluate the performance of the AlexNet Convolutional Neural Network to identify ticks. We organized an image bank with the following experiments: females (368), males (458), dorsal (423), ventral (403), low resolution (328), high resolution (498) and all together (sex+position+resolution=826), to identify the four main vectors of spotted fever bioagents. We organized another dataset with the following experiments: ability to differentiate ticks (1,744 images) and other arthropods (1,744 images); identification of tick genera (1,266 images of Amblyomma, 255 of Rhipicephalus, 113 of Dermacentor, 102 of Argas and 8 of Ornithodoros); and identification of 25 tick species. To evaluate the network performance, we measured overall accuracy, sensitivity and specificity. The network used 70% of the images for training, 10% for internal validation, and 20% for testing in MATLAB. In chapter 1, AlexNet demonstrated an overall accuracy of over 80% in identifying ticks, with good performance regardless of sex, position, or image resolution. The algorithm achieved a sensitivity of over 80% in correctly identifying A. cajennense s.s., A. sculptum, and A. triste, as well as specificity above 90% for classifying all species, regardless of the experiments performed. In chapter 2, AlexNet demonstrated an overall accuracy of 98% for differentiating ticks from other arthropods, 93% for identifying genera, and 69% for identifying species. The network's sensitivity for identifying ticks was 99%, and for genera it was 100%, 96%, and 92% for identifying Argas, Amblyomma, and Rhipicephalus, respectively. The species Argas miniatus, Amblyomma coelebs, A. geayi, A. varium, R. sanguineus, A. humerale, Rhipicephalus microplus, A. brasiliense and A. maculatum obtained sensitivities above 80%. The specificity was 96% for ticks, >0.90 for the genera Argas, Dermacentor, Ornithodoros and Rhipicephalus and for the species the specificity was <0.70. The excellent performance of AlexNet in the identification of ticks and genera represents a significant step towards the development of an application for automated tick identification in South America. This innovation could contribute significantly to public health surveillance and to the strengthening of citizen science initiatives.
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ELIAS LUIZ NEVES
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Detecção molecular de múltiplos arbovírus em Aedes aegypti coletados em uma área de vulnerabilidade socioeconômica do Distrito Federal, Brasil
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Orientador : NADJAR NITZ SILVA LOCIKS DE ARAUJO
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MEMBROS DA BANCA :
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NADJAR NITZ SILVA LOCIKS DE ARAUJO
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RODRIGO HADDAD
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RAFAELLA SAYURI IOSHINO
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Tayane Ferreira Nobre
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Data: 26/02/2025
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A emergência de doenças infecciosas zoonóticas tem sido impulsionada por fatores como desmatamento, urbanização desordenada, mudanças climáticas e precariedade no saneamento básico. Dentre essas enfermidades, as arboviroses, como dengue, Zika e Chikungunya representam desafios significativos para a saúde pública. Diante desse cenário, a implementação de ações de vigilância entomovirológica torna-se essencial para compreender a dinâmica de circulação viral e os determinantes da transmissão dos arbovírus. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a circulação de arbovírus coletados em dois setores (Santa Luzia e Setor Oeste) da Cidade Estrutural -DF, região caracterizada por alta vulnerabilidade socioeconômica. A coleta dos mosquitos foi realizada entre julho de 2022 e maio de 2023. Os insetos foram identificados quanto ao sexo e à espécie (Aedes aegypti ou Culex quinquefasciatus). As fêmeas de Aedes aegypti foram agrupadas em pools e submetidas à extração de RNA, seguida da detecção dos arbovírus DENV, ZIKV e CHIKV por RT-qPCR. Os resultados indicaram um aumento significativo na quantidade de mosquitos capturados no setor Santa Luzia (n=4153) em relação Setor Oeste (n=472), sugerindo a influência das condições de saneamento da região na proliferação dos vetores. Cerca de 30% das amostras analisadas foram positivas DENV, ZIKV e CHIKV, independentemente da infraestrutura da região. Além disso, a RT-qPCR revelou à amplificação simultânea desses vírus, evidenciando casos de coinfecções em 10/86 amostras analisadas, dessa maneira, ressaltando a complexidade das interações ecológicas e epidemiológicas associadas às arboviroses. Foi observada uma maior abundância de mosquitos e uma maior prevalência de infecção viral durante meses correspondentes a período chuvoso, devido às condições ambientais favoráveis a reprodução dos vetores. Nosso estudo reforça a importância do monitoramento contínuo da circulação viral em populações de mosquitos, permitindo a antecipação de surtos e o direcionamento de estratégias mais eficazes para o controle dessas doenças.
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The emergence of zoonotic infectious diseases has been driven by factors such as deforestation, unplanned urbanization, climate change, and poor sanitation. Among these diseases, arboviruses such as dengue, Zika, and Chikungunya represent significant challenges to public health. Given this scenario, the implementation of entomovirological surveillance actions becomes essential to understand the dynamics of viral circulation and the determinants of arbovirus transmission. Thus, this study aimed to evaluate the circulation of arboviruses collected in two sectors (Santa Luzia and Setor Oeste) of Estrutural City - DF, a region characterized by high socioeconomic vulnerability. Mosquitoes were collected between July 2022 and May 2023. The insects were identified according to sex and species (Aedes aegypti or Culex quinquefasciatus). Female Aedes aegypti were grouped into pools and subjected to RNA extraction, followed by detection of the arboviruses DENV, ZIKV and CHIKV by RT-qPCR. The results indicated a significant increase in the number of mosquitoes captured in the Santa Luzia sector (n=4153) compared to the West Sector (n=472), suggesting the influence of the region's sanitation conditions on the proliferation of vectors. Approximately 30% of the samples analyzed were positive for DENV, ZIKV and CHIKV, regardless of the region's infrastructure. In addition, RT-qPCR revealed simultaneous amplification of these viruses, evidencing cases of co-infection in 10/86 samples analyzed, thus highlighting the complexity of the ecological and epidemiological interactions associated with arboviruses. A greater abundance of mosquitoes and a higher prevalence of viral infection were observed during months corresponding to the rainy season, due to environmental conditions favorable to the reproduction of vectors. Our study reinforces the importance of continuous monitoring of viral circulation in mosquito populations, allowing us to anticipate outbreaks and direct more effective strategies to control these diseases.
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LUDMILLA MELANIE TAVARES DA SILVA
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Detecção molecular de protozoários de importância médica em Callithrix penicillata (Geoffroy, 1812) de vida livre no Distrito Federal
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Orientador : LUCIANA HAGSTROM BEX
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MEMBROS DA BANCA :
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LUCIANA HAGSTROM BEX
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RODRIGO GURGEL GONCALVES
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ALINE MACHADO RAPELLO DO NASCIMENTO
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TAMIRES EMANUELE VITAL
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Data: 27/02/2025
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A urbanização e o desmatamento têm causado mudanças significativas nas paisagens naturais e rurais. O crescimento populacional e a degradação dos habitats naturais forçam muitos animais silvestres, incluindo primatas não humanos (PNHs) neotropicais, a se adaptarem a áreas semiurbanas e urbanas para garantir sua sobrevivência. Essa crescente proximidade entre fauna silvestre, humanos e animais domésticos pode impactar a saúde pública e veterinária, influenciando a dinâmica de transmissão de doenças. Entre os PNHs que demonstram alta capacidade de adaptação a ambientes periurbanos e urbanos, destaca-se Callithrix penicillata, espécie nativa do Cerrado amplamente distribuída no Distrito Federal (DF). Esses saguis podem atuar como hospedeiros e reservatórios de diversos parasitos, contribuindo potencialmente para a transmissão de agentes infecciosos de interesse médico e veterinário. Este estudo teve como objetivo avaliar o papel de C. penicillata de vida livre no DF como possível reservatório de doenças parasitárias, com foco na infecção por Trypanosoma cruzi, Leishmania spp., Toxoplasma gondii e Plasmodium spp. Além disso, buscou-se mapear a ocorrência dessas infecções em diferentes regiões do DF para identificar possíveis áreas de transmissão. Foi extraído DNA do fígado de C. penicillata de vida livre encontrados mortos em diferentes localidades do DF e, posteriormente, a detecção e/ou quantificação da carga parasitária por qPCR. Os resultados indicaram a infecção de saguis por T. cruzi, Leishmania spp. e T. gondii em várias regiões administrativas do DF, evidenciando a ampla circulação desses protozoários na fauna local. Não foi detectado Plasmodium spp. em nenhuma das amostras analisadas. Esses achados reforçam a importância do monitoramento da fauna silvestre para compreender a ecologia desses agentes etiológicos e seus potenciais impactos na saúde pública e animal.
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Urbanization and deforestation have caused significant changes in natural and rural landscapes. Population growth and the degradation of natural habitats have forced many wildlife species, including neotropical non-human primates (NHPs), to adapt to semiurban and urban areas to ensure their survival. This increasing proximity between wildlife, humans, and domestic animals can impact public and veterinary health, influencing the dynamics of disease transmission. Among the NHPs that demonstrate a high capacity for adaptation to periurban and urban environments, Callithrix penicillata, a species native to the Cerrado and widely distributed in the Federal District (DF), stands out. These marmosets can act as hosts and reservoirs for various parasites, potentially contributing to the transmission of infectious agents of medical and veterinary interest. This study aimed to evaluate the role of free-ranging C. penicillata in the DF as a potential reservoir of parasitic diseases, focusing on infections caused by Trypanosoma cruzi, Leishmania spp., Toxoplasma gondii, and Plasmodium spp. Additionally, we aimed to map the occurrence of these infections across different regions of the DF to identify potential transmission areas. DNA was extracted from the liver of dead free-ranging C. penicillata found in different locations across the DF, followed by the detection and/or quantification of parasitic load using qPCR. The results indicated T. cruzi, Leishmania spp., and T. gondii infections in marmosets from several administrative regions of the DF, highlighting the widespread circulation of these protozoa in the local fauna. Plasmodium spp. was not detected in any of the samples analyzed. These findings underscore the importance of monitoring wildlife to understand the ecology of these etiological agents and their potential impacts on public and animal health.
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ILANA MAZZOLENI
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Estudo dos eventos iniciais da infecção humana por Leishmania braziliensis em explantes de pele humana
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Orientador : JULIANA LOTT DE CARVALHO
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MEMBROS DA BANCA :
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CECILIA BEATRIZ FIUZA FAVALI
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CIRO MARTINS GOMES
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FERNANDO DE QUEIROZ CUNHA
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JULIANA LOTT DE CARVALHO
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Data: 27/02/2025
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As leishmanioses são um grupo de doenças de grande relevância para a saúde pública, sendo causadas por protozoários do gênero Leishmania e transmitidas pela picada do flebotomíneo. Apesar dos avanços nos estudos sobre a imunobiologia da infecção, os mecanismos iniciais da interação parasito-hospedeiro ainda não são completamente compreendidos, e, embora modelos in vitro e in vivo sejam a base para a geração de novos conhecimentos no assunto, nenhum reproduz fielmente a infecção humana. Modelos ex vivo, como os explantes de pele humana, representam uma alternativa promissora para esses estudos, pois preservam a complexidade estrutural e celular do tecido cutâneo, incluindo células imunológicas. Sendo assim, o objetivo deste trabalho foi padronizar o uso de culturas organotípicas de explantes de pele humana (do inglês, human organotypic skin explant cultures - hOSEC) como modelo experimental para o estudo da infecção por Leishmania braziliensis. A viabilidade dos fragmentos foi determinada por meio de avaliação metabólica (ensaio de metabolização do sal TTC) e estrutural (avaliação histológica) da pele. A presença de células imunes nas peles foi determinada por meio de imunohistoquímica. A infecção por L. braziliensis foi padronizada e determinada em 3 x 105 parasitas por fragmento de pele, inoculados por meio de 3 injeções de 5 uL cada. A presença do parasita foi confirmada diretamente a partir da visualização dos parasitas em cortes histológicos e microscopia eletrônica de varredura. Molecularmente, a carga parasitária foi quantificada ao longo do período de cultivo por meio de qPCR. Por fim, as consequências da presença dos parasitos foi determinada por meio de avaliação histológica, e quantificação de citocinas, por meio de citometria de fluxo. Os resultados mostraram que foi possível otimizar o cultivo de hOSEC de modo a manter a viabilidade inalterada durante os sete primeiros dias de cultivo. Ademais, demonstrou-se a presença de células imunes nas amostras de hOSEC coletadas e cultivadas. Após a otimização da infecção, foi possível demonstrar a presença de L. braziliensis, sua conversão progressiva de formas promastigotas para amastigotas e a diminuição progressiva da carga parasitária ao longo dos dias de cultivo. Por fim, foi possível demonstrar que os modelos hOSEC produzem níveis detectáveis de IL-10, IL-4, TNF-a, IFN-g, IL-6 e IL-2 ao longo dos dias de cultivo. No sétimo dia de infecção, houve modulação da produção de IL-2, com menor síntese de produção da citocina nas amostras infectadas. Tomados juntos, os resultados sugerem a imunocompetência dos modelos hOSEC e seu grande potencial para o estudo dos estágios iniciais da infecção por L. braziliensis.
