Dissertações/Teses

Clique aqui para acessar os arquivos diretamente da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UnB

2026
Dissertações
1
  • ENZO MARTÍN LANDA RAMÍREZ
  • OS INÍCIOS DO FORELAND ANDINO NO NW ARGENTINO, VALLE TONCO, SALTA-ARGENTINA: RELAÇÃO ENTRE SEDIMENTAÇÃO E TECTONISMO ATRAVÉS DE ANÁLISE DE PROVENIÊNCIA

  • Orientador : NATALIA HAUSER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIANO DOMINGOS DOS REIS
  • MARTIN BERNARD RODDAZ
  • MARTINO GIORGIONI
  • NATALIA HAUSER
  • Data: 23/02/2026

  • Mostrar Resumo
  • O estudo a seguir apresenta uma investigação detalhada sobre a evolução tectono-sedimentar da bacia antepaís (Eoceno Médio-Pleistoceno Inferior) do noroeste da Argentina, com maior ênfase no intervalo Paleoceno-Mioceno que envolve a transição dos depósitos pós-rift para o desenvolvimento de uma bacia antepaís simples e, posteriormente, uma bacia de antepaís fragmentada nos Andes Centrais. O objetivo foi reconhecer e avaliar os mecanismos e fatores sedimentares e tectónicos envolvidos antes e durante o desenvolvimento da bacia antepaís. Para isso, foram analisados os depósitos cenozóicos do teto do pós-rift do Grupo Salta (formações Maíz Gordo e Lumbrera, Subgrupo Santa Bárbara) e os depósitos basais do Grupo Payogastilla (formações Los Colorados e Angastaco) no Valle Tonco (Salta). Desta forma, foi realizada uma comparação das condições paleoclimáticas e áreas de proveniência dos depósitos cenozóicos de ambas as bacias, por meio de uma abordagem multi-proxy de análises sedimentológicas, petrográficas, geocronologia U-Pb, Lu-Hf e Sm-Nd, e traços de fissão em zircão e apatita.As análises de facies e elementos arquiteturais das formações Maíz Gordo e Lumbrera indicam que, durante o Paleoceno-Eoceno Inferior, a bacia pós-rift foi dominada por um sistema fluvial arenoso desenvolvido numa inclinação regional de pouca profundidade. A Formação Los Colorados apresenta depósitos de um sistema fluvial efémero na sua base, que na parte superior faz a transição para um sistema fluvio-eólico e depósitos eólicos (campos de dunas) durante o Eoceno Médio ao Mioceno Inferior. A Formação Angastaco é um sistema fluvial entrelaçado com fluxos de detritos de alta energia durante o Mioceno Médio ao Tardio. As observações petrográficas dos arenitos das formações analisadas compartilham uma origem semelhante, pois as áreas de proveniência correspondem principalmente a rochas de arco magmático com forte influência de reciclagem sedimentar. No entanto, as mudanças texturais indicam uma transição com mudanças paleoclimáticas, desde condições húmidas na Formação Maíz Gordo, condições semiáridas nos depósitos da Formação Lumbrera e na base da Formação Los Colorados, até condições áridas no topo da Formação Los Colorados e da Formação Angastaco. Os dados U-Pb e Lu-Hf de zircões detríticos demonstram que as maiores populações provieram de rochas ígneas e metamórficas do Ordoviciano ao Ediacarano, e foram atribuídas aos ciclos orogénicos Famatiniano e Pampeano-Brasiliano; em menor medida, foram observados zircões do Mesoproterozóico, Paleoproterozóico e Arqueano, que foram atribuídos a ciclos orogénicos anteriores, como o Greenvilliano-Sunás e terrenos cratónicos. Além disso, a presença de grãos de zircão do Devoniano Inferior, Carbonífero e Permiano Médio sugere que houve contribuições das rochas formadas durante os ciclos Chanico e Gondwânico para os Grupos Salta e Payogastilla, localizados principalmente no altiplano Puna e em setores específicos de Calchaquenia (setor austral da Cordilheira Oriental). As idades dos traços de fissão em zircões detríticos registraram eventos térmicos a 75, 49 e 31 Ma, enquanto os traços de fissão em apatitas detríticas mostram idades mais jovens de 17, 10 e 7 Ma. As idades U-Pb de 39, 33, 23, 19 e 15 Ma correspondem a depósitos de cinzas vulcânicas reprocessadas e estão relacionadas com numerosos eventos vulcânicos ocorridos nos Andes Centrais, principalmente na Puna (~22°-28°S). As idades de 23 e 19 Ma representam potenciais contribuições de zonas mais distantes, como a região de Cuyo (28°-38°S).Com base nos dados obtidos, foi possível reconstruir a transição paleogeográfica de um sistema de antepaís simples até um regime de antepaís fragmentado. A integração das análises realizadas indica que, durante o Paleoceno-Eoceno Inferior, a bacia pós-rift foi dominada por um sistema fluvial arenoso desenvolvido numa inclinação regional de pouca profundidade, sob condições paleoclimáticas relativamente mais húmidas durante a deposição da Formação Maíz Gordo e semiáridas para a Formação Lumbrera. Posteriormente, começou a criação de paleotopografias suaves durante o Eoceno Médio (~50 Ma), que favoreceram a reciclagem dos sedimentos do Grupo Salta para a bacia antepaís. O início da formação da bacia antepaís simples ocorreu numa zona de inclinação regional baixo a moderada, o que permitiu a deposição de um sistema fluvial-eólico correspondente à Formação Los Colorados, baixo condições semiáridas a áridas durante o Eoceno Médio ao Mioceno Inferior. A partir do Mioceno Médio, o preenchimento da bacia antepaís sofreu uma mudança drástica devido a processos de encurtamento tectónico que geraram levantamentos diacrónicos de várias serras, reativaram as áreas fontes e deram origem ao estabelecimento de um sistema fluvial entrelaçado de alta energia, representado na Formação Angastaco.


  • Mostrar Abstract
  • The following study presents a detailed investigation of the tectonic-sedimentary evolution of the foreland basin (Middle Eocene-Lower Pleistocene) of northwestern Argentina, with greater emphasis on the Paleocene-Miocene invertal from post-rift deposits to the development of a simple foreland basin and, later, to a broken foreland basin in the Central Andes. The objective was to recognise and evaluate the sedimentary and tectonic mechanisms and factors involved prior to and during the development of the foreland basin. To this end, the Cenozoic deposits of the post-rift roof of the Salta Group (Maíz Gordo and Lumbrera formations, Santa Bárbara Subgroup) and the basal deposits of the Payogastilla Group (Los Colorados and Angastaco formations) in the Tonco Valley (Salta province) were analysed. A comparison of the palaeoclimatic conditions and areas of provenance of the Cenozoic deposits of both basins was thus carried out using a multi-proxy approach through sedimentological and petrographic analyses, U-Pb, Lu-Hf and Sm-Nd geochronology, and fission tracks in zircon and apatite. Facies analyses and architectural elements of the Maíz Gordo and Lumbrera formations indicate that during the Paleocene-Early Eocene, the post-rift basin was dominated by a sandy river system developed on a shallow regional slope. The Los Colorados Formation presents deposits from an ephemeral fluvial system at its base, which transitions to a fluvial-aeolian system and aeolian deposits (dune fields) towards the top during the Middle Eocene to Early Miocene. The Angastaco Formation is a heavily interlaced fluvial system with high-energy debris flows during the Middle to Late Miocene. Petrographic observations of sandstones from the analysed formations share a similar origin because the areas of provenance correspond mainly to magmatic arc rocks with a strong influence of sedimentary recycling. However, textural changes indicate a transition with palaeoclimatic changes, from humid conditions in the Maíz Gordo Formation, semi-arid conditions in the Lumbrera Formation deposits and the base of the Los Colorados Formation, to arid conditions at the top of the Los Colorados Formation and the Angastaco Formation. U-Pb and Lu-Hf data from detrital zircons show that the largest populations originated from Ordovician to Ediacaran igneous and metamorphic rocks and were assigned to the Famatinian and Pampean-Brazilian orogenic cycles. to a lesser extent, zircons from the Mesoproterozoic, Paleoproterozoic and Archean were observed, which are attributed to previous orogenic cycles such as Greenvilliano-Sunás and cratonic terrains. Furthermore, the presence of zircon grains from the Lower Devonian, Carboniferous and Middle Permian suggests that there were contributions from rocks formed during the Chanic and Gondwanan cycles for the Salta and Payogastilla Groups, mainly located in the Puna highlands and specific sectors of Calchaquenia (southern section of the Eastern Cordillera). The ages from detrital zircon fission tracks recorded thermal events at 75, 49 and 31 Ma, whereas detrital apatite fission tracks show younger ages of 17, 10 and 7 Ma. The U-Pb ages of 39, 33, 23, 19 and 15 Ma correspond to reworked volcanic ash deposits and are related to numerous volcanic events in the Central Andes, mainly in the Puna (~22°-28°S). The ages of 23 and 19 Ma represent potential contributions from more distant areas such as the Cuyo region (28°-38°S).
    Based on the data obtained, it was possible to reconstruct the palaeogeographic transition from a simple foreland system to a fragmented foreland regime. The integration of the analyses performed indicates that during the Paleocene-Lower Eocene, the post-rift basin was dominated by a sandy fluvial system developed on a shallow regional slope, under relatively wetter palaeoclimatic conditions during the deposition of the Maíz Gordo Formation and semi-arid conditions for the Lumbrera Formation. Subsequently, the creation of ge

     

2
  • CELESTE BERTASSONI PINTO
  • Estudo das bordas dos minerais de minérios de ferro durante os processos de desagregação.

  • Orientador : PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • OTAVIO DA FONSECA MARTINS GOMES
  • AUGUSTO NOBRE GONCALVES
  • FEDERICO ALBERTO CUADROS JIMENEZ
  • PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • Data: 26/02/2026

  • Mostrar Resumo
  • Contornos de grão são regiões de extremidade da estrutura cristalina, definidas como
    planos com diferentes arranjos e orientações cristalográficas, nos quais se concentram
    defeitos cristalográficos. Na siderurgia, contornos de grão são identificados e mapeados
    para o controle das características do aço, como maleabilidade, resistência à corrosão
    e aprisionamento de hidrogênio. Além disso, essas superfícies influenciam diretamente
    a eficiência dos processos minerais, como a liberação mineral e a redução do ferro em
    alto-forno. A liberação mineral ocorre por processos de fragmentação progressiva, que
    promovem a desagregação dos grãos e a formação de novas superfícies entre eles.
    Este estudo considera que os contornos de grão são características intrínsecas do
    material e que essas superfícies facilitam a desagregação do minério durante a
    cominuição. Dessa forma, as características originais dos contornos de grão podem ser
    consideradas variáveis importantes para o processo. O objetivo deste trabalho é
    produzir perfis de liberação mineral de grãos hematíticos para diferentes tipos de
    minérios de ferro, a partir do mapeamento de contornos de grão durante os processos
    de cominuição (britagem e moagem), considerando as características originais da
    rocha. Para isso, foram selecionadas seis amostras de minérios de ferro representativas
    de três minas de ferro localizadas no Quadrilátero Ferrífero, MG, Brasil. A partir desses
    minérios, foram produzidas cinco alíquotas, que foram analisadas por EBSD e DRX. Os
    dados morfológicos evidenciaram formas prismáticas e limites de grão retos em frações
    mais grossas (< 0,3 mm) e formas mais granulares e contatos irregulares a retos nas
    frações finas (< 0,053 mm). A composição química dos minérios descreve a
    concentração de fases em cada fração, principalmente em itabiritos (IC-IT e IC-ITT).
    São observadas nos itabiritos concentrações maiores de magnetita que em hematititos,
    sendo possível observar também estruturas reliquiares de grãos magnetíticos. Os dados
    cristalográficos mostram maior concentração de limites CSLs de valores baixos (Ʃ3) em
    frações grossas a internediárias, onde ainda são observados grãos policristalinos. Em
    HCa-IT e HF-AN, minérios de granulometria mais grossa, os contornos aleatórios são
    observados predominantes nas frações mais finas, em decorrência da submoagem dos
    grãos. O tamanho de liberação dos hematitos foi variado, mesmo para aqueles
    provenientes de mesma mina, como HCa-IT e HCb-IT. Os resultados demonstram que
    as características originais de contorno de grão influenciam diretamente os padrões de
    liberação mineral dos minérios de ferro. A cominuição progressiva promove inicialmente
    o rompimento dos contornos CSL especiais (Ʃ baixos), seguido pelo surgimento de
    contornos de grão aleatórios (Ʃ elevados), o que revela que formações-ferríferas com
    composição química semelhantes podem apresentar comportamento de liberação
    mineral distinto. Dessa forma, a incorporação de parâmetros microestruturais aos
    estudos de beneficiamento permite maior compreensão dos processos de liberação
    mineral, o que contribui para a otimização das etapas de cominuição, redução de perdas
    e aumento da eficiência operacional do processo.

     

     


  • Mostrar Abstract
  • Grain boundaries are terminal regions of the crystalline structure, defined as planes with different crystallographic arrangements and orientations, where crystallographic defects are concentrated. In the steel industry, grain boundaries are identified and mapped to control steel properties such as malleability, corrosion resistance, and hydrogen trapping. In addition, these surfaces directly influence the efficiency of mineral processing operations, such as mineral liberation and iron reduction in blast furnaces. Mineral liberation occurs through progressive fragmentation processes that promote grain disaggregation and the formation of new surfaces between them.
    This study considers grain boundaries as intrinsic characteristics of the material and assumes that these surfaces facilitate ore disaggregation during comminution. Therefore, the original characteristics of grain boundaries can be considered important variables in the process. The objective of this work is to produce mineral liberation profiles of hematitic grains for different types of iron ores, based on grain boundary mapping during comminution processes (crushing and grinding), while considering the original characteristics of the rock.
    To this end, six iron ore samples representative of three iron mines located in the Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais, Brazil, were selected. From these ores, five aliquots were produced and analyzed using EBSD and XRD. Morphological data revealed prismatic shapes and straight grain boundaries in coarser fractions (< 0.3 mm), and more granular shapes with irregular to straight contacts in finer fractions (< 0.053 mm). The chemical composition of the ores describes the phase concentration in each fraction, particularly in itabirites (IC-IT and IC-ITT). Higher concentrations of magnetite are observed in itabirites compared to hematitites, and relict structures of magnetitic grains can also be identified.
    Crystallographic data show a higher concentration of low-Σ CSL boundaries (Σ3) in coarse to intermediate fractions, where polycrystalline grains are still present. In HCa-IT and HF-AN, which are coarser-grained ores, random grain boundaries are predominantly observed in finer fractions as a result of grain overgrinding. The liberation size of hematite varied even among samples from the same mine, such as HCa-IT and HCb-IT.
    The results demonstrate that the original grain boundary characteristics directly influence the mineral liberation patterns of iron ores. Progressive comminution initially promotes the rupture of special CSL boundaries (low Σ), followed by the development of random grain boundaries (high Σ), indicating that banded iron formations with similar chemical compositions may exhibit distinct mineral liberation behavior. Thus, incorporating microstructural parameters into beneficiation studies allows a better understanding of mineral liberation processes, contributing to the optimization of comminution stages, reduction of losses, and increased operational efficiency of the process.

     

3
  • INGRID DE SOUZA HOYER
  • Assinaturas química e mineralógica de inclusões minerais em diamantes do Distrito Diamantífero Rio Garças, Mato Grosso

  • Orientador : TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAIO ARTHUR SANTOS
  • FEDERICO ALBERTO CUADROS JIMENEZ
  • ROGÉRIO GUITARRARI AZZONE
  • TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • Data: 27/02/2026

  • Mostrar Resumo
  • Guiratinga está localizada na margem sudeste do Cráton Amazônico, no interior da Província Sunsás-Aguapeí, um orógeno colisional mesoproterozoico que registra processos de acresção crustal relacionados à subducção durante a consolidação do Rodínia. Diamantes litosféricos do Distrito Diamantífero do Rio Garças (DDRG; Mato Grosso, Brasil), foram investigados por meio de espectroscopia Raman, FTIR e difração de raios X síncrotron (DRX-S), complementados por análises quantitativas de elementos maiores (microssonda eletrônica) e traço (LA-ICP-MS) de inclusões minerais. No total, 89 diamantes foram selecionados com o objetivo de identificar as inclusões minerais aprisionadas. Espectros de Raman contendo picos diagnósticos de olivina, ortopiroxênio, granada, anfibólio, epidoto, plagioclásio, quartzo, e hematita foram obtidos para 23 diamantes. Por DRX-S, além da confirmação da presença de olivina e granada, adicionalmente foram identificados coesita, (flúor)flogopita e cianita em 3 diamantes. As análises de microssonda eletrônica e de LA-ICP-MS foram obtidas a partir da quebra dos diamantes, que permitiu a recuperação de 3 cristais de olivina (forsterita), 2 de ortopiroxênio (enstatita), 2 de anfibólio (Mg-hornblenda), 1 de plagioclásio (albita), 4 de quartzo e 1 de epidoto. O caráter magnesiano da olivina (Mg# = 92-93) e da enstatita (En94-95; Mg# = 0,94-0,95) indica que o manto litosférico cratônico abaixo de Guiratinga possui composição harzburgítica fortemente empobrecida. A ocorrência de Mg-hornblenda, clinozoisita/epidoto, plagioclásio sódico, quartzo e cianita, associada à presença de hematita, indica que o manto litosférico registrado por essas inclusões foi afetado por retrometamorfismo hidratado em condições oxidantes, claramente fora do campo de estabilidade do diamante. A Mg-hornblenda apresenta padrão empobrecido de REE (Ce/YbN = 0,50-0,64), com anomalia positiva de Eu (Eu/Eu* = 1,38-1,97) e comportamento variável de Nb-Ta no diagrama multielementar, alternando entre empobrecimento e enriquecimento. Essa variação sugere que o mineral primário, interpretado como clinopiroxênio, foi afetado por metassomatismo silicático e por metassomatismo silicático com contribuição carbonatítica subordinada, respectivamente, interpretação corroborada pelas razões Ca/Al mais baixas no primeiro (1,66-1,85) e mais elevadas no segundo (3,50-6,80). A albita exibe enriquecimento em LREE (Ce/YbN = 3,28), além de anomalias positivas de Pb e Sr, sendo interpretada como produto do retrometamorfismo de clinopiroxênio rico em Na2O, como jadeíta/onfacita. Essa relação aponta para um protólito eclogítico, possivelmente associado à reciclagem de crosta oceânica subductada no manto litosférico cratônico. O epidoto/clinozoisita, por sua vez, apresenta padrão de REE enriquecido (Ce/YbN = 5,22), anomalia positiva de Eu (Eu/Eu* = 1,74), enriquecimento em Pb e Sr e anomalias negativas de HFSE (Zr-Hf-Ti), reforçando sua interpretação como fase retrógrada tardia, derivada da transformação de clinopiroxênio ou granada cálcica (grossulária) durante descompressão, hidratação e oxidação. Nesse contexto, a presença de quartzo e cianita como inclusões em diamantes é interpretada como resultado do reequilíbrio pós-aprisionamento de uma assembleia eclogítica rica em Al-Si. Em particular, a desestabilização de clinopiroxênio jadeítico em albita + quartzo, associada à transformação retrógrada de granada rica em Al em cianita ± clinozoisita, fornece uma explicação integrada e coerente para a associação mineralógica observada. Por fim, a formação de flogopita está associada à presença de voláteis no manto, que representa metassomatismo por subducção ou relacionado à líquidos de origem astenosférica (ex. proto-kimberlítico ou carbonatítico). Os estados de agregação de nitrogênio determinados por FTIR mostram predominância de diamantes Tipo IaAB-IaB, abrangendo amplas concentrações de N (10-870 ppm) e distribuição bimodal dos centros B, consistente com histórias térmicas e tempos de residência variáveis no manto litosférico. Em geral, as estimativas de temperaturas de residência (Tres), definidas a partir da cinética de agregação de N, indicam elevada geoterma assumindo distintos tempos de residência: ~1070-1320 °C para 100 Ma, ~1120-1340 °C para 500 Ma, ~1150-1360 °C para 1 Ga e ~1180-1370 °C para 3 Ga. Esses resultados refinam modelos atuais para o manto litosférico sob o Brasil central, demonstram heterogeneidade composicional e redox na quilha mantélica do DDRG e fornecem novas restrições sobre os processos tectono-metassomáticos que governaram a formação de diamantes na região de Guiratinga.


  • Mostrar Abstract
  • Guiratinga is located at the southeastern margin of the Amazonian Craton, within the Sunsás-Aguapeí Province, a Mesoproterozoic collisional orogen that records crustal accretion and subduction-related processes during the assembly of Rodinia. Lithospheric diamonds from the Rio Garças Diamond District (RGDD; Mato Grosso, Brazil), were investigated using Raman spectroscopy, FTIR, and synchrotron X-ray diffraction (SXRD), complemented by quantitative analyses of major (electron microprobe) and trace elements (LA-ICP-MS) in mineral inclusions. In total, 89 diamonds were selected with the aim of identifying trapped mineral inclusions. Raman spectra displaying diagnostic peaks of olivine, orthopyroxene, garnet, and hematite were obtained for 23 diamonds. Synchrotron X-ray diffraction, in addition to confirming the presence of olivine and garnet, also identified coesite, (fluor)phlogopite, and kyanite in 3 diamonds. Electron microprobe and LA-ICP-MS analyses were obtained after breaking the diamonds, allowing the recovery of 3 olivines (forsterite), 2 orthopyroxenes (enstatite), 2 amphiboles (Mg-hornblende), 1 plagioclase (albite), 4 quartz, and 1 epidote. The magnesian character of olivine (Mg# = 92-93) and enstatite (En94-95; Mg# = 0.94-0.95) indicates that the cratonic upper mantle beneath Guiratinga has a strongly depleted harzburgitic composition. The occurrence of Mg-hornblende, clinozoisite/epidote, sodic plagioclase, quartz, and kyanite, together with the presence of hematite, indicates that the lithospheric mantle recorded by these inclusions was affected by hydrated retrograde metamorphism under oxidizing conditions, clearly outside the diamond stability field. Mg-hornblende exhibits depleted REE pattern (Ce/YbN = 0.50-0.64), with positive Eu anomaly (Eu/Eu* = 1.38-1.97) and variable Nb-Ta anomalies in multielement diagrams, alternating between depletion and enrichment patterns. This variability suggests that the primary mineral, interpreted as clinopyroxene, was affected by silicate metasomatism and by silicate metasomatism with a subordinate carbonatitic contribution, respectively, which is supported by lower Ca/Al ratios in the former (1.66-1.85) and higher ratios in the latter (3.50-6.80). Albite displays enrichment in LREE (Ce/YbN = 3.28), as well as positive Pb and Sr anomalies, and is interpreted as a product of retrograde metamorphism of Na2O-rich clinopyroxene, such as jadeite/omphacite. This relationship points to an eclogitic protolith, possibly associated with the recycling of subducted oceanic crust into the cratonic lithospheric mantle. Epidote/clinozoisite, in turn, shows enriched REE pattern (Ce/YbN = 5.22), positive Eu anomaly (Eu/Eu* = 1.74), enrichment in Pb and Sr, and negative HFSE anomalies (Zr-Hf-Ti), reinforcing its interpretation as a late retrograde phase derived from the transformation of clinopyroxene or calcic garnet (grossular) during decompression, hydration, and oxidation. In this context, the presence of quartz and kyanite as diamond inclusions is interpreted as the result of post-entrapment re-equilibration of an Al-Si-rich eclogitic assemblage. In particular, the destabilization of jadeitic clinopyroxene into albite + quartz, together with the retrograde transformation of Al-rich garnet into kyanite ± clinozoisite, provides an integrated and coherent explanation for the observed mineralogical association. Finally, the formation of phlogopite is associated with the presence of volatiles in the mantle, reflecting metasomatism related either to subduction or to liquids of asthenospheric origin (e.g., proto-kimberlitic or carbonatitic). Nitrogen aggregation states determined by FTIR show a predominance of Type IaAB-IaB diamonds, spanning wide nitrogen concentrations (10-870 ppm) and a bimodal distribution of B centers, consistent with variable thermal histories and residence times in the lithospheric mantle. In general, the estimated residence temperatures (T(res)), defined from nitrogen aggregation kinetics, indicate elevated geotherm assuming distinct residence times: ~1070-1320 °C for 100 Ma, ~1120-1340 °C for 500 Ma, ~1150-1360 °C for 1 Ga, and ~1180-1370 °C for 3 Ga. These results refine current models for the lithospheric mantle beneath central Brazil, demonstrate compositional and redox heterogeneity within the RGDD mantle keel, and provide new constraints on the tectono-metasomatic processes that governed diamond formation in the Guiratinga region.

4
  • GUSTAVO MOREIRA BIANCHI
  • A história do manto litosférico da Província Alcalina de Goiás revelada por química mineral e isótopos de gases nobres

  • Orientador : TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAIO ARTHUR SANTOS
  • GUSTAVO WALTER BERTOTTO
  • PEDRO LEONARDO NICOLAU DO CARMO ROSSI VIEIRA
  • TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • Data: 27/02/2026

  • Mostrar Resumo
  • A Província Alcalina de Goiás (PAGO) representa uma das províncias magmáticas mais exóticas e pouco estudadas do Brasil. Neste trabalho, apresentamos dados petrográficos, química mineral e isótopos de gases nobres para uma suíte de xenólitos peridotíticos, consistindo em granada e espinélio-lherzolitos, wehrlitos, harzburgitos com pargasita e flogopita e flogopita-lherzolitos. Os xenólitos, hospedados por olivina-nefelinito na região de Paraúna, evidenciam forte interação fluido-rocha nas bordas de cristais, bem como em bolsões de reação, nos quais são gerados Ti-augita, K-richterita, nefelina, clorita, aluminoceladonita, aspidolita e ilmenita. O caráter fortemente alcalino silicático do metassomatismo se expressa por Ca/Al <5, La/YbN <13 e Ti/Eu = 4.634–6.500, com Sr <85 em clinopiroxênio. Aliado a isso, nota-se o crescimento exponencial de Ti/Al (0,05–0,46) do clinopiroxênio primário para o metassomático. Flogopita apresenta duas populações, na qual as lherzolíticas mostram afinidade com fenocristais de lamproítos (TiO2 = 6,86–7,88 wt.%; Al2O3 = 10,88–11,25 wt.%; Mg# = 0,79–0,80), ao passo que a harzburgítica revela afinidade com MARID e flogopita metassomática proto-kimberlítica de alto-Ti e baixo-Cr (TiO2 = 2,35 wt.%; Cr2O3 = 0,35 wt.%, Al2O3 = 14,86 wt.% e Mg# = 0,86). A granada representa a única ocorrência reportada na PAGO e suas bordas evidenciam fusão incongruente, gerando enriquecimento de Na2O (2,00–3,87 wt.%). As razões isotópicas de gases nobres (He, Ne, Ar, Kr e Xe) são as primeiras para a PAGO e revelam caráter dominantemente subcontinental litosférico, com pequenas contribuições radiogênicas. Assim, combinando dados de elementos traço e isótopos de gases nobres, associados a informações de tomografia sísmica e levantamentos magnetotelúricos, nota-se que o manto sob a PAGO na região de Paraúna se encontra metassomatizado por um fluido ou melt alcalino silicático e situa-se na borda SW do cráton São Francisco. Desta forma, não é observada a atuação de pluma mantélica na modificação do manto por metassomatismo e geração do magmatismo alcalino da província.


  • Mostrar Abstract
  • The Goiás Alkaline Province (GAP) represents one of the most exotic and least studied magmatic provinces in Brazil. In this study, we present petrographic data, mineral chemistry, and noble gas isotopes for a suite of peridotitic xenoliths, consisting of garnet and spinel-lherzolites, wehrlites, harzburgites with pargasite and phlogopite, and phlogopite-lherzolites. The xenoliths, hosted by olivine-nephelinite in the Paraúna region, show strong melt-rock interaction at the edges of crystals, as well as in reaction pockets, in which Ti-augite, K-richterite, nepheline, chlorite, aluminoceladonite, aspidolite, and ilmenite are generated. The strongly alkaline silicate character of metasomatism is expressed by Ca/Al <5, La/YbN <13 and Ti/Eu = 4.634–6.500, with Sr <85 in clinopyroxene. In addition, there is an exponential growth of Ti/Al (0.05–0.46) between primary and metasomatic clinopyroxenes. Phlogopite exhibits two populations, in which lherzolites show affinity with lamproite phenocrystals (TiO2 = 6.86–7.88 wt.%; Al2O3 = 10.88–11.25 wt.%; Mg# = 0.79–0.80), while harzburgitic phlogopite reveals affinity with MARID and high-Ti, low-Cr proto-kimberlitic metasomatic phlogopite (TiO2 = 2.35 wt.%; Cr2O3 = 0.35 wt.%, Al2O3 = 14.86 wt.% and Mg# = 0.86). Garnet represents the only occurrence reported in PAGO, and its edges show evidence of incongruent melting, generating enrichment of Na2O (2.00–3.87 wt.%). The noble gas isotope ratios (He, Ne, Ar, Kr, and Xe) are the first presented for the GAP and reveal a predominantly subcontinental lithospheric character, with small radiogenic contribution. Thus, combining trace element and noble gas isotope data, associated with seismic tomography and magnetotelluric survey information, it is noted that the mantle beneath the GAP in the Paraúna region is metasomatized by an alkaline silicate fluid or melt and is located on the SW edge of the São Francisco craton. In addition, no mantle plume activity is observed in the modification of the lithosphere through metasomatism and generation of alkaline magmatism in the province.

5
  • NATANAEL ALENCAR PEREIRA
  • Explorando o crescimento mineral em rochas carbonáticas: o caso da Caverna Lapa Nova

  • Orientador : PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • GUILHERME DE OLIVEIRA GONCALVES
  • LUIZ SATURNINO DE ANDRADE
  • MARCELA MARQUES VIEIRA
  • Data: 27/02/2026

  • Mostrar Resumo
  • Estruturas de abertura preenchidas por sílica em dolomitos constituem importantes registros da interação entre deformação, circulação de fluidos e crescimento mineral sob condições confinadas. No Grupo Vazante, essas feições ocorrem em veios dolomíticos hospedados em dolomicritos e apresentam geometrias e padrões de preenchimento complexos. Esta dissertação investiga os controles microestruturais, cristalográficos e texturais responsáveis pela nucleação e crescimento de polimorfos de sílica nessas estruturas, a partir da integração de dados de petrografia óptica, QEMSCAN, EBSD e espectroscopia Raman. Os resultados evidenciam a sílica como principal produto de preenchimento das aberturas, a ocorrência de zoneamento sistemático, crescimento competitivo e o desenvolvimento de orientação cristalográfica preferencial no quartzo, bem como evidências microestruturais de crescimento forçado do quartzo contra a matriz dolomítica, compatíveis com processos do tipo crack-seal e com a atuação da força de cristalização. Conclui-se que o crescimento mineral atuou de forma acoplada ao campo de deformação regional como agente ativo na evolução das estruturas, modificando progressivamente suas geometrias e controlando a arquitetura final dos preenchimentos.


  • Mostrar Abstract
  • Silica-filled opening structures in dolomites constitute important records of the interaction between deformation, fluid circulation, and mineral growth under confined conditions. In the Vazante Group, these features occur in dolomitic veins hosted by dolomicrites and display complex geometries and infill patterns. This dissertation investigates the microstructural, crystallographic, and textural controls responsible for the nucleation and growth of silica polymorphs within these structures, based on the integration of data from optical petrography, QEMSCAN, EBSD, and Raman spectroscopy.
    The results indicate silica as the main infill phase of the openings, the occurrence of systematic zoning, competitive growth, and the development of crystallographic preferred orientation in quartz, as well as microstructural evidence of quartz forceful growth against the dolomitic matrix. These features are consistent with crack-seal–type processes and with the action of crystallization force. It is concluded that mineral growth acted in a coupled manner with the regional deformation field as an active agent in the structural evolution, progressively modifying opening geometries and controlling the final architecture of the infill.

     

2025
Dissertações
1
  • ANA LUISA RODRIGUES DA CONCEICAO
  • TAXONOMIA, PALEOECOLOGIA E ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO CRONOESTRATIGRÁFICA DE ESPÉCIES DE CYPRIDEA BOSQUET, 1852, FORMAÇÃO CANDEIAS, CRETÁCEO INFERIOR, BACIA DO RECÔNCAVO, NE-BRASIL.

  • Orientador : DERMEVAL APARECIDO DO CARMO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA INÊS FEIJÓ RAMOS
  • SIMONE SOUZA DE MORAES
  • DERMEVAL APARECIDO DO CARMO
  • RICARDO LOURENCO PINTO
  • Data: 14/01/2025

  • Mostrar Resumo
  • Com o intuito de refinar o conhecimento a respeito da sistemática taxonômica dos ostracodes da Formação Candeias e realizar inferências a respeito da estrutura populacional e do paleoambiente em que esses ostracodes estavam inseridos foram estudadas 10 amostras coletadas de afloramento. As amostras analisadas foram preparadas através de lavagem em peneiras com malhas de 630, 250, 150, 53 e 0,090 μm, secas em estufa e triadas sob estereomicroscópio. Duas espécies de ostracodes límnicos foram recuperadas em amostras da Formação Candeias: Cypridea opifera e Cypridea dromedarius. As amostras estudadas são provenientes do Afloramento na praia de plataforma, Salvador, Formação Candeias, Cretáceo Inferior, bacia do Recôncavo/Tucano, NE-Brasil: localidade-tipo de Mawsonia gigas Mawson & Woodward, 1907. As ocorrências são restritas a carapaças, sendo 36 carapaças de Cypridea opifera Krömmelbein, 1962 e uma carapaça de Cypridea dromedarius Krömmelbein, 1962. A partir da classificação dos ostracodes foi possível identificar que sob o ponto de vista cronobioestratigráfico, a bem marcada sucessão das subzonas parece sugerir que a posição bioestratigráfica estaria no limite entre a Subzona Reconcavona? polita, codificada como O04.2, e o início da Subzona Paracypridea bicallosa, codificada como O04.3 que de acordo com o arcabouço cronobioestratigráfico vigente seria Rio da Serra médio, tentativamente atribuído ao intervalo do Valanginiano inferior.


  • Mostrar Abstract
  • In order to refine knowledge regarding the taxonomic systematics of ostracods from the Candeias Formation and make inferences regarding the population structure and paleoenvironment in which these ostracods were inserted, 10 samples collected from outcrops were studied. The analyzed samples were prepared by washing on sieves with mesh sizes of 630, 250, 150, 53 and 0.090 µm, dried in an oven and screened under a stereomicroscope. Two species of limnic ostracods were recovered in samples from the Candeias Formation: Cypridea opifera and Cypridea dromedarius. The samples studied come from the Outcrop on the platform beach, Salvador, Candeias Formation, Lower Cretaceous, Recôncavo/Tucano basin, NE-Brazil: type-locality of Mawsonia gigas Mawson & Woodward, 1907. The occurrences are restricted to carapaces, with 36 carapaces of Cypridea opifera Krömmelbein, 1962 and one carapace of Cypridea dromedarius Krömmelbein, 1962. From the classification of the ostracods, it was possible to identify that from the chronobiostratigraphic point of view, the well-marked succession of the subzones seems to suggest that the biostratigraphic position would be at the limit between the Reconcavona? polita, coded as O04.2, and the beginning of the Paracypridea bicallosa Subzone, coded as O04.3 which, according to the current chronobiostratigraphic framework, would be mid Rio da Serra, tentatively attributed to the lower Valanginian interval.

2
  • Samuel de Melo Machado
  • FOOTPRINT DO MINÉRIO DE FERRO COMPACTO, SERRA NORTE, PROVÍNCIA MINERAL DE CARAJÁS.