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Leishmaniasis comprises a group of diseases of great public health relevance, caused by protozoa of the Leishmaniagenus and transmitted through the bite of phlebotomine sandflies. Despite advances in the study of infection immunobiology, the initial mechanisms of parasite-host interaction remain incompletely understood. While in vitro and in vivo models serve as the foundation for generating new knowledge in this field, none fully replicate human infection. Ex vivo models, such as human skin explants, represent a promising alternative, as they preserve the structural and cellular complexity of the skin tissue, including immune cells. Thus, this study aimed to standardize the use of human organotypic skin explant cultures (hOSEC) as an experimental model for studying Leishmania braziliensis infection. Skin fragment viability was assessed through metabolic evaluation (TTC salt reduction assay) and structural analysis (histological evaluation). The presence of immune cells in the skin samples was determined via immunohistochemistry. L. braziliensis infection was standardized at 3 × 10⁵ parasites per skin fragment, inoculated through three 5-µL injections. Parasite presence was confirmed by direct visualization in histological sections and scanning electron microscopy. Molecularly, the parasite load was quantified over the cultivation period using qPCR. Finally, the consequences of parasite presence were assessed through histological evaluation and cytokine quantification by flow cytometry. The results demonstrated that hOSEC culture conditions could be optimized to maintain viability for the first seven days of cultivation. Additionally, immune cells were detected in the collected and cultivated hOSEC samples. Following infection standardization, L. braziliensis presence was confirmed, with a progressive transition from promastigote to amastigote forms and a gradual decrease in parasite load over the cultivation period. Lastly, hOSEC models were shown to produce detectable levels of IL-10, IL-4, TNF-α, IFN-γ, IL-6, and IL-2 throughout the cultivation period. By the seventh day of infection, IL-2 production was modulated, with lower cytokine synthesis in infected samples. Taken together, these findings suggest that hOSEC models are immunocompetent and hold great potential for studying the early stages of L. braziliensis infection.
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FLAVIO DE ASSIS MELO TORRES
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Caxumba no Distrito Federal de 2018 a 2023: análise da incidência e da cobertura vacinal
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Orientador : MARIA REGINA FERNANDES DE OLIVEIRA
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MEMBROS DA BANCA :
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MARIA REGINA FERNANDES DE OLIVEIRA
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MAURO NISKIER SANCHEZ
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WILDO NAVEGANTES DE ARAUJO
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EDUARDO HAGE CARMO
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Data: 11/03/2025
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A parotidite infecciosa, também conhecida como caxumba, é uma doença aguda que tem importância na saúde pública pela possibilidade de provocar sequelas e morte. Apesar disso, não se trata de uma doença de notificação compulsória e a distribuição e os indicadores epidemiológicos dessa doença são pouco estudados no Brasil. No Distrito Federal (DF), houve surtos de caxumba na segunda década do século XXI, sendo notificados 2.295 casos apenas no ano 2019 segundo o boletim epidemiológico sobre caxumba da Secretaria de Saúde do DF. A notificação compulsória no DF iniciou-se em 2016 com inserção de dados no FORMSUS, porém, a partir de 2018, as notificações dos casos individuais e surtos de caxumba passaram a ser inseridas no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN), onde são inseridas até hoje. A melhor forma de prevenção é a vacinação em massa com as vacinas contra a caxumba (tríplice viral e tetravalente), cuja meta de cobertura vacinal é de pelo menos 95% segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e adotada pelo Ministério da Saúde do Brasil. O objetivo principal desse estudo é descrever e analisar os casos de caxumba no DF e a cobertura vacinal para vacina tríplice viral e tetravalente ao longo dos anos de 2018 a 2023. O período justifica-se por serem anos com dados disponíveis para pesquisa Realizaram-se estudos descritivos e analíticos com análises em nível individuado e ecológico. Os estudos foram realizados de duas maneiras diferentes: utilizando os casos notificados excluídos os que foram classificados como “descartados” (3.954 casos) e considerando somente os casos classificados como “confirmados” (2.756 casos). O estudo descritivo evidenciou algumas falhas de completitude, consistência e validade nos preenchimentos dos dados de notificação sem grandes comprometimentos para o estudo. As características da caxumba no DF são similares aos dos estudos internacionais, destaque para a maior incidência ser na faixa etária de 5 a 9 anos na maioria dos anos avaliados e os casos acometeram uma proporção semelhante entre homens e mulheres com ligeira preferência ao sexo masculino. O DF não atingiu a meta da cobertura vacinal das vacinas contra a caxumba em nenhum ano analisado. Somente 15 Regiões Administrativas (RAs) conseguiram atingir a meta da primeira dose da vacina tríplice viral em pelo menos um dos anos analisados. O número de RAs que conseguiram atingir a meta para segunda dose da vacina em pelo menos um dos anos analisados é menor ainda: apenas 10. A razão de taxas de incidência evidenciou, com significância estatística, que a incidência de caxumba no conjunto de RA que atingiu a meta de cobertura vacinal foi menor do que no conjunto de RA que não atingiu a meta na maioria dos anos analisados. O modelo de regressão linear múltipla evidenciou que há correlação, com significância estatística, entre a incidência de caxumba com duas variáveis explicativas: o Índice de vulnerabilidade social do DF (IVS-DF) e a cobertura vacinal da segunda dose da vacina tríplice viral. Conclui-se, portanto, que o adoecimento com a caxumba vai além dos processos biológicos e está ligado às vulnerabilidades sociais e dos serviços de saúde. A melhor prevenção para essa doença é o aumento da cobertura vacinal da primeira e segunda doses da vacina tríplice viral e o combate às inequidades sociais. Ambas as estratégias podem beneficiar-se da expansão da Atenção Primária a Saúde, das Unidades Básicas de Saúde e da Estratégia de Saúde de Família no Distrito Federal.
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Mumps, also known as infectious parotitis, is an acute disease with public health significance due to its potential to cause complications and mortality. However, it is not a mandatory notifiable disease, and its epidemiology is underexplored in Brazil. In the Brazilian Federal District (FD), outbreaks of mumps occurred in the second decade of the 21st century, with 2,295 cases reported in 2019 alone, according to the epidemiological bulletin on mumps issued by the FD Health Department. Mandatory notification in the FD began in 2016 through the FORMSUS system. However, from 2018 onwards, notifications of individual cases and outbreaks of mumps were entered into the Notifiable Diseases Information System (SINAN), where they continue to be recorded. The most effective prevention strategy is mass vaccination with mumps vaccines (MMR and MMRV), aiming for at least 95% coverage, as recommended by the World Health Organization (WHO) and adopted by the Brazilian Ministry of Health. This study aims to describe and analyze mumps cases in the FD and vaccination coverage with the MMR and MMRV vaccines between 2018 and 2023. This period was chosen because data prior to 2018 were unavailable. A descriptive study and analytical studies were conducted. : multiple linear regression modeling, incidence rate ratio analysis (analytical cross-sectional population study), and temporal trend analysis using the Mann-Kendall method. The studies were performed using two datasets: one including notified cases, excluding those classified as “discarded” (3,954 cases), and another considering only cases classified as “confirmed” (2,756 cases). The descriptive study revealed some shortcomings in data completeness, consistency, and validity in notification forms, though without significant impact on the study. The characteristics of mumps in the FD are like international studies, with the highest incidence observed in the 5-to-9-year age group in most evaluated years. Cases were nearly evenly distributed between males and females, with a slight preference for males. The DF did not achieve the target vaccination coverage for mumps vaccines in any analyzed year. Only 15 Administrative Regions (AR) achieved the target for the first dose of the MMR vaccine in at least one analyzed year, and even fewer, 10 AR, reached the target for the second dose in at least one analyzed year. The incidence rate ratio studies demonstrated, with statistical significance, that mumps incidence was lower in ARs that achieved the vaccination coverage target compared to those that did not in most analyzed years. The multiple linear regression model evidenced a statistically significant correlation between mumps incidence and two explanatory variables: the FD Social Vulnerability Index (IVS-DF) and second-dose vaccination coverage of the MMR vaccine. In conclusion, mumps illness extends beyond biological processes and is also linked to social vulnerabilities. The best prevention strategies for this disease are increasing first and second-dose MMR vaccination coverage and addressing social inequities. Both strategies would benefit from the expansion of Primary Health Care, Basic Health Units, and the Family Health Strategy in the Federal District.
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Ana Carolina Laraia Ciarlini
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Estudo do efeito da dermaseptina-01 sobre monócitos estimulados por hemácias infectadas por P. falciparum
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Orientador : TATIANA KARLA DOS SANTOS BORGES
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MEMBROS DA BANCA :
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TATIANA KARLA DOS SANTOS BORGES
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SELMA APARECIDA SOUZA KUCKELHAUS
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MARIANA MACHADO HECHT
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Rafaella Albuquerque e Silva
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Data: 26/03/2025
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Introdução: A malária, causada por protozoários do gênero Plasmodium, continua sendo uma das doenças infecciosas mais importantes no mundo. Entre as espécies, a P. falciparum se destaca pela maior gravidade clínica e capacidade de promover complicações severas. Diante da crescente resistência aos antimaláricos, é crucial explorar novos compostos terapêuticos igualmente eficazes. As dermaseptinas são peptídeos antimicrobianos capazes de formar α-hélices quando associadas a bicamadas lipídicas, sendo capazes de permear e romper a membrana celular, possuindo atividade tripanocida e leishmanicida descrita. Diante disso, buscou-se avaliar os efeitos da dermaseptina 01 sobre monócitos estimulados com hemácias infectadas pelo P. falciparum. Metodologia: Para tal, os monócitos da linhagem THP1 foram estimulados in vitro com hemácias infectadas com a cepa selvagem 3D7, sendo 5% delas parasitadas, e com hemácias normais não parasitadas. A viabilidade foi avaliada através dos métodos de MTT e DHL. A atividade hemolítica foi medida pela dosagem de hemoglobina e a capacidade antioxidativa foi averiguada pela produção de ERO e ERN. Também foi estudada a resposta anti inflamatória por meio da avaliação das moléculas da via do NF-kB, bem como analisadas as citocinas envolvidas no perfil inflamatório por meio de citometria de fluxo. Resultados: Ensaios de viabilidade celular mostraram que a dermaseptina 01 reduziu significativamente a viabilidade celular, mas sem induzir lise celular. Em monócitos expostos às hemácias parasitadas ou normais, o peptídeo apresentou efeito protetor parcial, aumentando a viabilidade em relação aos controles sem tratamento. Além disso, a dermaseptina 01 aumentou a produção de espécies reativas de nitrogênio e diminuiu as de oxigênio, indicando uma possível interferência no estresse oxidativo associado à resposta inflamatória. A análise dos fatores RelA/RelB revelou que nenhuma molécula do NF-κB foi significativamente ativada. Ainda, houve um aumento na produção de IL-8 no grupo de monócitos incubados somente com o peptídeo; porém, diminuição das citocinas IL-6 e IL-12. Considerações finais: Os resultados sugerem que a dermaseptina 01 pode atuar como moduladora da resposta imune em monócitos expostos a P. falciparum, principalmente no que diz respeito à atividade antioxidante e anti-inflamatória; porém, apresenta certo grau de toxicidade. Esses achados indicam que a DRS-01 possui características que a torna uma molécula com potencial de aplicação em uma futura terapia antimalárica, desde que seja modificada para não exibir efeito citotóxico.
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Introduction: Malaria, caused by protozoa of the genus Plasmodium,continues to be one of the most important infectious diseases in the world.Among the species, P. falciparum stands out for its greater clinical severity and ability to cause severe complications. Faced with growing resistance to antimalarials, it is crucial to explore new therapeutic compounds that are equally effective. Dermaseptins are antimicrobial peptides capable of forming α helixes when associated with lipid bilayers, being able to permeate and rupture the cell membrane, with described trypanocidal and leishmanicidal activity. We therefore sought to evaluate the effects of dermaseptin 01 on monocytes stimulated with red blood cells infected with P. falciparum. Methodology: To this end, THP1 monocytes were stimulated in vitro with RBCs infected with the wild-type 3D7 strain, 5% of which were parasitized, and with normal, non-parasitized RBCs. Viability was assessed using the MTT and DHL methods. Hemolytic activity was measured by hemoglobin and antioxidative capacity by ROS and ERN production. The anti-inflammatory response was also studied by evaluating the molecules of the NF-kB pathway, and the cytokines involved in the inflammatory profile were analyzed using flow cytometry. Results: Cell viability tests showed that dermaseptin 01 significantly reduced cell viability, but without inducing cell lysis. In monocytes exposedto parasitized or normal red blood cells, the peptide showed a partial protective effect, increasing viability compared to untreated controls. In addition, dermaseptin 01 increased the production of reactive nitrogen species and decreased oxygen species, indicating a possible interference in the oxidative stress associated with the inflammatory response. Analysis of the RelA/RelB factors revealed that no NF-κB molecules were significantly activated. In addition, there was an increase in IL-8 production in the group of monocytes incubated only with the peptide, but a decrease in the cytokines IL-6 and IL-12. Final considerations: The results indicate that dermaseptin 01 can act as a modulator of the immune response in monocytes exposed to P. falciparum, especially with regard to antioxidant and anti-inflammatory activity; however, it does present a certain degree of toxicity. These findings indicate that DRS-01 has characteristics that make it a molecule with potential application in future antimalarial therapy, provided it is modified so that it does not exhibit a cytotoxic effect.
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Sylvia Maria Leite Freire
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PERFIL CLÍNICO-LABORATORIAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES VIVENDO COM HIV ATENDIDOS EM UNIDADE DE REFERÊNCIA DO DISTRITO FEDERAL
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Orientador : ELZA FERREIRA NORONHA
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MEMBROS DA BANCA :
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ELZA FERREIRA NORONHA
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INGRID FERREIRA METZGER
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MICHELINE MARIE MILWARD DE AZEVEDO MEINERS
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TAZIO VANNI
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Data: 28/04/2025
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Introdução: Descrita pela primeira vez em pacientes pediátricos em 1982, a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)por transmissão vertical esteve inicialmente associada a elevada morbimortalidade. Após 40 anos, mudança de perspectiva foi observada para crianças e adolescentes infectados que têm acesso à terapia antirretroviral (TARV), configurando perfil semelhante ao de doenças crônicas. Importantes avanços ocorreram também no campo da prevenção da transmissão vertical, possibilitando eliminação dessa via em alguns cenários. A despeito dos avanços, questões relativas ao acesso à profilaxia e tratamento podem ainda significar empecilho em países de baixa renda para melhores desfechos. O início precoce da TARV, assim como o acesso a fármacos com melhores perfis de tolerabilidade, são atualmente uma realidade também na pediatria.Apesar disso particularidades imunológicas, psicossociais e farmacocinéticas podem levar a um cenário favorável a resistência viral, com menores índices de supressão viral. Conhecer o perfil clínico-laboratorial de crianças e adolescentes vivendo com HIVlocalmenteparece válido diante dessa conjuntura. O presente estudo se propôs a descrever as características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais de crianças e adolescentes vivendo com HIV assistidos em unidade de referência do Distrito Federal (DF) nos anos de 2023 e 2024.Métodos: Estudo transversal, com componente analítico, realizado a partir da coleta de dados de prontuários epreviamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos. Foram avaliadas variáveis referentes a dados demográficos, dados perinatais, aspectos clínico-laboratoriais e relacionados ao diagnóstico, tratamento e resistência viral. Resultados: O grupo de estudo foi composto por 49 participantes, com predomínio feminino(59,18%) e de adolescentes (61,22%). O ano de com maior concentração de nascimentos foi 2010. Diagnóstico materno após o nascimento ocorreu em 38,77% dos casos. Aleitamento materno foi descrito em 47,62% dos participantes. Cinco sujeitos encontravam-se em abandono de tratamento. Dentre aqueles em TARV, 56,81% apresentavam carga viral recente não detectável ou menor que o limite mínimo de detecção. Pelo menos uma internação por doença infecciosa foi reportada em 64,58% dos casos. Não houve diferença estatisticamente significativa quanto a essa variável entre os nascidos antes e a partir de 2015. A mediana do tempo transcorrido entre diagnóstico e início da TARV foi de 40 dias. O esquema atual era o de primeira linha em 54,55%. Falha virológica nos últimos dois anos foi identificada em 43,18% do grupo e não houve significância estatística na possível associação de quaisquer das variáveis testadas com esse desfecho. Genotipagem pré-tratamento foi realizada em 57,14% sujeitos, três apresentavam resistência transmitida. Vinte e um participantes realizaram genotipagem por falha virológica. As mutações para inibidores da transcriptase reversa predominaram. Um indivíduo apresentou mutações para três classes de ARV. Conclusões:Apesar da redução progressiva do número de infecções por transmissão vertical observadas, aquelas que ainda acontecem revelam lacunas deacesso e vinculação aos serviços de saúde. A elevada taxa de falha virológica e a elevada prevalência de mutações desperta para possíveis questões relacionadas à adesão entre outros fatorese para necessidade de abordagens que garantam regularidade no acompanhamento de crianças,e adolescentes vivendo com HIV.
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Introduction:First described in pediatric patients in 1982, vertically transmitted human immunodeficiency virus (HIV) infection was initially associated with high morbidity and mortality. After 40 years, a shift in perspective has been observed for infected children and adolescents who have access to antiretroviral therapy (ART), resulting in a profile like that of chronic diseases. Significant advances have also occurred in the field of prevention of vertical transmission, enabling the elimination of this route in some scenarios. Despite these advances, issues related to access to prophylaxis and treatment may still be an obstacle in low-income countries to better outcomes. The early initiation of ART, as well as access to drugs with better tolerability profiles, is currently a reality in pediatrics as well. Despite this, immunological, psychosocial, and pharmacokinetic particularities can lead to a scenario favorable to viral resistance, with lower rates of viral suppression. Knowing the clinical-laboratory profile of children and adolescents living with HIV locally seems valid in this context. This study aimed to describe the epidemiological, clinical, and laboratory characteristics of children and adolescents living with HIV assisted in a reference unit of the Federal District (DF) in 2023 and 2024. Methods: Cross-sectional study with an analytical component, conducted from the collection of data from medical records and previously approved by the Human Research Ethics Committee. Variables related to demographic data, perinatal data, clinical-laboratory aspects, and those related to diagnosis, treatment, and viral resistance were evaluated. Results: The study group consisted of 49 participants, with a predominance of females (59.18%) and adolescents (61.22%). The year with the highest concentration of births was 2010. Maternal diagnosis after birth occurred in 38.77% of cases. Breastfeeding was reported in 47.62% of participants. Five subjects were in treatment abandonment. Among those on ART, 56.81% had a recent undetectable viral load or less than the minimum detection limit. At least one hospitalization for infectious disease was reported in 64.58% of cases. There was no statistically significant difference in this variable between those born before and from 2015. The median time elapsed between diagnosis and initiation of ART was 40 days. The current regimen was first-line in 54.55%. Virological failure in the last two years was identified in 43.18% of the group, and there was no statistical significance in the possible association of any of the tested variables with this outcome. Pre-treatment genotyping was performed in 57.14% of subjects; three presented transmitted resistance. Twenty-one participants underwent genotyping due to virological failure. Mutations for reverse transcriptase inhibitors predominated. One individual presented mutations for three classes of ARVs. Conclusions: Despite the progressive reduction in the number of vertically transmitted infections observed, those that still occur reveal gaps in access and linkage to health services. The high rate of virological failure and the high prevalence of mutations raise concerns about possible issues related to adherence, among other factors, and the need for approaches that ensure regularity in the monitoring of children and adolescents living with HIV.
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VINÍCIUS PEREIRA FEIJÓ
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Vigilância da febre amarela no Brasil: mobilidade dos casos em viajantes, entre 2014 e 2024
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Orientador : MICHELINE MARIE MILWARD DE AZEVEDO MEINERS
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MEMBROS DA BANCA :
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MICHELINE MARIE MILWARD DE AZEVEDO MEINERS
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RODRIGO GURGEL GONCALVES
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JONAS LOTUFO BRANT DE CARVALHO
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DANIEL GARKAUSKAS RAMOS
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Data: 29/05/2025
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A Febre Amarela (FA) é uma arbovirose aguda, imunoprevenível, de alta letalidade nas formas graves. No Brasil, a transmissão ocorre em ambiente silvestre por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, sendo o ciclo urbano interrompido desde 1942. A vacina é segura, eficaz e disponibilizada pelo PNI para pessoas de 9 meses a 59 anos. Após a reemergência em 2014, o país enfrentou o maior surto silvestre da história, com expansão para áreas anteriormente sem recomendação vacinal, impactando a saúde pública e gerando casos em viajantes internacionais. A resposta incluiu inovações como o SISS-Geo e modelagem de risco. O objetivo foi descrever e caracterizar os casos humanos de FA, com ênfase nos viajantes. Foi realizado um estudo descritivo, referente ao período de 2014 a 2024, com base nos dados de notificações de FA em humanos e em primatas não-humanos (PNH) no Brasil. Os casos foram classificados entre residentes e viajantes intraestaduais, interestaduais e internacionais. Para análise de dados foram utilizados os softwares Microsoft Excel 2016®, R 4.1.2 e QGIS 3.20. Foram encontrados 2.306 registros de casos humanos confirmados de FA, destes, 441 (19,1%) foram classificados como viajantes. Os mais atingidos foram do sexo masculino (77,8%) na faixa etária de 20 a 59 anos (73,9%). Considerando municípios que registraram casos em residentes e/ou em PNH e também em viajantes foram 139 (18,5%). Outros 27 municípios (3,5%) registraram casos apenas em viajantes. Em relação ao perfil de deslocamento dos casos, 316 (71,7%) foram intraestaduais, 107 (24%) interestaduais e 18 (4,1%) internacionais, nenhum vacinado. A análise do fluxo de viajantes demonstrou importante participação de São Paulo e Minas Gerais, cuja distância mediana entres origem/destino dos viajantes interestaduais foi de 473,2 km. A atenção das autoridades de saúde nacionais e internacionais devem ser redobradas devida ampla distribuição dos casos humanos em viajantes, demonstrando que a ocorrência de casos e óbitos por FA e sua dispersão pelo território nacional e/ou diversos continentes ainda representam ameaças para dispersão internacional.
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Yellow Fever (YF) is an acute, vaccine-preventable arbovirus with a high lethality rate in severe forms. In Brazil, transmission occurs in the wild by mosquitoes of the genera Haemagogus and Sabethes, and the urban cycle has been interrupted since 1942. The vaccine is safe and effective and is available from the PNI for people aged 9 months to 59 years. After the re-emergence in 2014, the country faced the largest sylvatic outbreak in history, with expansion to areas previously without vaccination recommendations, impacting public health and generating cases in international travelers. The response included innovations such as SISS-Geo and risk modeling. The aim was to describe and characterize human cases of YF, with an emphasis on travellers. A descriptive study was carried out, covering the period 2014 to 2024, based on data from reports of YF in humans and non-human primates (NHP) in Brazil. The cases were classified as residents and intrastate, interstate and international travelers. Microsoft Excel 2016®, R 4.1.2 and QGIS 3.20 were used to analyze the data. There were 2,306 records of confirmed human cases of YF, of which 441 (19.1%) were classified as travelers. The most affected were males (77.8%) aged between 20 and 59 (73.9%). There were 139 municipalities (18.5%) that recorded cases in residents and/or NHP and also in travelers. Another 27 municipalities (3.5%) reported cases only in travelers. Regarding the travel profile of the cases, 316 (71.7%) were intrastate, 107 (24%) interstate and 18 (4.1%) international, none of whom had been vaccinated. Analysis of the flow of travelers showed that São Paulo and Minas Gerais played a major role, with a median distance between origin and destination for interstate travelers of 473.2 km. The attention of national and international health authorities must be redoubled due to the wide distribution of human cases in travelers, demonstrating that the occurrence of cases and deaths from YF and its dispersion throughout the national territory and/or various continents still represent threats to international dispersion.
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LAÍS DE MORAIS SOARES
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CENÁRIO DO DISTRITO FEDERAL FRENTE AOS INDICADORES DE PREVENÇÃO PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA DO CÂNCER DO COLO DE ÚTERO
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Orientador : TAINA RAIOL ALENCAR
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MEMBROS DA BANCA :
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TAINA RAIOL ALENCAR
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MICHELINE MARIE MILWARD DE AZEVEDO MEINERS
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WILDO NAVEGANTES DE ARAUJO
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ANDRELISSE ARRUDA
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Data: 13/06/2025
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O câncer do colo do útero constitui um relevante problema de saúde pública, especialmente por se tratar de uma doença evitável. A eliminação da doença como problema de saúde pública pressupõe a ampliação da cobertura vacinal contra o papilomavírus humano (HPV) e a efetividade do rastreamento populacional. Este estudo teve como objetivo analisar os indicadores de prevenção primária e secundária do câncer do colo do útero no Distrito Federal entre 2018 e 2023. Trata-se de um estudo descritivo, com dados secundários obtidos dos sistemas de informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), da Coordenação-Geral de Informação e Análise Epidemiológica do Ministério da Saúde, e do Sistema de Informação do Câncer (SISCAN). Foram avaliados indicadores de cobertura vacinal, número absoluto de doses aplicadas e indicadores de desempenho do rastreamento citopatológico, com análise descritiva das tendências e comparação com parâmetros nacionais. Os resultados demonstraram que a cobertura vacinal contra o HPV em meninas permaneceu abaixo da meta de 90% preconizada pela Organização Mundial da Saúde para ambas as doses ao longo do período. Apesar do maior número de doses aplicadas em meninas de 9 e 10 anos, a cobertura foi crescente com o avanço da idade, refletindo o acúmulo de registros nas coortes mais antigas. A diferença média de 20% entre a primeira e a segunda dose revela desafios na conclusão do esquema vacinal. Em 2020, houve um aumento expressivo nas doses aplicadas, possivelmente influenciado pela introdução da vacina meningocócica ACWY no calendário vacinal dos adolescentes. Ainda assim, os dados evidenciaram oscilações anuais, influenciadas por fatores como a pandemia de covid-19. No que se refere ao rastreamento, a cobertura permaneceu aquém da meta de 80%, com importantes discrepâncias em relação aos dados de inquéritos populacionais. A maior parte dos exames foi realizada em mulheres de 35 a 54 anos, com baixa proporção de exames de primeira vez e concentração de exames repetidos, o que limita o alcance efetivo da população-alvo. Indicadores de qualidade, como percentual de amostras insatisfatórias e presença de células da zona de transformação, apontaram fragilidades técnicas em parte dos exames. Além disso, o tempo de liberação dos resultados se mostrou superior ao recomendado, posicionando o DF entre os piores desempenhos nacionais. Os resultados do estudo podem ser explicados por múltiplas barreiras à prevenção, incluindo a hesitação vacinal, lacunas de informação, baixa adesão à segunda dose, ausência de estratégias estruturadas de convocação para o rastreamento e fragilidades na qualidade e oportunidade dos exames. A atuação da Atenção Primária à Saúde mostrou-se fundamental, mas ainda insuficiente para garantir a equidade e a cobertura adequada das ações. Conclui-se que, apesar dos avanços, o cenário atual é marcado por desafios estruturais e programáticos que demandam estratégias coordenadas e sustentadas para o fortalecimento das ações de prevenção do câncer do colo do útero no Distrito Federal. O estudo evidenciou múltiplas barreiras à prevenção, incluindo a hesitação vacinal, lacunas de informação, baixa adesão à segunda dose, ausência de estratégias estruturadas de convocação para o rastreamento e fragilidades na qualidade e oportunidade dos exames. A atuação da Atenção Primária à Saúde mostrou-se fundamental, mas ainda insuficiente para garantir a equidade e a cobertura adequada das ações. Conclui-se que, apesar dos avanços, o cenário atual é marcado por desafios estruturais e programáticos que demandam estratégias coordenadas e sustentadas para o fortalecimento das ações de prevenção do câncer do colo do útero no Distrito Federal.