  • Orientador : CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • JOEL BUENANO MACAMBIRA
  • Data: 07/03/2025

  • Mostrar Resumo
  • A Província Mineral de Carajás, situada na porção sudeste do Cráton Amazônico, hospeda importantes depósitos de ferro de alto teor, nos distritos de Serra Norte, Serra Sul e Serra Leste e tem reserva estimada superior à 18 bilhões de toneladas. Este estudo apresenta a caracterização do minério de ferro compacto na mina N4E, a maior em operação na Serra Norte, a partir da integração de dados geológicos, petrográficos, geoquímicos, petrofísicos e espectrais. Os dados espectrais e petrofísicos foram adquiridos em testemunhos de sondagem a partir de duas abordagens distintas. Para os dados espectrais efetuou-se medições pontuais com um espectrorradiômetro de bancada, e o escaneamento integral com um scanner hiperespectral. Para os dados petrofísicos efetuou-se também a aquisição pontual de dados de susceptibilidade magnética e variações de radioelementos, além do escaneamento multi-sensorial integral para a aquisição dos dados de densidade, susceptibilidade magnética e velocidade sísmica. Os resultados do estudo revelam que o minério compacto ocorre em extensos domínios na base da Formação Carajás, em contato direto com as rochas máficas subjacentes, ultrapassando o horizonte de intemperismo. A análise petrográfica indicou a existência de cinco tipos texturais de hematita: hematita microcristalina (primária), hematita microlamelar a lamelar, hematita anédrica, hematita tabular e martita. Cristais reliquiares de magnetita são ocasionalmente observados na base do pacote. O mapeamento mineral, a partir da espectroscopia de reflectância, ressaltou o predomínio de hematita especular no minério compacto e, associado ao proxy de dureza, se demonstrou extremamente eficiente na diferenciação entre o minério de ferro compacto e o friável. O aspecto petrofísico que diferencia o hematitito compacto de outras litologias é a sua elevada densidade (≥ 4 g/cm3), e essa propriedade física pode auxiliar na prospecção de novos corpos compactos. A análise de dados geoquímicos permitiu identificar horizontes com concentrações anômalas de elementos metálicos (3,530 ppm de Cu, 9,970 ppm de Ba, 4,470 ppm de Zn, 676 ppm de Pb, 903 ppm de Sr e 22 ppm de Ag, 50,000 ppm de Mn, entre outros), próximos ao contato basal com os basaltos, sugerindo proximidade com centros exalativos submarinos durante a deposição do hematitito compacto. A correlação dos dados geológicos e geoquímicos indicam que o hematitito compacto se depositou muito próximo às fumarolas, onde a disponibilidade anômala de ferro catalisou a oxidação e rápida precipitação do ferro (Fe3+), em camadas contínuas de vários metros, sem que houvesse tempo para a lenta deposição da sílica. Posteriormente à deposição do hematitito precursor do minério compacto, processos diagenéticos levaram à compactação do hematitito e à formação de magnetita/martita. A integração dos dados obtidos permite uma caracterização mais robusta da assinatura mineralógica, geoquímica, petrofísica e espctral do hematitito compacto, contribuindo para a definição de vetores prospectivos em áreas ainda não exploradas do depósito e auxiliando na delimitação de novos alvos exploratórios.


  • Mostrar Abstract
  • The Carajás Mineral Province, located in the southeastern portion of the Amazonian Craton, hosts significant high-grade iron ore deposits within the Serra Norte, Serra Sul, and Serra Leste districts, with an estimated reserve exceeding 18 billion tons. This study presents the characterization of compact iron ore from the N4E mine, the largest currently in operation in Serra Norte, through the integration of geological, petrographic, geochemical, petrophysical, and spectral data. Spectral and petrophysical data were acquired from drill cores using two distinct approaches. Spectral data were obtained through point measurements with a benchtop spectroradiometer and continuous scanning with a hyperspectral scanner. Petrophysical data acquisition included both point measurements of magnetic susceptibility and radioelement variations, as well as comprehensive multi-sensor scanning for density, magnetic susceptibility, and seismic velocity data collection. The results reveal that compact iron ore occurs in extensive domains at the base of the Carajás Formation, in direct contact with the underlying mafic rocks, extending beyond the weathering horizon. Petrographic analysis identified five textural types of hematite: microcrystalline (primary) hematite, microlamellar to lamellar hematite, anhedral hematite, tabular hematite, and martite. Relict magnetite crystals are occasionally observed at the base of the ore package. Mineral mapping through reflectance spectroscopy highlighted the predominance of specular hematite in the compact ore, which, when associated with a hardness proxy, proved highly effective in distinguishing between compact and friable iron ore. The petrophysical aspect that differentiates compact hematitite from other lithologies is its high density (≥ 4 g/cm³), a physical property that can aid in the exploration of new compact ore bodies. Geochemical analysis identified horizons with anomalous concentrations of metallic elements (3,530 ppm Cu, 9,970 ppm Ba, 4,470 ppm Zn, 676 ppm Pb, 903 ppm Sr, 22 ppm Ag, 50,000 ppm Mn, among others) near the basal contact with basalts, suggesting proximity to submarine exhalative centers during the deposition of compact hematitite. The correlation of geological and geochemical data indicates that compact hematitite was deposited very close to hydrothermal vents, where an anomalous availability of iron catalyzed oxidation and rapid precipitation of Fe³⁺ in continuous layers several meters thick, preventing the slow deposition of silica. After the deposition of precursor hematitite, diagenetic processes led to compaction and the formation of magnetite/martite. The integration of the obtained data provides a robust characterization of the mineralogical, geochemical, petrophysical, and spectral signature of compact hematitite, contributing to the definition of prospective vectors in unexplored areas of the deposit and aiding in the delineation of new exploration targets.

3
  • JOSÉ GABRIEL CAVALCANTI INÁCIO
  • Estrutura Elétrica 3D do Arco Magmático Goiás - Segmentos Arenópolis e Anicuns - Itaberaí.

  • Orientador : ROBERTA MARY VIDOTTI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ROBERTA MARY VIDOTTI
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • MAURICIO DE SOUZA BOLOGNA
  • Data: 13/03/2025

  • Mostrar Resumo
  • O Arco Magmático de Goiás (AMG) é um domínio geológico juvenil neoproterozoico formado por subducção oceânica-oceânica e oceânica-continental durante a orogenia Brasiliana. Ele compreende os segmentos Mara Rosa, Anicuns-Itaberaí (AMGAI) e Arenópolis (AMGA), cuja evolução tectônica e conectividade permanecem incertas. Há um debate em andamento sobre se esses segmentos evoluíram juntos desde o início ou foram justapostos apenas durante a colisão. Além disso, os modelos metalogenéticos para depósitos minerais carecem de informações críticas sobre a crosta inferior e o manto superior, essenciais para análises de fertilidade. Outra questão não resolvida é por que a Província Alcalina de Goiás (PAGO) do Cretáceo aflora exclusivamente no segmento AMGA. Para abordar essas questões, realizamos um levantamento magnetotelúrico de longo período (35 estações, 10–13.000 s) na porção sul do AMG, abrangendo os segmentos AMGA e AMGAI. O modelo de resistividade 3D resultante (nRMS = 1,21) revela estruturas litosféricas distintas: o AMGA exibe variações significativas na espessura da crosta e na resistividade, enquanto o AMGAI é caracterizado por maior resistividade e uma litosfera mais espessa. A ausência de um condutor contínuo ao longo da zona de cisalhamento Moiporá-Novo Brasil sugere que os segmentos podem ser ramificações do Lineamento Transbrasiliano. Isso sustenta a hipótese de que o AMGA e o AMGAI evoluíram ao longo da mesma frente de subducção, amalgamando-se durante os estágios finais da orogenia Brasiliana. Três grandes condutores foram identificados: C1, espacialmente associado ao depósito de Bom Jardim; C2, ligado ao depósito de Americano do Brasil e localmente ao Azimute 125º; e C3, possivelmente relacionado ao sistema geotérmico de Caldas Novas. O confinamento da PAGO ao segmento AMGA é atribuído ao efeito de blindagem do manto cratônico sob o AMGAI. Esses achados fornecem novos insights sobre a evolução tectônica e o significado metalogenético do AMG, destacando a necessidade de estudos geofísicos de maior resolução para melhor restringir anomalias e estruturas litosféricas.


  • Mostrar Abstract
  • The Goiás Magmatic Arc (GMA) is a Neoproterozoic juvenile geological domain formed through oceanic-oceanic and oceanic-continental subduction during the Brasiliano orogeny. It comprises the Mara Rosa, Anicuns-Itaberaí (GMAAI), and Arenópolis (GMAA) segments, whose tectonic evolution and connectivity remain uncertain. There is ongoing debate regarding whether these segments evolved together from the outset or were juxtaposed only during collision. Additionally, metallogenic models for mineral deposits lack critical information about the lower crust and upper mantle, which are essential for fertility analysis. Another unresolved discussion is why the Cretaceous Goiás Alkaline Province (GAP) outcrops exclusively within the GMAA segment. To address these questions, we conducted a long-period magnetotelluric survey (35 stations, 10–13,000 s) across the southern portion of the GMA, encompassing the GMAA and GMAAI segments. The resulting 3D resistivity model (nRMS = 1.21) reveals distinct lithospheric structures: the GMAA exhibits significant variations in crustal thickness and resistivity, while the GMAAI is characterized by higher resistivity and a thicker lithosphere. The absence of a continuous conductor along the Moiporá-Novo Brasil shear zone suggests that the segments may be splays of the Transbrasiliano Lineament. This supports the hypothesis that the GMAA and GMAAI evolved along the same subduction front, amalgamating during the final stages of the Brasiliano orogeny. Three major conductors were identified: C1, spatially associated with the Bom Jardim deposit; C2, linked to the Americano do Brasil deposit and locally with Azimuth 125º; and C3, possibly related to the Caldas Novas geothermal system. The confinement of the GAP to the GMAA segment is attributed to the shielding effect of the cratonic mantle beneath the GMAAI. These findings provide new insights into the tectonic evolution and metallogenic significance of the GMA, highlighting the need for higher-resolution geophysical studies to better constrain anomalies and lithospheric structures.

4
  • ANA PAULA SCHUERTZ COSTA
  •  Fertilidade Metalogenética do Arco Magmático Goiás fundamentada nos Indicadores Geoquímicos em
    Zircão 
  • Orientador : CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAETANO JULIANI
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • GUILHERME DE OLIVEIRA GONCALVES
  • NATALIA HAUSER
  • Data: 22/05/2025

  • Mostrar Resumo
  • O Sistema Pórfiro Cobre-Ouro Goiás, localizado na porção norte do Arco Magmático Goiás, representa um raro conjunto de mineralizações do tipo pórfiro associadas ao estágio intra-oceânico do arco, desenvolvido durante o Neoproterozoico. Seu alto potencial metalogenético está diretamente relacionado à fertilidade dos magmas parentais, cuja assinatura geoquímica em elementos-traço reflete os processos que os originaram. Neste estudo, a geoquímica de zircão foi empregada para avaliar a fertilidade de quatro suítes magmáticas da região. Foram aplicados proxies sensíveis à temperatura e à hidratação magmática, juntamente com um novo oxibâmetro baseado na razão Ce/√(Ui × Ti) e o índice de fertilidade em cobre baseado em zircão (ZCFI), recentemente apresentados na literatura para avaliar a fertilidade de sistemas pórfiro. Os zircões das rochas hospedeiras do depósito de Cu–Au de Chapada exibem valores elevados nos indicadores de fertilidade, com médias de ΔFMQ em 0.98 e 0.68, consistentes com magmas oxidados e saturados em fluidos. Essas assinaturas correspondem a valores médios elevados do ZCFI (4.89 e 4.74). Em contraste, a suíte Amarolândia apresenta menor fertilidade, com ZCFI médio de 2.88 e ΔFMQ de 0.12, sugerindo que, embora pertença ao mesmo estágio intra-oceânico das suítes mais férteis, pode não ter alcançado — ou registrado em zircão — as condições ideais para mineralização do tipo pórfiro. Já o metadiorito ediacarano mais jovem exibe as menores médias de ZCFI (2.84) e ΔFMQ (-0.56), refletindo magmas menos oxidados, consistentes com o estágio continental do arco. Adicionalmente, o imageamento por catodoluminescência (CL) revelou padrões distintos entre as suítes estudadas: zircões férteis exibem padrões de zoneamento oscilatório (OZPs) bem definidos, frequentemente contrastando com núcleos homogêneos, enquanto zircões menos férteis mostram OZPs mais fracos ou ausentes. Esses resultados demonstram a eficácia da geoquímica de zircão como ferramenta para investigar a fertilidade em terrenos pré-cambrianos, permitindo restringir o intervalo magmático mais favorável à mineralização e ampliando as possibilidades de exploração em sistemas pórfiro antigos. 


  • Mostrar Abstract
  • The Goiás Porphyry Copper-Gold System, located in the northern portion of the Goiás Magmatic Arc, comprises an extensive set of porphyry-type mineralizations associated with the arc’s intra-oceanic stage, developed during the Neoproterozoic. The high metallogenic potential of these mineralized systems is directly linked to the fertility of their parental magmas, which contain distinctive traceelement signatures that reflect the processes responsible for their generation.In this study, zircon geochemistry was applied to assess the fertility of four magmatic suites in the region. Temperature- and water-sensitive proxies were employed, along with a newly proposed oxybarometer based on the Ce/√(Ui × Ti) ratio and the Zircon Copper Fertility Index (ZCFI), recently introduced in the literature as tools for evaluating porphyry fertility.Zircons from the host rocks of the Chapada Cu–Au deposit show high values for fertility indicators, with average ΔFMQ values of 0.98 and 0.68, consistent with oxidized, fluid-saturated magmas. These signatures correspond to elevated average ZCFI values (4.89 and 4.74). In contrast, the Amarolândia suite exhibits lower fertility, with average ZCFI and ΔFMQ values of 2.88 and 0.12, respectively, suggesting that, although formed during the same intra-oceanic stage as the more fertile suites, it may not have reached—or recorded in zircon—the optimal conditions for porphyry-type mineralization. The younger Ediacaran metadiorite presents the lowest average values of ZCFI (2.84) and ΔFMQ (-0.56), reflecting less oxidized magmas consistent with the arc’s continental stage.Additionally, cathodoluminescence (CL) imaging revealed contrasting patterns among the suites: fertile zircons display well-defined oscillatory zoning (OZPs), often with sharp core–rim contrasts, whereas less fertile ones exhibit weaker or absent OZPs.These results demonstrate the effectiveness of zircon geochemistry as a tool for investigating fertility in Precambrian terrains, enabling the identification of the most favorable magmatic intervals for mineralization and expanding the exploration potential of older porphyry systems. 

5
  • Marília Gabriela de Oliveira Nunes
  • Estudo da Transição Eoceno-Oligoceno com foraminíferos bentônicos de ambientes pelágico e nerítico, no testemunho IODP U1507 (Expedição 371) - Mar da Tasmânia

  • Orientador : MARTINO GIORGIONI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARTINO GIORGIONI
  • RICARDO LOURENCO PINTO
  • FRANCISCO HENRIQUE DE OLIVEIRA LIMA
  • SIMONE SOUZA DE MORAES
  • Data: 30/06/2025

  • Mostrar Resumo
  • A Transição Eoceno-Oligoceno (TEO, ~34 Ma) marcou uma das maiores reorganizações climáticas do registro geológico do planeta. O clima da Terra esfriou e deu início a glaciação em escala continental da Antártica. Esta dissertação investiga as mudanças paleoambientais durante a TEO, por meio da análise de foraminíferos bentônicos do testemunho IODP U1507B (Expedição 371), localizado no Mar da Tasmânia. O testemunho IODP U1507B é caracterizado por uma boa representação da TEO, é um registro muito valioso pois permite reconstruir as variações das assembleias pelágicas e neríticas simultaneamente. O objetivo foi reconstruir as condições paleoclimáticas e paleoceanográficas em ambientes neríticos e pelágicos, utilizando análises taxonômicas, isotópicas e estatísticas (HCA). Buscou-se identificar os principais táxons de foraminíferos bentônicos preservados e seu significado paleoambiental, comparar variações nas assembleias ao longo da sucessão estratigráfica para avaliar os impactos da glaciação da TEO. Além de verificar se os dados isotópicos em foraminíferos bentônicos desses ambientes registram o sinal climático da glaciação. A sucessão sedimentar, composta por carbonatos pelágicos e turbiditos vulcanoclásticos, foi analisada em um intervalo de ~100 m (testemunhos 24R a 34R), com a TEO registrada entre 29R e 30R. A assembleia de foraminíferos bentônicos é representada 21 táxons, sendo Oridorsalis sp., Amphistegina gibbosa e Haynesina depressula os mais abundantes. Dados isotópicos (δ¹³C e δ¹⁸O) foram afetados por diagênese, limitando reconstruções precisas. Três clusters foram identificados: Cluster 3 (base) indica um ambiente nerítico raso com alta produtividade e oxigenação, associado a circulação oceânica mais intensa que antecede a TEO. O Cluster 2 (intermediário) reflete aprofundamento por subsidência tectônica local, com menor oxigenação e maior produtividade, ligado ao início do resfriamento global. E o Cluster 1 (topo) que caracteriza um ambiente nerítico a batial com baixa produtividade e espécies adaptadas a águas frias, consistente com o resfriamento da TEO. Localmente, a paleobatimetria foi controlada por subsidência e vulcanismo da Tonga-Kermadec, o que evidencia um processo de transgressão marinha, contrastando com a regressão eustática global esperada durante a TEO. Enquanto globalmente, a diminuição da temperatura e produtividade alinham-se ao declínio de pCO₂ e à formação de camadas de gelo da Antártica.


  • Mostrar Abstract
  • The Eocene-Oligocene Transition (EOT, ~34 Ma) marked one of the most significant climatic reorganizations in the planet's geological record, with Earth's climate cooling and initiating continental-scale glaciation in Antarctica. This dissertation investigates paleo-environmental changes during the EOT through the analysis of benthic foraminifera from the IODP U1507B core (Expedition 371), located in the Tasman Sea. The U1507B core is notable for its robust representation of the EOT and is highly valuable as it enables the simultaneous reconstruction of pelagic and neritic assemblage variations. The study aimed to reconstruct paleoclimatic and paleoceanographic conditions in neritic and pelagic environments using taxonomic, isotopic, and statistical (HCA) analyses. It sought to identify the main preserved benthic foraminiferal taxa and their paleo-environmental significance, compare assemblage variations along the stratigraphic succession to assess the impacts of the EOT glaciation, and verify whether isotopic data (δ¹³C and δ¹⁸O) in benthic foraminifera from these environments record the climatic signal of the glaciation. The sedimentary succession, comprising pelagic carbonates and volcaniclastic turbidites, was analyzed over a ~100 m interval (cores 24R to 34R), with the EOT recorded between 29R and 30R. The benthic foraminiferal assemblage includes 21 taxa, with Oridorsalis sp., Amphistegina gibbosa, and Haynesina depressula being the most abundant. Isotopic data (δ¹³C and δ¹⁸O) were affected by diagenesis, limiting accurate reconstructions. Three clusters were identified: Cluster 3 (base) indicates a shallow neritic environment with high productivity and oxygenation, associated with intense ocean circulation preceding the EOT; Cluster 2 (intermediate) reflects deepening due to local tectonic subsidence, with lower oxygenation and higher productivity, linked to the onset of global cooling; and Cluster 1 (top) characterizes a neritic to bathyal environment with low productivity and species adapted to cold waters, consistent with EOT cooling. Locally, paleobathymetry was controlled by subsidence and Tonga-Kermadec volcanism, evidencing a marine transgression that contrasts with the global eustatic regression expected during the EOT. Globally, the decrease in temperature and productivity aligns with the decline in pCO₂ and the formation of Antarctic ice sheets.

6
  • CAETANO RUTSATZ
  • Depósitos IOCG ricos em Ni e Co: insights dos depósitos GT-34 e Castanha, Província Mineral de Carajás, Brasil

  • Orientador : MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • JULIANA CHARÃO MARQUES
  • Data: 16/07/2025

  • Mostrar Resumo
  • O níquel é um metal importante para a transição energética, usado em baterias de veículos elétricos e ligas metálicas. Recentemente, uma série de depósitos hidrotermais de níquel foram relatados em todo o mundo, e na porção sul da Província Mineral de Carajás, que hospeda importantes depósitos de Fe, Mn, Cu-Au, Ni e Pt-Pd. Algumas ocorrências e depósitos hidrotermais de níquel foram reconhecidos e associados ao sistema mineral IOCG, como os depósitos Jaguar, Jatobá, Castanha e GT-34, controlados por estruturas regionais, como a zona de cisalhamento Canaã e falhas subsidiárias NE-SW. O depósito Castanha está hospedado em rochas vulcânicas subvulcânicas e ácidas do Grupo Grão Pará (2,75 Ga). O depósito GT-34 está hospedado em ortognaisses e migmatitos do Complexo Xingú (2,82 Ga). Ambos os depósitos são formados por corpos subverticais de brechas sulfetadas, controlados por estruturas regionais W-E e NE-SW. Co-pentlandita, pirrotita, calcopirita, a fase mais abundante, e pirita formam o minério do depósito Castanha. A sulfetação está associada a F-apatita, alanita e calcita. Uraninita, cerianita e torita ocorrem associadas ao minério, bem como esfalerita, cobaltita e argentita. O minério do depósito GT-34 consiste principalmente de pirrotita e pentlandita, seguidas por Ni-pirita e calcopirita, esta última associada à alteração potássica. Ni-pirita ocorre como inclusões em pentlandita, que se transforma em milerita. Ambos os depósitos apresentam sulfetação associada à alteração cálcica. As pirrotitas do GT-34 possuem muito mais Ni, Cu e Co do que as pirrotitas do depósito Castanha. Por outro lado, as pirrotitas do depósito de Castanha apresentam maior teor de U, Th, Bi e Sn. O depósito GT-34 possui piritas ricas em Ni, que são pequenas inclusões em pentlandita, e piritas pobres em Ni. As piritas do depósito de Castanha apresentam maiores teores de Fe, Co, Cu, Zn, As e Ag em comparação com o depósito GT-34. A calcopirita do depósito GT-34 é rica em Ni-Co e pobre em Ag-Bi-Th-U-Sn, quando comparada ao depósito Castanha. A calcopirita do depósito Castanha possui teores maiores de Zn, As, Bi, Th, U e Sn do que o depósito GT-34, mas é pobre em Ni e Co. Análises de isótopos de enxofre (δ33S e δ34S) foram realizadas em cristais de pirita, calcopirita, pirrotita e pentlandita utilizando o equipamento multicoletor SIMS (espectrometria de massas com íons secundários). Os valores de -3,2 a +0,36 ‰ para o depósito GT-34 e de +0,58 a +2,17 ‰ para o depósito Castanha sugerem fontes magmático-hidrotermais para os sulfetos de ambos os depósitos.


  • Mostrar Abstract
  • Nickel is an important metal for energy transition, used for electric vehicle batteries and metal alloys. Recently, a series of hydrothermal nickel deposits have been reported worldwide, and also in the southern portion of the Carajás Mineral Province, which hosts important deposits of Fe, Mn, Cu-Au, Ni and Pt-Pd. Some hydrothermal nickel occurrences and deposits have been recognized and associated with the IOCG mineral system, such as the Jaguar, Jatobá, Castanha and GT-34 deposits, controlled by regional structures, such as the Canaã shear zone and subsidiary NE-SW faults. The Castanha deposit is hosted in sub-volcanic and acidic volcanic rocks of the Grão Pará Group (2.75 Ga). The GT-34 deposit is hosted in orthogneisses and migmatites of the Xingú Complex (2.82 Ga). Both deposits are formed by sub-vertical bodies of sulfide breccias, controlled by W-E and NE-SW regional structures. Co-pentlandite, pyrrhotite, chalcopyrite, the most abundant phase, and pyrite form the ore from the Castanha deposit. Sulfidation is associated with F-apatite, allanite and calcite. Uraninite, ceryanite and thorite occur associated with the ore, as well as sphalerite, cobaltite and argentite. The ore from the GT-34 deposit consists mainly of pyrrhotite and pentlandite, followed by Ni-pyrite and chalcopyrite, the latter being associated with potassic alteration. Ni-pyrite occurs as inclusions in pentlandite, which changes to millerite. Both deposits have sulfidation associate with calcic alteration. The pyrrhotites from GT-34 have much more Ni, Cu and Co than the pyrrhotites from the Castanha deposit. On the other hand, the pyrrhotites from the Castanha deposit have higher contents of U, Th, Bi and Sn. The GT-34 deposit has Ni-rich pyrites, which are small inclusions in pentlandite, and Ni-poor pyrites. The pyrites from the Castanha deposit have higher contents of Fe, Co, Cu, Zn, As and Ag compared to the GT-34 deposit. The chalcopyrite from the GT-34 deposit is rich in Ni-Co and poor in Ag-Bi-Th-U-Sn, when compared to the Castanha deposit. The chalcopyrite from the Castanha deposit has higher contents of Zn, As, Bi, Th, U and Sn than the GT-34 deposit, but is poor in Ni and Co. Sulfur isotope analyzes (δ33S and δ34S) were carried out on pyrite, chalcopyrite, pyrrhotite and pentlandite crystals using the SIMS (secondary ion mass spectrometry) multi collector equipment. The values of -3.2 to +0.36 ‰ for the GT-34 deposit and +0.58 to +2.17 ‰ for the Castanha deposit suggest magmatic-hydrothermal sources for the sulfides of both deposits.

7
  • GABRIEL DE FREITAS SILVA
  • CARACTERIZAÇÃO MINERALÓGICA E IMPACTOS METALÚRGICOS DA MINA LAMEGO, SABARÁ-MG

  • Orientador : PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PEDRO BENEDITO CASAGRANDE
  • AUGUSTO NOBRE GONCALVES
  • FEDERICO ALBERTO CUADROS JIMENEZ
  • PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • Data: 14/08/2025

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação aborda a caracterização mineralógica e os impactos metalúrgicos dos litotipos mineralizados da mina subterrânea de Lamego, localizada no Quadrilátero Ferrífero (MG). A pesquisa adota uma abordagem geometalúrgica, integrando mineralogia, geologia e metalurgia para compreender como diferentes tipos de rochas influenciam o desempenho nos processos de beneficiamento de ouro, como gravimetria e flotação. Foram amostradas rochas representativas dos principais corpos mineralizados da mina (Carruagem e Queimada) e conduzidas análises por QEMSCAN®, além de testes metalúrgicos simulando os circuitos industriais. Os resultados revelam variações significativas na mineralogia (especialmente proporções de carbonatos, sulfetos e filossilicatos) que impactam a liberação do ouro, o consumo energético na moagem e a eficiência dos processos metalúrgicos. A pesquisa reforça a importância da geometalurgia como ferramenta de planejamento e redução de riscos operacionais em minas de ouro complexas.


  • Mostrar Abstract
  • This dissertation presents the mineralogical characterization and metallurgical implications of the mineralized lithotypes from the underground Lamego Mine, located in the Iron Quadrangle (Minas Gerais, Brazil). A geometallurgical approach was employed, integrating mineralogy, geology, and metallurgy to understand how different rock types affect the performance of gold beneficiation processes such as gravity concentration and flotation. Representative rock samples from the main mineralized bodies (Carruagem and Queimada) were collected and analyzed using QEMSCAN®, along with metallurgical tests simulating industrial circuits. Results indicate significant mineralogical variation (particularly in carbonates, sulfides, and phyllosilicates) that affects gold liberation, grinding energy consumption, and metallurgical efficiency. The study highlights geometallurgy as a key tool for mine planning and for reducing operational risks in complex gold mining operations.

8
  • ABRAHAM ALEJANDRO ARANA VILCA
  • GEOLOGIA, GEOQUÍMICA E MINERALIZAÇÃO DE SULFETOS DE NI-CU NAS INTRUSÕES MÁFICO-ULTRAMÁFICAS DE NIKOLAUZ (HUÁNUCO, PERU): EVIDÊNCIAS DE UM SISTEMA DE CONDUTO MAGMÁTICO DINÂMICO GONDWÂNICO NA CORDILHEIRA ORIENTAL OROGÊNICA DOS ANDES PERUANOS

  • Orientador : CESAR FONSECA FERREIRA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CESAR FONSECA FERREIRA FILHO
  • MAISA BASTOS ABRAM
  • REBECCA SPROULE
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • Data: 17/10/2025

  • Mostrar Resumo
  • Ambientes orogênicos representam um espaço de busca subexplorado para depósitos de Ni-Cu-EGP em escala global. A intrusão máfico-ultramáfica de Nikolauz, localizada na Cordilheira Oriental do Peru, é um dos poucos sistemas de conduto mineralizados em sulfetos de Ni-Cu relatados dentro do terreno orogênico andino. Ela forma corpos alongados, com até 4 km de comprimento, compostos por rochas gabroicas cortadas por intrusões ultramáficas, hospedados em xistos metamórficos do Complexo Marañón. Apesar da alteração penetrante de olivina–piroxênio–plagioclásio ígneos, as texturas magmáticas estão amplamente preservadas, revelando corpos tubulares com zoneamento bem desenvolvido, consistindo em dunito adcumulate no núcleo, passando para peridotito, piroxenito e gabro em direção às margens.
    A mineralização de Ni-Cu ocorre nas rochas ultramáficas como sulfetos disseminados, texturas blebby e agregados em rede. Geoquímica de rocha total (MgO > 35% em peso; Cr > 2500 ppm) e petrografia indicam que a intrusão consiste predominantemente em cumulatos de olivina, piroxênio e plagioclásio variavelmente alterados, sendo o dunito o principal tipo de rocha ultramáfica. Essas rochas são enriquecidas em elementos calcófilos (Ni: 2500–6000 ppm; Pd+Pt: 20–150 ppb) e exibem razões elevadas de Cu/Zr (>100) e Ni/MgO (>50) em rochas portadoras de sulfetos. A sistemática da geoquímica de elementos-traço revela que as rochas ultramáficas apresentam altas razões LREE/MREE (La/Sm > 5), enquanto a suíte máfico-ultramáfica possui afinidade cálcio-alcalina (MgO/FeOt = 0,5–0,8; La > Nb; Th/Yb = 0,1–10; [Nb/Th]PM < 1).

    A geocronologia U–Pb em zircão fornece idades de cristalização entre 312 e 323 Ma, vinculando o magmatismo de Nikolauz a um evento gondwânico tardio a pós-compressivo, evidenciado por sua relação de corte com as foliações regionais famatinianas e pelo desenvolvimento de uma foliação local durante o alojamento. As evidências geológicas e geoquímicas apontam para fusão parcial de uma fonte mantélica piroxenítica durante descompressão litosférica, provavelmente desencadeada por slab break-off nos estágios finais da orogenia. O reconhecimento de um sistema de conduto dinâmico mineralizado em sulfetos de Ni-Cu em um ambiente orogênico paleozoico, agora exposto na Cordilheira Oriental do Peru, ressalta o potencial para depósitos semelhantes no domínio andino.

     


  • Mostrar Abstract
  • Orogenic environments are an underexplored search space for Ni-Cu-PGE deposits globally. The Nikolauz mafic-ultramafic intrusion, located in the Eastern Cordillera of Peru, is one of the few Ni-Cu sulfide-mineralized conduit systems reported within the Andean orogenic terrane. It forms elongated bodies, up to 4 km long, consisting of gabbroic rocks crosscut by ultramafic intrusions hosted in metamorphic schists of the Marañón Complex. Despite the pervasive alteration of igneous olivine-pyroxene-plagioclase, magmatic textures are largely preserved, revealing tubular bodies with well-developed zoning consisting of adcumulus dunite at the core, grading into peridotite, pyroxenite and gabbro towards the margins.

    Ni-Cu mineralization occurs within ultramafic rocks as sulfide disseminations, blebby textures, and net-textured aggregates. Whole-rock geochemistry (MgO>35 wt.%, Cr>2500 ppm) and petrography indicate that the intrusion consists predominantly of variably altered olivine, pyroxene and plagioclase cumulates, with dunite as the principal ultramafic rock type. These rocks are enriched in chalcophile elements (Ni: 2500–6000 ppm; Pd+Pt: 20–150 ppb) and display elevated Cu/Zr (>100) and Ni/MgO (>50) ratios in sulfide-bearing rocks. Trace element geochemistry systematics reveal the ultramafic rocks have high LREE/MREE ratios (La/Sm> 5), while the mafic-ultramafic suite has a calc-alkaline affinity suite (MgO/FeOt= 0.5-0.8; La>Nb; Th/Yb= 0.1-10; [Nb/Th]PM< 1).

    U–Pb zircon geochronology yields crystallization ages between 312 and 323 Ma, linking the Nikolauz magmatism to a late to post-compressional Gondwanan event, as evidenced by its crosscutting relationship with regional Famatinian foliations and the development of a local foliation during emplacement.Geological and geochemical evidence points to partial melting of a pyroxenitic mantle source during lithospheric decompression, likely triggered by slab break-off in the late stages of orogeny. The recognition of a dynamic, Ni-Cu sulfide-mineralized conduit system in a Paleozoic orogenic environment, now exposed in the Eastern Cordillera of Peru, underscores the potential for similar deposits in the Andean domain.

9
  • ADOLFO BARBOSA DA SILVA
  • Análise integrada de sensoriamento remoto e geofísico de estruturas de impacto confirmadas no Brasil: Rumo a um guia para avaliar outras estruturas circulares de potencial origem por impacto.

  • Orientador : WOLF UWE REIMOLD
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELDER YOKOYAMA
  • JÜRI PLADO
  • ROBERTA MARY VIDOTTI
  • WOLF UWE REIMOLD
  • Data: 29/10/2025

  • Mostrar Resumo
  • O estudo de crateras de impacto na Terra é um campo multidisciplinar que integra vários ramos da geociência para o mapeamento e análise de estruturas de impacto. Estas podem ser resumidamente definidas como formas de relevo formadas quando corpos extraterrestres colidem com a superfície da Terra em hipervelocidade (> 11 km/s), liberando imensa quantidade de energia e causando deformação permanente na rocha alvo. Apesar do notável progresso no estudo de estruturas de impacto brasileiras nos últimos anos, o número de estruturas de impacto confirmadas no Brasil permanece relativamente baixo. Isso se deve a vários fatores, incluindo o número limitado de pesquisadores dedicados a essa linha de pesquisa na América do Sul, a ausência geral do ensino de crateras de impacto nos currículos de geociências, a extensa cobertura do território brasileiro por espessos estratos sedimentares e/ou vulcânicos e vegetação densa. Para enfrentar esses desafios, imagens de sensoriamento remoto (SR) de vários sensores — como multiespectrais, radar de abertura sintética, magnetométricos e radiométricos — podem ser empregadas para identificar formas de relevo circulares potencialmente formadas por eventos de impacto. Tais identificações preliminares podem orientar os esforços de verificação em campo. A principal motivação para este estudo advém da comprovada utilidade de dados de SR, incluindo levantamentos geofísicos aerotransportados (especialmente magnetometria e espectrometria de raios gama), na descoberta de inúmeras estruturas circulares com potenciais origens de impacto em outros países. Além disso, dados de SR têm sido utilizados com sucesso para identificar formações e padrões circulares, contribuindo para o mapeamento de diversas estruturas de impacto brasileiras, como Araguainha, Serra da Cangalha, Riachão e, mais recentemente, a estrutura de impacto de Nova Colinas. Apesar desses sucessos, ainda há escassez de publicações que interpretem dados de SR integrados no contexto de potenciais estruturas de impacto no Brasil. Este estudo visa preencher essa lacuna. Seu objetivo principal é avaliar dados de SR e registros geofísicos de estruturas de impacto brasileiras confirmadas, com o objetivo de desenvolver um conjunto de ferramentas para identificar locais potenciais adicionais para investigação de campo. Ao aplicar diversas técnicas de processamento e interpretar os resultados utilizando o conhecimento geológico existente, este estudo avaliou com sucesso outras estruturas circulares com potenciais origens de impacto, estabelecendo uma estrutura de priorização para futuras investigações de campo. Entre os alvos no terreno cristalinos, a estrutura Colônia continua sendo a principal candidata para origem de impacto. Dois outros sítios — Bom Jardim e Inajáh — apresentam características promissoras que podem sugerir derivação por evento de impacto meteorítico. No entanto, como ambos estão localizados em ambientes vulcânicos antigos do Cráton Amazônico, processos geológicos endógenos não podem ser descartados neste tempo. No domínio sedimentar, as estruturas circulares de São Francisco do Maranhão e Caraíbas são priorizadas para verificação de campo para avaliar suas potenciais origens de impacto. As características dos alvos circulares restantes examinadas neste estudo (Cardoso, Itiquira, Brejões e o Domo de Sucunduri) parecem menos promissoras para pesquisa de impacto meteorítico, mas podem ser de grande interesse para exploração mineral. Espera-se que os resultados aqui apresentados sejam considerados uma motivação para o desenvolvimento de pesquisas contínuas no campo de estudo de estruturas de impacto confirmadas e propostas no Brasil.