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Cervical cancer is a significant public health problem, especially because it is a preventable disease. Eliminating the disease as a public health problem requires expanding vaccination coverage against human papillomavirus (HPV) and effective population screening. This study aimed to analyze primary and secondary prevention indicators for cervical cancer in the Federal District between 2018 and 2023. This is a descriptive study using secondary data obtained from the information systems of the National Immunization Program (SI-PNI), the General Coordination of Information and Epidemiological Analysis of the Ministry of Health, and the Cancer Information System (SISCAN). Vaccination coverage indicators, absolute number of doses administered, and cytopathological screening performance indicators were evaluated, with descriptive analysis of trends and comparison with national parameters. The results showed that HPV vaccination coverage in girls remained below the 90% target recommended by the World Health Organization for both doses throughout the period. Despite the greater number of doses administered to girls aged 9 and 10, coverage increased with advancing age, reflecting the accumulation of records in older cohorts. The average difference of 20% between the first and second doses reveals challenges in completing the vaccination schedule. In 2020, there was a significant increase in the doses administered, possibly influenced by the introduction of the meningococcal ACWY vaccine in the adolescent vaccination schedule. Even so, the data showed annual fluctuations, influenced by factors such as the COVID-19 pandemic. Regarding screening, coverage remained below the 80% target, with significant discrepancies in relation to data from population surveys. Most tests were performed on women aged 35 to 54, with a low proportion of first-time tests and a concentration of repeat tests, which limits the effective reach of the target population. Quality indicators, such as the percentage of unsatisfactory samples and the presence of cells in the transformation zone, pointed to technical weaknesses in some of the tests. Furthermore, the time taken to release results was longer than recommended, placing the Federal District among the worst performers in the country. The study results can be explained by multiple barriers to prevention, including vaccine hesitancy, information gaps, low adherence to the second dose, lack of structured strategies for screening, and weaknesses in the quality and timeliness of tests. The work of Primary Health Care proved to be essential, but still insufficient to ensure equity and adequate coverage of actions. In conclusion, despite the advances, the current scenario is marked by structural and programmatic challenges that require coordinated and sustained strategies to strengthen cervical cancer prevention actions in the Federal District.
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LEILANE DE MORAIS SOARES
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Reações adversas entre pessoas vivendo com HIV em um serviço de atendimento especializado do Distrito Federal
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Orientador : MICHELINE MARIE MILWARD DE AZEVEDO MEINERS
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MEMBROS DA BANCA :
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MICHELINE MARIE MILWARD DE AZEVEDO MEINERS
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RINALDO EDUARDO MACHADO DE OLIVEIRA
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PAULO HENRIQUE SANTOS ANDRADE
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MARIA INES DE TOLEDO
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Data: 22/07/2025
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A introdução da terapia antirretroviral (TARV) transformou a infecção pelo HIV de uma condição fatal em uma doença crônica e controlável. Apesar dos avanços no desenvolvimento de esquemas mais seguros e efetivos, as reações adversas a medicamentos (RAM) continuam sendo um desafio relevante no manejo clínico de pessoas vivendo com HIV (PVHIV). Este estudo teve como objetivo estimar a incidência de troca do esquema antirretroviral motivada por RAM em PVHIV que realizaram sua primeira consulta no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/Ebserh) entre 2018 e 2022. Como objetivos específicos, buscou-se descrever os dados sociodemográficos e clínicos da população, descrever as principais queixas apresentadas, classificar as RAM segundo órgão ou sistema afetado conforme o Medical Dictionary for Regulatory Activities (MedDRA), descrever e classificar os motivos que ocasionaram a modificação do esquema da TARV, estimar o tempo até a ocorrência da primeira troca por RAM e comparar as incidências de troca por RAM entre os esquemas terapêuticos. Trata-se de uma coorte histórica, retrospectiva e observacional, composta por 238 indivíduos adultos que realizaram sua primeira consulta no ambulatório entre 2018 e 2022. As informações foram extraídas dos sistemas AGHU e SICLOM, complementadas com dados dos prontuários clínicos. Foram analisados aspectos sociodemográficos, clínicos, de tratamento e a ocorrência de RAM que motivaram trocas de esquemas. Os resultados mostraram que 31,9% dos pacientes realizaram ao menos uma troca de TARV, sendo que 55,3% dos casos tiveram como motivo uma RAM. As principais RAM estiveram associadas a distúrbios renais (29,8%), psiquiátricos (14%) e musculoesqueléticos (12,3%), sendo tenofovir, efavirenz e dolutegravir os medicamentos mais frequentemente relacionados. Fatores como sexo feminino, idade e estado civil (divorciado ou viúvo) mostraram associação significativa com a troca por RAM. A análise de sobrevida revelou que a probabilidade de troca foi maior nos primeiros 24 meses, com densidade de incidência de 5,6 por 100 pessoas-ano. O esquema dolutegravir (DTG) + tenofovir (TDF) + lamivudina (3TC) apresentou melhor perfil de durabilidade comparado ao tenofovir (TDF) + lamivudina (3TC) + efavirenz (EFV), que esteve mais associado a RAM, principalmente neuropsiquiátricas. Conclui-se que, embora os esquemas atuais apresentem melhor perfil de segurança, as RAM permanecem como fator determinante para a troca da TARV. Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento da farmacovigilância ativa, da qualificação dos registros clínicos e da adoção de estratégias para manejo precoce das RAM, visando à segurança, à adesão e à sustentabilidade do tratamento das PVHIV.
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The introduction of antiretroviral therapy (ART) has transformed HIV infection from a fatal condition into a chronic and manageable disease. Despite advances in the development of safer and more effective regimens, adverse drug reactions (ADRs) remain a relevant challenge in the clinical management of people living with HIV (PLHIV). This study aimed to estimate the incidence of ART regimen change due to ADRs in PLHIV who had their first consultation at the University Hospital of Brasília (HUB-UnB/Ebserh) between 2018 and 2022. The specific objectives were to describe the sociodemographic and clinical data of the study population; describe the main reported complaints; classify ADRs by affected organ or system according to the Medical Dictionary for Regulatory Activities (MedDRA); describe and classify the reasons for ART regimen modification; estimate the time from the first consultation to the ART regimen change due to ADRs; and compare the incidence of regimen change due to ADRs among the ART regimens. This is a historical, retrospective, and observational cohort study, composed of 238 adult individuals who had their first consultation at the outpatient clinic between 2018 and 2022. Information was extracted from the AGHU and SICLOM systems, complemented with data from medical records. Sociodemographic, clinical, and treatment aspects and the occurrence of ADRs that led to regimen changes were analyzed. The results showed that 31.9% of patients underwent at least one ART regimen change, with 55.3% of cases motivated by an ADR. The main ADRs were related to renal disorders (29.8%), psychiatric disorders (14%), and musculoskeletal disorders (12.3%), with tenofovir, efavirenz, and dolutegravir being the most frequently implicated medications. Factors such as female sex, age, and marital status (divorced or widowed) showed a significant association with regimen change due to ADRs. Survival analysis revealed that the probability of change was higher within the first 24 months, with an incidence density of 5.6 per 100 person-years. The dolutegravir (DTG) + tenofovir (TDF) + lamivudine (3TC) regimen presented a better durability profile compared to the tenofovir (TDF) + lamivudine (3TC) + efavirenz (EFV) regimen, which was more associated with ADRs, especially psychiatric ones. It is concluded that although current regimens have a better safety profile, ADRs remain a determining factor for ART regimen change. The findings reinforce the need to strengthen active pharmacovigilance, improve the quality of clinical records, and adopt strategies for the early management of ADRs, aiming at the safety, adherence, and sustainability of treatment for PLHIV.
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PAULO JOSE MORENO LIMA
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Fatores associados ao óbito de pacientes com infecção relacionada à assistência à saúde em unidade de terapia intensiva
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Orientador : ELZA FERREIRA NORONHA
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MEMBROS DA BANCA :
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ELZA FERREIRA NORONHA
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GUSTAVO ADOLFO SIERRA ROMERO
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RODRIGO HADDAD
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Waleriano Ferreira de Freitas
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Data: 24/07/2025
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Infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) são a principal causa prevenível de morte em pacientes hospitalizados. Ocorre por organismos multidroga resistentes (MDR) e pacientes internados em unidades de terapia intensiva possuem risco duas vezes maior. Estas infecções são preveníveis e intervenções podem reduzir a morbidade e letalidade, economizar recursos financeiros e reduzir a pressão seletiva para bactérias MDR. Avaliamos, por meio de estudo descritivo com componente analítico longitudinal, os fatores associados ao óbito precoce de pacientes internados na UTI adulto do Hospital da Região Leste de Brasília, notificados com infecção relacionada à assistência à saúde no período de 2018 a 2023, com o desfecho óbito ou alta com análise em 6 meses. Ao todo, foram analisados 152 pacientes. As infecções pulmonares foram as mais prevalentes, destacando-se também como a principal causa de mortalidade. Os resultados revelaram uma correlação moderada e estatisticamente significativa entre o número de infecções e o tempo de internação, sugerindo que pacientes com múltiplos episódios infecciosos demandam períodos mais prolongados de hospitalização. A análise de sobrevida hospitalar, realizada por meio da curva de Kaplan-Meier, evidenciou que a ocorrência de cada novo episódio infeccioso esteve associada a um aumento de aproximadamente 30% no risco de óbito ao longo do tempo. Adicionalmente, verificou-se que a maioria dos pacientes que evoluíram para óbito fazia uso de carbapenêmicos já no momento da admissão, o que pode refletir tanto a gravidade do quadro clínico quanto a presença de infecções por microrganismos resistentes. Os achados reforçam a importância da detecção precoce das IRAS, da racionalização do uso de antimicrobianos e da adoção de medidas preventivas rigorosas, especialmente em ambientes críticos como as UTIs.
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Healthcare-associated infections (HAIs) are the leading preventable cause of death among hospitalized patients. They are frequently caused by multidrug-resistant (MDR) organisms, and patients admitted to intensive care units (ICUs) are at twice the risk. These infections are largely preventable, and targeted interventions can reduce both morbidity and mortality, lower healthcare costs, and decrease the selective pressure for MDR bacteria. We conducted a descriptive study with a longitudinal analytical component to evaluate the factors associated with early mortality among adult ICU patients at the Hospital of the Eastern Region of Brasília, who were reported with healthcare-associated infections between 2018 and 2023. The analysis included patients who either died or were discharged, with follow-up extending up to six months post-infection. A total of 152 patients were included in the study. Pulmonary infections were the most prevalent and also represented the leading cause of mortality. The results showed a moderate and statistically significant correlation between the number of infections and the length of hospital stay, suggesting that patients with multiple infectious episodes tend to require longer periods of hospitalization. Hospital survival analysis using the Kaplan–Meier curve demonstrated that each additional infectious episode was associated with an approximately 30% increase in the risk of death over time. Furthermore, it was observed that most patients who progressed to death were already receiving carbapenems at the time of admission, which may reflect both the severity of their clinical condition and the presence of infections caused by resistant microorganisms. These findings underscore the importance of early detection of HAIs, rational use of antimicrobials, and the implementation of rigorous preventive measures—particularly in critical care settings such as ICUs.
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THAYNA KAROLINE SOUSA SILVA
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Orientador : TAINA RAIOL ALENCAR
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MEMBROS DA BANCA :
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ANA CATARINA DE MELO ARAUJO
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EDER GATTI FERNANDES
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RODOLFO REGO DEUSDARA RODRIGUES
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TAINA RAIOL ALENCAR
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Data: 28/07/2025
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Introdução: As Reações de estresse à vacinação (REV) consistem em manifestações físicas desencadeadas por fatores emocionais, como ansiedade, medo ou tensão diante da imunização que surgem não por causa do imunizante em si. Esses eventos não possuem uma causa fisiológica identificável. Embora geralmente benignas, essas reações podem impactar negativamente a confiança da população nas vacinas e gerar hesitação vacinal, prejudicando as metas de cobertura. Este estudo teve como objetivo identificar aglomerados espaço-temporais de REV registradas após a administração da vacina contra o HPV, no período de 2014 a 2024, a fim de subsidiar a tomada de decisões estratégicas no âmbito da vigilância em saúde no Brasil. Métodos: Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, com abordagem quantitativa, baseado em dados secundários de sistemas oficiais de vigilância (SI-PNI e e-SUS Notifica). Foram incluídos casos de REV em adolescentes de 9 a 14 anos vacinados com a vacina contra o HPV, bem como um grupo controle composto por outros ESAVI sem sintomas compatíveis com REV. Utilizou-se o software SaTScan™ para aplicar os modelos espaço-temporais de Poisson e de Bernoulli, com simulação de Monte Carlo e nível de significância de p ≤ 0,05, objetivando detectar clusters. Resultados: No período analisado, mais de 108 milhões de doses da vacina contra o HPV foram administradas em adolescentes de 9 a 14 anos no Brasil, resultando em 3.503 notificações de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (ESAVI), das quais 123 (0,11 por 100 mil doses) foram classificadas como REV. A maioria dos casos ocorreu em meninas (78,9%), concentrando-se nos primeiros anos após a introdução do imunizante, especialmente em 2014. A análise espaço-temporal realizada pelo modelo retrospectivo de Bernoulli no SaTScan™ identificou cinco aglomerados de REV, dos quais dois apresentaram significância estatística, com duração de 2 a 38 meses e ampla abrangência territorial; o cluster com maior risco relativo (RR: 8,56) localizou-se nas regiões Sudeste e Sul. Já a aplicação do modelo de Poisson identificou sete clusters, sendo três estatisticamente significativos, com duração entre 30 e 119 dias e destacando-se grandes agrupamentos nos anos de 2014 e 2015. Conclusão: Até onde se sabe, este é o primeiro estudo a aplicar o SaTScan para detecção de aglomerados espaço-temporais de REV utilizando simultaneamente os modelos de Poisson (dados agregados) e Bernoulli (dados individuados). As REV ocorreram majoritariamente em meninas, com pico nos primeiros anos da introdução da vacina, e apresentaram manifestações leves, com evolução favorável. Esse padrão, compatível com a literatura internacional, reflete o impacto de fatores psicossociais no início das campanhas. A identificação de aglomerados espaço-temporais de REV permitiu detectar padrões de ocorrência no tempo e no território, contribuindo para o aprimoramento da resposta da vigilância. Esses achados reforçam o potencial da análise como ferramenta estratégica para decisões oportunas em saúde pública.
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Introduction: Immunization Stress-Related Responses (ISRR) are physical manifestations triggered by emotional factors such as anxiety, fear, or tension related to vaccination, and do not arise from the vaccine itself. These events lack an identifiable physiological cause. Although typically benign, such reactions can negatively affect public confidence in vaccines and contribute to vaccine hesitancy, undermining coverage goals. This study aimed to identify space-time clusters of ISRR recorded after the administration of the HPV vaccine between 2014 and 2024, in order to support strategic decision-making within Brazil's health surveillance framework. Methods: This is a retrospective observational study with a quantitative approach, based on secondary data from official surveillance systems (SI-PNI and e-SUS Notifica). Included were ISRR cases in adolescents aged 9 to 14 vaccinated with the HPV vaccine, as well as a control group composed of other AEFI cases without symptoms consistent with ISRR. The SaTScan™ software was used to apply Poisson and Bernoulli space-time models, with Monte Carlo simulation and a significance level of p ≤ 0.05, to detect clusters. Results: During the study period, over 108 million doses of the HPV vaccine were administered to adolescents aged 9 to 14 in Brazil, resulting in 3,503 reports of Adverse Events Following Immunization (AEFI), of which 123 (0.11 per 100,000 doses) were classified as ISRR. Most cases occurred in females (78.9%) and were concentrated in the early years following vaccine introduction, especially in 2014. The space-time analysis using the retrospective Bernoulli model in SaTScan™ identified five ISRR clusters, two of which were statistically significant, lasting from 2 to 38 months and covering large geographic areas; the cluster with the highest relative risk (RR: 8.56) was located in the Southeast and South regions. The Poisson model identified seven clusters, with three reaching statistical significance, lasting from 30 to 119 days and highlighting large groupings in 2014 and 2015. Conclusion: To the best of our knowledge, this is the first study to apply SaTScan for the detection of space-time clusters of ISRR using both the Poisson (aggregated data) and Bernoulli (individual-level data) models simultaneously. ISRR occurred predominantly in girls, peaked in the early years of vaccine introduction, and were generally mild with favorable outcomes. This pattern, consistent with international literature, reflects the influence of psychosocial factors. Identifying space-time clusters enabled the detection of temporal and geographic patterns of occurrence, enhancing surveillance responsiveness. These findings underscore the potential of spatial analysis as a strategic tool for timely public health decision-making.
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HÍCARO PEDRO RAYMUNDO MACHADO OLIVEIRA
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Análise da imunogenicidade e do perfil clínico de profissionais de saúde com casos graves de COVID-19 participantes do estudo nacional SEVACoV-PRO
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Orientador : DJANE BRAZ DUARTE
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MEMBROS DA BANCA :
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DJANE BRAZ DUARTE
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FABIANA BRANDAO ALVES SILVA
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INGRID FERREIRA METZGER
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Henrique Rodrigues de Oliveira
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Data: 31/07/2025
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A pandemia de COVID-19 representou um dos maiores desafios sanitários globais das últimas décadas, com impactos expressivos sobre a saúde pública e os sistemas de atenção à saúde. Profissionais da área da saúde ocuparam papel central nesse cenário, atuando na linha de frente do enfrentamento da doença, frequentemente em condições adversas e sob alto risco de exposição ao SARS-CoV-2. Muitos desses profissionais desenvolveram formas graves da doença e, após a introdução das vacinas, foram imunizados, configurando um cenário de imunização híbrida. Este estudo teve como objetivo avaliar características sociodemográficas e clínicas, bem como a imunogenicidade, em um subgrupo de trabalhadores da saúde acometidos por COVID-19 grave. A resposta imunológica foi avaliada por meio da quantificação de anticorpos IgG anti-S RBD, com análise estatística pelos testes de Kruskal-Wallis, Mann-Whitney e razão de chances (Odds Ratio). Foram incluídos 94 profissionais com idade mais que 18 anos, vinculados à coorte SEVACoV-PRO, atuantes em oito unidades de saúde distribuídas por quatro regiões do Brasil. A mediana de idade foi 46 anos, predominando trabalhadoras do sexo feminino (68,1%), autodeclarados negros (61,7%) e integrantes da equipe de enfermagem (68%). As comorbidades mais frequentes foram hipertensão (28,1%), diabetes (19,1%), doença cardíaca (8,5%) e obesidade (41,4%). Trabalhadores do sexo masculino apresentaram duas vezes mais chance de desenvolver COVID-19 grave; indivíduos negros, 1,7 vezes; com doença renal, 18,5 vezes; diabéticos, 5,2 vezes; e com sobrepeso/obesidade, 3,2 vezes. Inicialmente, participantes com COVID-19 grave apresentaram títulos mais elevados de IgG anti-S RBD. Contudo, ao final de 36 meses, as diferenças em relação aos controles foram mínimas. Conclui-se que fatores individuais influenciaram o risco de gravidade da COVID-19, mas a imunogenicidade de longo prazo, mesmo entre os com imunização híbrida, mostrou-se semelhante à de indivíduos não acometidos por formas graves da doença.
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The COVID-19 pandemic has represented one of the greatest global public health challenges in recent decades, with significant impacts on healthcare systems and public health infrastructure worldwide. Healthcare professionals played a central role in this context, working on the frontlines under adverse conditions and facing a high risk of exposure to SARS-CoV-2. Many of these professionals developed severe forms of the disease and, following the introduction of vaccines, were immunized, resulting in a scenario of hybrid immunity. This study aimed to evaluate sociodemographic and clinical characteristics, as well as the immunogenicity, of a subgroup of healthcare workers who experienced severe COVID-19. Immune response was assessed through the quantification of anti-S RBD IgG antibodies, using statistical analysis via Kruskal-Wallis, Mann-Whitney U tests, and odds ratios. A total of 94 healthcare professionals aged over 18 years, enrolled in the SEVACoV-PRO cohort and working in eight health units across four regions of Brazil, were included. The median age was 46 years, with a predominance of female participants (68.1%), self-declared Black individuals (61.7%), and nursing staff (68%). The most frequent comorbidities were hypertension (28.1%), diabetes mellitus (19.1%), cardiovascular disease (8.5%) and obesity (41.4%). Male participants had twice the odds of developing severe COVID-19; self-declared Black individuals had 1.7 times the odds; those with chronic kidney disease, 18.5 times; individuals with diabetes, 5.2 times; and those with overweight/obesity, 3.2 times. Initially, individuals with severe COVID-19 exhibited higher anti-S RBD IgG titers compared to controls. However, after 36 months of follow-up, the differences were minimal. In conclusion, individual factors influenced the risk of severe COVID-19. Nonetheless, long-term immunogenicity, even in individuals with hybrid immunity, was comparable to that of participants who did not experience severe disease.
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HELLEN KÁSSIA REZENDE SILVA
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Soroprevalência de IgG para dengue e seus fatores associados em participantes do estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes – ERICA
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Orientador : RODOLFO REGO DEUSDARA RODRIGUES
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MEMBROS DA BANCA :
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RODOLFO REGO DEUSDARA RODRIGUES
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MARILIA MIRANDA FORTE GOMES
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SEBASTIAO AFONSO VIANA MACEDO NEVES
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DÉBORA DORNELAS BELCHIOR COSTA ANDRADE
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Data: 08/08/2025
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Introdução: A dengue é uma doença de importância em saúde no Brasil. Os fatores de risco incluem menor idade, baixa escolaridade, presença de comorbidades e fatores socioambientais. Objetivo: estimar a associação entre fatores de risco e a soroprevalência de dengue em uma amostra da coorte de adolescentes do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), com base nos dados coletados na segunda onda do estudo, realizada em 2018. Método: Trata-se de um estudo transversal com dados de uma subamostra de adolescentes provenientes da segunda onda do ERICA. Para a análise foram calculadas frequências absolutas e relativas. Foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk para avaliação da normalidade. A variável dependente foi resultado positivo ou negativo para IgG DENV, as variáveis independentes avaliadas foram sexo, idade, nível socioeconômico e classificação do IMC. Foi utilizada a regressão de Poisson com variância robusta. A escolha do modelo final considerou os critérios de AIC/ BIC e que incluía as variáveis fundamentais sexo e idade. Resultado: Foram avaliados 160 participantes, destes, 80% testaram positivo para dengue. A média de idade foi 20 anos (mín. 16/ máx. 23). A maioria do sexo feminino, mais da metade se autodeclararam pardos ou pretos. Do nível socioeconômico, pouco mais da metade pertenciam às classes socioeconômicas mais ricas (A e B1). Maioria tinha IMC normal e não referiu comorbidades. Na regressão de Poisson com variância robusta, os participantes pertencentes à classe socioeconômica menos rica tiveram uma prevalência 14,8% maior em relação aos Alto nível socioeconômico (RP = 1,17; IC95%: 1,00–1,35; p = 0,044). O excesso de peso foi significativamente associado à soropositividade para dengue, com uma prevalência 17,8% superior à daqueles com IMC normal (RP = 1,20; IC95%: 1,03–1,39; p = 0,016). As variáveis sexo e idade foram incluídas por sua relevância teórica/epidemiológica; não demonstraram associações estatisticamente significativas. Conclusão: Os fatores de risco associados à positividade para dengue entre os adolescentes da segunda fase do ERICA em 2018, foram o excesso de peso e o nível socioeconômico. Os achados reforçam, além do já conhecido nível socioeconômico como importante preditor para dengue, a associação entre o estado nutricional e a suscetibilidade à infecção, ressaltando que fatores individuais, como o excesso de peso, também devem ser considerados na formulação de estratégias de vigilância, prevenção e controle da doença.
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Introduction: Dengue is an important health disease in Brazil. Risk factors include younger age, low schooling, presence of comorbidities and socio-environmental factors. Objective: To estimate the association between risk factors and dengue seroprevalence in a sample of the adolescent cohort of the Study of Cardiovascular Risks in Adolescents (ERICA), based on data collected in the second wave of the study, carried out in 2018. Method: This is a cross-sectional study with data from a sub-sample of adolescents from the second wave of ERICA. Absolute and relative frequencies were calculated for the analysis. The Shapiro-Wilk test was used to assess normality. The dependent variable was a positive or negative result for DENV IgG, and the independent variables assessed were gender, age, socioeconomic status and BMI classification. Poisson regression with robust variance was used. The final model was chosen on the basis of the AIC/BIC criteria and included the key variables gender and age. Results: 160 participants were assessed, 80% of whom tested positive for dengue. The average age was 20 years (min. 16/max. 23). The majority were female and more than half declared themselves to be brown or black. In terms of socio-economic status, just over half belonged to the wealthier socio-economic classes (A and B1). The majority had a normal BMI and did not report any comorbidities. In the Poisson regression with robust variance, participants belonging to the least wealthy socioeconomic class had a 14.8% higher prevalence compared to those of high socioeconomic status (PR = 1.17; 95%CI: 1.00-1.35; p = 0.044). Being overweight was significantly associated with dengue seropositivity, with a 17.8% higher prevalence than those with a normal BMI (PR = 1.20; 95%CI: 1.03-1.39; p = 0.016). The variables gender and age were included because of their theoretical/epidemiological relevance; they showed no statistically significant associations. Conclusion: The risk factors associated with dengue positivity among adolescents in the second phase of ERICA in 2018 were excess weight and socioeconomic status. In addition to the well-known socioeconomic status as an important predictor of dengue, the findings reinforce the association between nutritional status and susceptibility to infection, emphasizing that individual factors, such as excess weight, should also be considered in the formulation of disease surveillance, prevention and control strategies.