  • Mostrar Abstract
  • The study of the geological record of impact cratering on Earth is a multidisciplinary field that integrates various branches of geoscience for the mapping and analysis of impact structures. These can be, in short, defined as relief landforms formed when extraterrestrial bodies collide with Earth’s surface at hypervelocity (>11 km/s), releasing immense energy and causing permanent deformation in the target rock. Although notable progress has been made in the study of Brazilian impact structures, the number of confirmed sites within Brazil remains relatively low. This is due to several factors, including the limited number of dedicated researchers in South America, the general absence of impact cratering in geoscience curricula, and the extensive coverage of Brazil’s territory by thick sedimentary and/or volcanic strata and dense vegetation. To address these challenges, remote sensing (RS) imagery from various sensors—such as multispectral, synthetic aperture radar, magnetic, and radiometric—can be employed to identify circular landforms potentially formed by impact events. These preliminary identifications can guide ground-truthing efforts. The primary motivation for this study stems from the proven utility of RS data, including airborne geophysical surveys (especially magnetics and gamma-ray spectrometry), in discovering numerous circular structures with potential impact origins in other countries. Furthermore, RS data have been successfully used to identify circular formations and patterns, contributing to the mapping of several Brazilian impact structures, such as Araguainha, Serra da Cangalha, Riachão, and, more recently, the Nova Colinas impact structure. Despite these successes, there remains a scarcity of publications interpreting integrated RS data in the context of potential impact structures in Brazil. This study is aimed at filling ths gap. Its primary objective is to evaluate RS data and geophysical records of confirmed Brazilian impact structures, with the goal of developing a toolkit for identifying additional potential sites for ground-truth surveys. By applying various processing techniques and interpreting the results using existing geological knowledge, it was possible to successfully assess other circular structures of potential impact origin, establishing a prioritization framework for future field investigations. Among crystalline targets, the Colônia structure remains prime candidate for impact origin. Two other sites – Bom Jardim and Inajáh – exhibit promising features that may suggest impact derivation. However, as both are located within ancient volcanic environments of the Amazonian Craton, endogenous geological processes cannot be ruled out. For sedimentary targets, the São Francisco do Maranhão and Caraíbas circular structures are prioritized for ground-truthing to assess their potential impact origin. The remaining circular features examined in this study (Cardoso, Itiquira, Brejões, and Sucunduri Dome) appear less promising for impact research, but they could be of prime interest for mineral exploration. It is hoped that the results presented here will be considered motivation for the development of continuing research in the field of study of confirmed and proposed impact structures in Brazil.

10
  • GUILHERME TEIXEIRA DE SIQUEIRA E SILVA
  • Footprint hidrotermal do Depósito Paulo Afonso, Província Mineral de Carajás

  • Orientador : ADALENE MOREIRA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADALENE MOREIRA SILVA
  • ALVARO PENTEADO CROSTA
  • MARCELO HENRIQUE LEAO SANTOS
  • WELITOM RODRIGUES BORGES
  • Data: 05/11/2025

  • Mostrar Resumo
  • Esta pesquisa apresenta uma caracterização detalhada do footprint hidrotermal com base nas assinaturas mineralógicas, petrofísicas e geoquímicas do Depósito Paulo Afonso (Cu-Au), localizado no setor norte da Província Mineral de Carajás (PMC), um sistema do tipo óxido de ferro-cobre-ouro (IOCG) caracterizado por processos hidrotermais complexos e por uma diversidade de estilos de alteração e mineralização. O trabalho integra múltiplas abordagens analíticas e escalas de observação, incluindo petrografia, LIBS, TIMA, espectroscopia de reflectância, petrofísica e litogeoquímica, com o objetivo de definir assinaturas integradas que atuem como vetores de exploração em ambientes do tipo IOCG no Cinturão Norte do Cobre. Os resultados indicam que a mineralização de cobre e ouro no Depósito Paulo Afonso está relacionada à superimposição de dois sistemas hidrotermais distintos. O primeiro estágio, de caráter dúctil, corresponde à alteração sódica e potássico-férrica (Na I e K-Fe), associada a níveis estruturais mais profundos, refletindo a circulação de fluidos oxidantes em altas temperaturas, seguida por uma fase restrita de silicificação. O segundo estágio, predominantemente rúptil, é caracterizado por uma fase sódica precoce (Na II), sucedida por alteração cálcico-férrica (Ca-Fe) e mineralização, e por um evento hidrolítico tardio que afeta ambos os sistemas. A evolução desses eventos é marcada por um zoneamento químico e textural distinto, expresso nas assinaturas espectrais de reflectância, nas variações composicionais de biotita, anfibólio e clorita, e nas variações das razões Fe/Mg, Fe/K, Na e Fe, que delimitam contrastes dentro das zonas de alteração hidrotermal e representam vetores eficazes para a exploração mineral. As análises geoquímicas destacam elementos indicadores (pathfinders) como Au, Ag, Bi, Co, In, Ni, P, Fe e Mg, cujos padrões de distribuição espacial são consistentes com o modelo de sistemas IOCG. Esses elementos ocorrem sistematicamente nas zonas de alteração cálcico-férrica, indicando proximidade com o corpo mineralizado. As investigações petrofísicas demonstram uma correlação direta entre densidade, susceptibilidade magnética e condutividade elétrica com o teor de magnetita e as zonas mineralizadas, estabelecendo parâmetros mensuráveis aplicáveis à exploração geofísica regional. A integração desses resultados revela que o Depósito Paulo Afonso representa um sistema IOCG distinto, tanto no Cinturão Norte do Cobre quanto na Província Mineral de Carajás como um todo. Sua evolução paragenética e estrutural-composicional contrasta fortemente com a dos principais depósitos previamente estudados, incluindo Salobo, Furnas, Sossego e Sequeirinho. Do ponto de vista prospectivo, esta pesquisa destaca o papel dos granitos paleoproterozoicos como hospedeiros e potenciais fontes de fluidos mineralizantes na região de Carajás. A integração do mapeamento mineral (petrografia, espectrorradiometria, LIBS e TIMA), da petrofísica e da geoquímica permitiu o desenvolvimento de um footprint hidrotermal integrado e multiparamétrico, no qual a transição entre os estágios de deformação dúctil e rúptil desempenhou papel crucial na reativação das zonas de cisalhamento e na formação de condutos para fluidos hidrotermais ricos em Fe, Cu e Au. Portanto, este estudo contribui não apenas para o avanço do entendimento do sistema hidrotermal Paulo Afonso, mas também para o estabelecimento de critérios de exploração mineral baseados na integração de assinaturas espectrais, mineralógicas, petrofísicas e geoquímicas.


  • Mostrar Abstract
  • This research presents a detailed characterization of the hydrothermal footprint based on the mineralogical, petrophysical, and geochemical signatures of the Paulo Afonso Cu-Au deposit, located in the northern sector of the Carajás Mineral Province (CMP), an iron oxide-copper-gold (IOCG) system characterized by complex hydrothermal processes and diverse alteration and mineralization styles. The work integrates multiple analytical approaches and observation scales, including petrography, LIBS, TIMA, reflectance spectroscopy, petrophysics, and lithogeochemistry, with the objective of defining integrated signatures that act as exploration vectors in IOCG-type environments within the Northern Copper Belt. The results indicate that copper and gold mineralization at the Paulo Afonso deposit is related to the overprinting and partial superimposition of two distinct hydrothermal systems. The first ductile stage corresponds to sodic and potassic-iron (Na I and K-Fe) alteration associated with deeper structural levels, reflecting the circulation of oxidizing fluids at high temperatures, and is followed by a restricted silicification stage. The second, predominantly brittle stage, is characterized by an early sodic phase (Na II), succeeded by calcic-iron (Ca-Fe) alteration linked to the economically significant mineralization stage, and a late hydrolytic overprint affecting both systems. The evolution of these events is characterized by distinct chemical and textural zoning, expressed in the reflectance spectral signatures, in the compositional variations of biotite, amphibole, and chlorite, and in variations of Fe/Mg, Fe/K ratios, Na and Fe that delineate contrasts within the hydrothermal alteration zones and represent vectors for mineral exploration. Geochemical analyses highlight pathfinder elements such as Au, Ag, Bi, Co, In, Ni, P, Fe, and Mg, whose spatial distribution patterns are consistent with the IOCG model. These elements occur within the calcic-iron alteration zones, indicating proximity to the mineralized body. Petrophysical investigations demonstrate a direct correlation among density, magnetic susceptibility, and electrical conductivity with magnetite content and mineralized zones, establishing measurable parameters applicable to regional geophysical exploration. The integration of these results reveals that the Paulo Afonso deposit represents a distinct IOCG system within both the Northern Copper Belt and the broader Carajás Mineral Province. Its paragenetic and structural-compositional evolution contrasts sharply with that of the major deposits previously studied, including Salobo, Furnas, Sossego and Sequeirinho. From an exploration perspective, this research highlights the role of Paleoproterozoic granites as both hosts and potential sources of mineralizing fluids in the Carajás region. The integration of mineral mapping (petrography, spectroradiometry, LIBS, and TIMA), petrophysics, and geochemistry allowed the development of an integrated, multiparametric hydrothermal footprint, in which the transition from ductile to brittle deformation stages played a crucial role in the reactivation of shear zones and in providing pathways for Fe-, Cu-, and Au-rich hydrothermal fluids. Therefore, this study contributes not only to advancing the understanding of the Paulo Afonso hydrothermal system but also to establishing mineral exploration criteria based on the integration of spectral, mineralogical, petrophysical, and geochemical signatures.

Teses
1
  • Angel Augusto Verbel Olarte
  • Tracking gold origin: A novel identification approach based on topology and machine learning applied to gold geochemical data.

  • Orientador : MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • MARCELO PERES ROCHA
  • SUSANNE TAINA RAMALHO MACIEL
  • EVAN HASTIE
  • BARBARA BECK
  • Data: 31/01/2025

  • Mostrar Resumo
  • A produção de ouro pode ser obtida por meio de três figuras principais: mineração artesanal, mineração industrial e mineração ilegal, que pode ser obtida de vários depósitos de minério. Normalmente, a mineração ilegal traz problemas ambientais, sociais e econômicos que podem variar de locais a nacionais. Portanto, torna-se imperativo garantir uma cadeia de produção responsável, desde o depósito até as mãos do consumidor. Esta pesquisa demonstra o potencial transformador da integração de técnicas analíticas avançadas, modelagem geoquímica e aprendizado de máquina para desvendar as complexidades da gênese do depósito de ouro, aprimorar a rastreabilidade e apoiar aplicações forenses. As assinaturas geoquímicas derivadas de elementos residuais, incluindo Ag, Bi, Cu, Fe, Ni, Pb, Pd, Pt, Sb e Te, revelam percepções exclusivas sobre as condições físico-químicas da formação do ouro e permitem uma classificação robusta dos tipos de depósitos. Com o modelo otimizado de rede neural artificial (ANN), o OreGenes associa efetivamente as amostras de ouro ao seu depósito original. Ao mesmo tempo, as técnicas de aprendizagem múltipla, como a UMAP combinada com a distância de Hellinger, revelam relações geoquímicas em toda a cadeia de produção. Essas abordagens destacam o impacto dos processos industriais na assinatura química do ouro e fornecem ferramentas essenciais para o combate ao tráfico ilícito de ouro. A metodologia foi validada por meio de estudos de caso, como o depósito Água Branca, em que o aprendizado de máquina apoiou sua reclassificação como um depósito orogênico. Embora a pesquisa ressalte a utilidade das ferramentas computacionais em geoquímica, ela enfatiza a importância de conjuntos de dados abrangentes, métodos geológicos tradicionais e aplicativos acessíveis para uma adoção mais ampla. Ao unir geoquímica, aprendizado de máquina e geologia forense, este trabalho avança na classificação de depósitos de ouro, aprimora o rastreamento de proveniência e fortalece os esforços em investigações forenses.

  • Mostrar Abstract
  • Gold production may be achieved through three main figures: artisanal mining, industrial mining, and illegal mining, which could be obtained from various ore deposits. Usually, illegal mining comes with environmental, social, and economic problems that can scale from local to national. Therefore, ensuring a responsible production chain from the deposit to the consumer's hands becomes imperative. This research demonstrates the transformative potential of integrating advanced analytical techniques, geochemical modeling, and machine learning to unravel the complexities of gold deposit genesis, enhance traceability, and support forensic applications. Geochemical signatures derived from trace elements, including Ag, Bi, Cu, Fe, Ni, Pb, Pd, Pt, Sb, and Te, reveal unique insights into the physicochemical conditions of gold formation and enable robust classification of deposit types. Optimized artificial neural network (ANN) model, OreGenes effectively associates gold samples with their original deposit. At the same time, manifold learning techniques such as UMAP combined with Hellinger distance unveil geochemical relationships across the production chain. These approaches highlight the impact of industrial processes on gold’s chemical signature and provide critical tools for combating illicit gold trafficking. The methodology was validated through case studies, the Água Branca deposit, where machine learning supported its reclassification as an orogenic deposit. While the research underscores the utility of computational tools in geochemistry, it emphasizes the importance of comprehensive datasets, traditional geological methods, and accessible applications for broader adoption. By bridging geochemistry, machine learning, and forensic geology, this work advances the classification of gold deposits, enhances provenance tracing, and strengthens efforts in forensic investigations.
2
  • Daniela Alexandra Guerrero Gutiérrez
  • Petrography, geochemistry and isotope geochemistry of the basement and impact melt breccias of the Rochechouart impact structure, NW Massif Central, France.

  • Orientador : WOLF UWE REIMOLD
  • MEMBROS DA BANCA :
  • WOLF UWE REIMOLD
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • ROGER GIBSON
  • CARL ALWMARK
  • LUTZ HECHT
  • Data: 28/02/2025

  • Mostrar Resumo
  • A estrutura de impacto de Rochechouart, de 24 km de diâmetro, está localizada na parte NW do embasamento cristalino do Maciço Central Francês (FMC). O nível de erosão da estrutura permite ter acesso ao fundo da cratera e oferece uma grande oportunidade para estudar as rochas do embasamento e uma ampla variedade de depósitos de preenchimento de cratera, entre eles rochas fundidas pelo impacto e suevitos. O FMC foi formado durante a amalgamação da Pangeia na orogenia Variscana, entre o Siluriano Superior e o Permiano Inferior. Na área da estrutura de impacto, o embasamento inclui gnaisses, anfibolitos, serpentinitos e corpos graníticos, além de intrusões de diques máficos e félsicos. Este projeto está focado em um estudo da relação entre suevitos e rochas fundidas por impacto, com as rochas do embasamento cristalino na área da estrutura de impacto de Rochechouart. O estudo envolve petrografia, geoquímica de rocha total, análise de isótopos de Sr e Nd em rocha total por TIMS, análise U-Pb em zircão por LA-ICP-MS e SIMS, além de uma caracterização detalhada de EBSD em zircão. Este estudo foi desenvolvido com o objetivo de compreender a dinâmica de formação das impactitas em relação a (1) as principais rochas precursoras dos diferentes tipos de impactitas, (2) a avaliação da idade do evento de impacto, e de possíveis eventos pós-impacto, e (3) o estudo do reequilíbrio do sistema isotópico U-Pb em função das texturas de metamorfismo de choque em zircão. Observações microscópicas indicam que diferentes níveis de alteração hidrotermal são comuns em todas as amostras. Além disso, a maioria das amostras de embasamento coletadas apresenta baixo grau de deformação, enquanto as impactitas contêm misturas de clastos não afetados pelo choque e clastos variavelmente chocados. A caracterização textural detalhada dos zircões das impactitas permitiu a identificação de uma variedade de texturas de deformação de choque, incluindo reidita, zircão granular do tipo “former reidite in granular neoblastic” (FRIGN) e grãos granulares cujos grânulos não apresentam relações sistemáticas de orientação, sugerindo que essas feições são mais difundidas do que se documentava anteriormente na estrutura de impacto de Rochechouart. O reequilíbrio do sistema isotópico U-Pb em zircão é altamente heterogêneo e parece ser controlado pela intensidade do choque e pelo conteúdo de U e Th no zircão. No entanto, na rocha de fusão de Babaudus, fatores adicionais parecem influenciar o reequilíbrio da idade. As idades registradas nos zircões das impactitas variam do Neoproterozoico ao Jurássico. Embora tenham sido obtidas idades compatíveis com a idade de impacto mais aceita (~203–206 Ma), a similaridade das características dos zircões com idades próximas a esse evento ressalta os desafios em distinguir idades relacionadas ao impacto daquelas associadas a eventos pós-impacto. Além disso, idades aparentemente pós-impacto (~191–196 Ma) foram documentadas em zircões das rochas de fusão de impacto e da suevita de Videix, indicando que um evento térmico/hidrotermal afetou os zircões de mais litologias do que se reconhecia anteriormente. Múltiplas idades entre o impacto e os estágios finais da evolução do FMC também foram registradas, especialmente em zircões das rochas de fusão de impacto. Isso levou a uma forte correlação de idades com rochas-alvo específicas no estudo de proveniência dos zircões só para as suevitas: com paragnaisses para a suevita de Chassenon e com monzodiorito e leptinitos para a suevita de Videix. A fraca correlação entre as litologias do embasamento e as rochas de fusão de impacto sugere um reequilíbrio incompleto das idades ou a presença de rochas adicionais no embasamento no momento do impacto, que ainda não foram documentadas na área da estrutura de impacto. A caracterização multidisciplinar das impactitas e das rochas do embasamento mostra que as impactitas apresentam melhor correlação com rochas-alvo de conteúdo intermediário de sílica, enquanto as brechas líticas e os suevitos geralmente se assemelham às litologias das rochas-alvo mais próximas. Os dados isotópicos de Sr e Sm-Nd indicam que a composição de rochas de fusão de impacto amarelas é mais comparável à dos gnaisses do embasamento, enquanto a das vermelhas sugere uma maior contribuição de granodiorito ou monzodiorito. Esses resultados mostram que abordagens alternativas à proveniência de zircões pelo método U-Pb, como a análise isotópica de Sm-Nd, proporcionam uma melhor correlação com o embasamento e são preferíveis para avaliar os protólitos mais prováveis dessas impactitas. Os resultados obtidos neste projeto são apresentados em três artigos. O primeiro focado na análise de proveniência, o segundo nos resultados de geocronologia U-Pb de rochas de fusão de impacto e suevites, além de uma caracterização detalhada das texturas de deformação por choque em zircão, e o terceiro compara os resultados completos de geoquímica e proveniência de zircão para as litologias do embasamento e as rochas de fusão de impacto.


  • Mostrar Abstract
  • The 24 km diameter, Rochechouart impact structure is located in the northwestern part of the crystalline basement of the French Massif Central (FMC). This structure offers a great opportunity to study the crater floor, the shocked target rocks, and a wide variety of crater-fill deposits, including impact melt rocks and suevite. The FMC was formed during the amalgamation of Pangea in the Variscan orogeny between the Late Silurian and Early Permian. In the area of the impact structure, the basement includes gneisses, amphibolites, serpentinites and granitic bodies, and minor intrusions of mafic and felsic dikes. This project is focused on a comprehensive study of the relationship between impact melt rock (IMR) and suevite samples and the crystalline basement rocks in the area of the Rochechouart impact structure. This involves petrography, whole-rock geochemical analysis, Sr and Nd isotope analysis of whole-rock samples by TIMS, U-Pb analysis on zircon by LA-ICP-MS and SIMS, and some detailed EBSD characterization of zircon. This work has been developed with the purpose of studying the dynamics of impactite formation in terms of (1) the principal precursor rocks for the different types of impactites, (2) evaluating the age of the impact event as well as potential post-impact events, and (3) understanding the resetting of the U-Pb isotopic system in relation to zircon shock deformation features. Microscopic observations show that some levels of hydrothermal alteration are common for all samples. Furthermore, most of the collected basement samples display low degrees of shock deformation, whereas the impactites have mixtures of unshocked and variably shocked clasts. The detailed textural characterization on zircons from the impactites allowed the identification of a variety of shock deformation textures, including reidite, “former reidite in granular neoblastic” (FRIGN) zircon, and granular grains with granules lacking systematic orientation relationships, which suggests that these shock features are more widespread in the Rochechouart impact structure than previously documented. The resetting of the U-Pb system in zircon is highly heterogeneous and appears to be controlled by the shock intensity and the zircon U and Th contents. However, in the Babaudus IMR, additional factors could influence age resetting. The ages recorded by zircon from the impactites range from the Neoproterozoic to the Jurassic. Although ages consistent with the most accepted impact age were obtained (~203–206 Ma), the similarity of zircon characteristics for ages close to this impact age highlights challenges in distinguishing impact-related ages from those associated with post-impact events. Moreover, apparently post-impact ages (~191–196 Ma) were documented in zircons from the impact melt rocks and the Videix suevite, indicating that a thermal/hydrothermal event affected zircons from more lithologies than previously recognized. Multiple ages between the impact and the latest stages of the evolution of the FMC were also registered, especially in zircon from impact melt rocks. This led to a strong age correlation only for the suevites in the zircon provenance study: to paragneisses for the Chassenon suevite and monzodiorite and leptynites for the Videix suevite. The poor correlation between basement lithologies and impact melt rocks suggests incomplete age resetting or the presence of additional basement rocks at impact time that have not yet been documented within the area of the impact structure. Multidisciplinary characterization of the impactites and the basement rocks shows that the impactites are better correlated with the target rocks with intermediate silica content, and the lithic breccias and suevites resemble the compositions of the nearest target rock lithologies. The Sr and Sm-Nd isotopic data show that the composition of the yellow IMRs is more comparable with the compositions of basement gneisses, whereas the one of the red IMRs suggests a higher contribution of granodiorite or monzodiorite. These findings show that alternative approaches to U-Pb zircon provenance, such as Sm-Nd isotopic analysis, provide a better correlation with the basement and are preferable for evaluating the most probable protoliths of these impactites. The results obtained in this project are presented in three articles. The first is focused on provenance analysis, the second on U-Pb geochronology results of additional impact melt rock and suevite samples and on a detailed characterization of zircon shock deformation textures, and the third one on a comparison of the full geochemical/zircon provenance results for basement lithologies, impact melt rocks, and suevites.

3
  • Tiago Felipe Arruda Maia
  • Avaliação do potencial para depósitos de Ni-Cu-PGE sulfetado associados a komatiitos no Brasil.

     
     
     
  • Orientador : CESAR FONSECA FERREIRA FILHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADALENE MOREIRA SILVA
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • CESAR FONSECA FERREIRA FILHO
  • JULIANA CHARÃO MARQUES
  • ÂNGELA BEATRIZ DE MENEZES LEAL
  • Data: 27/03/2025

  • Mostrar Resumo
  • Depósitos sulfetado de Ni-Cu-PGE associados a komatiitos são raros no Brasil, com somente duas ocorrências Boa Vista e Fortaleza de Minas. Esse fato levou a seguinte pergunta. Existe alguma justificativa geológica/petrológica para a escassez de depósitos sulfetados de Ni-Cu-EGP associados aos komatiitos brasileiros? Motivado em responder este questionamento, a tese teve como objetivos melhorar o entendimento da gênese dos depósitos magmáticos de Ni-Cu-EGP associados a rochas komatiíticas no Brasil, por meio de estudos sistemáticos nos komatiitos brasileiros e os comparando com os encontrados em outras regiões do planeta. Propôs, também, contribuir para um modelo de exploração mineral mais adaptado paras as condições geológicas e climáticas encontradas no Brasil. Para isso foram realizados estudos geológicos, petrográficos, litogeoquímicos, geoquímicos no minério, geoquímicos isotópicos em enxofre, no minério e na rocha encaixante nos depósitos de Boa Vista no greenstone belt de Crixás e no depósito de Fortaleza de Minas. A fim de entender detalhes dos aspectos metalogenéticos e exploratórios desses depósitos. Por fim, foi feita uma análise integrada comparativa dos komatiitos brasileiros, mineralizados e não mineralizados, para avaliar o seu potencial metalogenéticos para depósitos sulfetados de Ni-Cu-PGE. Os resultados obtidos mostraram que para o depósito de Boa Vista são do tipo I (contato basal), formado preferencialmente por pirrotita, pentrandita e calcopirita, com pirita subordinada em zonas de cisalhamento. Novos dados de litogeoquímica, através de modelagem contaminação crustal e cristalização fracionada concomitante junto com os isótopos de enxofre, mostraram que a rocha encaixante, o grafita xisto, é a fonte de enxofre para o depósito de Boa Vista. Modelagens para calcular o R-factor demostraram valores baixos entre 100-200 para depósito de Boa Vista. A associação de altas concentrações de MgO, Zn e Ni, associado ao fácies de conduto/canalização de lava podem ser usados para critérios exploratórios para essa classe de depósito mineral. Para os resultados de Fortaleza de minas, novos dados de geoquímica de semimetais combinado com isótopos de enxofre, mostraram que a formação ferrífera bandada é a fonte externa para o enxofre e os semimetais analisados. Modelagens geoquímicas e isotópicas indicaram que o depósito de fortaleza de Minas tem um R fator baixo entre 100-400. Também foi discutido que o ambiente altamente fracionado de lago de lava não é compatível com os valore de R fator obtidos, e principalmente com a presença do minério alojado nesse fácies. Assim possivelmente foi uma combinação de dois ambientes distintos, um para zona inferior e outro para a zona superior. Para a análise do potencial metalogenético dos komatiitos brasileiros, uma revisão sistemática foi feita e constatou um total de 26 ocorrências de komatiitos diferentes que foram mapeados no território brasileiros, sendo 2 mineralizados. Número muito baixo, para as dimensões continentais do Brasil. Foi constatado que muitas das descrições, são focadas somente no komatiitos, sem fazer uma interpretação de sucessão de facies komatiíticos, nem das rochas sedimentares que possam ser ricas em enxofre associadas ao komatiitos. Outro ponto é pouca quantidade de dados geoquímicos robustos, o que dificulta a avalia do potencial metalogenético para essas rochas. Foi possível indicar que os komatiitos de Quebra Osso no grenstone belt Rio das Velhas no Quadrilátero Ferrifero - Craton São Francisco, tem bons indicativos de ter formado um líquido sulfetado imiscível que capturou metais e formou sulfetos. Localizar os principais condutos de magma em terrenos metamórficos, deformados e mal expostos, avaliar fontes adequadas de enxofre, a presença de armadilhas químicas e físicas para a formação do minério, e restringir o efeito da modificação pós-magmática à geoquímica dos komatiitos regionalmente, se torna essencial para a exploração de depósitos de Ni-Cu-PGE associados a komatiitos, principalmente no Brasil. Por último, os komatiitos brasileiros não são diferentes dos daqueles encontrados por exemplo, na Austrália, Canada e África do Sul, e seu potencial metalogenético existe. Eles só precisam serem melhor mapeados, descritos, interpretados e analisados, com foco em avaliar os pré-requisitos necessários para a formação de depósitos sulfetados de Ni-Cu-PGE.

     
     
     

  • Mostrar Abstract
  • Ni-Cu-PGE sulfide deposits associated with komatiites are rare in Brazil, with only two occurrences Boa Vista and Fortaleza de Minas. This fact led to the following question. Is there any geological/petrological justification for the scarcity of sulfide deposits of Ni-Cu-EGP associated with Brazilian komatiites? Motivated to answer this question, the thesis aimed to improve the understanding of the genesis of Ni-Cu-EGP magmatic deposits associated with komatiite rocks in Brazil, through systematic studies in Brazilian komatiites and comparing them with those found in other regions of the planet. It also proposed to contribute to a model of mineral exploration more adapted to the geological and climatic conditions found in Brazil. For this, geological, petrographic, lithogeochemical, geochemical studies in ore, isotopic geochemicals in sulfur, ore and in the bedrock were carried out in the Boa Vista deposits in the Crixás greenstone belt and in the Fortaleza de Minas deposit. In order to understand details of the metallogenetic and exploratory aspects of these deposits. Finally, an integrated comparative analysis of Brazilian komatiites, mineralized and non-mineralized, was carried out to evaluate their metallogenetic potential for sulfide deposits of Ni-Cu-PGE. The results obtained showed that for the Boa Vista deposit they are type I (basal contact), formed preferentially by pyrrhotite, pentrandite and chalcopyrite, with subordinate pyrite in shear zones. New lithogeochemical data, through modeling crustal contamination and concomitant fractional crystallization along with sulfur isotopes, showed that the embedding rock, graphite shale, is the source of sulfur for the Boa Vista deposit. Modeling to calculate the R-factor showed low values between 100-200 for Boa Vista deposit. The association of high concentrations of MgO, Zn and Ni, associated with the facies of lava conduit/channeling can be used for exploratory criteria for this class of mineral deposit. For the results from Fortaleza de Mines, new geochemistry data of semimetals combined with sulfur isotopes, showed that the banded iron formation is the external source for the sulfur and semimetals analyzed. Geochemical and isotopic modeling indicated that the Fortaleza de Minas deposit has a low R factor between 100-400. It was also discussed that the highly fractionated lava lake environment is not compatible with the R values factor obtained, and especially with the presence of the ore housed in this facies. Thus, it was possibly a combination of two distinct environments, one for the lower zone and the other for the upper zone. For the analysis of the metallogenetic potential of Brazilian komatiites, a systematic review was carried out and found a total of 26 occurrences of different komatiitos that were mapped in the Brazilian territory, 2 of which were mineralized. A very low number, for the continental dimensions of Brazil. It was found that many of the descriptions are focused only on komatiitos, without making an interpretation of succession of komatiitic facies, nor of the sedimentary rocks that may be rich in sulfur associated with komatiitos. Another point is the small amount of robust geochemical data, which makes it difficult to evaluate the metallogenetic potential for these rocks. It was possible to indicate that the komatiitos of Quebra Osso in the Rio das Velhas grenstone belt in the Iron Quadrangle - Craton São Francisco, have good indications of having formed an immiscible sulfide liquid that captured metals and formed sulfides. Locating the main magma conduits in metamorphic, deformed and poorly exposed terrains, evaluating suitable sources of sulfur, the presence of chemical and physical traps for the formation of the ore, and restricting the effect of post-magmatic modification to the geochemistry of komatiites regionally, becomes essential for the exploration of Ni-Cu-PGE deposits associated with komatiites, especially in Brazil. Finally, Brazilian komatiitos are not different from those found, for example, in Australia, Canada and South Africa, and their metallogenetic potential exists. They just need to be better mapped, described, interpreted and analyzed, with a focus on assessing the prerequisites needed for the formation of Ni-Cu-PGE sulfide deposits.

     
     
     
4
  • Moria Caroline de Araujo
  • Footprint geofísico e petrofísico do Depósito Salobo, Província Mineral de Carajás

  • Orientador : ADALENE MOREIRA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADALENE MOREIRA SILVA
  • MARCELO HENRIQUE LEAO SANTOS
  • WELITOM RODRIGUES BORGES
  • DIONISIO UENDRO CARLOS
  • MARCO ANTONIO COUTO JUNIOR
  • Data: 31/03/2025

  • Mostrar Resumo
  • Os depósitos de óxido de ferro-cobre-ouro (IOCG) representam um conjunto de mineralizações com características distintas, refletindo a diversidade das rochas hospedeiras e dando origem a assinaturas petrofísicas complexas e geofísicas variadas. Embora muitos desses depósitos tenham sido descobertos inicialmente por meio de modelos exploratórios relativamente simples, a prospecção futura exigirá abordagens mais avançadas e robustas. Na Província Mineral de Carajás, a complexidade dos depósitos IOCG impõe um desafio adicional ao desenvolvimento de um modelo geofísico eficaz. Diante desse cenário, esta tese foca na caracterização do footprint geofísico e petrofísico do depósito IOCG Salobo, com ênfase em suas porções mais profundas, por meio da integração de dados geofísicos multifonte e multiescala com as propriedades físicas das rochas.

    Para a caracterização do footprint geofísico foram identificadas assinaturas e anomalias distintas associadas ao ambiente mineralizado do depósito Salobo. Foram utilizados diversos conjuntos de dados geocientíficos, incluindo: (a) dados aeromagnéticos e radiométricos com espaçamento entre linhas de voo de 500 metros para definir a assinatura regional do depósito; (b)dados aerogeofísicos de alta resolução, como gravimetria gradiométrica, eletromagnético (EM), magnético e radiométrico, para o mapeamento em escala de distrito; e (c)dados geofísicos terrestres, incluindo magnetometria, espectrometria gama, EM no domínio do tempo com fixed-loop (TDEM) e polarização induzida (IP), para o estudo em escala de depósito. O depósito Salobo apresenta contraste nos dados magnetométricos, gravimétricos gradiométricos, TDEM e IP. Em escalas regional e de distrito, a mineralização está associada a fortes anomalias magnéticas e gravimétricas, devido à alta suscetibilidade magnética da magnetita associada ao metasomatismo de ferro disseminado no granito que hospeda a mineralização, incluindo zonas de alteração hidrotermal ricas em magnetita. Modelos de TDEM aéreo e terrestre mapearam zonas de alta concentração de calcocita-bornita. Além disso, anomalias proeminentes de urânio e U/Th foram observadas nos dados gamaspectrométricos de alta resolução. Levantamentos de IP indicam que a resistividade é mais eficaz para mapear o depósito do que a cargabilidade. Os modelos de cargabilidade mostram uma anomalia muito mais ampla, possivelmente influenciada por eventos tardios de alteração estéril associados ao evento de 1,88 Ga.

    A assinatura petrofísica do depósito Salobo indica correlações entre as rochas hospedeiras, a alteração hidrotermal e a mineralização. A análise das propriedades físicas, como densidade, suscetibilidade magnética, resistividade e cargabilidade, e permite diferenciar zonas distintas alteradas hidrotermalmente. As rochas hospedeiras apresentam baixa densidade, alta resistividade e pouca variação nas demais propriedades. Em contraste, as zonas alteradas exibem mudanças significativas, com aumento de densidade, suscetibilidade magnética e cargabilidade, indicando um contraste dentro do ambiente mineralizado. As zonas enriquecidas em ferro e potassificadas apresentam alta densidade e alta suscetibilidade magnética devido à abundância de magnetita e sulfetos. O contraste de resistividade nessas áreas sugere a presença de minerais condutores, como bornita, calcocita e calcopirita. A cargabilidade também aumenta, refletindo os sulfetos disseminados e magnetita. No entanto, as anomalias magnéticas e de cargabilidade podem gerar falsos positivos, pois a magnetita também ocorre em zonas distais e estéreis. A resistividade se destaca como um vetor chave para mapear a mineralização e para a definição de alvos exploratórios. A análise detalhada das assinaturas petrofísicas permite diferenciar a zonação do envelope de alteração e permitiu delinear as porções distais, proximais e a zona mineralizada.