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Marcos Felipe de Carvalho Leite
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MANIFESTAÇÕES OCULARES EM PACIENTES COM TESTAGEM POSITIVA PARA SÍFILIS ATENDIDOS EM UM HOSPITAL TERCIÁRIO DO DISTRITO FEDERAL NO PERÍODO DE 2020 A 2022
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Orientador : GUSTAVO ADOLFO SIERRA ROMERO
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MEMBROS DA BANCA :
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CESAR OMAR CARRANZA TAMAYO
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ELZA FERREIRA NORONHA
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GUSTAVO ADOLFO SIERRA ROMERO
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JULIANA DE SOUZA LAPA
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Data: 02/12/2025
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Introdução: A sífilis, infecção causada pelo Treponema pallidum, permanece um desafio significativo de saúde publica e pode acometer diversos órgãos, incluindo o sistema ocular, cuja manifestação e considerada forma de neurossífilis. O aumento da incidência de sífilis no Brasil, associado ao atraso diagnostico e a diversidade de apresentações clinicas, reforça a necessidade de melhor caracterização epidemiológica da sífilis ocular em cenários de alta complexidade hospitalar. Objetivo: Descrever as características clinicas, epidemiológicas, laboratoriais e terapêuticas de uma coorte de pacientes com sífilis ocular atendidos em um hospital terciário do Distrito Federal entre 2020 e 2022. Materiais e métodos: Realizou-se um estudo retrospectivo, descritivo, do tipo coorte histórica, incluindo pacientes ≥18 anos com testes treponêmicos reagentes, manifestações oculares confirmadas pela oftalmologia e necessidade de internação para tratamento. Foram analisados dados sociodemográficos, clínicos, laboratoriais (incluindo LCR), regime terapêutico, evolução clínica e resposta sorológica. Resultados: Foram incluídos 55 pacientes, majoritariamente do sexo masculino (74,5%), com média de idade de 42,2 anos. Borramento visual foi o sintoma mais frequente (92,7%). As lesões oculares mais comuns foram uveíte anterior (37,8%), uveíte posterior (28,9%), edema de papila (22,2%) e panuveíte (20%). A maioria dos pacientes (96,4%) apresentou início dos sintomas há mais de quatro semanas. A coinfecção pelo HIV ocorreu em 58,2%, dos quais 65,6% apresentaram carga viral >1000 copias/mL e 56,3% tinham CD4 <200 células/mm3. Apesar de 82,2% apresentarem VDRL de liquor não reagente, alterações citológicas e bioquímicas compatíveis com neurossífilis foram frequentes. A ceftriaxona foi o antibiótico mais utilizado (56,4%), devido a indisponibilidade de penicilina G cristalina em parte do período analisado. Após três meses, 59,5% dos pacientes apresentaram queda ≥2 diluições no VDRL, sendo essa resposta mais expressiva entre aqueles tratados com penicilina cristalina (86,4%). Conclusão: A sífilis ocular apresentou-se predominantemente em estágio tardio, com elevada frequência de coinfecção pelo HIV e ampla variedade de manifestações oculares. O atraso diagnostico e a heterogeneidade terapêutica reforçam a necessidade de protocolos assistenciais específicos, rastreamento direcionado e garantia de acesso a penicilina cristalina. A maioria dos pacientes apresentou boa resposta clinica e sorológica ao tratamento, evidenciando que o reconhecimento precoce e a condução adequada podem prevenir sequelas oftalmológicas graves.
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Introduction: Syphilis, caused by Treponema pallidum, remains a major public health issue and can affect multiple organs, including ocular structures. Ocular involvement is considered a form of neurosyphilis and may lead to severe and irreversible visual damage. The growing incidence of syphilis in Brazil and the diagnostic challenges associated with its heterogeneous presentation highlight the need for a better understanding of ocular syphilis in tertiary hospital settings. Objective: To describe the clinical, epidemiological, laboratory, and therapeutic characteristics of a cohort of patients with ocular syphilis admitted to a tertiary hospital in the Federal District, Brazil, from 2020 to 2022. Materials and Methods: This retrospective descriptive cohort study included adults with reactive treponemal tests, ophthalmologically confirmed ocular lesions, and hospitalization for treatment. Sociodemographic, clinical, laboratory (including CSF), therapeutic data, and clinical and serological outcomes were analyzed. Results: Fifty-five patients were included; 74.5% were male, with a mean age of 42.2 years. Blurred vision was the most common symptom (92.7%). The main ocular findings were anterior uveitis (37.8%), posterior uveitis (28.9%), optic disc edema (22.2%), and panuveitis (20%). Most patients (96.4%) reported symptoms for >4 weeks. HIV coinfection was identified in 58.2%; among them, 65.6% had viral loads >1000 copies/mL and 56.3% had CD4 <200 cells/mm3. Although 82.2% had nonreactive CSF VDRL, cytological and biochemical abnormalities compatible with neurosyphilis were frequent. Ceftriaxone was the most used antibiotic (56.4%) due to periods of unavailability of crystalline penicillin. At three-month follow-up, 59.5% showed ≥2-dilution decline in VDRL titers, with a better response among those treated with crystalline penicillin (86.4%). Conclusion: Ocular syphilis was predominantly diagnosed in late stages, with a high proportion of HIV coinfection and broad clinical heterogeneity. Diagnostic delay and therapeutic variability underscore the need for standardized clinical protocols, enhanced screening strategies, and guaranteed access to first-line treatment. Most patients demonstrated favorable clinical and serological responses, highlighting the importance of early recognition and appropriate management to prevent permanent visual sequelae.
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FLÁVIA NOGUEIRA E FERREIRA DE SOUSA
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Caracterização dos aspectos epidemiológicos e avaliação dos custos diretos e indiretos devido a Covid-19 notificados entre profissionais da saúde no Brasil de 2020 a 2022
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Orientador : MAURO NISKIER SANCHEZ
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MEMBROS DA BANCA :
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MAURO NISKIER SANCHEZ
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HENRY MAIA PEIXOTO
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JORGANA FERNANDA DE SOUSA SOARES
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CRISTIANO BARRETO DE MIRANDA
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RAFAEL JUNQUEIRA BURALLI
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Data: 30/06/2025
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Este estudo teve como objetivo caracterizar os aspectos epidemiológicos e estimar os custos diretos e indiretos relacionados à COVID-19 entre profissionais da saúde no Brasil, no período de 2020 a 2022. Trata-se de uma análise retrospectiva com abordagem quantitativa, baseada em dados secundários provenientes dos sistemas públicos SIVEP-Gripe, SIM e SIH/SUS. Foram incluídos profissionais da saúde hospitalizados ou que evoluíram a óbito por COVID-19, identificados por ocupação e codificação CID-10 compatível. Do ponto de vista epidemiológico, identificaram-se 3.698 hospitalizações e 11.231 óbitos, com maior concentração de casos nas faixas etárias de 40 a 59 anos. As ocupações mais afetadas foram técnicos de enfermagem, médicos e enfermeiros. A análise revelou diferenças significativas quanto ao sexo, à raça/cor e à distribuição geográfica dos eventos, com destaque para os estados das regiões Sudeste e Sul. A partir da perspectiva econômica, a avaliação de custo-doença estimou o impacto financeiro da pandemia em duas dimensões: os custos diretos, relacionados às internações hospitalares, e os custos indiretos, referentes à perda de produtividade, mensurada por Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVP), Anos Potenciais de Trabalho Perdidos (APTP) e Anos Potenciais de Renda Perdidos (APRP). O custo direto total das hospitalizações foi estimado em R$ 23,4 milhões, enquanto os custos indiretos atingiram R$ 10,05 bilhões, destacando-se a elevada carga socioeconômica da doença sobre o setor da saúde. Os achados evidenciam o expressivo ônus da pandemia entre os profissionais da saúde, tanto em termos de mortalidade quanto de perdas econômicas para o Sistema Único de Saúde (SUS) e a sociedade.Tais resultados reforçam a necessidade de políticas públicas mais robustas para proteção da força de trabalho em saúde, planejamento de contingência e alocação eficiente de recursos em emergências sanitárias.
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This study aimed to characterize the epidemiological aspects and estimate the direct and indirect costs related to COVID-19 among healthcare professionals in Brazil, from 2020 to 2022. This is a retrospective analysis with a quantitative approach, based on secondary data from the public systems SIVEP-Gripe, SIM and SIH/SUS. Healthcare professionals hospitalized or who died from COVID-19, identified by occasion and occurrence compatible with ICD-10, were included. From an epidemiological point of view, 3,698 hospitalizations and 11,231 deaths were identified, with a higher concentration of cases in the age group of 40 to 59 years. The most affected occupations were nursing technicians, doctors and nurses. The analysis revealed significant differences in terms of sex, race/color, and geographic distribution of events, with emphasis on the states in the Southeast and South regions. From an economic perspective, the cost-of-illness assessment estimates the financial impact of the pandemic in two dimensions: direct costs, related to hospitalizations, and indirect costs, related to lost productivity, measured by Potential Years of Life Lost (PYLL), Potential Years of Work Lost (PYLL), and Potential Years of Earnings Lost (PYLL). The total direct cost of hospitalizations was estimated at R$23.4 million, while indirect costs reached R$10.05 billion, highlighting the high socioeconomic burden of the disease on the health sector. The results highlighted the significant burden of the pandemic among health professionals, both in terms of mortality and economic losses for the Unified Health System (SUS) and society. These results reinforce the need for more robust public policies to protect the health workforce, contingency planning and efficient allocation of resources in health emergencies.
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JULIANA DE SOUZA LAPA
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Análise das condições pós-COVID e qualidade de vida em pacientes após a internação em hospital de referência de nível terciário do Distrito Federal em 2020
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Orientador : GUSTAVO ADOLFO SIERRA ROMERO
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MEMBROS DA BANCA :
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GUSTAVO ADOLFO SIERRA ROMERO
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ELISABETH CARMEN DUARTE
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LUCIA ROLIM SANTANA DE FREITAS
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GUILHERME LOUREIRO WERNECK
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TAZIO VANNI
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Data: 07/07/2025
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A pandemia de COVID-19 impactou significativamente a qualidade de vida dos pacientes acometidos pela doença. Além da perda de funcionalidade decorrente da infecção aguda, as Condições Pós-COVID (CPC) agravaram esse cenário. CPC são sinais, sintomas e/ou condições que continuam ou se desenvolvem quatro semanas ou mais após o COVID-19 e não podem ser justificadas por um diagnóstico alternativo. Esta tese avaliou a prevalência de CPC, seus principais sintomas, fatores associados e a relação com a qualidade de vida. Foi realizada uma coorte concorrente com pacientes internados no Hospital Regional da Asa Norte (Brasília, DF), entre agosto e novembro de 2020. Os participantes foram entrevistados por telefone aos 3 e 6 meses após a alta hospitalar, com aplicação de questionários sobre sintomas de CPC e do Short-Form Health Survey 36(SF-36). A CPC foi definida pela presença de pelo menos 1 dos 17 sintomas interrogados na entrevista. O SF-36 é um questionário de qualidade vida dividida em 8 domínios, que podem ser sumarizados Componentes de Saúde Física (CSF) e Mental (CSM). O questionário é convertido em uma escala de 0 a 100, onde 0 representa o pior estado de saúde e 100 o melhor. Utilizou-se regressão de Poisson com variância robusta para estimar razões de prevalência (RP) das CPC e seu fatores associados, regressão linear para analisar as pontuações dos CSF e CSM do SF-36 e seus respectivos Intervalos de Confiança de 95%.A prevalência de CPC foi de 81% aos 3 meses e 61% aos 6 meses. Os principais sintomas em 3 meses foram queda de cabelo (44%), fadiga (42%) e perda de memória (39%); em 6 meses, perda de memória (29%) e fadiga (27%). Sexo feminino foi o principal fator associado à CPC: RP 1,28 (IC95%: 1,16–1,41) aos 3 meses e RP: 1,60 (IC95%: 1,34–1,90) aos 6. Hipercolesterolemia foi associada à CPC aos 3 meses (RP: 1,15; IC95%: 1,04–1,27); aos 6, obesidade (RP: 1,22; IC95%: 1,03–1,45) e pronação (RP: 1,12; IC95%: 1,06–1,25).Na comparação dos dados da coorte com a parametrização do Brasil os escores do CSF e do CSM, assim como todas as dimensões do SF-36 (exceto Saúde Mental e Aspectos Sociais), estavam significativamente reduzidos aos 3 meses. Aos 6 meses, persistiram reduções nas dimensões Limitações por Aspectos Físicos, Dor, Limitações por Aspectos Emocionais, Estado Geral de Saúde e no CSF. Em ambos os períodos, todos os domínios do SF-36 foram significativamente menores entre os pacientes com CPC em comparação àqueles sem CPC. Menores escores nos componentes do SF-36 estiveram associados a diversos fatores. No CSF, os preditores negativosaos 3 meses foram: sexo feminino (β: -3,0; IC95%: -4,7 a -1,3), número de comorbidades (β: -1,1; IC95%: -1,6 a -0,6) e número de sintomas de CPC (β: -1,1; IC95%: -1,4 a -0,9); aos 6 meses: sexo feminino (β: -2,5; IC95%: -4,2 a -0,8), número de sintomas de CPC (β: -2,1; IC95%: -2,3 a -1,8), número de comorbidades (β: -1,1; IC95%: -1,6 a -0,6) e idade (β: -0,1; IC95%: -0,1 a -0,0). No CSM, os fatores associados a menores escores foram: aos 3 meses: sexo feminino (β: -3,1; IC95%: -5,8 a -0,4) e número de sintomas de CPC (β: -1,6; IC95%: -2,0 a -1,2); aos 6 meses: sexo feminino (β: -4,2; IC95%: -6,7 a -1,8), número de sintomas de CPC (β: -2,7; IC95%: -3,2 a -2,3) e número de comorbidades (β: -0,7; IC95%: -1,4 a -0,0). Por outro lado, maiores escores nos componentes foram associados a maior renda familiar: no CSF: 3 meses (β: 0,4; IC95%: 0,1 a 0,6) e 6 meses (β: 0,2; IC95%: 0,02 a 0,4); no CSM: 3 meses (β: 0,6; IC95%: 0,3 a 1,0) e 6 meses (β: 0,5; IC95%: 0,2 a 0,8). Conclui-se que a prevalência de sintomas persistentes de COVID-19 (CPC) foi elevada, especialmente entre as mulheres, e esteve relacionada à piora significativa na qualidade de vida tanto no componente físico quanto no componente mental. O sexo feminino e o número de sintomas de CPC foram os principais fatores associados à queda de qualidade de vida.
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The COVID-19 pandemic significantly impacted the quality of life of patients affected by the disease. In addition to the loss of functionality caused by the acute infection, Post-COVID Conditions (PCC) have worsened this scenario. PCC are signs, symptoms, and/or conditions that persist or develop four weeks or more after COVID-19 and cannot be explained by an alternative diagnosis. This thesis assessed the prevalence of PCC, its main symptoms, associated factors, and the relationship with quality of life. A prospective cohort study was conducted with patients hospitalized at the Hospital Regional da Asa Norte (Brasília, DF), between August and November 2020. Participants were interviewed by telephone at 3 and 6 months after hospital discharge, using questionnaires on PCC symptoms and the Short-Form Health Survey 36 (SF-36). PCC was defined as the presence of at least one of the 17 symptoms assessed during the interview. The SF-36 is a quality of life questionnaire divided into 8 domains, which can be summarized into Physical Health Component (PHC) and Mental Health Component (MHC). The questionnaire scores range from 0 to 100, where 0 represents the worst and 100 the best health status. Poisson regression with robust variance was used to estimate prevalence ratios (PR) of PCC and their associated factors, while linear regression was used to analyze SF-36 PHC and MHC scores and their respective 95% confidence intervals (95% CI). The prevalence of PCC was 81% at 3 months and 61% at 6 months. The most common symptoms at 3 months were hairloss (44%), fatigue (42%), and memory loss (39%); at 6 months, memory loss (29%) and fatigue (27%) predominated. Female sex was the main factor associated with PCC: PR 1.28 (95% CI: 1.16–1.41) at 3 months and PR 1.60 (95% CI: 1.34–1.90) at 6 months. Hypercholesterolemia was associated with PCC at 3 months (PR: 1.15; 95% CI: 1.04–1.27); at 6 months, obesity (PR: 1.22; 95% CI: 1.03–1.45) and prone positioning during hospitalization (PR: 1.12; 95% CI: 1.06–1.25) were associated. When comparing cohort data with Brazilian normative values, the scores of PHC and MHC, as well as all SF-36 dimensions (except Mental Health and Social Functioning), were significantly reduced at 3 months. At 6 months, reductions persisted in the dimensions of Role Physical, Bodily Pain, Role Emotional, General Health, and PHC. At both time points, all SF-36 domains were significantly lower among patients with PCC compared to those without PCC. Lower scores in the SF-36 components were associated with various factors. For the PHC, negative predictors at 3 months were: female sex (β: -3.0; 95% CI: -4.7 to -1.3), number of comorbidities (β: -1.1; 95% CI: -1.6 to -0.6), and number of PCC symptoms (β: -1.1; 95% CI: -1.4 to -0.9); at 6 months: female sex (β: -2.5; 95% CI: -4.2 to -0.8), number of PCC symptoms (β: -2.1; 95% CI: -2.3 to -1.8), number of comorbidities (β: -1.1; 95% CI: -1.6 to -0.6), and age (β: -0.1; 95% CI: -0.1 to -0.0).For the MHC, factors associated with lower scores were: at 3 months: female sex (β: -3.1; 95% CI: -5.8 to -0.4) and number of PCC symptoms (β: -1.6; 95% CI: -2.0 to -1.2); at 6 months: female sex (β: -4.2; 95% CI: -6.7 to -1.8), number of PCC symptoms (β: -2.7; 95% CI: -3.2 to -2.3), and number of comorbidities (β: -0.7; 95% CI: -1.4 to -0.0). On the other hand, higher scores in both components were associated with higher family income: for the PHC: 3 months (β: 0.4; 95% CI: 0.1 to 0.6) and 6 months (β: 0.2; 95% CI: 0.02 to 0.4); for the MHC: 3 months (β: 0.6; 95% CI: 0.3 to 1.0) and 6 months (β: 0.5; 95% CI: 0.2 to 0.8).In conclusion, the prevalence of persistent COVID-19 symptoms (PCC) was high, especially among women, and was associated with a significant decline in quality of life in both the physical and mental components. Female sex and the number of PCC symptoms were the main factors associated with reduced quality of life.
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ANA CAROLINA ESTEVES DA SILVA PEREIRA
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Custos das hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave devido à covid-19 em um hospital universitário federal do Distrito Federal (2020-2021)
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Orientador : HENRY MAIA PEIXOTO
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MEMBROS DA BANCA :
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HENRY MAIA PEIXOTO
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ELZA FERREIRA NORONHA
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MÁRCIA FERREIRA TEIXEIRA PINTO
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ERIKA SANTOS DE ARAGÃO
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FLÁVIA TAVARES SILVA ELIAS
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Data: 18/07/2025
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Introdução: A pandemia causada pela covid-19 impactou profundamente vários aspectos da sociedade, incluindo a saúde pública e a economia global. Compreender o custo da covid-19 pode auxiliar na estimativa do impacto econômico causado pela pandemia no Brasil e apoiar a gestão efetiva de recursos em futuros surtos e epidemias por um vírus similar. Objetivo: O objetivo do presente estudo foi estimar os custos das hospitalizações de pacientes adultos com Infecção Respiratória Aguda Grave (SRAG) devido à covid-19 em um Hospital Público Universitário. Método: Trata-se de estudos de custos baseados em uma coorte de pacientes hospitalizados com SRAG associada à covid-19 em um Hospital Público Universitário do Distrito Federal, realizado entre 2020 e 2021. Foram elaborados três estudos. O primeiro utilizou dados das Autorizações de Internação Hospitalar (AIH) de pacientes com SRAG por covid-19 internados entre abril de 2020 e março de 2022, realizando análise descritiva dos custos hospitalares e profissionais por grupo e por procedimento. O segundo estimou os custos da assistência prestada por profissionais de saúde com base em tempo médio de atendimento durante as hospitalizações de pacientes. O terceiro aplicou o método de microcusteio, quantificando insumos, medicamentos, exames e equipamentos utilizados por paciente, a partir da análise de prontuários e registros administrativos. Resultados: Os três estudos revelaram diferentes dimensões dos custos associados à hospitalização por SRAG causada pela covid-19 no Hospital Universitário de Brasília. A análise baseada nas AIH estimou um custo total de R$ 2,87 milhões para 622 pacientes, com predominância de gastos com procedimentos clínicos. Pacientes do sexo masculino e os que evoluíram para óbito apresentaram custos médios mais elevados. O estudo voltado aos custos com profissionais de saúde indicou um custo agregado de R$ 10,39 milhões para 863 internações, com destaque para a Fase 5 da pandemia e para a Ala Amarela, que concentrou o maior número de internações e o maior custo total. Já a análise dos componentes hospitalares estimou R$ 4,45 milhões (sem profissionais) e R$ 14,83 milhões (com profissionais), sendo os medicamentos o principal item de custo. Os custos totais foram influenciados pela gravidade clínica, tempo de internação, desfecho e ala de atendimento. Conclusão: Esta tese evidenciou a magnitude e a complexidade dos custos hospitalares associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por covid-19. Os resultados mostraram que os custos variaram conforme a gravidade clínica, tempo de internação, fase da pandemia e desfecho dos pacientes, sendo maiores entre os casos mais críticos. A comparação entre as abordagens de macrocusteio e microcusteio destacou a subestimação dos custos nas bases oficiais de reembolso. A aplicação combinada das diferentes metodologias permitiu uma estimativa mais acurada dos custos hospitalares, oferecendo subsídios valiosos para o planejamento e financiamento em saúde, particularmente em contextos de alta complexidade e emergências sanitárias.
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Introduction:The COVID-19 pandemic has profoundly affected various aspects of society, including public health and the global economy. Understanding the cost of COVID-19 may assist in estimating the economic impact of the pandemic in Brazil and support the effective management of resources during future outbreaks and epidemics caused by similar viruses.Objective:This study aimed to estimate the costs of hospitalizations of adult patients with Severe Acute Respiratory Infection (SARI) due to COVID-19 in a public university hospital.Methods:This research comprises cost studies based on a cohort of patients hospitalized with SARI associated with COVID-19 in a public university hospital in the Federal District, conducted between 2020 and 2021. Three studies were developed. The first used data from the Hospital Admission Authorizations (AIH) of patients hospitalized, performing a descriptive analysis of hospital and professional costs by group and procedure. The second estimated the costs of care provided by health professionals based on the average time of service during hospitalization. The third applied the micro-costing method, quantifying supplies, medications, exams, and equipment used per patient through medical record reviews and administrative data.Results: The three studies revealed different dimensions of the costs associated with SARI-related hospitalizations due to COVID-19 at the University Hospital of Brasília. The analysis based on AIH estimated a total cost of R$2.87 million for 622 patients, with a predominance of expenses on clinical procedures. Male patients and those who died presented higher average costs. The study focused on professional care costs indicated an aggregate cost of BRL 10.39 million for 863 hospitalizations, with Phase 5 of the pandemic and the Yellow Ward accounting for the highest costs and number of hospitalizations. The analysis of hospital components estimated R$4.45 million (excluding professionals) and R$14.83 million (including professionals), with medications being the main cost driver. Total costs were influenced by clinical severity, length of stay, patient outcomes, and the hospital ward of admission.Conclusion:This thesis highlights the magnitude and complexity of hospital costs associated with SARI due to COVID-19. The findings showed that costs varied according to clinical severity, length of stay, pandemic phase, and patient outcomes, being higher among the most critical cases. The comparison between macro-costing and micro-costing approaches revealed a consistent underestimation of costs in official reimbursement systems. The combined application of different methodologies enabled a more accurate estimation of hospital costs, providing valuable evidence for health planning and financing, particularly in high-complexity and emergency contexts.
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Fábio Gonçalves da Silva
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Uso da metagenômica viral na avaliação de pacientes transplantados renais
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Orientador : RODRIGO HADDAD
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MEMBROS DA BANCA :
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ALEX LEITE PEREIRA
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EDGAR GUIMARAES BIONE
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RODRIGO ALEXANDRE PANEPUCCI
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RODRIGO HADDAD
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SVETOSLAV NANEV SLAVOV
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Data: 31/10/2025
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A doença renal crônica (DRC) caracteriza-se como uma condição clínica progressiva e irreversível que compromete definitivamente a função e a estrutura renal, incapacitando os rins de realizarem adequadamente a filtração sanguínea. Esta condição frequentemente desencadeia comorbidades com elevado potencial letal, principalmente de origem cardiovascular. Para pacientes que evoluem para estágio terminal com falência renal, o transplante representa a única alternativa terapêutica definitiva. Os receptores de transplante renal iniciam a terapia imunossupressora antes do procedimento cirúrgico. Após o implante do enxerto, preconiza-se a terapia de indução com agentes biológicos, especialmente durante os primeiros meses pós-transplante, visando prevenir episódios de rejeição aguda. Um desafio significativo no acompanhamento clínico destes pacientes é o surgimento de infecções oportunistas e reativações virais, consequência direta do estado de imunossupressão terapêutica. Considerando a quantidade de estudos voltados para o estudo do viroma sanguíneo de pacientes transplantados renais no Brasil, este estudo propôs investigar o perfil viral circulante nesta população específica. Foram avaliados, por metagenômica, o viroma no plasma de 95 receptores de transplante renal (54 homens e 41 mulheres) atendidos no Hospital Universitário de Brasília (Distrito Federal, Brasil). Após validação com qPCR, os resultados demonstraram prevalências relativas de 18,8% para Citomegalovírus (CMV), 20% para HPgV, a frequência média estimada foi de 3,15, para vírus Epstein-Barr (EBV) e 3,8% para BKV. Para os HPgV, a análise filogenética realizada demonstrou a presença dos genótipos 1, 2 e 3. O genótipo predominante foi o 2 (78,9%), que se apresentou com dois subgenótipos distintos: 2A (5,3%), e 2B (73,6%). Interessantemente, genótipos do HPgV-1 relatados com menor frequência no Brasil também foram identificados, para o genótipo 1 (10,5%) e para o genótipo 3 (10,5%).