    A integração de dados geofísicos, petrofísicos e de mapeamento mineral aprimora a interpretação e pode ser aplicada tanto em escala regional quanto de depósito para identificar padrões estruturais e zonas de alteração hidrotermal, essenciais para o mapeamento de sistemas minerais do tipo IOCG no Cinturão Norte do Cobre. Este estudo propõe vetores exploratórios resumidos em dois guias. O primeiro destaca os principais vetores geofísicos, enquanto o segundo aborda os vetores petrofísicos. Esse resultado pode contribuir para aprimorar estratégias de exploração e reduzir riscos em contextos geológicos semelhantes.


  • Mostrar Abstract
  • Iron oxide copper-gold (IOCG) deposits present significant challenges due to their complex petrophysical characteristics and geophysical signatures. While many of these deposits were initially discovered using relatively simple exploration models, future exploration will require more advanced and robust approaches. In the Carajás Mineral Province, the complexity of IOCG deposits further challenges the development of an effective geophysical exploration model. To assist this challenge, this thesis focuses on characterizing the geophysical and petrophysical footprint of the Salobo IOCG deposit, with particular emphasis on its deeper portions, by integrating multisource and multiscale geophysical data with the physical properties of the rocks.

    To define the geophysical footprint, distinct geophysical signatures and anomalies associated with the mineralized zone of the Salobo deposit were identified and characterized. Various geoscientific datasets were used, including a) 500-m flight line spacing airborne magnetic and gamma-ray spectrometric data for mapping the regional signature of the deposit, b) higher resolution airborne gravity gradiometry, time-domain electromagnetic (TDEM), magnetic, and gamma-ray spectrometric data for district-scale mapping, and c) ground magnetic, gamma-ray spectrometric, fixed-loop time domain EM, and induced polarization (IP) data for deposit-scale mapping. Salobo shows significant magnetic, gravity gradiometry, TDEM, and IP signatures. At regional and district scales, the mineralization is associated with strong magnetic and gravity anomalies due to the high magnetic susceptibility of magnetite widespread Fe metasomatism in the granite host, which includes magnetite-rich alteration zones. Airborne and ground TDEM models detected the high-grade chalcocite-bornite zones. Prominent uranium and U/Th anomalies are observed in high-resolution gamma-ray spectrometric data. IP surveys indicate that resistivity is more effective in mapping the deposit than chargeability. Chargeability models show a much larger anomaly and appear to be influenced by 1.88 late-stage and barren alteration events.

    The petrophysical signature of the Salobo deposit reveals correlations between host rocks, hydrothermal alteration, and mineralization. The analysis of physical properties, such as density, magnetic susceptibility, resistivity, and chargeability, allows for the differentiation of distinct alteration zones. Host rocks exhibit low density, high resistivity, and minimal variation in other properties. In contrast, altered zones display significant changes, with increased density, magnetic susceptibility, and chargeability, indicating mineral enrichment. Iron-enriched and potassic-altered zones have high density and magnetic susceptibility due to the abundance of magnetite and sulfides. The contrast of resistivity in these areas suggests the presence of conductive minerals such as bornite, chalcocite, and chalcopyrite. Chargeability also increases, reflecting the dissemination of sulfides and magnetite. However, magnetic and chargeability anomalies can produce false positives, as magnetite also occurs in distal and barren zones. Thus, resistivity proves to be a more direct and reliable indicator of mineralization, making it a crucial factor in defining exploration targets. A detailed analysis of petrophysical signatures enables the distinction between mineralized zones and altered areas with no economic potential, optimizing mineral exploration efficiency.

    The integration of geophysical, petrophysical, and mineral mapping data enhances interpretation and can be applied at both regional and deposit scales to identify structural patterns and hydrothermal alteration zones, which are essential for mapping IOCG mineral systems in the Northern Copper Belt. This study proposes exploration vectors summarized in two guides. The first highlights the main geophysical vectors, while the second focuses on petrophysical vectors. These findings can contribute to improving exploration strategies and reducing risks in similar geological settings.

5
  • GIOVANNA ORLETTI DEL REY
  • Dinâmica oceânica na Elevação do Rio Grande: correlações com a formação de crostas ferromanganesíferas e feições sedimentares.

     
  • Orientador : LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CRISTIANO MAZUR CHIESSI
  • GUILHERME DE OLIVEIRA GONCALVES
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • MARCO IANNIRUBERTO
  • MILENE FREITAS FIGUEIREDO
  • Data: 25/04/2025

  • Mostrar Resumo
  •  A Elevação do Rio Grande (ERG) é uma feição topográfica oceânica de interesses estratégicos para o Brasil por razões econômicas e científicas, localizada no oeste do Atlântico Sul. As crostas ferromagnesíferas (Fe-Mn) presentes no topo da elevação destacam-se como o principal alvo dos estudos científicos devido a seu potencial econômico. Estas consistem em precipitados de óxido-hidróxido provenientes da água do mar cuja distribuição está diretamente relacionada à circulação oceânica. Neste sentido, esta pesquisa visou explorar a hidrodinâmica atual e pretérita da ERG, buscando compreender os atributos morfológicos de fundo marinho e as correlações com a distribuição dessas crostas. Primeiramente, foi abordado a interação entre a dinâmica de sedimentos e topografia na área da ERG. Esta análise revelou que as formas de leito observadas em cinco áreas distintas são o resultado da interação entre o substrato carbonático não consolidado e as correntes de fundo, particularmente o fluxo de maré M2, o principal constituinte semidiurno lunar. Além disso, a setorização ambiental dentro da ERG, impulsionada por variações nas velocidades de fundo relacionadas à interação fluxo-topografia, delineia áreas de deposição e não-deposição. Dados batimétricos revelam que as formas de leito estão presentes em zonas mais rasas, de menor energia de fluxo em que a deposição é favorecida, enquanto as crostas de Fe-Mn estão localizadas em áreas mais profundas, de maior energia de fluxo onde os sedimentos carbonáticos estão sendo transportados ou remobilizados. Além disso, as velocidades de fluxo nas áreas de crosta de Fe-Mn excedem as condições ótimas de fluxo para a precipitação e podem estar erodindo as crostas previamente formadas. A análise das morfologias de fundo marinho também serão abordadas nesta pesquisa de forma a aprofundar o entendimento sobre a hidrodinâmica local. Datações U-Pb em carbonatos incrustados em amostras de crostas de Fe-Mn revelaram idades de fósseis foraminíferos (Nummulites sp. e Discocyclina sp.) de 49,29 Ma e, em outra amostra, matriz carbonática de 26,54 Ma. Essas idades concordam com valores obtidos por datações indiretas observadas na literatura para crostas de Fe-Mn na ERG e possivelmente revelam duas etapas distintas de precipitação dessas crostas durante a história geológica da elevação.
     

  • Mostrar Abstract
  • The Rio Grande Rise (RGR) is an oceanic topographic feature of strategic interest to Brazil for both economic and scientific reasons, located in the western South Atlantic. The ferromanganese (Fe-Mn) crusts present at the summit of the rise stand out as the main focus of scientific studies due to their economic potential. These crusts consist of oxide-hydroxide precipitates from seawater, whose distribution is directly related to ocean circulation. In this context, this research aimed to explore the current and past hydrodynamics of the RGR, seeking to understand the seafloor morphological attributes and their correlations with the distribution of these Fe-Mn crusts. First, the interaction between sediment dynamics and topography in the RGR area was addressed. This analysis revealed that the bedforms observed in five distinct areas result from the interaction between the unconsolidated carbonate substrate and bottom currents, particularly the M2 tidal flow, the main lunar semidiurnal constituent. Furthermore, the environmental zoning within the RGR, driven by variations in bottom flow velocities related to flow-topography interaction, delineates areas of deposition and non-deposition. Bathymetric data reveal that bedforms are present in shallower, lower-energy flow zones where deposition is favored, while Fe-Mn crusts are located in deeper, higher-energy flow areas where carbonate sediments are being transported or remobilized. Moreover, flow velocities in the Fe-Mn crust areas exceed the optimal flow conditions for precipitation and may be eroding previously formed crusts. The analysis of seafloor morphologies will also be addressed in this research to deepen the understanding of local hydrodynamics. U-Pb dating of carbonates embedded in Fe-Mn crust samples revealed ages of foraminiferal fossils (Nummulites sp. and Discocyclina sp.) of 49.29 Ma, and in another sample, a carbonate matrix of 26.54 Ma. These ages are consistent with values obtained from indirect dating observed in the literature for Fe-Mn crusts in the RGR and possibly reveal two distinct stages of crust precipitation during the geological history of the rise.

     
6
  • CARLOS VINÍCIUS ALVES RIBEIRO
  • Dinâmica crustal Paleo-Mesoarqueana do Maciço São José do Campestre, nordeste do Brasil

  • Orientador : ELTON LUIZ DANTAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • ALANIELSON DA CAMARA DANTAS FERREIRA
  • GEORGE LUIZ LUVIZOTTO
  • RAFAEL GONÇALVES DA MOTTA
  • Data: 25/06/2025

  • Mostrar Resumo
  • O Maciço de São José do Campestre, no nordeste do Brasil, representa um dos fragmentos mais antigos de crosta continental da América do Sul. Rochas supracrustais, principalmente paragnaisses migmatíticos, são frequentes neste embasamento, embora careçam de uma caracterização adequada. Neste trabalho, a sua idade de deposição foi investigada, bem como a idade e as condições de eventos metamórficos posteriores, com base em uma ampla gama de técnicas analíticas e de modelagem. A partir de datações U Pb em zircão, foi possível estabelecer uma idade máxima de deposição de 3305 ± 16 Ma, com metamorfismo de alta temperatura entre 3,08 e 3,00 Ga. Modelagem termodinâmica indica um trajetória P-T no sentido horário, com uma etapa de aquecimento-exumação em condições de ultra-alta temperatura (>900 ºC a 0,6 GPa). A cronometria de difusão revela um evento UHT de curta duração (< 4 Ma), seguido por resfriamento e exumação para fácies anfibolito sob rápidas taxas (>100 ºC/Ma e >3 km/Ma). O metamorfismo de alta temperatura culminou na fusão parcial destas rochas por desidratação de muscovita e biotita, com datação U-Pb em zircão dos leucossomas indicando uma idade de cristalização de 3065 ± 7 Ma. Modelagem de difusão de elementos traços no magma indica que o magma interagiu por menos de 53 kyr com o resíduo antes da extração. A evolução metamórfica mesoarqueana do Maciço de São José do Campestre se correlaciona com eventos semelhantes em vários crátons arqueanos, incluindo os crátons Kaapvaal, Dharwar e São Francisco. Esses eventos estão associados com a formação do supercontinente mais antigo da Terra, denominado Ur. Reconstruções paleogeográficas sustentam a existência de um grande orógeno mesoarqueano no núcleo do supercontinente. Um anfibolito intrusivo dentro do pacote sedimentar definiu uma idade de cristalização de 2522 ± 22 Ma. Todas essas amostras investigadas registram modificação isotópica do zircão durante o Paleoproterozóico e o Neoproterozóico em condições de temperatura mais baixas. A datação de zircão por Raman indica uma exumação Cambriano-Carbonífera para essas rochas, que se alinham com idades de interceptos inferiores, demonstrando a utilidade do zircão metamítico para determinar a idade de eventos de baixa temperatura. Coletivamente, os resultados são consistentes com o funcionamento da tectônica de placas desde, pelo menos, o Mesoarqueano.


  • Mostrar Abstract
  • The São José do Campestre Massif, in northeastern Brazil, represents one of the oldest fragments of continental crust in South America. Supracrustal rocks, mostly migmatitic paragneisses, are frequent within the basement, although lacking a proper characterization. In this work, the timing of their deposition was investigated, as well as the timing and conditions of metamorphic overprint based on a wide range of analytical and modelling techniques. U-Pb in zircon dating yield a maximum depositional age of 3305 ± 16 Ma for these rocks, with metamorphic overprint between 3.08 – 3.00 Ga. Thermodynamic investigation indicates a clockwise P-T path, with a heating-exhumation step into ultra-high temperature conditions (>900 ºC at 0.6 GPa). Diffusion chronometry reveals a short-lived UHT event (< 4 Ma), followed by cooling and exhumation into amphibolite facies at fast rates (>100 ºC/Ma and >3 km/Ma). High temperature metamorphism led to muscovite and biotite dehydration melting, with U-Pb in zircon dating of the leucosomes indicating a crystallization age of 3065 ± 7 Ma. Diffusion of trace elements in the melt indicates that the melt interacted for less than 53 kyr with the residuum before extraction. The Mesoarchean metamorphic evolution of the São José do Campestre Massif correlates with similar events in several Archean cratons, including the Kaapvaal, Dharwar and São Francisco cratons. These events correlate with the formation of the oldest supercontinent on Earth, named Ur. Paleogeographic reconstructions support the existence of a large Mesoarchean orogen in the core of the supercontinent. An amphibolite intrusive within the sedimentary package yields a crystallization age of 2522 ± 22 Ma. All these investigated samples record metamorphic overprint during the Paleoproterozoic and Neoproterozoic at lower temperature conditions. Zircon Raman dating indicates a Cambrian to Carboniferous exhumation for these rocks, which align with lower intercept ages, demonstrating the usefulness of metamict zircon to constrain low temperature events. Collectively, the results are consistent with the operation of plate tectonics since, at least, the Mesoarchean.    
7
  • PEDRO VICTOR FREIRE DE SOUZA ALVES
  • Caracterização e evolução metalogenética das mineralizações auríferas nos prospectos Rosa de Maio, Bandeirantes e Maués, Província Mineral do Tapajós, sudeste do estado do Amazonas

  • Orientador : NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CAETANO JULIANI
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • JOSE CARLOS FRANTZ
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • Data: 18/07/2025

  • Mostrar Resumo
  • A Província Mineral do Tapajós (PMT) hospeda diversos depósitos de Au(- Cu-Mo) na porção centro-sul do Cráton Amazônico (norte do Brasil), alguns dos quais são reconhecidos como parte de sistemas do tipo pórfiro-epitermal, associados tanto ao magmatismo de arco da sequência magmática mais antiga (older magmatic sequence, 2,0–1,95 Ga) quanto ao magmatismo pós-colisional a anorogênico da sequência magmática mais jovem (younger magmatic sequence, 1,90–1,86 Ga), que inclui a Suíte Parauari (PAR, 1,89–1,87 Ga). Os depósitos auríferos Rosa de Maio, Bandeirantes e Maués, que são associados à PAR, possuem evolução magmático-hidrotermal e fertilidade em ouro ainda pouco estudadas. Neste estudo, investigamos esse magmatismo fértil e apresentamos novos dados de litogeoquímica, química mineral, espectroscopia Mössbauer em biotita, geocronologia U-Pb em zircão e monazita, geocronologia Ar-Ar em muscovita, além de dados isotópicos de Sm-Nd e enxofre de minérios e rochas hospedeiras. Cristalização fracionada teve papel fundamental na evolução magmática das rochas hospedeiras, que se diferenciaram de magmas parentais tonalíticos/granodioríticos para magmas monzo-/sienograníticos com biotita e sienograníticos/álcali-feldspato graníticos com muscovita. As razões Fe³⁺/Fe²⁺ estimadas por espectroscopia Mössbauer em biotita magmática indicam condições de fugacidade de oxigênio acima do buffer NNO. A intrusão dos plútons Bandeirantes e Rosa de Maio se deu por volta de 1907 Ma e 1890 Ma, respectivamente, em um contexto tardi- a pós-colisional, após um período de magmatismo de arco controlado por subducção. Dados isotópicos de neodímio revelam que as fontes do Granito Rosa de Maio (GRM) envolvem contribuições tanto de material juvenil quanto de rochas crustais do embasamento. Saturação magmática em sulfetos, um possível fator controlando as baixas razões Cu/Au, pode ter sido um fator de primeira ordem sobre a fertilidade aurífera do GRM. A evolução hidrotermal do depósito Rosa de Maio é representada pela seguinte sequência de estágios de alteração hidrotermal: sódica, potássica, propilítica, sericítica e silicificação. A mineralização aurífera está associada à alteração sericítica fissural a pervasiva e às zonas de silicificação essencialmente fissurais, ocorrendo em veios de quartzo-sericita ricos em sulfeto e quartzo-sulfeto, bem como disseminada nas zonas alteradas. Nas paragêneses sericíticas e de silicificação, o ouro está espacialmente associado a sulfetos, predominantemente pirita. Dados geoquímicos de rocha total revelam correlação positiva entre Au e Fe, Cu, Bi, As e Pb. Muscovita proveniente de um veio de quartzo relacionado ao estágio de silicificação forneceu uma idade de plateau 40Ar/39Ar de 1808,3 ± 7,1 Ma, interpretada como idade de resfriamento do sistema magmático-hidrotermal ou como resultado de um reequilíbrio isotópico causado por um evento térmico mais jovem. Análises isotópicas de enxofre em pirita de alteração sericítica e silicificação apresentaram valores de δ34S entre +0,5 e +1,3‰, interpretados como indicativos de uma fonte de enxofre predominantemente magmática. O ouro no sistema hidrotermal foi transportado provavelmente na forma de complexos sulfetados, e a sulfetação de minerais portadores de Fe nas rochas hospedeiras causou a coprecipitação de ouro e sulfetos (principalmente pirita). Embora o depósito Rosa de Maio compartilhe algumas características com sistemas do tipo intrusion-related, interpretamos que ele está mais associado a depósitos do estilo pórfiro ricos em ouro.


  • Mostrar Abstract
  • The Tapajós Mineral Province (TMP) hosts multiple Au(-Cu-Mo) deposits in the southern-central Amazonian Craton (northern Brazil), some recognized as part of porphyry-epithermal systems, associated with either the arc magmatism of the older magmatic sequence (2.0-1.95 Ga) or the post-collisional to earlyanorogenic magmatism of the younger magmatic sequence (1.90-1.86 Ga), which includes the Parauari Suite (PAR, 1.89-1.87 Ga). The Rosa de Maio, Bandeirantes, and Maués are gold deposits associated with the PAR, whose magmatic-hydrothermal evolution and Au fertility remain poorly constrained. In this study, we investigate this fertile magmatism and present new lithogeochemistry, mineral chemistry, Mössbauer spectroscopy on biotite, zircon and monazite U-Pb dating, muscovite Ar-Ar dating, as well as Sm-Nd and sulfur isotope data of both the ore and host rocks. Fractional crystallization played a major role in the magmatic evolution of host rocks, differentiating from tonalitic/granodioritic parental magmas to biotite monzo-/syenogranitic and muscovite syeno-/alkali feldspar granitic magmas. Ferric/ferrous iron ratios estimated by Mössbauer spectroscopy on magmatic biotite indicate oxygen fugacity conditions above the NNO buffer. The Bandeirantes intrusion and the Rosa de Maio Granite (RMG) were emplaced at ca. 1907 Ma and 1890 Ma, respectively, in a late- to post-collisional setting, following a period of subductioncontrolled arc magmatism. Neodymium isotope data reveal that the sources of the RMG involve contributions from both juvenile material and crustal rocks from the basement. Magmatic sulfide saturation, a potential factor controlling low Cu/Au ratios, may have been a first-order control on the Au fertility of the RMG. The hydrothermal evolution of the Rosa de Maio deposit is represented by the following sequence of hydrothermal alteration stages: sodic, potassic, propylitic, sericitic, and silicification. Gold mineralization is associated with fissural to pervasive sericitic alteration and essentially fissural silicification zones, occurring in sulfide-rich quartz-sericite and quartz-sulfide veins, as well as disseminated in altered wallzones. In both sericitic and silicification assemblages, gold is spatially associated with sulfides, predominantly pyrite. Whole-rock geochemical data reveal a positive correlation between Au and Fe, Cu, Bi, As, and Pb. Muscovite from a quartz vein related to the silicification stage yielded a 40Ar/39Ar plateau age of 1808.3 ± 7.1 Ma, interpreted either as a cooling age of the magmatichydrothermal system or as the result of isotopic resetting by a younger thermal event. Sulfur isotope analyses of pyrite from the sericitic and silicification stages yielded δ34S values between +0.5 and +1.3‰, interpreted as indicative of a predominantly magmatic sulfur source. We suggest that gold was likely transported as bisulfide complexes and that sulfidation of Fe-bearing minerals in the host rocks caused the co-precipitation of gold and sulfides (mostly pyrite). Although the Rosa de Maio deposit shares some similarities with intrusion-related gold systems, we interpret it to be more closely associated with Au-rich porphyrystyle deposits.

8
  • André Mateus Valentim Alvim
  • Caracterização de parâmetros paleoambientais e proveniência sedimentar utilizando traçadores geoquímicos e isotópicos: estudos nasbacias do Acre e do Araripe

  • Orientador : ROBERTO VENTURA SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GERSON FAUTH
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • MARTINO GIORGIONI
  • MILENE FREITAS FIGUEIREDO
  • ROBERTO VENTURA SANTOS
  • Data: 21/08/2025

  • Mostrar Resumo
  • Bacias sedimentares continentais, sejam mais dinâmicas como as de antepaís ou mais estáveis como as intracratônicas, comumente apresentam mudanças de paleoambientes e condições deposicionais, e por vezes de fontes sedimentares, ao longo da sua história. No que tange a investigação de mudanças paleoambientais,
    além da análise sedimentológica e fossilífera, os métodos de análises geoquímicas e isotópicas multi-elementares também são úteis, pois auxiliam na identificação de mudanças em parâmetros físico-químicos paleoambientais (paleosalinidade, condições redox) durante a deposição sedimentar. Por outro lado, quanto à
    proveniência, análises geoquímicas e geocronológicas com zircões detríticos são as mais utilizadas para a averiguação de mudanças das fontes dos sedimentos. Sendo assim, o presente trabalho visa demonstrar o comportamento de parâmetros geoquímicos (Hg, TOC, elementos maiores e traços) e isotópicos (δ13Corg, δ13Ccarb, δ18Ocarb e 87Sr/86Sr) em folhelhos negros e carbonatos da Formação Romualdo (Bacia do Araripe) e siltitos/argilitos e carbonatos da Formação Solimões (Bacia do Acre), unidades em que trabalhos prévios apontam a associação de incursões marinhas e mudanças nas condições deposicionais. Além disso, utilizou-se tanto dados geoquímicos (87Sr/86Sr e εNd) e geocronológicos (datação pelo método U-Pb em zircão) no estudo da proveniência sedimentar dessas unidades geológicas. Como resultado, os dados isotópicos da Formação Romualdo indicam que a parte basal da sequência de folhelhos negros foi depositada em um ambiente anóxico-euxínico (contendo um breve momento de deposição de sedimentos vulcânicos), provavelmente correspondentes ao evento anóxico global OEA-1b (Aptiano-Albiano). Entretanto, as partes superiores dos folhelhos possuem caráter redox subóxico a disóxico predominantemente. Em termos de proveniência sedimentar, rochas paleo- a neoproterozóicas de terrenos da Província Borborema a norte e a leste da bacia são as principais fontes. Na Bacia do Acre, os dados isotópicos da Formação Solimões
    apontam para uma sedimentação continental fluvio-lacustre, sem evidências de influência de água marinha, assim como alguns trabalhos prévios afirmavam. Além disso, as datações absolutas pelo método U-Pb e elementos traço e ETR em zircões indicam mudança entre um domínio da contribuição de rochas-fonte cratônicas (Mioceno Inferior a Médio) para um domínio de fontes andinas (Mioceno Superior) durante a deposição da Formação Solimões.

     


  • Mostrar Abstract
  • Continental sedimentary basins, whether more dynamic or more stable, commonly experience changes in paleoenvironmental conditions and in sedimentary provenance signatures throughout their evolution. Besides sedimentological and fossil analysis, the investigation regarding shifts in paleoenvironmental conditions can also be made using geochemical and multi-element isotopic methods. These techniques are useful to identify changes in physicochemical parameters (i.e., paleosalinity, redox conditions) during sedimentary deposition. On the other hand, changes in sediment sources are usually observed using geochemical and absolute geochronological U-Pb detrital zircon methods. Therefore, the present work aims to demonstrate the behavior of geochemical (Hg, TOC, major and trace elements) and isotopic (δ13Corg, δ13Ccarb, δ18Ocarb e 87Sr/86Sr) parameters in black shales and limestones of the Romualdo Formation (Araripe Basin) and siltstones/mudstones and limestones of the Solimões Formation (Acre Basin), geologic units in which previous work indicates the association of marine incursions and changes in depositional conditions. Furthermore, geochemical (87Sr/86Sr and εNd) and geochronological (U-Pb zircon dating) data were used to evaluate shifts in the rock sources for these units. As a result, isotopic data from the Romualdo Formation indicates that the basal part of the black shale sequence was deposited in an anoxic-euxinic environment (containing a brief period of volcanic sediment deposition), likely corresponding to the global anoxic event OAS-1b (Aptian- Albian). However, the upper parts of the shale interval were deposited under predominantly suboxic to dysoxic redox conditions. In terms of sediment provenance, Paleo- to Neoproterozoic rocks from the Borborema Province terranes to the north and east of the basin are the main rock sources. In the Acre Basin, isotopic data from the Solimões Formation indicate continental fluvial-lacustrine sedimentation, with no evidence of marine water influence. Furthermore, DZ U-Pb dating and trace-REE data indicate a shift from a period of predominance of cratonic sources (Early to Middle Miocene) to a period of dominance of Andean sources (Late Miocene) during deposition of the Solimões Formation.

     

9
  • FLAVIA SIBELE FOLTRAN FIALHO
  • Revisão taxonômica, sistemática e paleoecológica dos Gonorynchiformes e outros fósseis de vertebrados associados da Formação Quiricó, Grupo Areado, Cretáceo Inferior, Bacia Sanfranciscana, Brasil

  • Orientador : DERMEVAL APARECIDO DO CARMO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • PAULO HENRIQUE FRANCO LUCINDA
  • GEORGE MENDES TALIAFERRO MATTOX
  • EDUARDO BESSA PEREIRA DA SILVA
  • RICARDO LOURENCO PINTO
  • RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • Data: 27/08/2025

  • Mostrar Resumo
  • A Formação Quiricó, integrante da Bacia Sanfranciscana, configura-se como um importante “parque paleontológico” brasileiro, cujo interesse científico tem crescido significativamente nas últimas décadas em função da sua notável diversidade fossilífera. Entre os registros mais expressivos destacam-se plantas, ostracodes, crocodiliformes, dinossauros, pterossauros e, de forma predominante, o peixe Gonorynchiformes Francischanos moraesi. Esta tese está organizada em quatro capítulos. O primeiro apresenta uma introdução geral ao contexto geológico, paleontológico e histórico dos estudos na Formação Quiricó. O segundo capítulo descreve detalhadamente a anatomia de F. moraesi, complementando informações já publicadas desde sua descrição original e revisões posteriores, com novos dados sobre ontogenia e estruturas anatômicas até então inéditos. Também foi reavaliada a posição filogenética da espécie, empregando diferentes metodologias para identificar possíveis inconsistências nas análises anteriores e interpretações morfológicas. O terceiro capítulo concentra-se na caracterização tafonômica, descrição petrográfica e interpretação paleoecológica de exemplares provenientes de folhelhos papiráceos da Fazenda São José. Foram realizadas análises de lâminas petrográficas, microtomografia computadorizada de alta resolução e espectroscopia de quebra induzida por laser (LIBS). Os resultados indicaram que F. moraesi provavelmente se alimentava de insetos, fornecendo subsídios para reconstruir o ambiente lacustre de baixa energia que caracterizou o Aptiano na região. Por fim, o quarto capítulo descreve todos os fósseis associados ao mesmo nível estratigráfico dos folhelhos estudados, incluindo um dente de pterossauro Ornithocheiriformes, ocorrência inétida para essa unidade geológica. Este material foi objeto de um artigo já aceito para publicação nos Anais da Academia Brasileira de Ciências (Annals of the Brazilian Academy of Sciences), enquanto os demais manuscritos resultantes desta pesquisa serão submetidos após a defesa desta tese. Este estudo amplia significativamente o conhecimento sobre anatomia, sistemática, tafonomia e paleoecologia de Gonorynchiformes, com destaque para F. moraesi, e dos depósitos lacustres da Formação Quiricó, contribuindo para a compreensão das interações entre organismos, processos de fossilização e condições paleoambientais do Cretáceo Inferior, reforçando o papel desta unidade como um dos mais relevantes registros fossilíferos lacustres da América do Sul.


  • Mostrar Abstract
  • The Quiricó Formation, part of the Sanfranciscana Basin, represents an important Brazilian “paleontological park”, whose scientific relevance has grown substantially in recent decades due to its remarkable fossil diversity. Among the most significant records are plants, ostracods, crocodyliforms, dinosaurs, pterosaurs, and, predominantly, the gonorynchiform fish Francischanos moraesi. This thesis is organized into four chapters. The first provides a general introduction to the geological, paleontological, and historical background of studies in the Quiricó Formation. The second chapter presents a detailed anatomical description of F. moraesi, complementing previously published information since its originais description in 1955 and subsequent studies with new, unpublished data on its ontogeny and anatomical structures. The species’ phylogenetic relationships were also reassessed using different methodologies to identify potential inconsistencies in earlier analyses and morphological interpretations. The third chapter focuses on the taphonomic characterization, petrographic description, and paleoecological interpretation of specimens from the papyraceous shales of Fazenda São José. Petrographic thin-section analysis, high-resolution computed microtomography, and Laser-Induced Breakdown Spectroscopy (LIBS) were employed. The findings indicate that F. moraesi likely fed on insects, providing a basis for reconstructing the low-energy lacustrine environment that prevailed in the Aptian. Finally, the fourth chapter describes all fossils associated with the same stratigraphic level of the studied shales, including a tooth of an Ornithocheiriform pterosaur collected during fieldwork. This specimen was the subject of a paper already accepted for publication in the Annals of the Brazilian Academy of Sciences, while the remaining manuscripts resulting from this research will be submitted after the defense of this thesis. This study significantly advances knowledge on the anatomy, systematics, taphonomy, and paleoecology of Gonorynchiformes, particularly F. moraesi, and of the lacustrine deposits of the Quiricó Formation, contributing to the understanding of organismal interactions, fossilization processes, and paleoenvironmental conditions of the Lower Cretaceous, reinforcing the role of this unit as one of the most important lacustrine fossil records in South America

10
  • RENATO BORGES BERNARDES
  • Geological and morphostructural analysis of the Araguainha impact structure, Brazil

  • Orientador : WOLF UWE REIMOLD
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELDER YOKOYAMA
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • JOHN SPRAY
  • LUTZ HECHT
  • WOLF UWE REIMOLD
  • Data: 27/10/2025

  • Mostrar Resumo
  • The Araguainha impact structure (AIS) is the ~40-km-wide erosional remnant of South America's largest confirmed impact structure. It was formed in a mixed crystalline-sedimentary target in the north-northwest part of the Paraná Basin, Central-West Brazil, at 252–259 Ma. Geological and structural mapping, especially the analysis of new, extensive exposures from roadworks on the MT-100 state road in and around the AIS, has been conducted. Combined with a multi-methodological investigation using airborne geophysics, remote sensing, lineament analysis, and modeling of the (apparent) crater rim trace shape, this has provided an updated geological map, expanded the structural inventory, and allowed the investigation of the influence of the preexisting regional structural framework on the development of the first-order morphostructure of the AIS. The formation of the most prominent morphological and structural features in the different sections – i.e., outer rim region, intermediate section, and central uplift – of the AIS is associated with the excavation and modification stages of cratering. Large, fault-bounded blocks dominate the outer domains of the AIS, with the Passa Dois Group Blocks (PDGBs) in the outer rim region resembling gravity-driven complex slumps. The AIS is unlikely to be of the peak-ring type, as previously suggested. The northern core of the central uplift can be divided into a structurally diverse megablock zone, with rare injections of impact melt rock and occurrences of at least three types of impact breccia (suevite and polymict lithic breccia), which in turn overlies a seemingly coherent but folded and faulted crater floor formed by (meta)sedimentary basement. The AIS and its central uplift, the latter of which may be up to ~20 km wide, are (structurally) asymmetric features. The development of the structure’s morphostructural asymmetry was fundamentally controlled by the pre-impact anisotropy of the target. A contribution from oblique impact to the observed asymmetry, however, cannot be ruled out. The preexisting structural fabric of the target is primarily characterized by lineaments prominently trending in the NE-SW and NW-SE directions, which can be linked principally to structures related to the Paraguay Belt and, to a lesser extent, the Transbrasiliano Lineament beneath the NNW Paraná Basin. This pre-impact structuration of the target yielded an apparent rim trace shape that is not circular, but best represented by an irregular nine-sided polygon (enneagon). Therefore, the AIS is recognized as the eroded remnant of a polygonal impact crater. These results highlight new aspects of the intricate processes involved in the formation of large, complex impact structures in heterogeneous targets, such as the importance of the anisotropic features of the target – including layering and/or fractures and faults – in shaping the main morphostructural aspects of these structures.


  • Mostrar Abstract
  • A estrutura de impacto Araguainha (AIS) é o remanescente erosional de ~40 km de diâmetro da maior estrutura de impacto confirmada da América do Sul. A AIS foi formada em um alvo misto cristalino-sedimentar na porção norte-noroeste da Bacia do Paraná, Centro-Oeste do Brasil, entre 252–259 Ma. Foi realizado mapeamento geológico-estrutural, com especial destaque para a análise de novos e extensos afloramentos expostos por obras na rodovia estadual MT-100, dentro e ao redor da AIS. Combinado com uma investigação multimétodológica que empregou geofísica aerotransportada, sensoriamento remoto, análise de lineamentos e modelagem da forma aparente do traçado do contorno da estrutura, isso proporcionou um mapa geológico atualizado, ampliou o inventário estrutural e permitiu a investigação da influência do arcabouço estrutural regional preexistente no desenvolvimento da morfoestrutura de primeira ordem da AIS. A formação das feições morfológicas e estruturais mais proeminentes nas diferentes seções – região da borda externa, seção intermediária e soerguimento central – da AIS está associada aos estágios de escavação e de modificação do processo de craterização. Grandes blocos delimitados por falhas dominam os domínios externos da AIS, com os Blocos do Grupo Passa Dois (PDGBs) na região da borda externa se assemelhando a deslizamentos complexos mobilizados pela gravidade. É improvável que a AIS seja uma estrutura do tipo peak-ring, como sugerido anteriormente. O núcleo norte do soerguimento central pode ser dividido em uma zona de megablocos estruturalmente diversa, com raras injeções de rocha de fusão por impacto e ocorrências de pelo menos três tipos de brechas de impacto, incluindo suevito e brecha lítica polimítica, que por sua vez recobrem um piso de cratera aparentemente coerente, porém dobrado e falhado, formado por embasamento (meta)sedimentar. A AIS e seu soerguimento central, este último podendo atingir cerca de 20 km de largura, são feições (estruturalmente) assimétricas. O desenvolvimento da assimetria morfoestrutural da estrutura foi fundamentalmente controlado pela anisotropia pré-impacto do alvo. No entanto, não se pode excluir uma contribuição de impacto oblíquo para a assimetria observada. O arcabouço estrutural pré-existente do alvo é caracterizado principalmente por lineamentos proeminentes com orientação NE–SW e NW–SE, que podem ser vinculados sobretudo a estruturas relacionadas à Faixa Paraguai e, em menor grau, ao Lineamento Transbrasiliano sob a porção NNW da Bacia do Paraná. Essa estruturação pré‑impacto do alvo resultou em um traçado aparente da borda da estrutura que não é circular, sendo esse melhor representado por um eneágono irregular. Portanto, a AIS é reconhecida como o remanescente erosional de uma cratera de impacto poligonal. Esses resultados destacam novos aspectos dos intrincados processos envolvidos na formação de grandes estruturas de impacto complexas em alvos heterogêneos, como a importância das feições anisotrópicas do alvo – incluindo estratificação e/ou fraturas e falhas – no condicionamento dos principais aspectos morfoestruturais dessas estruturas.

11
  • Gabriel Ribeiro Moizinho
  • Evolução tectônica, intempérica e climática da Bacia Amazônica durante o Cenozóico Superior

  • Orientador : ROBERTO VENTURA SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARINA RABINEAU
  • NATHALIE VIGIER
  • GERMAIN BAYON
  • CRISTIANO MAZUR CHIESSI
  • EMMANUELLE PUCEAT
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • MARTIN BERNARD RODDAZ
  • NATALIA HAUSER
  • ROBERTO VENTURA SANTOS
  • Data: 12/12/2025

  • Mostrar Resumo
  • A Bacia Amazônica, o maior sistema fluvial da Terra, desempenha um papel fundamental na regulação dos fluxos globais de sedimentos, nos ciclos biogeoquímicos e no clima a longo prazo. No entanto, o exato momento e os mecanismos por trás de sua integração transcontinental, bem como as interações entre tectonismo, clima e intemperismo, permanecem incompletamente compreendidos. Esta tese aplica um conjunto de traçadores geoquímicos, incluindo padrões de elementos terras raras (ETR) e isótopos de neodímio (Nd) em frações pareadas de argilas e Fe-(oxi-hidróxidos) (FeOOH), juntamente com isótopos de háfnio (Hf) em argilas detríticas, tanto em sedimentos fluviais modernos quanto em um registro de 4800 metros do delta submarino do Amazonas. O objetivo principal é reconstruir a evolução do transporte sedimentar, do intemperismo e do ciclo do carbono ao longo do Cenozoico superior na maior bacia tropical do planeta. Primeiro, o trabalho de calibração com sedimentos modernos coletados durante a expedição AMANAUS 2023 demonstra que as frações de argila e FeOOH registram aspectos complementares do intemperismo continental. As diferenças isotópicas de Nd entre essas fases (ΔεNd) constituem um traçador sensível capaz de distinguir o intemperismo de silicatos daquele de rochas sedimentares, enquanto os padrões de distribuição dos ETR permitem identificar os diferentes processos de formação das fases de FeOOH transportadas pelos rios, seja como precipitados secundários formados durante o intemperismo de silicatos, produtos oxidativos do intemperismo de pirita ou FeOOH marinho antigo retrabalhado pela erosão. Esses resultados validam o uso combinado de proxies das frações argilosas e FeOOH para distinguir o intemperismo de silicatos, que sequestra CO₂ atmosférico, do intemperismo de rochas sedimentares, que pode ser uma fonte de CO₂ para a atmosfera. Um novo modelo de idade ajustado astronomicamente estende o registro do Leque Amazônico até ~24 Ma, fornecendo a resolução temporal necessária para vincular processos continentais a mudanças globais de clima e nível do mar. As taxas de sedimentação permaneceram baixas durante o Mioceno Tardio, apesar do aumento do soerguimento andino e da precipitação, sugerindo um armazenamento significativo de sedimentos em bacias continentais. Em contraste, o Plioceno inferior testemunhou um aumento de uma ordem de magnitude nas taxas de acumulação, sincrônico com o aumento do nível do mar e com a intensificação das chuvas na porção norte da América do Sul. Os isótopos de Nd das argilas revelam uma evolução em etapas da integração da drenagem: exportação andina inicial em ~12 Ma, captura progressiva das cabeceiras andinas centrais entre 7–4 Ma e estabilização em um sistema duplo Solimões–Madeira após 4 Ma. Nossos proxies também registram uma contribuição persistente de FeOOH derivado do intemperismo oxidativo de folhelhos negros até ~4,5 Ma, após o que as assinaturas de FeOOH e os isótopos de Hf indicam uma transição para um intemperismo predominantemente de silicatos sob condições quentes e úmidas do Plioceno, intensificando a remoção de CO₂ atmosférico. Em conjunto, esses resultados refinam a cronologia da integração do rio Amazonas, revelam o duplo papel da bacia no ciclo do CO₂ e estabelecem o Leque Amazônico como um arquivo singular para investigar a evolução acoplada entre tectonismo, intemperismo e clima. Mais amplamente, esta tese destaca a importância dos processos de intemperismo sob as condições tropicais do sistema fonte-depósito Andes–Amazônia no ciclo do carbono em longo prazo e oferece novas abordagens metodológicas para aplicações globais.


  • Mostrar Abstract
  • The Amazon Basin, the largest fluvial system on Earth, plays a fundamental role in regulating global sediment fluxes, biogeochemical cycles, and long-term climate. Yet, the timing and mechanisms behind its transcontinental integration, and the interplay between tectonics, climate, and weathering, remain incompletely resolved. This thesis applies a suite of geochemical tracers, including rare earth element (REE) patterns and neodymium (Nd) isotopes in paired clay and Fe-(oxyhydr)oxide (FeOOH) fractions, together with hafnium (Hf) isotopes in detrital clays, to both modern river sediments and a 4,800-m-long record from the Amazon Fan. The overarching goal is to reconstruct the late Cenozoic evolution of sediment routing, weathering, and carbon cycling across the world’s largest tropical basin. Calibration work on modern sediments collected during the 2023 AMANAUS cruise demonstrates that clays and FeOOH fractions record complementary aspects of continental weathering. Nd isotopic offsets between these phases (ΔεNd) serve as a sensitive tracer for distinguishing silicate from sedimentary rock weathering, while REE distribution patterns effectively identify the formation pathways of FeOOH phases transported by rivers, whether as secondary precipitates produced during silicate weathering, as oxidative products of pyrite weathering, or as ancient marine FeOOH reworked during erosion. These results validate the combined use of clay and FeOOH proxies to disentangle silicate weathering, a net sink of atmospheric CO₂, from sedimentary rock weathering, which can release CO₂ to the atmosphere. A new astronomically tuned age model extends the Amazon Fan record back to ~24 Ma, providing the temporal resolution needed to link continental processes to global climate and sea-level changes. Sedimentation rates remained low during the Late Miocene despite intensified Andean uplift and precipitation, suggesting substantial sediment storage within continental basins. In contrast, the Early Pliocene witnessed an order-of-magnitude increase in accumulation rates, synchronous with global sea-level rise and enhanced precipitation. Clay Nd isotopes reveal a stepwise evolution of drainage integration: initial Andean export at ~12 Ma, progressive capture of central Andean headwaters between 7–4 Ma, and stabilization into a dual Solimões–Madeira system after 4 Ma. Our proxies further record a persistent FeOOH contribution derived from oxidative weathering of black shales until ~4.5 Ma, after which FeOOH signatures and Hf isotopes indicate a shift toward more silicate-derived weathering under warm and humid Pliocene conditions, intensifying CO₂ drawdown. Together, these findings refine the timing of Amazon River integration, reveal the dual CO₂ role of the basin, and establish the Amazon Fan as a unique archive for exploring the coupled evolution of tectonics, weathering, and climate. More broadly, this thesis highlights the importance of weathering processes under the tropical conditions of the Andes-Amazon source-to-sink system on the long-term carbon cycle and offers new methodological frameworks for global application.

12
  • Guilherme Manno Penna Crepaldi Affonso
  • Estudo do Manto Superior sob o Brasil com Tomografia Sísmica de Múltiplas Frequências utilizando Inversão Conjunta de Resíduos Relativos e Anomalias de Amplitude

  • Orientador : MARCELO PERES ROCHA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CINTIA ROCHA DA TRINDADE
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • LUIS GUSTAVO FERREIRA VIEGAS
  • MARCELO PERES ROCHA
  • MARCELO SOUSA DE ASSUMPÇÃO
  • Data: 12/12/2025

  • Mostrar Resumo
  • Apresentamos três modelos tomográficos derivados da inversão de resíduos de tempo de percurso obtidos por meio do processamento de sismogramas de banda larga utilizando o método de Tomografia Sísmica de Múltiplas Frequências (MFST). Os sismogramas foram registrados por estações sismográficas de banda larga operando no Brasil e em outros países da América do Sul. O primeiro estudo incluiu dados até 10/08/2023 e concentrou-se na região nordeste do Brasil. O modelo revela três anomalias de alta velocidade sob a Bacia do Parnaíba, interpretadas como núcleos cratônicos: os blocos Parnaíba e Granja e o Cráton São Luís. O modelo também revela uma anomalia de alta velocidade associada ao Cráton do São Francisco (CSF) que se estende para noroeste sob a porção sudeste da Bacia do Parnaíba. Uma anomalia de baixa velocidade ao norte do CSF é interpretada como resultado do afinamento litosférico associado à Província Borborema e da anomalia térmica causada pelo conduto lateral de uma pluma, o que explicaria o magmatismo assíncrono na província. Esses achados são corroborados por modelos sintéticos que incluem a estrutura cratônica da região. O segundo estudo incluiu dados até 31/07/2024 e teve como foco a área do CSF e cinturões móveis adjacentes. O modelo revela uma anomalia de alta velocidade que se estende além dos limites clássicos do CSF, especificamente para as regiões norte, noroeste e oeste. Essa anomalia é interpretada como o Bloco Paleocontinental São Francisco, um precursor do CSF que sofreu intenso retrabalhamento crustal em suas bordas durante o Neoproterozoico, resultando na sua redução ao cráton mais estável atual. Observamos também uma anomalia profunda de alta velocidade sob o Cinturão Araçuaí, inclinada para sudeste. Essa anomalia é consistente com litosfera oceânica gerada durante a formação da Bacia Macaúbas e posteriormente subduzida durante a formação do Orógeno Araçuaí–Congo Ocidental, com a anomalia de alta velocidade indicando a presença da placa subductada sob o cinturão. Também observamos uma anomalia de baixa velocidade dentro dos limites do CSF, na porção sul da ponte Bahia–Gabão, interpretada como uma anomalia térmica associada à ação de uma pluma. O terceiro estudo está localizado na Província Mineral de Carajás (PMC) e incluiu dados da rede 7A. Essa rede é composta por 30 estações de banda larga instaladas em uma área pequena, resultando em uma amostragem extremamente detalhada das estruturas. O estudo compara os resultados obtidos por duas abordagens complementares de tomografia sísmica de ondas de corpo: tomografia de tempo de percurso com ondas P e Tomografia Sísmica de Múltiplas Frequências. Os modelos revelam uma anomalia de baixa velocidade que separa a PMC do Cinturão Araguaia em profundidades litosféricas. O modelo também identifica uma anomalia de baixa velocidade no limite entre os Domínios Bacajá e Carajás. Baixas velocidades no setor norte do Cinturão Araguaia podem refletir eventos colisionais relacionados ao Orógeno Brasiliano. No centro-oeste da PMC, uma anomalia rasa de baixa velocidade está associada ao magmatismo Uatumã do Paleoproterozoico. Altas velocidades, consistentes com uma litosfera cratônica fria, espessa e estável são observadas sob os domínios Rio Maria e Bacajá. A justaposição de regiões de alta e baixa velocidade sugere uma quilha cratônica segmentada, com uma litosfera mais fina e possível ascensão astenosférica nas zonas de baixa velocidade.


  • Mostrar Abstract
  • We present three tomographic models derived from the inversion of traveltime residuals obtained through the processing of broadband seismograms using the Multiple-Frequency Seismic Tomography (MFST) method. The seismograms were recorded by broadband seismographic stations operating in Brazil and across South America. The first study included data up to 10/08/2023 and focused on the northeastern region of Brazil. The model reveals three high-velocity anomalies beneath the Parnaíba basin that are interpreted as cratonic nuclei: the Parnaíba and Granja blocks and the São Luís craton. The model also reveals a high-velocity anomaly that extends northwest beneath the southeastern area of the Parnaíba basin and is associated with the São Francisco craton (SFC). A low-velocity anomaly north of the SFC is interpreted as being caused by the lithospheric thinning associated with the Borborema province and the thermal anomaly caused by the lateral conduit of a plume, which would explain the asynchronous magmatism in the province. These findings are corroborated by synthetic models that include the cratonic structure in the region. The second study included data up to 31-07-2024 and focused on the area of the SFC and surrounding mobile belts. The model reveals a high-velocity anomaly extending beyond the classical limits of the SFC, specifically to the northern, northwestern and western areas. This anomaly is interpreted as the São Francisco Paleocontinental block, a precursor of the SFC that suffered intense crustal reworking on its edges during the Neoproterozoic resulting in its reduction to the more stable SFC. We also observe a deep high-velocity anomaly beneath the Araçuaí belt that is dipping SE. This anomaly is consistent with the oceanic lithosphere that was generated during the formation of the Macaúbas basin and was later subducted to form the Araçuaí-West Congo orogen, with the high-velocity anomaly indicating the presence of the subducting slab beneath the belt. We also observed a low-velocity anomaly withing the SFC limits, in the southern area of Bahia-Gabon bridge, which was interpreted as the thermal anomaly originating from a plume. The third study is located in the area of the Carajás Mineral Province (CMP) and included data of the 7A network. This network consists of 30 broadband stations installed in a small area, resulting in a extremely well sample structures. The study compares the results obtained by two complementary body wave seismic tomography approaches: teleseismic P-wave traveltime tomography and Multiple-frequency Seismic Tomography and discusses the observed structures. The model reveals a low-velocity anomaly separating the CMP from the Araguaia belt at lithospheric depths. The model also reveals a low-velocity anomaly at the boundary between the Bacajá and Carajás Domains. Low velocities in the northern Araguaia Belt may reflect collisional events of the Brasiliano Orogeny. In the central-west CMP, a shallow low-velocity anomaly is linked to the Paleoproterozoic Uatumã magmatism. High-velocities, consistent with cold, thick, and stable cratonic lithosphere, are observed beneath the Rio Maria and Barajas Domains. The juxtaposition of high- and low-velocity regions suggests a segmented cratonic keel, with thinner lithosphere and possible asthenospheric upwelling in the low-velocity zones

13
  • Henrique Serratt
  • Sistemas Naturais de Hidrogênio (H2) em Margens Passivas Vulcânicas

  • Orientador : ADALENE MOREIRA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADALENE MOREIRA SILVA
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • FRANCISCO HILARIO BEZERRA
  • GEOFFROY MOHN
  • HUMBERTO LUIZ SIQUEIRA REIS
  • ISABELLE MORETTI
  • JEAN-LUC LE PENNEC
  • LAURENT GEOFFROY
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • Data: 19/12/2025

  • Mostrar Resumo
  • Utilizando a região da Bacia de Pelotas como estudo de caso, esta tese de doutorado visa investigar a possibilidade de geração, acumulação e preservação de hidrogênio natural (H2) em bacias desenvolvidas sobre margens passivas vulcânicas (VPMs). Demonstra-se que o H2 pode ser produzido a partir de rochas vulcânicas em VPMs e que minerais de enxofre em sedimentos marinhos siliciclásticos sobrejacentes podem atuar como sumidouro para uma quantidade significativa de H2 produzido por essas rochas. Para criar um modelo em escala de bacia que oriente a prospecção de H2 na região, este estudo combina dados sísmicos e de poços com análises petrográficas e geoquímicas. O estudo identifica um potencial significativo para a geração de H2, principalmente a partir da oxidação de minerais ferrosos presentes em rochas vulcânicas. O período mais favorável à geração de H2 situa-se entre cerca de 128 Ma e 76 Ma, quando ocorreram os principais eventos magmáticos, período em que os reservatórios apresentam o menor teor de enxofre. No entanto, fatores de risco significativos para a acumulação de H2 incluem o consumo biológico, sedimentos ricos em enxofre, vazamentos para a atmosfera e a retenção de H2 nos basaltos. Muitos desses riscos não são quantificáveis, como, por exemplo, a quantidade de vazamento de H2 ou o consumo biológico. Esta pesquisa propõe uma mudança de paradigma na exploração de H2, sugerindo que a prioridade deve ser dada às condições de preservação, em vez do potencial da rocha geradora, ressaltando a importância de cap rocks e reservatórios eficazes com baixo teor de enxofre e baixa atividade microbiana.


  • Mostrar Abstract
  • Using the Pelotas Basin as a case study, this doctoral thesis aims to investigate the possibility of generating, accumulating, and preserving natural hydrogen (H2) in basins developed on volcanic passive margins (VPMs). It demonstrates that H2 can be produced from volcanic rocks in VPMs and that sulfur minerals in overlying siliciclastic marine sediments can act as a sink for a significant amount of H2 produced by these rocks. To create a basin-scale model to guide H2 prospecting in the region, this study combines seismic and well data with petrographic and geochemical analyses. The study identifies significant potential for H2 generation, primarily from the oxidation of ferrous minerals in volcanic rocks. The most favorable period for H2 generation is between approximately 128 Ma and 76 Ma, when the main magmatic events occurred, a period in which the reservoirs have the lowest sulfur mineral content. However, significant risk factors for H2 accumulation include biological consumption, sulfur-rich sediments, atmospheric leakage, and H2 retention in basalts. Many of these risks are not quantifiable, such as the amount of H2 leakage or biological consumption. This research proposes a paradigm shift in H2 exploration, prioritizing preservation conditions over the potential of the source rock, and highlighting the importance of cap rocks and effective reservoirs with low sulfur content and low microbial activity.

2024
Dissertações
1
  • JOÃO GABRIEL CAVALCANTE VIEIRA
  • FACIOLOGIA E GEOQUÍMICA DE ROCHAS DO GRUPO ALTO TAPAJÓS NO EXTREMO SUDESTE DO ESTADO DO AMAZONAS, BRASIL.

  • Orientador : ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • EDI MENDES GUIMARAES
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • MARLY BABINSKI
  • Data: 20/03/2024

  • Mostrar Resumo
  • Este estudo apresenta dados petrográficos, de geoquímica elementar e isótopos de Nd em rocha total, ao longo de três seções de sondagens da porção noroeste da Bacia Alto Tapajós. A sucessão estudada hospeda uma ocorrência de fosfato com potencial importância econômica regional. As seções compreendem uma porção lamosa-dolomítica basal, associada à Formação Terra Preta, e uma porção areno-lamosa, relacionada à Formação São Benedito. As associações de fácies e a paragênese mineral autigênica de siderita, glauconita, fluorapatita, dolomita e pirita sugerem deposição em ambiente marinho raso dominado por tempestades, passando de plataforma externa para shoreface inferior. Dados geoquímicos suportam contexto tectônico de rifte intracratônico e algumas assinaturas colisionais podem ser herdadas das rochas fontes. As concentrações de Rb, Ba, Sr, Th, U, Zr, Hf, Y, Sc, V, Cr, Cu, Ni e Zn indicam fontes félsicas. Remobilizações eodiagenéticas de ETR relacionadas à fluorapatita autigênica ocorreram ao longo das seções. As rochas afetadas não foram utilizadas para interpretações de proveniência baseadas em isótopos. As composições isotópicas de Nd, especialmente de lamitos e margas, sugerem proveniência da crosta continental superior e/ou do retrabalhamento de rochas sedimentares, com idades modelo variando de 2,32 a 2,49 Ga. As principais áreas fontes para a sucessão estão relacionadas às províncias Rondônia-Juruena, Tapajós-Parima e Amazônia Central. Uma marga apresentou idade modelo de 3,35 Ga, sugerindo possível contribuição de áreas fontes de maior distância, relacionadas às Províncias de Carajás e Transamazonas, ou de unidades proximais desconhecidas.


  • Mostrar Abstract
  • This study provides petrographic, whole-rock element and Nd isotope geochemical data for sedimentary rocks from three drill core sections in the extreme northwestern region of the Alto Tapajós Basin, Mid-South Amazonia, Brazil. The investigated succession hosts a phosphate occurrence with regional economic significance. The sections comprise a basal muddy-dolomitic portion, associated with the Terra Preta Formation, and an upper sandy muddy portion, related to the São Benedito Formation. Facies associations suggest deposition in a shallow marine environment dominated by storm activity, from outer shelf to lower shoreface. Geochemical data support an intracratonic rift setting with some collisional signatures probably inherited from source rocks. Concentrations of Rb, Ba, Sr, Th, U, Zr, Hf, Y, Sc, V, Cr, Cu, Ni, and Zn indicate felsic sources. Early diagenetic REE redistributions related to authigenic fluorapatite occurred along the sections. Affected REE and isotopic compositions were not used for provenance considerations. Nd isotopic compositions, particularly of fine grained rocks, suggest upper continental crust and/or recycled provenance, with model ages ranging from 2.32 to 2.49 Ga. The main source areas for the succession are related to Rondônia Juruena, Tapajós-Parima, and Central Amazon Provinces. Notably, one marl sample exhibited a much older model age of 3.35 Ga, suggesting a possible contribution from more distal source areas, related to Carajás and Transamazon Provinces, or from unknown proximal units.

2
  • Gabriel da Silva Seidler
  • CONTROLES DA MINERALIZAÇÃO DE OURO E ARQUITETURA DO SISTEMA MINERALIZANTE NO COMPLEXO MINEIRO JACOBINA (BA).

  • Orientador : CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • LUIS GUSTAVO FERREIRA VIEGAS
  • FERNANDO CESAR ALVES DA SILVA
  • Data: 27/03/2024

  • Mostrar Resumo
  • No Distrito Mineiro de Jacobina, importante depósito de ouro associado a metaconglomerados, cujo inventário mineral se aproxima das 10Moz (em 2023), a mineralização economicamente viável está associada aos metaconglomerados da Formação Serra do Córrego, em corpos predominantemente tabulares, de direção N-S. No entanto, os diversos estudos realizados na região ao longo de sua prolongada história produtiva, estavam, majoritariamente, direcionados a gênese da mineralização. Neste trabalho, uma perspectiva alternativa, utilizando conceitos de sistemas minerais, foi aplicada na busca da compreensão dos fatores controladores da geração de zonas de alto teor de ouro, em escala de depósito. Para tal, foram realizados mapeamentos em superfície e galerias de minas subterrâneas, visando reconhecer os eventos tectônicos atuantes na construção do sistema, e as estruturas originadas em cada um deles. Para o reconhecimento de padrões de arquitetura e geometria do sistema, em escala de mina, foram aplicados métodos de modelagem geológica e estrutural dos corpos mineralizados, projeções de máxima intensidade, além de interpolações por Função de Base Radial (RBF) e de teor versus espessura das concentrações de ouro obtidas em amostras de furos de sondagem diamantada e de canal coletadas nas minas subterrâneas do distrito. Descrições de testemunhos de sondagem, análises petrográficas e a aplicação da moderna técnica de Microtomografia Computadorizada de Raios-X (Micro-CT), foram utilizadas no estudo, em escala de detalhe, das características texturais e mineralógicas das zonas de alto teor. Como resultado, foram identificados quatro eventos deformacionais significativos: (i) Evento distensivo responsável pela nucleação da bacia rift; (ii) Evento compressivo frontal com vergência para W; (iii) Evento transpressivo com cinemática regional sinistral; (iv) Evento distensivo associado ao colapso do orógeno, responsáveis pela construção do arcabouço estrutural e pela conformação da arquitetura e geométrica do sistema mineral de Jacobina. A análise dos padrões de estruturas nas minas do distrito, permitiu sua individualização em três domínios estruturais, são eles: Domínio Norte, constituído pelas minas Canavieiras Sul, Canavieiras Central e Canavieiras Norte, Domínio Central, constituído pelas minas Morro do Vento e Morro do Cuscuz, e Domínio Sul, constituído pela mina João Belo Norte. A associação das observações de campo com os produtos oriundos das técnicas de modelagem tridimensional e a Micro-CT, permitiram a compreensão dos controles atuantes sobre os caminhos pelos quais circularam os fluidos que remobilizaram o ouro e, sobretudo, elucidaram os fatores controladores de sua acumulação e consequente concentração de ouro em zonas de alto teor, da seguinte forma: Estruturas de primeira ordem, de direções predominantemente N-S, geradas durante os eventos compressivo e transpressivo, atuaram como condutos para fluidos mineralizados, promovendo a circulação destes fluidos através das rochas encaixantes da mineralização, em todo o Distrito Mineiro de Jacobina. Por sua vez, estruturas de segunda ordem, de direções E-W, geradas durante o evento transpressivo, desempenharam papel de barreiras de permeabilidade ou zonas de baixa pressão, promovendo a acumulação de fluidos mineralizados nas interseções destas com estruturas de primeira ordem, culminando na formação regiões de alta concentração de ouro, ao longo de todos os domínios estruturais estudados. No Domínio Norte, estruturas antiformais, nucleadas durante o evento transpressivo, atuaram como importantes zonas de acumulação de fluidos, promovendo uma concentração do metal em zonas com teores de ouro significativamente maior do que nos demais domínios estruturais estudados. Por fim, pode-se afirmar que o estudo, em escala de depósito, dos fatores críticos do Distrito Mineiro de Jacobina, baseado na associação de técnicas clássicas de mapeamento geológico e petrografia a metodologias modernas de modelagem tridimensional e Microtomografia Computadorizada de Raios-X, permitiu, não só uma robusta compreensão da arquitetura e da geometria do sistema, mas também a definição dos parâmetros envolvidos na geração de corredores de alto teor, mostrando-se um eficiente caminho na busca pelo entendimento do prolífico, e único, Sistema Mineral de Jacobina.


  • Mostrar Abstract
  • In the Jacobina Mining District, a significant gold deposit associated with metaconglomerates, whose mineral inventory approaches 10 million ounces (as of 2023), economically viable mineralization is associated to the metaconglomerates of the Serra do Córrego Formation, occurring predominantly in tabular bodies N-S oriented. However, the majority of studies conducted in the region throughout its extensive production history have been primarily focused on the genesis of mineralization. This work presents an alternative perspective, utilizing concepts from mineral systems, in the pursuit of understanding the controlling factors of high-grade gold ore shoots generation at a deposit scale. To achieve this, surface mappings and surveys of underground mine galleries were conducted to identify active tectonic events contributing to the system's development and the resulting structures. Geological and structural modelling methods, maximum intensity projections, Radial Basis Function (RBF) interpolations, and interpolations of gold concentration versus thickness, using diamond drill hole and channel sampling data, were employed to recognize architectural and geometrical patterns of the mineralized system at a mine scale. Descriptions of drilling cores, petrographic analyses, and the application of modern Micro-Computed Tomography (Micro-CT) techniques were utilized for a detailed examination of textural and mineralogical characteristics of high-grade zones. Four significant deformational events were identified: (i) Rift basin distensive event; (ii) Frontal compressive event verging to the west; (iii) Transpressive event with left-lateral regional kinematics; (iv) Distensive event associated with orogen collapse, responsible for the construction of the structural framework and the architectural and geometrical conformation of the Jacobina Mineral System. Analysis of structural patterns in district mines led to their classification into three structural domains: North Domain comprising Canavieiras Sul, Canavieiras Central, and Canavieiras Norte mines, Central Domain including Morro do Vento and Morro do Cuscuz mines, and South Domain represented by the João Belo Norte mine. Integration of field observations with three-dimensional modelling and Micro CT-derived products facilitated the understanding of controls governing fluid pathways that remobilized gold and, notably, elucidated factors controlling its accumulation and high-grade gold concentration as follows: First-order structures, predominantly N-S oriented, acted as conduits for mineralized fluids, facilitating their circulation through host rocks across the Jacobina Mining District. Second-order structures, oriented E-W, functioned as permeability barriers or low-pressure zones, leading to the accumulation of mineralized fluids at intersections with first-order structures, ultimately forming regions of high gold concentration across all structural domains studied. In the North Domain, antiformal structures served as significant fluid accumulation zones, resulting in higher gold grades compared to other structural domains studied. In conclusion, the deposit-scale study of critical factors in the Jacobina Mining District, combining classical geological mapping and petrography with modern methodologies such as three-dimensional modelling and Micro-Computed Tomography, not only provided a robust understanding of the system's architecture and geometry but also defined parameters involved in high-grade or shoots generation, proving to be an efficient approach in comprehending the prolific and unique Jacobina Mineral System.

3
  • Beatriz Dantas Rabelo de Almeida
  • APLICAÇÃO DE TÉCNICAS DE ANÁLISE ESTATÍSTICA MULTIVARIADA E MACHINE LEARNING PARA O MAPEAMENTO DO FOOTPRINT GEOQUÍMICO DA MINERALIZAÇÃO DE OURO NO DISTRITO MINEIRO DE JACOBINA

  • Orientador : CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALVARO PENTEADO CROSTA
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • SUSANNE TAINA RAMALHO MACIEL
  • Data: 27/03/2024

  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação apresenta os resultados da caracterização do footprint geoquímico da mineralização de ouro nos metaconglomerados superiores do complexo mineiro de Jacobina, localizado na cidade de Jacobina, Bahia. Os resultados foram alcançados a partir da aplicação de metodologias de análise estatística e classificação não supervisionada. Para tanto, foram selecionados três corpos mineralizados, João Belo Sul, Canavieiras e Serra do Córrego que se estendem em direção NS ao longo de 14km na bacia de Jacobina. Um total de 3048 amostras foram coletadas em furos de sondagem realizados nesses três alvos, o processo de amostragem foi feito ao longo de todos os furos coletando amostras de 50cm para análises litogeoquímicas. Foram realizadas análises multi elementares utilizando ICP-MS (Espectrômetro de massa com plasma indutivamente acoplado). Também foram coletadas amostras para confecção de lâminas petrográficas com o objetivo de caracterizar a mineralogia e textura das zonas mineralizadas. Os dados litogeoquímicos foram processados seguindo recomendações para tratamento de dados composicionais e em seguida foram aplicadas metodologias de análise estatística e classificação não supervisionada. A abordagem iniciou-se com estatística univariada a partir de diagramas boxplot, seguindo para estatística multivariada com a análise do componente principaL (PCA) e finalizando com uma comparação com o algoritmo de mapas auto-organizáveis (SOM). A partir da primeira etapa da análise do componente principal foi possível caracterizar o background geoquímico dos metaconglomerados em cada um dos alvos. Para João Belo Sul obteve-se a associação U As-Te-Bi-Sb-Pb-Cr-Th-Sr-Hf-Zr-P, ressaltando a afinidade com elementos litófilos e com fases sulfetadas, em Serra do Córrego a associação Al-Na-Ti-Rb-K-Nb-Sc, tipicamente constituída de elementos litófilos incluindo álcalis, sugere a influência de fluidos hidrotermais e, para Canavieiras, Ni-Fe-Mo-Li-Mg-Mn-Au-S-Co-Cu reflete correlações entre os corpos intrusivos máficos e a mineralização de Au. Em um segundo momento a análise do componente principal foi aplicada novamente com o objetivo de caracterizar a assinatura da mineralização de ouro em cada alvo. Foram identificadas associações entre o ouro e elementos calcófilos. A última etapa foi o emprego de mapas auto-organizáveis para melhor visualização e clusterização das associações geoquímicas. O resultado alcançado pelo SOM se mostrou mais avançado que o resultado da PCA. Além das associações do Au com elementos calcófilos como Ag, As, Sb, Bi, Mo, Pb e Fe, o SOM mapeou outras duas assinaturas para o alvo Canavieiras, Au-Mg-Ni-Zn, interpretado como associado as rochas máficas abundantes neste alvo, e o ouro livre, possivelmente relacionado a mineralização presente em fraturas e falhas geradas durante os eventos tectônicos que afetaram a Bacia Jacobina. Interpreta-se que a coexistência de três fases de mineralização distintas em Canavieiras é o motivo pelo qual esse alvo apresenta os maiores teores de ouro na área de estudo, ilustrando a importância de fluidos hidrotermais para a reconcentração da mineralização, gerando zonas de alto teor. Os resultados obtidos com essa pesquisa são inovadores e contribuem positivamente com a manutenção dos programas exploratórios na região.


  • Mostrar Abstract
  • This dissertation presents the results of characterizing the geochemical footprint of gold mineralization in the upper metaconglomerates of the Jacobina mining complex, located in the city of Jacobina, Bahia. The outcomes were achieved through the application of statistical analysis and unsupervised classification methodologies. Three mineralized bodies—João Belo Sul, Canavieiras, and Serra do Córrego—were selected, extending in a NS direction for 14 km in the Jacobina basin. A total of 3048 samples were collected from boreholes drilled in these three targets, with a sampling process spanning the entire length of the drillholes and collecting 50cm samples for lithogeochemical analyses. Multi-element analyses were conducted using ICP-MS (Inductively Coupled Plasma Mass Spectrometry). Additionally, samples were collected for the preparation of petrographic thin sections to characterize the mineralogy and texture of the mineralized zones. The lithogeochemical data underwent processing following recommendations for compositional data treatment, and subsequently, statistical analysis and unsupervised classification methodologies were applied. The approach began with univariate statistics using boxplot diagrams, followed by multivariate statistics with Principal Component Analysis (PCA), and concluded with a comparison using Self-Organizing Maps (SOM) algorithm. From the initial stage of the Principal Component Analysis, it was possible to characterize the geochemical background of the metaconglomerates in each target. For João Belo Sul, an association of U-As-Te-Bi-Sb-Pb-Cr-Th-Sr-Hf-Zr-P was obtained, emphasizing the affinity with lithophile elements and sulfide phases. In Serra do Córrego, the Al-Na-Ti-Rb-K-Nb-Sc association, typically constituted of lithophile elements including alkalis, suggests the influence of hydrothermal fluids, while for Canavieiras, Ni-Fe-Mo-Li-Mg-Mn-Au-S-Co-Cu reflects correlations between mafic intrusive bodies and Au mineralization. In a subsequent step, Principal Component Analysis was applied again to characterize the gold mineralization signature in each target, identifying associations between gold and chalcophile elements. The final stage involved the use of Self-Organizing Maps for enhanced visualization and clustering of geochemical associations. The SOM results demonstrated a more advanced outcome compared to PCA. Besides associations of Au with chalcophile elements such as Ag, As, Sb, Bi, Mo, Pb, and Fe, SOM mapped two additional signatures for the Canavieiras target: Au-Mg Ni-Zn, interpreted as associated with the abundant mafic rocks in this target, and free gold, possibly related to mineralization present in fractures and faults generated during tectonic events affecting the Jacobina Basin. It is interpreted that the coexistence of three distinct mineralization phases in Canavieiras is the reason why this target exhibits the highest gold grades in the study area, illustrating the importance of hydrothermal fluids in reconcentrating mineralization, generating high-grade zones. The results obtained from this research are innovative and positively contribute to maintaining exploratory programs in the region.

4
  • Lucas Cesar Vaz dos Santos
  • RECONFIGURAÇÃO TECTÔNICA NA AMAZÔNIA CENTRAL A PARTIR DE DADOS DE U-PB E SM-ND EM ROCHAS DAS FORMAÇÕES NOVO REMANSO E ALTER DO CHÃO.