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Chronic kidney disease (CKD) is characterized as a progressive and irreversible clinical condition that definitively compromises renal function and structure, rendering the kidneys unable to adequately perform blood filtration. This condition frequently triggers comorbidities with high lethal potential, mainly of cardiovascular origin. For patients who progress to end-stage renal failure, transplantation represents the only definitive therapeutic alternative. Renal transplant recipients begin immunosuppressive therapy before the surgical procedure. After graft implantation, induction therapy with biological agents is recommended, especially during the first months post-transplant, aiming to prevent episodes of acute rejection. A significant challenge in the clinical follow-up of these patients is the emergence of opportunistic infections and viral reactivations, a direct consequence of the therapeutic immunosuppression state. Considering the number of studies focused on investigating the blood virome of renal transplant patients in Brazil, this study proposed to investigate the circulating viral profile in this specific population. A total of 95 renal transplant recipients (54 men and 41 women) treated at the University Hospital of Brasília (Federal District, Brazil) were randomly selected for analysis of their viromes. The results demonstrated relative prevalences of 18,8% for Cytomegalovirus (CMV), 20% for HPgV, with an estimated average frequency of 3.15 for Epstein-Barr virus (EBV) and 3.8% for BKV. For HPgV, the phylogenetic analysis performed demonstrated the presence of genotypes 1, 2 and 3. The predominant genotype was 2 (78.9%), which presented with two distinct subgenotypes: 2A (5.3%) and 2B (73.6%). Interestingly, HPgV-1 genotypes reported less frequently in Brazil were also identified, for genotype 1 (10.5%) and for genotype 3 (10.5%).
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Vaneide Daciane Pedi
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FEBRE CHIKUNGUNYA NO MUNDO: ÓBITOS, CONDIÇÕES CRÔNICAS E IMPACTO SOCIOECONÔMICO – UM ESTUDO DE REVISÃO SISTEMÁTICA
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Orientador : MARIA REGINA FERNANDES DE OLIVEIRA
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MEMBROS DA BANCA :
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MARIA REGINA FERNANDES DE OLIVEIRA
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HENRY MAIA PEIXOTO
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PRISCILLA PEREZ DA SILVA PEREIRA
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FLÁVIA TAVARES SILVA ELIAS
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Giovanini Evelim Coelho
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Data: 11/12/2025
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Introdução: O vírus chikungunya (CHIKV), um alfavírus da família Togaviridae, é transmitido aos seres humanos por mosquitos do gênero Aedes, principalmente Aedes aegypti e Aedes albopictus, e causa a febre de Chikungunya (CHIKF) em humanos, ocorrendo predominantemente em regiões tropicais e subtropicais ao redor do mundo. Apesar do crescente aumento da morbimortalidade e das consequências e sequelas a longo prazo da CHIKF, a doença ainda tem status de negligenciada e estudos que abordam o comportamento epidemiológico e os impactos socioeconômicos são raros. Objetivo: Investigar as manifestações clínicas apresentadas por indivíduos com evolução crônica ou óbito em decorrência da CHIKF, bem como o impacto socioeconômico da doença em todo o mundo. Método: Estudo composto por duas revisões sistemáticas da literatura, realizadas a partir de buscas abrangentes de artigos científicos publicados até 2024, indexados nas bases de dados LILACS, EMBASE e PubMed, bem como da literatura cinzenta, por meio de portais brasileiros de teses e dissertações. Foram incluídos trabalhos publicados nos idiomas inglês, espanhol, francês e português, sem restrição quanto ao ano de publicação, que estudaram populações diagnosticadas com CHIKF ou em risco de infecção, com abrangência local, nacional ou internacional. Os processos de seleção das publicações, extração dos dados e análise de qualidade metodológica foram realizados por dois revisores independentes, e um terceiro revisor foi consultado para resolução de divergências. A qualidade metodológica dos estudos incluídos nas duas revisões sistemáticas foi avaliada por meio de diferentes ferramentas e classificada como alta, moderada a alta, moderada a baixa ou baixa. Resultados: Os achados são apresentados em dois artigos, a saber: (i) o primeiro apresenta e discute as principais manifestações clínicas na fase crônica e óbitos associados à CHIKF no mundo; e (ii) o segundo aborda o impacto socioeconômico da CHIKF. No primeiro artigo, as buscas nas bases de dados e literatura cinzenta resultaram em 4.027 registros, dos quais 3.311 foram avaliados em relação ao título e resumo, após remoção das duplicatas. Desses registros, 2.550 foram excluídos e, dos estudos remanescentes (n= 761), 724 foram avaliados quanto à elegibilidade. Ao final, 169 estudos foram incluídos, das quais 76,9% foram publicados entre 2016-2024. A Região das Américas (AMR) foi responsável por 58,6% das publicações incluídas. Brasil (38%), França (Ilha de Reunião) (12%), Índia (9%) e Colômbia (7%) apresentaram o maior percentual de publicações. Estudos observacionais, do tipo transversal representaram 56,7% (55/97), seguido de estudos de coorte (88,9%; 64/72). Do total de estudos incluídos, 63,3% abordaram manifestações clínicas da fase crônica, 30,2% relataram desfechos fatais. e 6,5% relataram ambos os desfechos A evolução para a fase crônica variou entre 3% e 83%. Artralgia crônica, artrite persistente, rigidez matinal, tenossinovite, entesite e bursite foram os sintomas musculoesqueléticos mais associados à cronicidade da CHIKF. As articulações mais afetadas foram joelhos, punhos, tornozelos e mãos. A persistência dos sintomas por mais de um ano foi frequente, e alguns estudos reportaram sequelas até oito anos após a infecção. Impactos psicossociais significativos, como fadiga crônica, ansiedade, depressão e prejuízo na funcionalidade e na qualidade de vida também foram reportados. Idosos apresentaram maior risco de evolução crônica e gravidade dos sintomas, enquanto, entre crianças e neonatos, prevaleceram sequelas neurológicas e atrasos no desenvolvimento neurocognitivo. O coeficiente de letalidade variou de 0,1% a 1,4% entre os estudos, com desfechos fatais associados principalmente a comorbidades, idade avançada e formas graves da infecção. No segundo artigo, as buscas nas bases de dados e literatura cinzenta resultaram em 1.458 registros, dos quais 1.242 foram avaliados em relação ao título e resumo, após remoção das duplicatas. Nessa triagem, 1.173 registros foram excluídos e, dos estudos remanescentes (n= 69), 67 foram avaliados quanto à elegibilidade. Ao final, 43 estudos foram incluídos, publicados ao longo de três décadas (2009 a 2023). Até 2013, os estudos foram originários da Ásia e África, passando a se concentrar na América do Sul a partir de 2015. A maioria dessas publicações é oriunda de países classificados em renda média-baixa (Índia) ou média-alta (Brasil, Colômbia e México). Observa-se maior atuação de sistemas de saúde públicos, com modelos bastante diversos. Estudos de custo e custo-desfechos em saúde foram os mais frequentes. Com base na abordagem analítica aplicada, as publicações foram classificadas da seguinte forma: estudos de custo (n=25), incluindo custo da doença (n=18) e custo de programas (n=6); estudos sobre a carga da doença (n=10); estudos de custo-desfecho (n=4), incluindo custo-efetividade (n=3) e custo-utilidade (n=1); e estudos sobre qualidade de vida (n=15). Os custos diretos totais relatados associados à CHIKF variaram de US$ 3,5 milhões (Ilhas Virgens Americanas, 2014-2015) a US$ 83,6 bilhões (Região das Américas, 2013-2015). Os custos médicos diretos variaram de US$ 308,94 (Tamil Nadu, Índia, 2006) a US$ 33,7 milhões (Ilha da Reunião, 2005–2006). Os custos dos programas de controle de vetores variaram de US$ 888.000 por ano (Grécia, 2013–2017) a US$ 466 milhões (Brasil, 2016). Os anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs) estimados por 100.000 habitantes variaram de 4,53 (Índia, 2006) a 2.432 (Região das Américas, 2013-2015). Estudos de qualidade de vida demonstraram declínios substanciais em vários domínios, indicando comprometimento funcional significativo devido à CHIKF. Conclusões: Os achados reforçam a compreensão da CHIKF como uma doença com expressiva proporção de casos evoluindo para forma crônica e óbito, com sérios impactos clínicos e econômicos ao longo da vida do indivíduo. Em diferentes dimensões, para além da saúde, gera absenteísmo, perdas econômicas e de anos de vida. As consequências da doença afetam os sistemas de saúde e as economias, nacional e local, a depender das dimensões dos surtos e epidemias. Verifica-se a necessidade de vigilância contínua, manejo clínico adequado e acompanhamento multidisciplinar de pacientes com sintomas persistentes, além de políticas públicas voltadas para mitigação das consequências a longo prazo da doença. Destaca-se, ainda, a importância de estudos voltados à estimativa do custo da doença e da carga associada, incluindo custos diretos em saúde e despesas custeadas pelos pacientes e suas famílias, como gastos com repelentes e inseticidas
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Introduction: Chikungunya virus (CHIKV), an alphavirus of the Togaviridae family, is transmitted to humans by mosquitoes of the genus Aedes, mainly Aedes aegypti and Aedes albopictus, and causes Chikungunya fever (CHIKF) in humans, occurring predominantly in tropical and subtropical regions around the world. Despite the increasing morbidity and mortality and the long-term consequences and sequelae of CHIKF, the disease is still neglected, and studies addressing its epidemiological behavior and socioeconomic impacts are rare. Objective: To investigate the clinical manifestations presented by individuals with chronic progression or death due to CHIKF, as well as the socioeconomic impact of the disease worldwide. Method: This study consists of two systematic reviews of the literature, based on comprehensive searches of scientific articles published up to 2024, indexed in the LILACS, EMBASE, and PubMed databases, as well as gray literature, through Brazilian thesis and dissertation portals. Studies published in English, Spanish, French, and Portuguese were included, with no restriction on the year of publication, which studied populations diagnosed with CHIKF or at risk of infection, with local, national, or international coverage. The processes of publication selection, data extraction, and methodological quality analysis were performed by two independent reviewers, and a third reviewer was consulted to resolve any discrepancies. The methodological quality of the studies included in the two systematic reviews was assessed using different tools and classified as high, moderate to high, moderate to low, or low. Results: The findings are presented in two articles, namely: (i) the first presents and discusses the main clinical manifestations in the chronic phase and deaths associated with CHIKF worldwide; and (ii) the second addresses the socioeconomic impact of CHIKF. In the first article, searches of databases and gray literature resulted in 4,027 records, of which 3,311 were evaluated for title and abstract after removal of duplicates. Of these records, 2,550 were excluded, and of the remaining studies (n = 761), 724 were evaluated for eligibility. In the end, 169 studies were included, of which 76.9% were published between 2016 and 2024. The Region of the Americas (AMR) accounted for 58.6% of the included publications. Brazil (38%), France (Reunion Island) (12%), India (9%), and Colombia (7%) had the highest percentage of publications. Observational, cross-sectional studies accounted for 56.7% (55/97), followed by cohort studies (88.9%; 64/72). Of the total studies included, 63.3% addressed clinical manifestations of the chronic phase, 30.2% reported fatal outcomes, and 6.5% reported both outcomes. The progression to the chronic phase varied between 3% and 83%. Chronic arthralgia, persistent arthritis, morning stiffness, tenosynovitis, enthesitis, and bursitis were the musculoskeletal symptoms most associated with the chronicity of CHIKF. The joints most affected were the knees, wrists, ankles, and hands. Symptoms persisted for more than a year in many cases, and some studies reported sequelae up to eight years after infection. Significant psychosocial impacts, such as chronic fatigue, anxiety, depression, and impaired functionality and quality of life were also reported. Older adults were at greater risk of chronic progression and severity of symptoms, while among children and neonates, neurological sequelae and delays in neurocognitive development prevailed. The case fatality rate ranged from 0.1% to 1.4% across studies, with fatal outcomes mainly associated with comorbidities, advanced age, and severe forms of infection. In the second article, searches of databases and gray literature resulted in 1,458 records, of which 1,242 were evaluated for title and abstract after removal of duplicates. In this screening, 1,173 records were excluded, and of the remaining studies (n = 69), 67 were evaluated for eligibility. In the end, 43 studies were included, published over three decades (2009 to 2023). Until 2013, the studies originated in Asia and Africa, shifting to South America from 2015 onwards. Most of these publications originated from countries classified as lower-middle income (India) or upper-middle income (Brazil, Colombia, and Mexico). There was greater involvement of public health systems, with very diverse models. Cost and cost-outcome studies in health were the most frequent. Based on the analytical approach applied, the publications were classified as follows: cost studies (n=25), including disease costs (n=18) and program costs (n=6); studies on disease burden (n=10); cost-outcome studies (n=4), including cost-effectiveness (n=3) and cost-utility (n=1); and quality of life studies (n=15). The total direct costs reported associated with CHIKF ranged from US$ 3.5 million (U.S. Virgin Islands, 2014-2015) to US$ 83.6 billion (Region of the Americas, 2013-2015). Direct medical costs ranged from US$ 308.94 (Tamil Nadu, India, 2006) to US$ 33.7 million (Reunion Island, 2005–2006). The costs of vector control programs ranged from US$ 888,000 per year (Greece, 2013–2017) to US$ 466 million (Brazil, 2016). Disability-adjusted life years (DALYs) estimated per 100,000 population ranged from 4.53 (India, 2006) to 2,432 (Region of the Americas, 2013–2015). Quality of life studies have demonstrated substantial declines in several domains, indicating significant functional impairment due to CHIKF. Conclusions: The findings reinforce the understanding of CHIKF as a disease with a significant proportion of cases progressing to chronic forms and death, with serious clinical and economic impacts throughout the individual's life. In different dimensions, beyond health, it generates absenteeism, economic losses, and years of life lost. The consequences of the disease affect health systems and economies, both nationally and locally, depending on the scale of outbreaks and epidemics. There is a need for continuous surveillance, appropriate clinical management, and multidisciplinary follow-up of patients with persistent symptoms, as well as public policies aimed at mitigating the long-term consequences of the disease. It is also important to highlight the importance of studies aimed at estimating the cost of the disease and the associated burden, including direct health costs and expenses borne by patients and their families, such as spending on repellents and insecticides.
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