  • Orientador : ROBERTO VENTURA SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ROBERTO VENTURA SANTOS
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • NATALIA HAUSER
  • JEAN MICHEL LAFON
  • Data: 12/06/2024

  • Mostrar Resumo
  • O intervalo entre o Cretáceo e o Neógeno da Bacia do Amazonas guardam questões chaves para o entendimento da paleogeográfia dos depósitos sedimentares da Amazônia Oriental. Embora haja um consenso geral sobre o paleoambiente desses depósitos continentais, ainda não existe um modelo deposicional consistente que integre eventos tectônicos e deposicionais durante o Cretáceo Superior e sua transição para o Mioceno Médio, as datações de zircões detríticos são limitadas e não há dados de Sm-Nd em rocha total. Os estudos existentes são isolados e não apresentam uma integração robusta em escala regional. Para melhor entendimento desse intervalo e gerar um modelo deposicional paleogegráfico integrado, apresentamos dados litofáciológicos atualizados, dados de U-PB em zircões detríticos e as primeiras análises de Sm/Nd em sedimentos finos da Bacia do Amazonas. Os dados obtidos para o Cretáceo Superior da Bacia do Amazonas, remontam a um grande sistema fluvial transcontinental, de anastomosado a meandrante, fluindo para oeste, conforme se distanciava do Arco de Gurupá, abastecido ainda por fontes do Cráton Amazonas, principalmente pelas províncias orientais (Amazônia Central, Maroni-Itacaiunas, Ventuari-Tapajós e Rio Negro Juruena) de acordo com os valores de εNd negativos e dados de U-Pb apontando para fontes Paleo e mesoproterozoicos. Para o Mioceno Médio, o sistema fluvial meandrante, passaria a fluir para leste. Entretanto, os dados εNd (-13) e U-PB em zircões detríticos paleozóicos nessa unidade, permitem o levantamento de duas hipóteses para a paleogeografia desse intervalo. A primeira, é atribuída com a correlação de zircões paleozóicos de origem andina, no abastecimento sedimentar na Bacia do Amazonas, sugerindo que o Arco de Purus não barrasse totalmente os sedimentos, tão pouco, teriam percorrido toda extensão da Bacia do Amazonas e chegado na Foz do Amazonas. A segunda hipótese, explica que esses mesmos zircões detríticos encontrados com idades paleozóicas, poderiam ser atribuídos a fases de reciclagem de unidades paleozóicas da Bacia do Amazonas, na região do Arco de Purus por meio da incisão fluvial que atuasse na remobilização e redistribuição desses sedimentos.


  • Mostrar Abstract
  • The period spanning from the Upper Cretaceous to the Middle Miocene in the Amazon Basin represents a crucial time interval for comprehending the paleogeography of sedimentary deposits in eastern Amazonia. Although there is a consensus regarding the paleoenvironment of these continental deposits, there is still no consistent depositional model that integrates tectonic and depositional events during the Upper Cretaceous and its transition to the Middle Miocene. Furthermore, the limited dating of detrital zircons and the absence of Sm-Nd data in total rock present challenges in understanding the interval. The existing studies are isolated and do not provide a robust regional-scale integration. To gain a better understanding of this interval and develop an integrated paleogeographic depositional model, we present updated lithofacies data, U-Pb data on detrital zircons, and the first Sm/Nd analyses of fine sediments from the Amazon Basin. The data obtained for the Upper Cretaceous of the Amazon Basin indicate the presence of a vast transcontinental fluvial system, flowing westward from anastomosing to meandering as it moved away from the Gurupá Arch. The system was still being supplied by sources from the Amazon Craton, mainly from the eastern provinces (Central Amazonia, Maroni-Itacaiunas, Ventuari-Tapajós, and Rio Negro Juruena) according to negative εNd values and U-Pb data pointing to Paleo and Mesoproterozoic sources. Regarding the Middle Miocene, the fluvial system would start to flow eastward. However, the εNd (-13) and U-Pb data on Paleozoic detrital zircons in this unit allow for the formulation of two hypotheses for the paleogeography of this interval. The first hypothesis attributes the correlation of Paleozoic zircons of Andean origin in the sediment supply of the Amazon Basin to suggest that the Purus Arch did not completely block the sediments, nor did they travel the entire extent of the Amazon Basin and reach the mouth of the Amazon. The second hypothesis explains that these same Paleozoic detrital zircons found with ages are attributed to phases of recycling of Paleozoic units in the Amazon Basin in the Purus Arch region through fluvial incision that acts on the remobilization and redistribution of these sediments.

5
  • LEONARDO ALMEIDA DE SÁ
  • Anisotropia do Manto Superior na intraplaca sulamericana.   

     
     
  • Orientador : GEORGE SAND LEÃO ARAÚJO DE FRANÇA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GEORGE SAND LEÃO ARAÚJO DE FRANÇA
  • GIULIANO SANT ANNA MAROTTA
  • SUSANNE TAINA RAMALHO MACIEL
  • CARLOS DA SILVA VILAR
  • Data: 30/07/2024

  • Mostrar Resumo
  • A anisotropía sísmica investiga como as ondas sísmicas mudam dependendo da direção ao interagir com diferentes materiais do manto superior. Este estudo foca na anisotropia do manto superior na intraplaca da América do Sul, especialmente em relação aos padrões de fluxo da astenosfera ao redor do cráton amazônico. Utilizando técnicas avançadas de análise sísmica e dados regionais, a pesquisa busca revelar a relação entre estruturas geológicas e propriedades das ondas sísmicas, mostrando uma correlação entre a anisotropia do manto superior e o movimento absoluto da placa, além de associações com estruturas geológicas, como a colisão do Cráton São Francisco com o micro-continente Paraná durante a acreção brasiliana. A olivina, mineral predominante no manto (~65%vol.), desenvolve uma Orientação Preferencial Cristalográfica (CPO) sob força cisalhante, correlacionando sua orientação com direções de fluxo do manto. A análise de variações nas ondas primárias no Moho (Hess et al., 1964) destaca o potencial da divisão das ondas de cisalhamento para investigar eventos passados e visualizar padrões de fluxo astenosférico. Dados da Universidade de São Paulo (USP) e da Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) incluíram 72 estações e mais de 1700 pontos de dados de divisão de ondas de cisalhamento, fornecendo novos parâmetros e atualizando mapas anteriores. No cráton amazônico, os valores médios de direção de polarização rápida (φ) e tempo de atraso (Δt) foram 90,23 ± 10,78 e 0,76 ± 0,15, respectivamente; no cráton do São Francisco, 109,17 ± 14,25 e 0,67 ± 0,16; na bacia do Paraná, 84,52 ± 12,23 e 0,88 ± 0,23; no Cinturão de Dobramentos Ribeira, 85,26 ± 6,89 e 1,02 ± 0,4; na Província Tocantins, 89,33 ± 1,95 e 1,28 ± 0,09; na Bacia do Chaco-Paraná, 102,45 ± 12,59 e 0,97 ± 0,19; e na Bacia do Paranaíba, 94,62 ± 18,17 e 0,71 ± 0,35. As direções de polarização rápida na bacia amazônica geralmente seguem o movimento absoluto da placa (APM) em ENE-OSO, com deflexões perto da raiz cratônica do Brasil Central, sugerindo influência do fluxo astenosférico. A Bacia do Chaco-Paraná reflete a influência do bloco Paranapanema. Em termos de tempo de atraso, os cinturões de dobramentos apresentam valores mais altos que os crátons, possivelmente devido ao ciclo de acreção brasiliano criando uma grande camada anisotrópica. As direções de polarização rápida correlacionam-se com o movimento absoluto da placa em ENE-OSO, com exceções no Cráton São Francisco e na Província do Tocantins, influenciadas por estruturas geológicas locais.

     
     

  • Mostrar Abstract
  • Seismic anisotropy investigates how seismic waves change depending on the direction when interacting with different materials in the upper mantle. This study focuses on upper mantle anisotropy in the intraplate region of South America, particularly concerning asthenospheric flow patterns around the Amazonian craton. Utilizing advanced seismic analysis techniques and regional data, the research aims to reveal the relationship between geological structures and seismic wave properties, demonstrating a correlation between upper mantle anisotropy and absolute plate motion, along with associations with geological structures such as the collision of the São Francisco Craton with the Paraná microcontinent during the Brasiliano accretion. Olivine, the predominant mineral in the mantle (~65%vol.), develops a Crystallographic Preferred Orientation (CPO) under shear stress, correlating its orientation with mantle flow directions. The analysis of variations in primary waves at the Moho (Hess et al., 1964) highlights the potential of shear wave splitting to investigate past events and visualize asthenospheric flow patterns. Data from the University of São Paulo (USP) and the Brazilian Seismographic Network (RSBR) included 72 stations and over 1700 shear wave splitting data points, providing new parameters and updating previous maps. In the Amazonian craton, the study found average values of fast polarization direction (φ) and delay time (Δt) to be 90.23 ± 10.78 degrees and 0.76 ± 0.15 seconds, respectively; in the São Francisco craton, 109.17 ± 14.25 degrees and 0.67 ± 0.16 seconds; in the Paraná Basin, 84.52 ± 12.23 degrees and 0.88 ± 0.23 seconds; in the Ribeira Fold Belt, 85.26 ± 6.89 degrees and 1.02 ± 0.4 seconds; in the Tocantins Province, 89.33 ± 1.95 degrees and 1.28 ± 0.09 seconds; in the Chaco-Paraná Basin, 102.45 ± 12.59 degrees and 0.97 ± 0.19 seconds; and in the Parnaíba Basin, 94.62 ± 18.17 degrees and 0.71 ± 0.35 seconds. Fast polarization directions in the Amazonian Basin generally follow the absolute plate motion in an ENE-WSW direction, with deflections near the cratonic root of Central Brazil, suggesting the influence of asthenospheric flow. The Chaco-Paraná Basin reflects the influence of the Paranapanema block. In terms of delay time, the fold belts exhibit higher values than the cratons, possibly due to the Brasiliano accretion cycle creating a large anisotropic layer. The fast polarization directions correlate with the absolute plate motion in an ENE-WSW direction, with exceptions in the São Francisco Craton and Tocantins Province, influenced by local geological structures.

     
     
6
  • Adriano Lopes Valente
  • Assinaturas geofísica e petrofísica do Depósito Santa Lúcia, Província Mineral de Carajás.

  • Orientador : ADALENE MOREIRA SILVA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADALENE MOREIRA SILVA
  • MARCO ANTONIO COUTO JUNIOR
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • WELITOM RODRIGUES BORGES
  • Data: 31/07/2024

  • Mostrar Resumo
  • A principal meta deste trabalho é a caracterização das assinaturas geofísica e petrofísica do depósito de Cu-Au Santa Lúcia, localizado na região da Serra do Rabo, Província Mineral de Carajás. A mineralização de Cu-Au ocorre em uma zona mineralizada com o minério variando de disseminado, string, brechado, semi-maciço e maciço. A análise dos dados geofísicos permitiu concluir que: a) os dados magnéticos regionais e terrestres não mostram contraste expressivo, indicando falta de anomalia magnética ou fracamente magnética, respectivamente. O modelo de inversão dos dados magnéticos terrestres mostra que o minério do Santa Lúcia não apresenta anomalias de suscetibilidade magnética; b) os métodos elétricos (IP) e eletromagnéticos (TDEM) revelaram um excelente contraste de anomalias geofísicas, devido ao forte contraste de cargabilidade e condutividade, permitindo a diferenciação de diferentes porções do ambiente mineralizado; c) o modelo de cargabilidade mapeia os sulfetos disseminados, mas respondeu apenas parcialmente aos sulfetos maciços; d) o modelo de resistividade desempenhou um papel mais eficaz na identificação das zonas mineralizadas, indicando que as anomalias são moderadamente condutivas; e) os levantamentos eletromagnéticos do domínio do tempo terrestre (FLTEM) e borehole (DHTEM) possibilitaram a modelagem de placas condutoras, correspondentes às zonas ricas em sulfetos maciços com valores da ordem de 1.500 S de condutividade. Dados petrofísicos foram medidos sistematicamente em nove furos de sondagem e puderam ser agrupados em cinco classes que mostram contraste em termos das propriedades físicas das rochas. Foram obtidos dados de densidade, suscetibilidade magnética, condutividade e HF. Para analisar estas variações, dados petrográficos e geoquímicos foram analisados e integrados com os dados petrofísicos. Os resultados indicam que: a) a porção maciça da mineralização apresenta os maiores valores de condutividade, suscetibilidade magnética e densidade; b) as porções brechada e semi-maciça também mostram um contraste petrofísico, embora não tão expressivo quanto a zona maciça; c) as rochas hospedeiras e as mineralizações disseminada, string e matriz mostram baixos valores de suscetibilidade magnética, densidade e condutividade. A interpretação e integração dos dados petrográficos, litogeoquímicos e petrofísicos apontam que: a) as variações de propriedades físicas estão relacionadas com a correlação entre minerais de sulfetos em termos de comportamento de massa, grão e textura; b) os principais minerais de sulfetos identificados no depósito Santa Lúcia são calcopirita, pirrotita e pirita; c) as zonas de mineralização maciça no depósito Santa Lúcia apresentaram fortes contrastes petrofísicos de suscetibilidade magnética e condutividade, devido à associação de calcopirita com lamelas de pirrotita que aparecem em cristais/blastos localmente deformados, com alguns exibindo chamas de pentlandita ou inclusões de calcopirita e esfalerita; d) quando a pirrotita se transforma em pirita ou quando a pirita está inclusa na pirrotita, isso implica uma diminuição do contraste de suscetibilidade magnética, e o processo inverso da transformação da pirita em pirrotita monoclínica causa o aumento de suscetibilidade magnética; e) os valores de suscetibilidade magnética na ordem de 30 (10⁻³ SI) observados no minério maciço não são suficientes para gerar anomalias magnéticas nos levantamentos geofísicos magnetométricos no depósito Santa Lúcia; f) o forte contraste de densidade devido à presença dos sulfetos maciços indica que o levantamento gravimétrico pode ser uma ferramenta útil para mapear a zona de minério com alto teor de cobre no depósito Santa Lúcia. O entendimento do footprint geofísico e petrofísico do depósito Santa Lúcia abre portas para a exploração de depósitos que não têm assinaturas geofísicas triviais, requerendo diferentes metodologias geofísicas e petrofísicas para serem compreendidos.

  • Mostrar Abstract
  • The primary goal of this study is to characterize the geophysical and petrophysical signatures of the Cu-Au Santa Lúcia deposit, located in the Serra do Rabo region, Carajás Mineral Province. The Cu-Au mineralization occurs in a mineralized zone with ore ranging from disseminated, stringer, brecciated, semi-massive, to massive types. Analysis of geophysical data concluded that: a) regional and ground magnetic data show no significant contrast, indicating a lack of magnetic anomaly or weakly magnetic anomaly, respectively. The inversion model of ground magnetic data shows that the Santa Lúcia ore does not present magnetic susceptibility anomalies; b) electrical (IP) and electromagnetic (TDEM) methods revealed excellent geophysical anomaly contrasts due to strong chargeability and conductivity contrasts, allowing differentiation of various portions of the mineralized environment; c) the chargeability model maps disseminated sulfides but only partially responds to massive sulfides; d) the resistivity model was more effective in identifying mineralized zones, indicating that anomalies are moderately conductive; e) time-domain electromagnetic surveys (FLTEM and DHTEM) enabled the modeling of conductive plates corresponding to zones rich in massive sulfides with conductivity values around 1,500 S. Petrophysical data were systematically measured in nine drill holes and could be grouped into five classes showing contrasts in rock physical properties. Density, magnetic susceptibility, conductivity, and HF data were obtained. Petrographic and geochemical data were analyzed and integrated with petrophysical data to analyze these variations. Results indicate that: a) the massive portion of mineralization exhibits the highest values of conductivity, magnetic susceptibility, and density; b) brecciated and semi-massive portions also show petrophysical contrast, though not as pronounced as the massive zone; c) host rocks and disseminated, stringer, and matrix mineralizations show low values of magnetic susceptibility, density, and conductivity. Interpretation and integration of petrographic, lithogeochemical, and petrophysical data suggest that: a) variations in physical properties are related to the correlation between sulfide minerals in terms of mass, grain, and texture behavior; b) the main sulfide minerals identified in the Santa Lúcia deposit are chalcopyrite, pyrrhotite, and pyrite; c) massive mineralization zones in the Santa Lúcia deposit presented strong petrophysical contrasts of magnetic susceptibility and conductivity due to the association of chalcopyrite with pyrrhotite lamellae appearing in locally deformed crystals/blasts, with some exhibiting pentlandite flames or inclusions of chalcopyrite and sphalerite; d) when pyrrhotite transforms into pyrite or when pyrite is included in pyrrhotite, it implies a decrease in magnetic susceptibility contrast, and the reverse process of pyrite transforming into monoclinic pyrrhotite causes an increase in magnetic susceptibility; e) magnetic susceptibility values around 30 (10⁻³ SI) observed in massive ore are insufficient to generate magnetic anomalies in magnetic geophysical surveys at the Santa Lúcia deposit; f) the strong density contrast due to the presence of massive sulfides indicates that gravity surveys can be a useful tool for mapping the high-grade copper ore zone in the Santa Lúcia deposit. Understanding the geophysical and petrophysical footprint of the Santa Lúcia deposit opens avenues for exploring deposits with non-trivial geophysical signatures, requiring different geophysical and petrophysical methodologies to be understood.

7
  • INGRID EVA OLIVEIRA RIBEIRO
  • GEOMETALURGIA E RASTREABILIDADE DE OURO: ESTUDO DE CASO DA MINERAÇÃO ARICÁ, CUIABÁ, MT

  • Orientador : MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • CARLOS HUMBERTO DA SILVA
  • Data: 24/09/2024

  • Mostrar Resumo
  • Devido aos impactos socioambientais causados pela mineração ilegal de ouro, é essencial entender e documentar completamente a cadeia produtiva nacional de ouro, desde a extração até a venda do produto final. Isso destaca a importância da rastreabilidade do ouro, que visa mitigar os crimes e danos socioambientais associados à mineração ilegal. A geometalurgia, que constitui em essência na junção da geologia com a metalurgia, fornece subsídios para compreender o comportamento dos minerais ao longo de seu processamento, fornecendo insights sobre como os processos metalúrgicos afetam toda a cadeia de produção do ouro. Ao aplicar técnicas analíticas junto com a geometalurgia, podemos caracterizar as mudanças físicas e químicas que o ouro sofre durante o processamento, apoiando assim os esforços de rastreabilidade. Controlar a cadeia de produção de ouro é fundamental à luz das consequências socioambientais da mineração ilegal. Para enfrentar esses desafios, estabelecer a rastreabilidade do ouro desde a extração até a comercialização é vital. O Programa Ouro Alvo, lançado pela Polícia Federal Brasileira em colaboração com outras instituições nacionais, visa implementar políticas públicas para regular essa atividade, a partir do desenvolvimento de ferramentas analíticas para rastreabilidade de ouro. Neste estudo, foram realizadas análises geoquímicas, mineralógicas e morfológicas, a fim de auxiliar a rastreabilidade de ouro, do ponto de vista geometalúrgico. A localidade de estudo se encontra na Província Aurífera Poconé-Baixada Cuiabana, localizada ao longo da estrada Coxipó do Ouro, em que a mineralização aurífera está associada aos metassedimentos do Grupo Cuiabá na Baixada Cuiabana, onde o ouro ocorre em veios de quartzo mineralizados.


  • Mostrar Abstract
  • Due to the socio-environmental impacts caused by illegal gold mining, it is essential to fully understand and document the national gold production chain, from extraction to the sale of the final product. This highlights the importance of gold traceability, which aims to mitigate the crimes and socio-environmental damage associated with illegal mining. Geometallurgy, which essentially represents the junction of geology and metallurgy, provides support for understanding the behavior of minerals throughout their processing, providing insights into how metallurgical processes affect the entire gold production chain. By applying analytical techniques together with geometallurgy, we can characterize the physical and chemical changes that gold undergoes during processing, thus supporting traceability efforts. Controlling the gold production chain is essential in light of the socio-environmental consequences of illegal mining. To address these challenges, establishing gold traceability from extraction to commercialization is vital. The Target Gold Program, launched by the Brazilian Federal Police in collaboration with other national institutions, aims to implement public policies to regulate this activity, based on the development of analytical tools for gold traceability. In this study, geochemical, mineralogical and morphological analyses were performed in order to assist in gold traceability from a geometallurgical point of view. The study site is located in the Poconé- Baixada Cuiabana Gold Province, located along the Coxipó do Ouro road, where gold mineralization is associated with the metasediments of the Cuiabá Group in Baixada Cuiabana, where gold occurs in mineralized quartz veins.

8
  • Raylline Ferreira da Silva
  • MECANISMOS DE DEFORMAÇÃO NAS ZONAS DE CISALHAMENTO ITAPETIM E TENDÓ, PROVÍNCIA BORBOREMA, NE BRASIL.

  • Orientador : LUIS GUSTAVO FERREIRA VIEGAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LUIS GUSTAVO FERREIRA VIEGAS
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • ELIZA INEZ NUNES PEIXOTO
  • LAURO CÉZAR MONTEFALCO DE LIRA SANTOS
  • Data: 11/10/2024

  • Mostrar Resumo
  • As zonas de cisalhamento Itapetim (ZCI) e Tendó (ZCT) são estruturas subsidiárias do Domínio Central da Província Borborema, que se conectam à zona de cisalhamento Patos de direção E-W. As duas estruturas estão orientadas preferencialmente ao longo da direção NE-SW com cinemática dominantemente sinistral e deformam rochas associadas a ortognaisses e sequências supracrustais do Orógeno Cariris Velhos e intrusões graníticas relacionadas à orogênese brasiliana. Esta pesquisa apresenta uma abordagem integrada que inlcui mapeamento estrutural de campo, observações microestruturais, dados de orientações preferenciais cristalográficas e análises de química mineral, com o objetivo de investigar os mecanismos de deformação e os processos de localização da deformação da ZCI e ZCT. Em ambas as zonas de cisalhamento, predominam rochas miloníticas, com protomilonitos subordinados, enquanto bandas ultramiloníticas ocorrem localmente, paralelas à foliação milonítica. Na ZCI e na ZCT, os principais domínios microestruturais das rochas miloníticas são divididos em: i) porfiroclastos médios a grossos de K-feldspato (d ~0.5 mm a 2 cm) e de plagioclásio (d ~250 μm), ii) fitas monominerálicas de quartzo (~200 μm de espessura) e iii) agregados recristalizados quartzofeldspáticos (d ~25-300 μm). Nas rochas ultramiloníticas, os domínios são individualizados principalmente em iv) porfiroclastos de feldspato (d ~0.5 mm a 2 cm) e em v) fitas de quartzo (~100 μm de espessura) envoltos por um vi) matriz polifásica (d ~5 -20 μm). Os dados de orientações preferenciais cristalográficas (OPCs) dos grãos de quartzo nas fitas monominerálicas de quatzo da ZCI indicam a ativação dos sistemas de deslizamentos romboédricos e basais do quartzo. Em contrapartida, os dados de OPCs da ZCT sugerem a ativação dos sistemas de deslizamento prismático e romboédrico dos grãos de quartzo. Nas bandas ultramiloníticas, ocorre a variação da composição química entre os porfiroclastos (An19-30) e grãos recristalizados (An28- 36) de plagioclásio, o que sugere a presença de fluidos reativos durante o processo de localização da deformação na zona de cisalhamento. A localização da deformação em ambas as zonas de cisalhamento é principalmente acomodada por fluência de deslocações nos grãos de quartzo, acompanhada por transferência de massa difusiva que afetam cristais de feldspato, em temperaturas médias a altas (~520ºC). O cisalhamento sinistral NE-SW dessas zonas de cisalhamento evidencia que a deformação plástica de médio a alto grau nessas estruturas foi desenvolvida como resultado de uma direção de encurtamento regional NNW-SSE. Este campo de deformação oblíquo, além de poder estar associado à movimentação sinistral da ZCI e ZCT, também estaria relacionado às estruturas regionais Patos e Pernambuco que apresentam cinemática destral. Com base nestas informações, o Domínio Central se comportou como um bloco dúctil durante o cisalhamento simples nas principais estruturas E-W formadoras do arcabouço tectônico da Provincia Borborema.


  • Mostrar Abstract
  • Itapetim Shear Zone (ISZ) and Tendó Shear Zone (TZS) are subsidiary structures of the Central Domain of the Borborema Province, connecting to the E-W oriented Patos shear zone. Both structures are predominantly oriented along the NE-SW direction with dominant sinistral kinematics and deform rocks associated with orthogneisses and supracrustal sequences of the Cariris Velhos Orogen and granitoid intrusions related to the Brasiliano orogeny. An integrated approach, including field structural mapping, microstructural observations, crystallographic preferred orientation data, and mineral chemistry analyses, was employed to investigate the deformation mechanisms and the strain localization processes that operate in ISZ and TSZ. In both shear zones, mylonitic rocks predominate, with subordinate protomylonites, while ultramylonitic bands occur locally parallel to the milonitic foliation. In the ISZ and TSZ, the primary microstructural domains of the mylonitic rocks are divided into: medium to coarse Kfeldspar (d ~0.5 mm to 2 cm) and plagioclase (d ~250 μm) porphyroclasts, monomineralic quartz ribbons (~200 μm thick), and recrystallized quartzo-feldspathic aggregates (d ~25-300 μm); and for the ultramylonitic bands, the domains are primarily characterized by feldspar porphyroclasts (d ~0.5 mm to 2 cm) and quartz ribbons (~100 μm thick) embedded in a polyphase matrix (d ~5- 20 μm). Crystallographic preferred orientation (CPO) data of quartz grains in the monomineralic quartz ribbons of the ISZ indicate activation of rhombohedral and basal slip systems in quartz. In contrast, the CPO data of the TSZ suggest activation of prismatic and rhombohedral slip systems in quartz grains. In the ultramylonitic bands, variation in chemical composition between porphyroclasts (An19-30) and recrystallized grains (An28-36) of plagioclase suggests the presence of reactive fluids during the strain localization process within the shear zone. The strain localization in both shear zones is primarily accommodated by dislocation creep in quartz grains, accompanied by diffusion mass transfer diffusion affecting feldspar crystals, under medium- to hightemperatures (~520ºC). The sinistral shear of these NE-SW shear zones indicates that the medium- to high-grade plastic strain in these structures resulted from a regional NNW-SSE shortening direction. This oblique strain field, in addition to would be associated with the sinistral motion of the ISZ and TSZ, would be related to the regional Patos and Pernambuco structures, which exhibit dextral kinematics. Based on this, the Central Domain behaved as a ductile block during simple shear within the major E-W structures forming the tectonic framework of the Borborema Province

9
  • Elisa Dorian Esteves Gurgel do Amaral Sampaio
  • Estudo petrológico e geocronológico do Complexo Diorítico Lajeado (Iporá): implicações na evolução crustal do Arco Magmático Goiás.

  • Orientador : NATALIA HAUSER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • NATALIA HAUSER
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • JOSENEUSA BRILHANTE RODRIGUES
  • Data: 06/12/2024

  • Mostrar Resumo
  • A intrusão diorítica do Complexo Lajeado está localizada na porção oeste do Segmento Arenópolis no Arco Magmático Goiás. O mapeamento na escala 1:25.000 possibilitou a caracterização petrográfica, a obtenção de dados de química mineral, análises geoquímico-isotópicas e a investigação de elementos-traço em zircão das fácies representativas, com o objetivo de contribuir para o entendimento dos processos envolvidos na geração e evolução do complexo dentro do contexto do Arco Magmático de Arenópolis. O Complexo Lajeado é constituído por três zonas ígneas: a zona máfica, composta por dioritos não cumuláticos e quartzo-dioritos cumuláticos; a zona intermediária, formada por quartzo-dioritos e tonalitos; e a zona composta, que inclui rochas de ambas as zonas anteriores, além de diques sin-plutônicos. Enclaves microgranulares máficos a intermediários e enclaves hornblendíticos de granulação grossa e textura cumulática são comuns. Os dados de química mineral revelam que a composição principal do plagioclásio é andesina–oligoclásio, e do anfibólio é Mg-hornblenda e tschermakita. As idades U-Pb em zircão obtidas em um quartzo-diorito, um dique sin-plutônico e uma amostra composta (inclui três diferentes fácies ígneas) indicaram que o Complexo Lajeado teria cristalizado há 666 ± 4 Ma (LA-ICPMS). Os dados adquiridos indicam que as rochas do Complexo Lajeado foram geradas por cristalização fracionada, dominada por hornblenda, a partir de magmas basálticos primitivos com composição entre N-MORB e E-MORB. Esses magmas foram derivados da fusão parcial de uma cunha do manto metasomatizada por fluidos associados à subducção. Os magmas primários pouco diferenciados teriam sido alocados na crosta inferior, onde teriam sofrido processos de cristalização fracionada, assimilação e hibridização. As assinaturas petrológicas e geoquímicas apontam para a cristalização fracionada como principal processo petrogenético. Embora a geobarometria Al-em-Hbl indique pressões de cristalização do Complexo Lajeado entre 1 e 4 Kbar, esses valores são extremamente baixos e entram em conflito com os demais resultados obtidos nesta pesquisa. A ordem de cristalização de minerais revela que o Complexo Lajeado de c. 666 Ma cristalizou em uma faixa de pressões entre 10 e 25 kbar. Este resultado nos permite propor que a crosta tinha uma espessura normal (35 km), na qual a parte média a inferior (20–35 km) era dominada por rochas máficas provavelmente do Arco de Jaupaci. O complexo teria sofrido metamorfismo em fácies anfibolito aos 645 ± 6 Ma relacionado com a Orogenia Brasiliana.

  • Mostrar Abstract
  • The dioritic intrusion of the Lajeado Complex is located in the western portion of the Arenópolis Segment in the Goiás Magmatic Arc. Mapping at a scale of 1:25,000 enabled petrographic characterization, the acquisition of mineral chemistry data, geochemical-isotopic analyses, and the investigation of trace elements in zircon from representative facies, with the aim of contributing to the understanding of the processes involved in the generation and evolution of the complex within the context of the Arenópolis Magmatic Arc. The Lajeado Complex consists of three igneous zones: the mafic zone, composed of non-cumulate diorites and cumulate quartz-diorites; the intermediate zone, formed by quartz-diorites and tonalites; and the composite zone, which includes rocks from both previous zones, in addition to syn-plutonic dikes. Mafic to intermediate microgranular enclaves and coarse-grained hornblende enclaves with cumulate texture are common. Mineral chemistry data reveal that the main composition of plagioclase is andesine–oligoclase, and the composition of amphibole is Mg-hornblende and tschermakite. U-Pb zircon ages obtained from a quartz-diorite, a syn-plutonic dike, and a composite sample (which includes three different igneous facies) indicate that the Lajeado Complex crystallized around 666 ± 4 Ma (LA-ICPMS). The acquired data suggest that the rocks of the Lajeado Complex were generated by fractional crystallization, dominated by hornblende, from primitive basaltic magmas with compositions between N-MORB and E-MORB. These magmas were derived from the partial melting of a mantle wedge metasomatized by subduction-related fluids. The slightly differentiated primary magmas were likely emplaced in the lower crust, where they underwent fractional crystallization, assimilation, and hybridization processes. The petrographic and geochemical signatures indicate that fractional crystallization was the main petrogenetic process. Although Al-in-Hbl geobarometry suggests crystallization pressures for the Lajeado Complex between 1 and 4 kbar, these values are extremely low and conflict with other results obtained in this study. The mineral crystallization sequence indicates that the Lajeado Complex, at around 666 Ma, crystallized at pressures between 10 and 25 kbar. This result allows us to propose that the crust had a normal thickness (35 km), with the middle to lower part (20–35 km) dominated by mafic rocks, likely from the Jaupaci Arc. The complex is thought to have undergone metamorphism in amphibolite facies at 645 ± 6 Ma, related to the Brasilian Orogeny.
10
  • Paula Harethusa Pereira Costa Vidal
  • Mudanças paeloceanográficas de curto prazo durante o Oceanic Anoxic Event (OAE) 1b no testemunho PLG do Aptiano-Albiano (Bacia Umbria-Marche, Itália)

  • Orientador : MARTINO GIORGIONI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GABRIELE GAMBACORTA
  • STÉPHANE BODIN
  • JEREMIE GARNIER
  • MARTINO GIORGIONI
  • Data: 11/12/2024

  • Mostrar Resumo
  • Durante o Cretáceo Médio (125-89 Ma), a Terra passou por mudanças climáticas e paleoceanograficas, incluindo condições climáticas extremas, efeito estufa e uma redução global de oxigênio no fundo dos oceanos associada a episódios de deposição significativa de sedimentos marinhos ricos em matéria orgânica (folhelhos negros). Esses episódios são definidos como Eventos Anóxicos Oceânicos (EAOs) e ocorreram no início do Toarciano (evento Posidonienschiefer, T-OAE, ∼183 Ma), início do Aptiano (evento Selli, OAE 1a, ∼120 Ma), início do Albian (evento Paquier, OAE 1b, ∼111 Ma), final do Albian (evento Breisthoffer-Pialli, OAE 1d, ~100 Ma) e Cenomaniano–Turoniano (evento Bonarelli, OAE 2, ∼93 Ma). Os OAE 1a e 2 são os eventos mais intensos e são evidenciados por uma espessa camada de folhelho negro nos registros estratigráficos, com uma assinatura de δ¹³C de até 4,5‰. Os dados atualmente disponíveis sugerem que a principal força motriz dos EAOs foi um aumento abrupto da temperatura, induzido por um influxo rápido de CO2 na atmosfera proveniente de fontes vulcanogênicas e/ou metanogênicas. O Evento Anóxico Oceânico 1b, no Aptiano-Albiano, é considerado o mais prolongado em tempo dos EAOs do Cretáceo, embora com condições climáticas menos extremas em comparação com os grandes eventos 1a e 2. A duração geral é estimada em 3,8 milhões de anos, e este evento foi caracterizado por uma circulação reduzida e um aumento no fluxo de nutrientes, o que levou a uma maior produtividade primária e consumo de oxigênio na coluna de água, criando condições anóxicas. Um dos registros mais relevantes deste evento ocorre na Formação Marne a Fucoidi, na Bacia Umbria-Marche, na Itália Central. Aqui, estudamos um registro da Formação Marne a Fucoidi na seção Poggio Le Guaine (PLG), que é uma seção de referência para o intervalo Aptiano-Albiano. Esta sequência pelágica é definida por camadas decimétricas de shales negros, intercaladas e contrastantes com camadas de sedimentos mais claros, ricos em carbonato. O EAO 1b registrado na seção PLG é caracterizado pela ocorrência de 5 níveis ricos em matéria orgânica, que podem ser rastreados em uma escala regional a global: Jacob, Killian, Monte Nerone, Urbino e Leenhardt. No entanto, inúmeros estudos sobre o EAO 1b se concentraram apenas em alguns níveis específicos de folhelhos negro, como os de Kilian e Urbino, deixando incertezas sobre as mudanças ambientais e seus fatores impulsionadores durante todo o período Aptiano-Albiano e, portanto, também sobre os mecanismos que levam às mudanças paleoceanográficas. Neste estudo, apresentamos uma análise elemental multiproxy em alta resolução do intervalo Aptiano-Albiano da seção PLG para discutir os mecanismos e mudanças paleoceanográficas ocorridas durante o período do EAO 1b. Os isótopos de carbono dos carbonatos permitem identificar eventos anóxicos por meio da assinatura geoquímica, com flutuações em δ¹³C variando entre 2‰ e 3,5‰. A análise de isótopos de Nd, combinada com analises elementais XRF e PCA (Al, Si, K, Fe, Ca, Ti, Ni, Mn, Cd e V), evidencia que não há mudanças significativa na proveniência dos sedimentos e nas condições das águas de fundo entre os folhelhos negros que ocorrem dentro do intervalo 1b.


  • Mostrar Abstract
  • During mid-Cretaceous (125-89 Ma) the Earth experienced profounds changes in climate and paleoceanography, including extreme greenhouse climatic conditions and a reduction of oxygen at the bottom of the oceans world-wide, associated to episodes of significant deposition of marine organic matter rich sediments (black shales). These episodes are defined as Oceanic Anoxic Events (OAEs) occurred in the early Toarcian (Posidonienschiefer event, T‐OAE, ∼183 Ma), early Aptian (Selli event, OAE 1a, ∼120 Ma), early Albian (Paquier event, OAE 1b, ∼111 Ma), late Albian (Breisthoffer-Pialli event, OAE 1d, ~100 Ma) and Cenomanian–Turonian (Bonarelli event, OAE 2, ∼93 Ma). The OAE 1a and OAE 2 are the most intense events and are marked by a thick black shale layer in the stratigraphic records, with a δ¹³C signature up to 4,5‰. Currently available data suggest that the major forcing of the OAEs was an abrupt rise in temperature, induced by rapid influx of CO2 into the atmosphere from volcanogenic and/or methanogenic sources. The Aptian-Albian OEA 1b is considered the most extended in time of the Cretaceous OAEs, however with less extreme climatic conditions compared to the OAE 1a and OAE 2. The overall duration is estimated to be 3.8 Myr, and this event was characterized by reduced circulation and increased nutrient flux, which led to enhanced primary productivity and oxygen consumption in the water column, creating anoxic conditions. One of the most relevant records of this event occurs in the Marne a Fucoidi Formation, in the Umbria-Marche Basin, Central Italy. Here we study a record of the Marne a Fucoidi Fm. in the Poggio Le Guaine (PLG) section, which is a reference section for the Aptian-Albian interval. This pelagic sequence is defined by decimetric layers of black shales, intercalated and contrasting with layers of lighter, carbonate-rich sediments. The OAE 1b recorded in the PLG section is characterized by the occurrence of 5 organic matter-rich levels, which can be traced on regional-to-global scale: Jacob, Killian, Monte Nerone, Urbino, and Leenhardt. Numerous studies on the OAE 1b have, however, focused only on some specific black shale levels, such as the Kilian and Urbino, leaving uncertainties about the environmental changes and their drivers during the entire Aptian-Albian period, and hence also on the mechanisms leading to the palaeoceanographic changes. In this study, we present a detailed multi-proxy analysis of the Aptian-Albian interval of the PLG section to discuss the mechanisms and paleoceanographic changes occurred during the period of the OAE 1b. Carbonate carbon isotopes allow the identification of anoxic events through the geochemical signature with fluctuations in δ¹³C ranging between 2‰ and 3,5‰. Nd isotope combined with geochemical elements analysis (Al, Si, K, Fe, Ca, Ti, Ni, Mn, Cd and V contents) shows that there is no remarkable change in sediment provenance and bottom water conditions between the black shales occurring within the OAE 1b interval and those of the other parts of the Marne a Fucoidi Formation. Therefore, the factors controlling the paleoceanographic conditions of the Marne a Fucoidi Formation were the same for the entire interval, and just changed in intensity during the OAE 1b.

Teses
1
  • Ariela Oliveira Mazoz
  • Caracterização de materiais de referência de titanita e monazita para microanálises isotópicas de U-Pb e Sm-Nd por LA-ICP-MS

  • Orientador : ROBERTO VENTURA SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GUILHERME DE OLIVEIRA GONCALVES
  • MARCUS VINICIUS DORNELES REMUS
  • MARIA DE LOURDES DA SILVA ROSA
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • Data: 23/07/2024

  • Mostrar Resumo
  • O uso da técnica LA-ICP-MS tem aumentado em vários laboratórios ao redor do mundo e está revolucionando os estudos de ciências da terra. Avanços recentes na geocronologia U-Th-Pb LA-ICP-MS permitem a aquisição de dados U-Pb em alta resolução espacial (> 10 μm), com precisão e reprodutibilidade melhores que 3% em idades individuais 206Pb/238U e 208Pb/232Th, com rendimento relativamente rápido e baixo custo em comparação com outras técnicas microanalíticas, como SHRIMP ou ID-TIMS. Com a expansão dos laboratórios LA-ICP-MS em todo o mundo, a demanda por materiais de referência para calibração e controle de qualidade aumentou significativamente. Nesta pesquisa, investigamos dois novos materiais de referência potenciais de titanitas (Bear Lake e Khan River) para geocronologia U-Pb por meio de métodos de alta precisão (ID-TIMS) e alta resolução espacial (LA-ICP-MS e SHRIMP). Utilizamos a técnica de abrasão química - aplicada pela primeira vez em titanitas - para minimizar as áreas imperfeitas dos fragmentos (por exemplo, fraturas, porções danificadas), resultando em um material translúcido mais homogêneo. A titanita Bear Lake mostra um padrão uniforme no diagrama ETR com Pbalto, mas relativamente constante. Para a titanita Khan River, o teor de ETR é variável e a concentração de Pbc é baixa, mas ligeiramente variável. As análises U-Pb ID-TIMS produziram idades de intercepto não corrigidas para Pbc de 516.3 ± 1.3 Ma (2s) e 1067.81 ± 0.74 Ma (2s) para as titanitas Khan River e Bear Lake, respectivamente. Análises múltiplas de U-Pb LA-SF/MC-ICP-MS forneceram idades de intercepto não corrigidas para Pbc consistentes para Khan River (517 ± 1/5 Ma, 2s) e Bear Lake (1070 ± 1/11 Ma, 2s). As análises U-Pb SHRIMP em ambas as amostras de titanitas retornaram idades consistentes dentro da incerteza. As análises de LA-SF-ICP-MS, usando as titanitas Khan River e Bear Lake como calibrantes para corrigir a razão 206Pb/238U em análises matriz não-compatíveis reproduziram as idades de outros MR estabelecidos dentro de <1% de desvio. Neste estudo, também investigamos a monazita Vermilion como um potencial material de referência para geocronologia U-Pb, usando técnicas de alta precisão (ID-TIMS) e métodos de alta resolução espacial (LA-ICP-MS e SHRIMP), e para microanálise de Sm-Nd (LA-MC-ICP-MS). As imagens de BSE revelaram que a monazita Vermilion é relativamente homogênea e livre de zoneamento composicional, mostrando padrão de ETR uniforme com variações consideravelmente pequenas entre os cristais. Nosso potencial material de referência de monazita apresentou média ponderada de ID-TIMS 207Pb*/206Pb* idade de 2667.5 ± 1.2 Ma (2s) com uma idade de concordância ligeiramente discordante. Os dados U-Pb SHRIMP retornaram uma idade média ponderada de 207Pb*/206Pb* de 2662 ± 2/27 Ma (2s). Os dados médios ponderados de U-Pb 207Pb/206Pb LA-MC-ICP-MS e LA-Q-ICP-MS são 2666 ± 1/27 Ma (2s) e 2665 ± 5/27 Ma (2s), respectivamente. Os dados de alta resolução espacial estão de acordo com o ID-TIMS de alta precisão. Os resultados de Sm-Nd LA-MC-ICP-MS de dois laboratórios retornaram uma razão média de 147Sm/144Nd de 0,0854 ± 0,0027 (3,1%RSD, 2SD) e uma razão média homogênea de 143Nd/144Nd de 0.51068 ± 0.00004 (0,01%RSD, 2SD). A epilson Nd (εNdi) inicial variou de -0.8 ± 0.5 (2s) a 0.6 ± 0.4 (2s). Os materiais de referência titanita e monazita podem ser aplicados para investigar o processo de evolução crustal e rastrear a fonte de mineralização de fluidos hidrotermais.


  • Mostrar Abstract
  • The use of LA-ICP-MS technique has increased in several laboratories around the world and is revolutionizing earth sciences studies. Recent advances in the LA-ICP-MS U-Th-Pb geochronology allows acquisition of U-Pb data at high spatial resolution (> 10 μm), with precision and reproducibility better than 3% on individual 206Pb/238U and 208Pb/232Th ages, at relatively fast throughput and low cost compared to other microanalytical techniques, such as SHRIMP or ID-TIMS. With the expansion of LA-ICP-MS laboratories around the world, the demand for reference materials for calibration and quality control has increased significantly. In this research, we have investigated two new potential titanites reference materials (Bear Lake and Khan River) for U-Pb geochronology by means of high precision (ID-TIMS) and high-spatial resolution methods (LA-ICP-MS and SHRIMP). We made use of the chemical abrasion technique - for the first time applied to titanites - to minimize the imperfect areas of the crystal fragments (e.g. fractures, damaged portions) and resulting in a more homogeneous translucent material. Bear Lake titanite shows a uniform pattern in a REE diagram and has high but relatively constant common Pb. For Khan River titanite, the REE content is variable and the common Pb concentration is low, but slightly variable. U-Pb ID-TIMS analyses yielded Pbc-uncorrected intercept ages of 516.3 ± 1.3 Ma (2s) and 1067.81 ± 0.74 Ma (2s) for Khan River and Bear Lake titanites, respectively. Multiple U-Pb LA-SF/MC-ICP-MS analyses gave consistent Pbc-uncorrected intercept ages for both, Khan River (517 ± 1/5 Ma, 2s) and Bear Lake (1070 ± 1/11 Ma, 2s). U-Pb SHRIMP analyses on both titanites samples returned consistent ages within uncertainty. LA-SF-ICP-MS runs, using Khan River and Bear Lake titanites as calibrant to correct the 206Pb/238U in non matrix-matched analyses reproduced the ages os other established RMs within <1% deviation. In this study, we have also investigated the Vermilion monazite as a potential reference material for U-Pb geochronology, using high-precision technique (ID-TIMS) and high-spatial resolution methods (LA-ICP-MS and SHRIMP), and for Sm-Nd microanalysis (LA-MC-ICP-MS). BSE images revealed that Vermilion monazite is relatively homogeneous and free from compositional zoning, showing uniform REE pattern with considerably small variations between the crystals. Our potential monazite reference material yielded ID-TIMS weighted mean 207Pb*/206Pb* age of 2667.5 ± 1.2 Ma (2s) with a slightly discordant concordia age. U-Pb SHRIMP data returned a 207Pb*/206Pb* weighted average age of 2662 ± 2/27 Ma (2s). U-Pb 207Pb/206Pb weighted average LA-MC-ICP-MS and LA-Q-ICP-MS data are 2666 ± 1/27 Ma (2s) and 2665 ± 5/27 Ma (2s), respectively. High-spatial resolution data are in agreement with the high precision ID-TIMS. Sm-Nd LA-MC-ICP-MS results from two laboratories returned an average 147Sm/144Nd ratio of 0.0854 ± 0.0027 (3.1 %RSD, 2SD) and a homogeneous average 143Nd/144Nd ratio of 0.51068 ± 0.00004 (0.01 %RSD, 2SD). The initial epilson Nd (εNdi) varied from -0.8 ± 0.5 (2s) to 0.6 ± 0.4 (2s). The titanite and monazite reference materials can be applied to investigate crustal evolution process and to trace the source of hydrothermal fluids mineralization.

2
  • Carolinna da Silva Maia de Souza
  • Evolução geológica da estrutura de impacto de Araguainha: gênesis e colocação das brechas de impacto

     
     
  • Orientador : NATALIA HAUSER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALVARO PENTEADO CROSTA
  • CLAUDIA REGINA PASSARELLI
  • ELDER YOKOYAMA
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • NATALIA HAUSER
  • Data: 13/09/2024

  • Mostrar Resumo
  • Crateramento por impacto é um processo geológico que desempenha um papel fundamental na formação do sistema solar e dos planetas terrestres. Durante este processo, diversas rochas são produzidas e/ou modificadas pelo impacto, tais como rochas-alvo chocadas e brechas de impacto (ex., rochas derretidas por impacto, brechas monomíticas e polimíticas de impacto). No Brasil, a estrutura de impacto de Araguainha foi a primeira reconhecida e ainda é considerada a maior estrutura de impacto preservada da América do Sul, com 40 km de diâmetro. Localizada na parte central do Brasil, no limite dos estados de Mato Grosso e Goiás, Araguainha foi formada próximo ao limite Permiano-Triássico (~254 Ma) e atingiu a porção nordeste da Bacia do Paraná, escavando todo o pacote sedimentar até o embasamento. Trata-se de uma estrutura de impacto do tipo complexa, que possui o núcleo central soerguido preservado (16 km de diâmetro), onde rochas-alvo chocadas e brechas de impacto são bem expostas. Esta tese de doutorado busca contribuir para a compreensão da evolução geológica e para o conhecimento das brechas de impacto no núcleo central soerguido. Para isso, dados obtidos a partir de descrições de campo, amostras de mão e lâminas, análises qualitativas por meio de escaneamento por microfluorescência de raio-x, avaliação quantitativa de minerais por microscopia eletrônica de varredura e difração de raio-x, análises químicas de rocha total e análises isotópicas de Sm-Nd e U-Pb levaram à obtenção de avanços na caracterização da estrutura de impacto de Araguainha, tais como o entendimento da relação de contato geológico entre as rochas que afloram no núcleo central soerguido, a caracterização e definição das brechas de impacto, a compreensão da formação dessas brechas e a proveniência das brechas de impacto e das rochas-alvo chocadas do embasamento. Novos afloramentos foram expostos ao longo da estrada MT-100 devido à pavimentação dessa rodovia, o que possibilitou aprimorar o estudo. Entre os principais avanços, destacam-se: 1) As rochas atribuídas ao embasamento metassedimentar mostraram-se muito mais extensas e heterogêneas em litologias do que as previamente descritas. Além de rochas metamórficas previamente identificadas, também foram observadas unidades não metamorfizadas. 2) As brechas polimíticas de impacto estão sempre em contato direto com as rochas do embasamento metassedimentar por diferentes mecanismos (ex., falhas, injeção, preenchimento, assentamento). Os componentes das brechas estão associados às unidades inferiores das rochas-alvo. Os clastos são principalmente derivados do embasamento metassedimentar e das unidades basais da Bacia do Paraná, com raras ocorrências de granito

    alcalino. A matriz tem caráter sedimentar, semelhante às unidades inferiores da bacia, apoiado pelo estudo de proveniência. 3) Foram identificados três tipos de rochas derretidas por impacto com diferentes relações de campo: Tipo I, de composição granítica, ocorrendo como veios e diques no núcleo do granito alcalino; Tipo II, em forma de clasto deformado de composição altamente silicosa na brecha polimítica de impacto; Tipo III, conglomerado ou arenito parcialmente derretido que ocorre em determinados locais como um anel nos estratos metassedimentares do embasamento ao redor do núcleo de granito alcalino. Propomos que as rochas do Tipo II e III foram formadas no estágio inicial de escavação como a primeira fase de fusão em Araguainha, por fusão por choque. O Tipo I representa uma brecha pseudotaquilítica formada por fusão por descompressão durante o soerguimento e o colapso da fase de modificação, e as brechas polimíticas de impacto foram formadas dentro da cavidade transitória durante o estágio de escavação. Um modelo multiestágio é proposto para a origem e colocação dessas brechas em Araguainha. As análises de proveniência em zircão mostraram que as principais rochas precursoras das brechas polimíticas de impacto e das rochas metassedimentares são semelhantes à sequência inferior da Bacia do Paraná e podem estar relacionadas com a sedimentação em bacias proximais ao Arco de Arenópolis. Nossos dados ressaltam o nível de erosão sofrido pela estrutura após o impacto, em que a configuração das brechas polimíticas de impacto está relacionada à topografia do fundo da cratera, ou seja, as brechas são produtos de preenchimento de crateras bem preservadas e representam material que nunca deixou a cratera. Além disso, sugere-se uma profundidade máxima de penetração do bólido provavelmente na interface entre a sequência mais baixa da Bacia do Paraná e o embasamento (meta)sedimentar. Este estudo traz avanços e expande o conhecimento sobre a estrutura de impacto de Araguainha e seus produtos (ex., brechas de impacto), contribuindo significativamente para a geologia regional e local, além de abrir caminho para futuras investigações.

     
     

  • Mostrar Abstract
  • Impact cratering is a geological process that plays a fundamental role in the formation of the solar system and terrestrial planets. During this process, various rocks are produced and/or modified by the impact, such as shocked target rocks and impact breccias (e.g., impact melt rocks, monomict and polymict impact breccias). In Brazil, the Araguainha impact structure was the first recognized and is still considered the largest preserved impact structure in South America, with a diameter of 40 km. The structure is located in central Brazil, at the border between the states of Mato Grosso and Goiás. The Araguainha was formed near the Permian-Triassic boundary (~254 Ma) and impacted the northernmost portion of the Paraná Basin, excavating the entire sedimentary package down to the basement. This is a complex-type impact structure, with a preserved central uplift (16 km in diameter) where shocked target rocks and impact breccias are well exposed. This PhD thesis aims to contribute to the understanding of the geological evolution and knowledge of the impact breccias in the central uplift. To achieve this, data obtained from field descriptions, hand samples, thin sections, qualitative analyses through micro-XRF scanning, quantitative mineral evaluation by scanning electron microscopy, X-ray diffraction, whole-rock chemical analyses, and Sm-Nd and U-Pb isotopic analyses have led to advancements in the characterization of the Araguainha impact structure. These include understanding the geological contact relationships between the rocks outcropping in the central uplift, characterizing and defining the impact breccias, understanding the formation of these breccias, and determining the provenance of the impact breccias and shocked basement rocks. New outcrops were exposed along the MT-100 road due to its paving, which allowed for the enhancement of the study. The main advancements include: 1) The rocks attributed to the metasedimentary basement were shown to be much more extensive and lithologically heterogeneous than previously described. In addition to previously identified metamorphic rocks, non-metamorphosed units were also observed. 2) The polymict impact breccias are always in direct contact with the metasedimentary basement rocks through different mechanisms (e.g., faults, injections, fillings, settling). The components of the breccias are associated with the lower units of the target rocks. The clasts are mainly derived from the metasedimentary basement and the basal units of the Paraná Basin, with rare occurrences of alkaline granite. The matrix has a sedimentary character, similar to the lower units of the basin, supported by provenance studies. 3) Three types of impact melt rocks with different field relationships were identified: Type-I, with a granitic composition, occurring as veins and dikes in the core of the alkaline granite; Type-II, in the form of a deformed clast of highly siliceous composition in the polymict impact breccia; Type-III, partially melted conglomerate or melted sandstone that occurs in certain locations along the inner rim of the metasedimentary basement strata around the core of the alkaline granite. I propose that the Type II and III rocks were formed in the initial excavation stage as the first phase of melting formed in Araguainha by shock melting. Type I represents a pseudotachylitic breccia formed by decompression melting during the uplift and collapse of the modification stage, and the polymict impact breccias were formed within the transient cavity during the excavation stage. A multi-stage model is proposed for their origin and emplacement in Araguainha. Zircon provenance analyses showed that the main precursor rocks for the polymict impact breccias and metasedimentary rocks are similar to the lower sequence of the Paraná Basin and may be related to sedimentation in basins proximal to the Arenópolis Arch. Our data highlight the level of erosion the structure underwent after the impact, where the configuration of the polymict impact breccias is related to the topography of the crater floor; that is, the breccias are well-preserved crater fill products and represent material that never left the crater. Additionally, a maximum penetration depth of the bolide is suggested, likely at the interface between the lower sequence of the Paraná Basin and the (meta)sedimentary basement. This study brings advances and expands the knowledge of the Araguainha impact structure and its products (e.g., impact breccias), contributing significantly to regional and local geology and paving the way for future investigations.

     
     
3
  • Yuri Tatiana Campo Rodríguez
  • OS DEPÓSITOS DE JATOBÁ E ONÇA ROSA, PROVÍNCIA MINERAL DE CARAJÁS, BRASIL: DISCUSÕES GENÉTICAS SOBRE MINERALIZAÇÕES EM SISTEMAS IOCG RICOS EM NI.

  • Orientador : MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GUSTAVO HENRIQUE COELHO DE MELO
  • IRENE DEL REAL CONTRERAS
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • Data: 09/12/2024

  • Mostrar Resumo
  • O Neoarqueano-Proterozoico Domínio Carajás, localizado no centro-norte do Brasil, abriga uma diversidade de depósitos minerais. Entre eles, e de grande relevância econômica, estão os da classe de óxido de ferro–cobre–ouro (IOCG). A gênese e a cronologia desses depósitos são temas de intenso debate, com evidências e interpretações frequentemente conflitantes na literatura. Esta tese aborda os mecanismos e o momento da formação de minério em duas mineralizações IOCG enriquecidas em Ni. O prospecto Jatobá e o corpo de minério Onça Rosa, localizado no campo mineral de Jaguar, situam-se no cinturão cuprífero sul da Província Mineral de Carajás. Diferentes contextos geológicos envolvem os dois sistemas. Enquanto Jatobá está hospedado em sequências vulcânicas bimodais do Grupo Grão Pará, de idade Neoarqueana, localizadas ao longo de estruturas E-O pertencentes à zona de cisalhamento Canaã dos Carajás, Onça Rosa é um corpo mineral com alto teor de Ni, hospedado em granitos em contato com unidades máficas/ultramáficas do Complexo Máfico-ultramáfico Acamadado do Puma. Este estudo aplicou várias técnicas investigativas modernas e inovadoras para caracterização mineralógica e geoquímica detalhada, em escalas nanométrica e micrométrica. Coletivamente, novas interpretações foram possibilitadas, com implicações para a exploração mineral e o aproveitamento de recursos em toda a região. A magnetita é o principal mineral dos depósitos de Jatobá e Onça-Rosa. Em Jatobá, intercrescimentos polissomáticos entre anfibólios e piribólios não-comuns (NCPs) foram identificados como inclusões na magnetita, sugerindo uma evolução com múltiplos estágios de formação. Duas populações de anfibólios foram registradas, entre eles a ferrotschermakita, que indica formação sob pressões de até 7,5 kbar. A presença de elementos do grupo da platina (PGE), em minerais como merenskyita, sudburyita e kotulskita, reinforçãm o modelo genétio em dois estágios, no qual a mineralização de estilo IOCG foi superposta a uma assembleia preexistente, resultando nas texturas observadas de dissolução parcial, substituição, remobilização e sobreposição. A análise da magnetita revelou duas variedades distintas: uma magnetita do tipo ‘treliça’ (das rochas encaixantes) e uma ‘mosqueada’ por silicatos, com transições telescópicas evidenciadas por mudanças texturais e geoquímicas, incluindo enriquecimento em elementos das terras raras. Geotermometria e geobarometria indicam condições de 728 a 414 °C e pressões de 6,4–7,4 kbar, coerentes com formação sob metamorfismo de fácies anfibolito a 20 km de profundidad, possivelmente associado à zona de cisalhamento Canaã dos Carajás. Geocronologia de U-Pb e Lu-Hf em apatitas, permitiu datar o início da mineralização do tipo IOCG em ~2,5 G, com uma atividade hidrotermal tardia em ~2 Ga, sugerindo uma conexão com reativações das zonas de cisalhamento na região. Em Onça-Rosa, a mineralização ocorre como um skarn rico em Fe-Zn-Ni formado por alterações intensas de rochas ultramáficas em contato com um granito sin-cinemático. A mineralização evoluiu de um estágio inicial de skarn magnesiano com magnetita+esfalerita para um estágio posterior de skarn cálcico associado à pentlandita+anfibólio. Uma série de teluretos e sulfossais, e minerais raros de Ni-Bi suportam uma interação entre fluidos hidrotermais e minérios ricos em pentlandita nos contatos com o complexo acamadado da Serra do Puma. Esses achados avançam significativamente o entendimento da formação dos minérios de Ni e PGE em sistemas IOCG na província de Carajás, destacando o potencial exploratório e econômico da região.


  • Mostrar Abstract
  • The Carajás Domain, central-north Brazil, is host to large iron-oxide–copper–gold (IOCG) deposits. The mechanisms and timing of ore genesis are addressed in two Ni-bearing IOCG systems, Jatobá and Onça-Rosa. Jatobá is located along the Canaã dos Carajás shear zone and hosted within bimodal volcanic sequences of the Neoarchean Grão Pará Group. Onça-Rosa is a granite-hosted orebody located at contacts with mafic/ultramafic units of Serra do Puma layered Complex. At Jatobá, spectacular polysomatic intergrowths between amphiboles and non-classical pyriboles (NCPs) are observed in magnetite cores. Nanoscale imaging of NCPs are used to model crystallization via self-patterning during amphibole growth in a close-to-equilibrium system. These observations support a multi-stage evolution for Jatobá. Ferrotschermakite indicates formation at ~7.5 kbar. Fractures and grain boundaries in pyrite from Jatobá host platinum group minerals (PGM) associated with rare earth- and U-minerals. Differences in sulphide chemistry, and the distribution and speciation of PGM further support a two-stage genetic model. IOCG-style mineralization was superimposed onto a pre-existing assemblage, resulting in partial dissolution, replacement and remobilization textures. Platinum group elements (PGE), released from common sulphides combined with Sb-Bi-Te-bearing fluids during the retrograde stage of a syn-deformational metamorphic event. An alternative model involves leaching of Ni and PGE from komatiites within the sequence or from basement ultramafics. Substantiation of the two-stage model comes from two texturally and geochemically distinct magnetite types: ‘trellis’ in country rocks, with a telescoped transition to ‘silicate-mottled’ in ore. Magnetite geochemistry evolves from Ti-Cr-Co-Mn (‘trellis’) to REE enrichment in the silicate-mottled type. Ilmenite-magnetite nano-thermobarometry (728-414°C), ferrotschermakite geobarometry (6.4-7.4 kbar), and observed deformation textures suggests amphibolite facies at ~20 km, concordant with deep shear zone metamorphism. Such a scenario allows metal leaching from lithologies at the base of the Canaã dos Carajás strike-slip structure. The age of mineralization is constrained from apatite associated with magnetite. Initial deposition of apatite in a volcanic rift sequence at 2.76‒2.73 Ga is supported by a preserved ‘mafic’ Cl-rich signature. IOCG system initiation took place during shearing at ~2.5 Ga. The ~2.5 Ga age coincides with Cinzento Shear zone reactivation and published ages for deposits in the northern copper belt, strongly suggesting deep-rooted connections between mineralising systems across the region. Onça-Rosa is substantially different. Magnetite textures, including inclusion-rich cores with NCPs are indicative of early formation relative to coexisting sulphides. Contrasting with previous interpretations, Onça-Rosa is considered a ‘hybrid’ Fe-Zn-Ni skarn system formed in two distinct stages: an early magnesian skarn during deposition of magnetite+sphalerite; and a later calcic skarn associated with pentlandite+amphibole. High REY concentrations in amphiboles and apatite and association with uraninite are concordant with IOCG-style mineralization. Nickel-rich sulphide mineralization at Onça-Rosa comprises pentlandite, violarite/bravoite, pyrite, sphalerite and minor chalcopyrite. Microtextures are concordant with cycles of replacement via dissolution-reprecipitation reaction. Characteristic accessories are arsenohauchecornite, ognitite, parkerite, tellurides, and Pb-Bi-sulfosalts. Nanostructures in pentlandite reveal fluid pathways that host nanoparticles of moncheite, volynskite, hessite, altaite, and Bi-chalcogenides. The observed assemblages and NPs are attributed to interaction between metasomatic-hydrothermal fluids with pentlandite-rich ores at contacts between ultramafic rocks and granite-derived fluids.

4
  • Omar Sebastian Assis
  • Caracterização geoquímica e isotópica do magmatismo andino entre os 36° e 42°S em Neuquén, Argentina: implicações na evolução crustal do Arco Andino.

  • Orientador : NATALIA HAUSER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDRES FOLGUERA
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • MIGUEL ANGELO STIPP BASEI
  • NATALIA HAUSER
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • Data: 09/12/2024

  • Mostrar Resumo
  • O oeste da Província de Neuquén entre os 36-39°S e 70-71°W, Argentina, faz parte hoje dos Andes Centrais Austrais. Neste setor, o ciclo Andino (Jurássico-recente) encontra-se muito bem representado, entanto que o ciclo Gondwánico (Permiano-Triássico) encontra-se pontualmente representado em determinados setores, como no anticlinal da Cordillera del Viento, uma estrutura compressiva terciaria.
    A ruptura do continente Gondwana durante o Triássico deu origem à formação de batólitos e um grande magmatismo efusivo, o Grupo Choiyoi. Posteriormente, mudanças na horizontalização da placa oceânica produziram vários pulsos de compressão e extensão que resultam no surgimento dos Andes no início do Jurássico e na migração do arco magmático para o leste coo produto das mudanças no ângulo de subducção da placa oceânica.
    O presente trabalho tem como objetivo o entendimento da evolução crustal relacionado com o ciclo Andino. Técnicas de mapeamento, AMS, geoquímica, geoquímica isotópica (Sr-Nd), geocronologia (U-Pb/Hf em zircão) e AFT, dos corpos ígneos associados principalmente com o Ciclo Andino contribuirão no entendimento de processos associados diretamente com: câmbios no ângulo de subducção da placa oceânica, erosão por subducção, subducção de sedimentos, contaminação com crosta inferior e até inferir as características do manto, por exemplo se ele foi previamente metasomatizado. Todos esses processos em conjunto ajudaram no traçado dos processos de evolução crustal dos Andes no oeste de Neuquén, Argentina.
    Em função do significado tectônico, a área de estudo e em consequência os objetivos específicos, foram divididos em três partes, de norte para o sul: I) parte norte, Cordillera del Viento, onde existe um registro quase que continuo entre ciclo Gondwánico e Andino, II) parte central Faixa de Naunauco que representa o magmatismo mais oriental ligado com a horizontalização da placa oceânica num evento compressivo Cretáceo-Paleogeno e III) parte sul, na área de Villa Pehuenia e nos lagos Ñorquinco e Pulmarí, que representa o magmatismo no mesmo eixo do arco no final do Cretáceo. A Cordillera del Viento, uma estrutura anticlinal é um dos poucos lugares onde está representado o embasamento, as rochas do ciclo Gondwânico, um evento extensivo intermediário e finalmente as rochas do ciclo Andino. Nesta área encontram-se os tonalitos Varvarco e Butalón de idade Cretáceo-Paleógena, representantes do ciclo Andino. Na área de Naunauco, que representa a parte oriental do arco, foram encontradas rochas intrusivas nos sedimentos da Bacia Neuquina, que fazem parte do Cinturão de dobras e cavalgamentos de Agrio. O limite sul deste magmatismo está representado na área de Villa Pehuenia e nos lagos Ñorquinco e Pulmarí, pelo Granodiorito Paso de Icalma, Granito Moquehue e o desenvolvimento do Complexo Ígneo-Metamórfico Aluminé (CIMA).
    Os resultados obtidos foram apresentados em função de dois artigos. O Artigo 1, representa os resultados obtidos na Cordillera del Viento, especificamente nos corpos do ciclo Andino, tonalitos de Varvarco e Butalón.  Observações de campo e análises petrográficas indicam que a hibridização foi o principal processo de diversificação magmática que controlou a geração e evolução dos plútons com características cálcio-alcalinas do tipo I. Dados combinados de traços de fissão em apatita e microssonda eletrônica indicam profundidades de locação raças (12 km) e condições de resfriamento rápido (330°C/My). A análise da anisotropia de susceptibilidade magnética indica que as fábricas são puramente magmáticas, sem a presença de deformações sobrepostas, ou seja, devidas apenas à câmara magmática. Os dados obtidos no Artigo 2, de caracter mais regional, mostrou que em geral, o Jurássico na região foi caracterizado por rochas ígneas e vulcânicas ácidas, com uma tendência alc-alcalina de alto-K e principalmente características de rochas de intraplaca. Os valores de (ƐNd)i e (ƐHf)i apresentam um aumento isotópico em direção ao Cretácico-Paleogeno, com um aumento acentuado em 67 Ma. Essas rochas Cretácico-Paleogenas são principalmente rochas plutônicas e vulcânicas intermediárias, cálcio-alcalinas e com assinatura típica de arco vulcânico, e apresentam valores mais positivos de isótopos (ƐNd)i e (ƐHf)i.

  • Mostrar Abstract
  • The west part of the Neuquén Province, between 36-39°S and 70-71°W, Argentina, today is part of the Southern Central Andes. In this sector, the Andean cycle (Jurassic to recent) is well represented, while the Gondwanic cycle (Permian-Triassic) is occasionally represented in certain sectors, such as in the Cordillera del Viento anticline, a tertiary compressive structure.
    The rupture of the Gondwana continent during the Triassic gave rise to the formation of batholiths and a large effusive magmatism, the Choiyoi Group. Later, changes in the horizontalization of the oceanic plate produced several pulses of compression and extension that result in the emergence of the Andes in the early Jurassic and the migration of the magmatic arc to the east as a product of changes in the subduction angle of the oceanic plate.
    The aim of the present work is to understand the crustal evolution related to the Andean cycle. Mapping techniques, AMS, geochemistry, isotopic geochemistry (Sr-Nd), geochronology (U-Pb/Hf in zircon) and AFT, of igneous bodies mainly associated with the Andean Cycle will contribute to the understanding of associated processes directly with: changes in the subduction angle of the oceanic plate, erosion by subduction, sediment subduction, contamination with lower crust and even inferring the mantle characteristics, for example if it was previously metasomatized. All these processes together helped in tracing the crustal evolution processes of the Andes at the western portion of Neuquén Province, Argentina.
    On the basis of the tectonic significance, the study area, and the specific objectives, were divided into three parts from north to south: I) northern part, Cordillera del Viento, where there is an almost continuous record between the Gondwánic and Andean cycles, II ) central part were the Naunauco Belt represents the easternmost magmatism connected with the horizontalization of the oceanic plate in a Cretaceous-Paleogene compressive event and III) southern part, in the area of Villa Pehuenia and in the Ñorquinco and Pulmarí lakes, which represents the magmatism on the same axis of the arc in the late Cretaceous. The Cordillera del Viento, an anticline structure, is one of the few places where the basement, the rocks of the Gondwanic cycle, an extensive intermediate event and finally the rocks of the Andean cycle are represented. In this area are the Huingancó Granite belonging to the Gondwanic cycle and the Cretaceous-Paleogenous tonalites Varvarco and Butalón, representatives of the Andean cycle. In the area of Naunauco, which represents the eastern part of the arc, intrusive rocks were found in the sediments of the Neuquina Basin, which are part of the Agrio fold and thrust belt. The southern limit of this magmatism is represented in Villa Pehuenia and in the lakes Ñorquinco and Pulmarí, by the Granodiorite Paso de Icalma, Granite Moquehue and the development of the Aluminé Igneous-Metamorphic Complex (CIMA).
    The obtained results were divided into the three articles. Article 1 represents the results obtained in the Cordillera del Viento, specifically in the bodies of the Andean cycle, Varvarco and Butalón tonalites. Field observations and petrographic analysis indicate that hybridization was the main diversification magmatic process that controlled the generation and evolution of these plutons with calc-alkaline I-type characteristics. Combined fission track data on apatite and microprobe analyses indicate race location depths (12 km) and rapid cooling conditions (330°C/My). The analysis of the magnetic susceptibility anisotropy indicates that the fabrics are purely magmatic, without the presence of superimposed deformations, that is, controlled only by process in the magmatic chamber. The data obtained in Article 2, of a more regional nature, showed that in general, the Jurassic in the region was characterized by acidic igneous and volcanic rocks, with a high-K alkali trend and mainly intraplate rock characteristics. The values of (ƐNd)i and (ƐHf)i show an isotopic increase towards the Cretaceous-Paleogene, with a sharp increase at 67 Ma. These Cretaceous-Paleogene rocks are mainly intermediate plutonic and volcanic rocks, calc-alkaline and with a typical volcanic arc signature, and present more positive values of isotopes (ƐNd)i and (ƐHf)i.
5
  • LUISA GOMES BRAGA
  • Petrologia de xenólitos mantélicos do kimberlito Canastra-1, SW do Cráton do São Francisco: química mineral e geoquímica isotópica (Sr-Nd e gases nobres).

  • Orientador : TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDERSON COSTA DOS SANTOS
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • NATALIA HAUSER
  • ROGÉRIO GUITARRARI AZZONE
  • TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • Data: 12/12/2024

  • Mostrar Resumo
  • O kimberlito diamantífero Canastra-1 representa uma intrusão cretácea pertencente à Província Ígnea do Alto Paranaíba (APIP), Brasil. Este kimberlito hospeda xenólitos portadores de granada, incluindo dunito, lherzolitos cisalhados, websteritos (anidros e hidratados), clinopiroxenitos e eclogitos. Análise petrográfica detalhada acompanhada por dados de química mineral e isotópicos (Sr-Nd) indicam que a litosfera cratônica na margem SW do Cráton São Francisco foi severamente afinada. Os padrões de elementos de terras raras (ETR) para os clinopiroxênios exibem enriquecimento variável em ETR leves (ETRL) em relação aos ETR pesados (ETRP) (Ce/YbN = 10,52–93,63). Os eclogitos (Ce/YbN = 60,90–93,63) e websteritos (Ce/YbN = 10,52–50,61) hidratados são caracterizados pelas maiores concentrações de ETRL em relação aos ETRP. A pargasita exibe o mesmo padrão de ETR observado nos clinopiroxênios coexistentes (Ce/YbN = 10.26–57.06). Os grãos de granada mostram um padrão de ETR normal, caracterizado pelo enriquecimento de ETRP e fracionamento suave de ETRL (Ce/YbN <0,32). Estimativas de temperatura (T) e pressão (P) demonstram que lherzolitos, clinopiroxenitos, websteritos anidros e dunito representam a coluna de manto mais profunda e quente da litosfera do Canastra-1 (T = 1191–1290 ºC; 5,3–5,6 GPa), enquanto os websteritos hidratados (T = 875–926 ºC; P = 2,0–3,0 GPa) e os eclogitos (T = 978–982 ºC; P ~4,0 GPa) caracterizam-se como as amostras mais rasas e mais frias. Para os eclogitos, tanto o clinopiroxênio quanto a granada apresentam altas razões de 87Sr/86Sr (0,70842–0,70912) e valores εNd negativos (-5,6 a -7,3). Essas características sugerem um protólito máfico provavelmente metassomatizado por fluido/melt derivado de rochas sedimentares sobrejacentes. Websteritos hidratados, cumulados de andesito basáltico hidratado, representam as amostras mais enriquecidas, com clinopiroxênio exibindo as razões isotópicas 87Sr/86Sr mais altas (0,70894–0,71094), e expressivos valores negativos de εNd (-7,2 a -13,3). Lherzolitos cisalhados, clinopiroxenitos, websteritos anidros e dunito exibem bordas quelifíticas ao redor dos grãos de granada e indício de metassomatismo promovido pela percolação de um melt proto-kimberlítico de alta temperatura e enriquecido em Ti, Zr e Y. O metassomatismo proto-kimberlítico é apoiado pelo enriquecimento preferencial das razões 87Sr/86Sr (0,70560–0,70869) acompanhado por valores positivos de εNd (+1,8 a +10,10). As isócronas Sm-Nd forneceram uma idade média de 120 ± 5 Ma, que representa a idade de erupção/colocação do kimberlito hospedeiro. Na litosfera cratônica profunda, o evento metassomático é coevo aos estágios iniciais do rompimento do Gondwana durante o Cretáceo, pouco antes da colocação do kimberlito em 120 Ma. O metassomatismo proto-kimberlítico ocorreu imediatamente antes da erupção do kimberlito, desencadeando um intenso afinamento litosférico e destruição parcial da margem SW do Cráton do São Francisco. Paralelamente, toda a coluna do manto exibe assinaturas extremamente radiogênicas de hélio (3He/4He geralmente <1 RA) e xenônio fissiogênico (alto-136Xe/130,132Xe), enquanto o neônio mostra predominantemente uma assinatura semelhante à MORB, além de razões nucleogênicas. As razões 40Ar/36Ar (304–8464) indicam mistura entre o ar e um componente mantélico, com forte contribuição atmosférica. As razões isotópicas de xenônio permitiram a construção de linhas de correlação para o manto litosférico cratônico. Estas linhas representam a primeira proposição bem definida para o manto cratônico do mundo, e indicam que o manto abaixo do Cráton do São Francisco encontra-se consideravelmente degaseificado em comparação ao manto litosférico fora de regiões cratônicas. Estas assinaturas indicam a efetiva reciclagem de crosta oceânica hidratada antiga e sedimentos sobrejacentes derivados de um sistema de subducção complexo e de longa duração desde o Arqueano-Paleoproterozoico.


  • Mostrar Abstract
  • The diamond-bearing kimberlite Canastra-1 represents a Cretaceous intrusion from the Alto Paranaíba Igneous Province (APIP), Brazil. This kimberlite hosts garnet-bearing xenoliths, including dunite, sheared lherzolites, websterites (anhydrous and hydrated), clinopyroxenites, and eclogites. Detailed petrographic analyses accompanied by mineral chemistry and isotopic data (Sr-Nd) indicate that the cratonic lithosphere at the SW margin of the São Francisco Craton has been severely thinned. Rare earth element (REE) patterns for clinopyroxenes exhibit variable enrichment in light REE (LREE) relative to heavy REE (HREE) (Ce/YbN = 10.52–93.63). Eclogites (Ce/YbN = 60.90–93.63) and hydrated websterites (Ce/YbN = 10.52–50.61) are characterized by the highest concentrations of LREEs relative to HREEs. Pargasite exhibits the same upward REE pattern observed in the coexisting clinopyroxenes (Ce/YbN = 10.26–57.06). Garnet grains show a normal REE pattern, characterized by a predominance of HREEs and a smooth decrease of LREEs (Ce/YbN <0.32). Temperature (T) and pressure (P) estimates demonstrate that lherzolites, clinopyroxenites, anhydrous websterites, and dunite represent the deepest and hottest mantle column of the Canastra-1 lithosphere (T = 1191–1290 ºC; 5.3–5.6 GPa), whereas the hydrated websterites (T = 875–926 ºC; P = 2.0–3.0 GPa) and eclogites (T = 978–982 ºC; P ~4.0 GPa) are characterized as shallower and colder. For the eclogites, both clinopyroxene and garnet show high 87Sr/86Sr ratios (0.70842–0.70912) and negative εNd values (-5.6 to -7.3). These features suggest a mafic protolith probably metasomatized by fluid/melt derived from the overlying sediments. Hydrated websterites, cumulates from a hydrous basaltic andesite, represent the most enriched samples, with clinopyroxene exhibiting the highest 87Sr/86Sr isotopic ratios (0.70894–0.71094) and significant negative εNd values (-7.2 to -13.3). Sheared lherzolites, clinopyroxenites, anhydrous websterites, and dunite show kelyphitic rims around garnet grains and evidence of metasomatism promoted by the percolation of a high-temperature, Ti-, Zr-, and Y-enriched proto-kimberlite melt. The proto-kimberlite metasomatism is supported by the preferential enrichment of 87Sr/86Sr ratios (0.70560–0.70869) accompanied by positive εNd values (+1.8 to +10.10). Sm-Nd isochrons provided an average age of 120 ± 5 Ma, representing the eruption/emplacement age of the host kimberlite. In the deep cratonic lithosphere, the metasomatic event is coeval with the initial stages of the Gondwana breakup during the Cretaceous, shortly before the kimberlite emplacement at 120 Ma. The proto-kimberlitic metasomatism occurred immediately before the kimberlite eruption, triggering intense lithospheric thinning and partial destruction of the SW margin of the São Francisco Craton. On the other hand, all xenoliths exhibit extremely radiogenic helium signatures (3He/4He generally <1 RA) and fissiogenic xenon (high-136Xe/130,132Xe), while neon shows mostly a MORB-like signature with subordinated contribution of a nucleogenic component. The 40Ar/36Ar ratios (304–8464) indicate mixing between air and a mantle component, with a strong atmospheric contribution. The xenon isotopic ratios allowed the construction of correlation lines for the cratonic lithospheric mantle. These lines represent the first well-defined proposition for the cratonic mantle in the world and suggest that the mantle beneath the São Francisco Craton is considerably degassed compared to the off-craton lithospheric mantle. These signatures indicate the effective recycling of ancient hydrated oceanic crust and overlying sediments derived from a complex and long-lived subduction system since the Archean-Paleoproterozoic.

6
  • Adriana Araujo Castro Lopes
  • Petrologia e metalogênese do depósito de Au (±Cu) Raimunda, Sul do Cráton Amazônico, Província Mineral Juruena (MT)

  • Orientador : MARCIA ABRAHAO MOURA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARCIA ABRAHAO MOURA
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • CARLOS MARCELLO DIAS FERNANDES
  • ARIADNE BORGO
  • Data: 12/12/2024

  • Mostrar Resumo
  • A Província Mineral Juruena, no sul do Cráton Amazônico, é uma província mineral emergente de classe mundial devido aos numerosos depósitos de Au, Cu e metais básicos descobertos e explorados nas últimas décadas. O depósito de Au (±Cu) Raimunda, localizado ao leste da província, está inserido no Completo Novo Mundo, formado por fácies graníticas (monzonito, monzogranito, biotita granodiorito e sienogranito), do tipo I, calcioalcalinas, com características de ambiente de arco vulcânico, com idades U–Pb variando entre 2,03 e 1,98 Ga, TDM entre 2,52–2,15 Ga e ɛNd(t) entre -2,0 e +1,8. Os dados petrológicos, geoquímicos e isotópicos do Complexo são correlacionáveis aos do Arco Magmático Cuiú-Cuiú, gerado durante a principal fase de arco na região (2,05 – 1,99 Ga). E, juntamente com estudos mais recentes sobre a geotectônica do Cráton, permitem sugerir a existência de um arco magmático contínuo Paleoproterozoico na porção sul do Cráton Amazônico, responsável pela formação das principais rochas graníticas pertencentes às Províncias Minerais Tapajós e Juruena. As fácies monzogranito e sienogranito apresentam mineralização expressiva, e as porções mineralizadas são fortemente hidrotermalizadas, compreendendo metassomatismo sódico incipiente, microclinização, alteração propilítica, alteração sericitica, silificação, estágio de sulfetação e carbonatação tardia. A mineralização é disseminada e geneticamente associada à alteração sericítica (Au1) e ao estágio de sulfetação (Au2). No estágio inicial de mineralização, o ouro ocorre incluso em pirita, disposto em veios e vênulas de quartzo-muscovita-clorita-pirita-ouro. Os dados de geotermômetro da clorita apontam temperaturas entre 340 e 370°C para esse sistema. No estágio principal da mineralização, o ouro ocorre incluso em pirita ou preenchendo veios e/ou vênulas de sulfeto maciço ou de quartzo-sulfetos ricos em sulfetos de cobre e bismuto. Dados do geotermômetro da clorita e da microtermometria das inclusões fluidas indicam condições de T entre 325 e 380°C como o principal intervalo de temperatura da mineralização do depósito. A ocorrência de inclusões aquosas contemporâneas com o fluido aquoso-carbônico de alta temperatura, além dos estágios de homogeneização para o vapor e para o líquido, indicam a imiscibilidade do fluido e/ou mistura de fluidos quentes e mais salinos com fluidos provenientes de fontes meteóricas, mais frias. Fluidos ricos em H2O-NaCl-CaCl2, contemporâneos à carbonatação tardia, foram aprisionados em temperaturas com intervalo principal de 200–250 °C. Os dados de isótopos estáveis de oxigênio em quartzo mostraram intervalo entre 9 e 12,6‰, e os dados isotópicos do fluido estão entre 3,11 e 7,86‰. Para o enxofre, o δ34Spy mostra intervalos de -1,4 a +0,1‰. Em ambos os casos, os fluidos são remetidos à origem magmática no depósito Raimunda. A coexistência de inclusões fluidas aquosas e aquocarbônicas de alta temperatura revela uma mistura de fluidos quentes de média salinidade com fluidos mais frios e de baixa salinidade. O ouro foi inicialmente transportado como complexos cloretados em fluido de alta temperatura, de salinidade média, ácido e oxidado, provenientes da câmara magmática, e mais tarde como complexos de H2S-. A instabilidade físico-química durante a subida do fluido é interpretada como um fator desencadeante da precipitação do minério. Esses resultados oferecem informações valiosas sobre a gênese dos depósitos de Au-pórfiro e as suas implicações para a prospecção mineral no sul do Craton Amazônico.

     

  • Mostrar Abstract
  • The Juruena Mineral Province, located in the southern Amazonian Craton, is an emerging world-class mineral province known for its abundant gold (Au), copper (Cu), and base metal deposits. The Raimunda Au deposit (±Cu) sits in the east of the province. It is part of the Novo Mundo Complex, which is composed of I-type calc-alkaline granitic facies (monzonite, monzogranite, biotite granodiorite and syenogranite) related to volcanic arc magmatism yielding U–Pb ages between 2.03 and 1.98 Ga, TDM ages 2.52-2.15 Ga, and ɛNd(t) values of -2.0 and +1.8. The integration of isotopic, geochemical and petrological data of the Complex, which correlate with those of the Cuiú-Cuiú Magmatic Arc formed during peak arc magmatism in the region (2.05 – 1.99 Ga), and recent geotectonic studies of the Craton allow us to suggest the existence of a continuous Paleoproterozoic magmatic arc in the southern sector of the Amazonian Craton. This magmatism was responsible for the genesis of the major granitic rocks within the Tapajós and Juruena Mineral Provinces. The monzogranite and syenogranite facies exhibit significant mineralization and have undergone extensive alteration including incipient sodic metasomatism, microclinization, propylitic alteration, sericitic alteration, silicification, sulfide stage, and late-stage carbonate alteration. Mineralization is sparsely disseminated and genetically associated with sericitic alteration (Au1) and sulfide stage (Au2). At early mineralization, gold occurs as inclusions in pyrite hosted into quartz-muscovite-chlorite-pyrite-gold veins and veinlets. Chlorite geothermometer yields temperatures of 340–370°C for this system. At peak mineralization, gold occurs either as inclusions in pyrite or fills massive sulfide and Cu-Bi-rich quartz-sulfide veins and veinlets. Chlorite geothermometer and fluid inclusion microthermometric data indicate that the primary temperature range for mineralization in the deposit falls between 325 and 380°C. The occurrence of inclusions formed from aqueous, high-temperature aqueous-carbonic fluid coupled with stages of homogenization into vapor and liquid phases point out to fluid immiscibility and/or mixing of more saline hot fluids with cooler fluids derived from meteoric sources. H2O-NaCl-CaCl2 fluids associated with late-stage carbonate alteration were trapped at temperatures within a range of 200–250 °C. Oxygen stable isotope data of quartz range between 9 and 12.6‰, and fluid isotope data range from 3.11 to 7.86‰. Sulfur isotope data δ34Spy range from -1.4 to +0.1‰. In both cases, the fluids are attributed to a magmatic origin at the Raimunda deposit. The coexistence of high-temperature aqueous and aqueous-carbonic fluid inclusions reveals mixing of hot medium-salinity fluids with cooler low-salinity fluids. Gold was initially transported as chloride complexes in very hot, medium-salinity, acidic, oxidized fluids expelled by the magma chamber, and as H2S- complexes afterwards. The physical-chemical instability caused by the ascent of the fluid likely triggered ore precipitation. These results provide valuable insights into the genesis of porphyry Au deposits and their implications for mineral exploration in the south Amazonian Craton.

     
2023
Dissertações
1
  • CAROLINE ARAUJO FREITAS
  • COMPORTAMENTO DOS ELEMENTOS TERRAS RARAS E DOS ISÓTOPOS DE Nd e Sr EM PERFIS LATERÍTICOS NO BRASIL CENTRAL.

  • Orientador : ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • JEREMIE GARNIER
  • ROMULO SIMOES ANGELICA
  • Data: 13/02/2023

  • Mostrar Resumo
  • Estudos sobre mineralogia e geoquímica em perfis lateríticos fornecem informações sobre a interação fluido/rocha e contribui para o entendimento dos processos intempéricos. Nesse sentido foi feito o estudo mineral e geoquímico em dois perfis lateríticos em Goiás. Apesar das diferenças químicas associadas as fases minerais distintas em cada rocha mãe, o intemperismo e a lateritização do filito no perfil 1 e de um arenito no perfil 2, originou dois perfis lateríticos estruturados em saprólito, mosqueado, crosta laterítica ferruginosa e desmantelado. No perfil 2, o retrabalhamento da crosta ferruginosa a partir da hidratação da hematita originou o latossolo sobreposto. A lateritização ocasionou a decomposição da muscovita e illita no perfil 1 e microclínio e illita no perfil 2 que resultou na lixiviação, sobretudo dos cátions e traços associados a essas fases em detrimento da concentração de Fe2O3, P2O3, ETRL, LOI, As, Cu, Pb, V, Th e Zn no perfil 1, e além desses de U, Sc e Cs no perfil 2, os quais são também lixiviados na decomposição da crosta e formação do solo. Os elementos terra raras pesados são controlados no perfil 1 pela muscovita e são empobrecidos com o avanço do intemperismo, enquanto no perfil 2 são retidos por estarem associados ao zircão, rutilo e anatásio, são residuais no intemperismo. As terras raras leves são associadas em ambos os perfis as fases secundárias (óxidos de fe, illita e caulinita) e são concentrados com o avanço do intemperismo, entretanto a formação do solo no perfil 2 resulta no seu empobrecimento em função da transformação da caulinita em gibbsita. As razões de Sm/Nd e εNd(0) preservam a assinatura das rochas se não são fracionados, enquanto as razões Rb/Sr e 87Sr/87Sr, maiores no perfil 1 por sua associação com muscovita, de ambos os perfis são decrescentes para o topo de forma similar, refletindo o intemperismo dos minerais primários.


  • Mostrar Abstract
  • Studies on mineralogy and geochemistry in lateritic profiles provide information on the fluid/rock interaction and contribute to the understanding of weathering processes. In this sense, a mineral and geochemical study was carried out in two lateritic profiles in Goiás. Despite the chemical differences associated with the distinct mineral phases in each parent rock, weathering and lateritization of the phyllite in profile 1 and a sandstone in profile 2, originated two lateritic profiles structured in saprolite, mottled, ferruginous and dismantled lateritic crust. In profile 2, the reworking of the ferruginous crust from the hydration of the hematite originated the superimposed latosol. Lateritization caused the decomposition of muscovite and illite in profile 1 and microcline and illite in profile 2, which resulted in leaching, especially of cations and traces associated with these phases to the detriment of the concentration of Fe2O3, P2O3, ETRL, LOI, As, Cu, Pb, V, Th and Zn in profile 1, and in addition to those of U, Sc and Cs in profile 2, which are also leached in crustal decomposition and soil formation. The heavy rare earth elements are controlled in profile 1 by muscovite and are depleted with the advance of weathering, while in profile 2 they are retained because they are associated with zircon, rutile and anatase, they are residual in weathering. The light rare earths are associated in both profiles with the secondary phases (fe, illite and kaolinite oxides) and are concentrated with the advance of weathering, however the soil formation in profile 2 results in its impoverishment due to the transformation of kaolinite into gibbsite. The ratios of Sm/Nd and εNd(0) preserve the signature of the rocks if they are not fractionated, while the ratios Rb/Sr and 87Sr/87Sr, higher in profile 1 due to its association with muscovite, of both profiles are decreasing for the top in a similar way, reflecting the weathering of the primary minerals

2
  • ANA CLARA LÉGORA WOITECH HECKSHER
  • Isótopos de Nd e a Arquitetura do Arcabouço Tectônico de um Sistema Orogênico Confinado: Domínios Litosféricos do Orógeno Araçuaí.

  • Orientador : ELTON LUIZ DANTAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • REINHARDT ADOLFO FUCK
  • ELIZA INEZ NUNES PEIXOTO
  • MONICA DA COSTA PEREIRA LAVALLE HEILBRON
  • Data: 28/02/2023

  • Mostrar Resumo
  • Este estudo apresenta o resultado de um mapeamento isotópico usando a metodologia Sm-Nd e a integração com dados geofísicos do orógeno Araçuaí e sua relação com o Cráton do São Francisco. As duas técnicas foram combinadas a fim de delimitar diferentes domínios litosféricos, que registram todos os eventos relacionados a diferentes momentos da história evolutiva do arcabouço tectônico de um sistema orogênico Neoproterozóica que foi desenvolvido bordejando um cráton estável desde o Paleoproterozóico. O estudo isotópico foi feito a partir dos padrões estabelecidos pela interpretação de 320 análises Sm-Nd de idade modelo TDM Nd e pelos valores de ENd (t). A integração dos padrões estruturais observados em mapas geofísicos, aeromagnéticos e gamaespectrométricos, com o mapeamento isotópico, permite definir a paleogeografia de diferentes blocos crustais organizados em domínios tectônicos que refletem a junção de duas placas litosféricas de idades contrastantes. A identificação dos limites entre os domínios litosféricos é bem marcada no mapa de anomalia Bouguer e nos produtos gerados neste estudo, com distintas assinaturas isotópicas e radiométricas. Antiga litosfera continental é caracterizada por rochas com idade modelo TDM Nd entre 3,0 e 2,2 Ga, e valores de ENd (t) variando de -30 a -20 e corresponde às unidades representativas do Cráton do São Francisco. O relevo magnético deste bloco é caracterizado por alto valores (> 0.1 nt ). Uma zona de transição de de 100 Km de largura com fragmentos de rochas Paleoproterozóicas envolvidas na deformação brasiliana, mas preservando uma assinatura isotópica da antiga litosfera, pode refletir pedaços do Cráton que foram desmembrados e separados em blocos crustais individuais. Dentro de cada bloco os valores de ENd (t) ficam em torno de - 20 e a idade modelo TDM em torno de 2,2 Ga. O principal limite deste bloco crustal Jequitinhonha e o orógeno é a zona de cisalhamento Abre Campo. A fragmentação da antiga litosfera continental, deixa registro na forma de magmatismo intracontinental Toniano, em torno de 900-750 Ma, e bacias precursoras do sistema orogênico, com assinaturas isotópicas distintas. Nesta fase ocorre um afinamento crustal na litosfera e o soerguimento do manto astenosférico, devido ao quebramento dos antigos blocos continentais, que é caracterizada por idade modelo TDM Nd próximo variando de 1,8 até 1,2 Ga e valores de ENd (t) próximos a zero e pouco negativos até - 5 em média. A inversão dos processos de oceanização e o início de uma tectônica compressiva relacionado à processos de subducção em 860 Ma até 490 Ma, é caracterizado pela formação de um sistema de arcos magmáticos acrescionários e colisionais. Fragmentos dispersos de arco juvenil toniano e com assinatura juvenil são pouco preservados, sendo que o maior volume de magmatismo relacionado a colisão do arco- continente apresenta rochas com idade modelo TDM Nd variando entre 2,0-1,4 Ga, e valores de ENd (t) entre -9 até -7, sugerem a participação do manto subcontinental litosférico (SCLM) como a principal fonte mantélica da geração de uma variedade do magmatismo e intenso plutonismo na região. A litosfera jovem Neoproterozóica, com valores de idade modelo TDM Nd de 1,0 Ga e valores positivos (+5), requer a abertura de um oceano jovem, que deixa resquícios na forma de corpos ultramáficos e ofiolitos. O alinhamento dos corpos ultramáficos com assinatura isotópica positiva e fortes anomalias magnéticas, delimitam os domínios das paleo-litosferas, e marcam a posição geográfica da zona de sutura entre diferentes litosferas, jovem e antiga. Existe uma variação da assinatura isotópica, com valores específicos para cada suíte magmática descrita para a Faixa Araçuaí, desde G1 até G5, sugerindo a interação de fontes antigas paleoproterozóicas com intenso retrabalhamento crustal e fontes jovens juvenis neoproterozóicas, que refletem a existência de distintas litosferas e sendo a profundidade do que o magma é gerado o principal fator que define a assinatura isotópica das fontes do magmatismo do sistema orogênico. Os grandes lineamentos identificados nos mapas geofísicos são interpretados como zonas de cisalhamento dúcteis, e são responsáveis pelos limites dos domínios litosféricos e diferentes blocos crustais, que encontram se deslocados de sua posição original. Eventos tafrogênicos de épocas diferentes são representados por enxames de diques desenvolvidos em limites de blocos crustais, refletem a litosfera a que eles intrudem, herdando a assinatura isotópica em profundidade de cada uma delas.


  • Mostrar Abstract
  • This study presents the result of an isotopic mapping using the Sm-Nd methodology and the integration with geophysical data from the Araçuaí orogen and its relationship with the São Francisco Craton. The two techniques were combined in order to delimit different lithospheric domains, which record all events related to different moments in the evolutionary history of the tectonic framework of a Neoproterozoic orogenic system that was developed bordering a stable craton since the Paleoproterozoic. The isotope study was carried out based on the standards established by the interpretation of 320 Sm-Nd analyzes of the TDM Nd model age and by the ENd (t) values. The integration of structural patterns observed in geophysical, aeromagnetic and radiometric maps, with isotopic mapping, allows us to define the paleogeography of different crustal blocks organized into tectonic domains that reflect the junction of two lithospheric plates of contrasting ages. The identification of boundaries between lithospheric domains is well marked in the Bouguer anomaly map and in the products generated in this study, with distinct isotopic and radiometric signatures. Former continental lithosphere is characterized by rocks with TDM Nd model age between 3,0 and 2,2 Ga, and ENd (t) values ranging from -30 to -20 and corresponds to the representative units of the São Francisco Craton. The magnetic relief of this block is characterized by high values (> 0.1 nt ). A 100 km wide transition zone with fragments of Paleoproterozoic rocks involved in the Brasiliano deformation, but preserving an isotopic signature of the ancient lithosphere, may reflect pieces of a Craton that have been dismembered and separated into individual crustal blocks. Within each block the ENd (t) values are around -20 and the TDM Nd model age around 2,2 Ga. The main boundary of this Jequitinhonha crustal block and the orogen is the Abre Campo shear zone. The fragmentation of the ancient continental lithosphere leaves a record in the form of Tonian intracontinental magmatism, around 900-750 Ma, and precursor basins of the orogenic system, with distinct isotopic signatures. In this phase there is a crustal thinning in the lithosphere and the uplift of the asthenospheric mantle, due to the breakup of the old continental blocks, which is characterized by a near TDM Nd model age ranging from 1,8 to 1,2 Ga and ENd (t) values close to zero and slightly negative up to -5 on average. The inversion of oceanization processes and the beginning of a compressive tectonics related to subduction processes at 860 Ma to 490 Ma, is characterized by the formation of a system of accretionary and collisional magmatic arcs. Dispersed fragments of the Tonian juvenile arc and with a juvenile signature are poorly preserved, and the largest volume of magmatism related to the collision of the continent-arc presents rocks with model age TDM Nd ranging between 2,0-1,4 Ga, and ENd (t) values between -9 to -7, suggest the participation of the subcontinental lithospheric mantle (SCLM) as the main mantle source of the generation of a variety of magmatism and intense plutonism in the region. The young Neoproterozoic lithosphere, with TDM Nd model age values of 1,0 Ga and positive values (+5), requires the opening of a young ocean, which leaves remnants in the form of ultramafic bodies and ophiolites. The alignment of ultramafic bodies with positive isotopic signature and strong magnetic anomalies, delimit the domains of paleo-lithospheres, and mark the geographic position of the suture zone between different lithospheres, young and old. There is a variation in the isotopic signature, with specific values for each magmatic suite described for the Araçuaí Belt, from G1 to G5, suggesting the interaction of ancient Paleoproterozoic sources with intense crustal reworking and young Neoproterozoic sources, which reflect the existence of distinct lithospheres and being the depth from which the magma is generated the main factor that defines the isotopic signature of the magmatism sources of the orogenic system. The large lineaments identified in geophysical maps are interpreted as ductile shear zones, and are responsible for the limits of lithospheric domains and different crustal blocks, which are displaced from their original position. Taphrogenic events from different times are represented by swarms of dykes developed at crustal block boundaries, reflecting the lithosphere they intrude, inheriting the depth isotopic signature of each of them. Palavras chaves em Português: Orógeno Confinado; Mapeamento Isotópico; Idade Modelo TDM; Neodímio; Epsilon Neodímio; Aeromagnetometria; Aerogamaespectrometria; Anomalia Bouguer; Orógeno Araçuaí.

3
  • JULIA MANÇANO QUINTARELLI
  • Origem e dinâmica do mercúrio em sedimentos da bacia do alto Madeira

  • Orientador : JEREMIE GARNIER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • JEREMIE GARNIER
  • ROBERTO VENTURA SANTOS
  • WANDERLEY RODRIGUES BASTOS
  • Data: 27/04/2023

  • Mostrar Resumo
  • A bacia do Rio Madeira é alvo da exploração de ouro através de minerações artesanais e de pequena escala/garimpo desde o início do século XIX. Nesse contexto, o mercúrio (Hg) – metal conhecido pela sua alta toxicidade – é utilizado para concentrar o ouro fino. Neste trabalho foram analisadas amostras de sedimento (margem e centro) e água (dissolvido e particulado) do rio Madeira à montante da cidade de Jaci-Paraná (Rondônia, BR) e de seus principais contribuintes (rios Beni, Madre de Diós e Mamoré), além de amostras de uma draga garimpeira no rio Madeira. A composição elementar das amostras sólidas possui pouca variação entre as amostras naturais, com variações apenas no grau de enriquecimento ou empobrecimento (principalmente nas amostras de sedimento de centro). A assembleia mineralógica dos finos consiste em filossilicatos 2:1 e 1:1, óxidos e hidróxidos de Fe, Al e Ti e quartzo, em diferentes proporções. A composição química e análise isotópica de Sr dissolvido permitiram diferenciar os diferentes afluentes e a proveniência desses elementos dissolvido, onde 87Sr/86Sr ≈ 0,71 em rios que drenam rochas andinas e 87Sr/86Sr ≈ 0,72 em rios com contribuição de rochas do escudo do Brasil Central. Não foram encontradas concentrações de Hg dissolvido acima do limite de detecção do método. Nas amostras sólidas naturais, a concentração de Hg varia de 17,6 - 547,8 ng g-1 , enquanto nas amostras contaminadas coletadas na draga a concentração de Hg chega até 1447,4 x 10³ ng g -1 . A concentração de Hg total apresenta um incremento de 2x entre MPS>margem>centro. A principal fase portadora nos sedimentos de margem são os filossilicatos aluminosos e óxihidróxidos de Fe e Al. No MPS o Hg não parece ser muito associado às fases minerais e pode estar ligado a grupos funcionais de S da matéria orgânica. A amostra de rejeito sólido da draga de garimpo é extremamente enriquecida em Hg (EF=91,27) quando comparada com a concentração da crosta continental superior (0,05 ng g-1 ) e extremamente poluída por Hg (Igeo = 10,95). A avaliação de risco a saúde indica que o rejeito é extremamente perigoso (HI>1) para adultos (HI=8,1) e crianças (HI=15,6). Cerca de 26% do Hg presente no rejeito tem maior labilidade e pode ser rapidamente mobilizado e disponibilizado no meio, de acordo com o procedimento de extração sequencial aplicado. Embora a concentração de Hg nos rejeitos sejam elevadíssimas e ofereçam um grande risco ambiental e à saúde humana, quando esse material entra no rio Madeira sofre uma grande diluição devido ao enorme volume de água e sedimento transportado. Essa diluição é vista nos resultados obtidos e dificulta a caracterização de um background e a caracterização da origem do Hg no meio. Entretanto, apesar da diluição, foi encontrado um hotspot de Hg em amostra de sedimento de centro em área de cachoeira, com concentrações 25x maiores que a média desse compartimento. Isso indica que os minerais pesados são capazes de carregar Hg antrópico.


  • Mostrar Abstract
  • The Madeira River basin has been the target of gold exploration through artisanal and small-scale gold mining/garimpo since the early 19th century. In this work, samples of sediment (margin and center) and water (dissolved and particulate) from the Madeira River, upstream of the city of Jaci-Paraná (Rondônia, BR) and its main contributors (Beni, Madre de Diós, and Mamoré rivers) were analyzed, as well as samples from a garimpo dredge in the Madeira River. The elemental composition of solid samples has a low variation between natural samples, with variations only in the enrichment or depletion degree (especially in the center sediment samples). The mineralogical assemblage of the fine fraction consists of 2:1 and 1:1 phyllosilicates, oxides and hydroxides of Fe, Al, and Ti, and quartz, in different proportions. The chemical composition and isotopic analysis of dissolved Sr allowed differentiating the different tributaries and the provenance of these dissolved elements, where 87Sr/86Sr ≈ 0.71 in rivers draining Andean rocks and 87 Sr/86Sr ≈ 0.72 in rivers with Central Brazil Shield contribution. The dissolved Hg results were below the detection limit of the method. In natural solid samples, the concentration of Hg varies from 17.6 - 547.8 ng g-1, while in contaminated samples collected in the dredge, the concentration of Hg reaches up to 1447.4 x 10³ ng g-1. The total Hg concentration has a 2x increment between MPS>margin>center. The main carrier phases in margin sediments are aluminous phyllosilicates and Fe and Al oxides and hydroxides. In MPS Hg does not seem to be closely associated with mineral phases and may be linked to functional S groups of organic matter. The solid tailings sample of the garimpo dredge is extremely enriched in Hg (EF=91.27) when compared to the concentration of the upper continental crust (0.05 ng g-1) and extremely polluted by Hg (Igeo = 10.95). The health risk assessment indicates that the tailings are extremely dangerous (HI>1) for adults (HI=8.1) and children (HI=15.6). About 26% of the Hg present in the tailings has higher lability and can be quickly mobilized and accessible in the environment, according to the sequential extraction procedure applied. Although the concentration of Hg in the tailings is very high and offers an enormous environmental and human health risk, when this material enters the Madeira River, it undergoes a large dilution due to the huge volume of water and sediment transported. This dilution is seen in the results obtained and hinders the characterization of background and the characterization of the origin of Hg in the environment. However, despite the dilution, a Hg hotspot was found in a sediment sample from the center in a waterfall area, with concentrations 25x higher than the average of this compartment. It indicates that heavy minerals can also carry anthropic Hg.

4
  • Júlia Ferreira Gonçalves
  • O DEPÓSITO DE AU-TE POSSE, ARCO MAGMÁTICO GOIÁS, BRASIL CENTRAL: ZONEAMENTO HIDROTERMAL E MINERALOGIA DOS TELURETOS.

  • Orientador : CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • CLAUDIO GERHEIM PORTO
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • Data: 12/05/2023

  • Mostrar Resumo
  • O depósito de Au-Te Posse (com reserva, teor médio e mineral contido em 23,8 Mt (seca), 1,18 g/t e 0,902 Moz, respectivamente) é definido por depósito do tipo ouro orogênico hospedado em ortognaisse granodiorítico, inserido no seguimento norte do Arco Magmático Goiás, Brasil Central. Esse depósito se desenvolveu nas fases tardias da Orogênese Brasiliana, afetado por metamorfismo regional de fácies anfibolito e retrometamorfizado em fácies xisto verde. O depósito está localizado 5 km a norte do município Mara Rosa, no estado de Goiás, Brasil. A mina, quando em operação, possuía sistema em open pit e sua cava abrange área de 1 km de extensão e 40 a 70 metros de largura. Nesse trabalho, discutimos, através de informações petrográficas e químicas, o processo de alteração hidrotermal das rochas encaixantes e sua associação com a mineralização, destacando a importância dos minerais de telúrio no contexto metalogenético do depósito. No depósito de Au-Te Posse, destacam-se três litotipos, sendo eles: ortognaisse granodioritico (gnaisse Posse), metavulcânicas máficas (anfibolito) e cianita-muscovita xistos. No contato entre os ortognaisses e os anfibolitos, ocorrem zonas de alteração hidrotermal pervasivas associadas à mineralização aurífera, que foram individualizadas, considerando a intensidade das alterações, seus diferentes tipos e assembleias mineralógicas, sendo elas: precoce, intermediário, avançado e posterior, apresentando zonas de alteração que variam em intensidade, nos processos de silicificação, carbonatação, sulfetação e sericitização. Além do sistema Orogênico Posse, foi interpretado um segundo sistema, caracterizado como pré-orogênico (cianitamuscovita xisto), associado à possível fonte de Te, além de outros elementos como Bi, Cu e Mo. É importante destacar também, que as correlações positivas entre Au e Ag em Posse, tanto na pirita quanto nos teluretos, indicam que parte do ouro está presente na pirita como teluretos de Au e Au-Ag (calaverita e silvanita), e que outros teluretos existentes no depósito apresentam fraca associação com o ouro. O modelo de mineralização aurífera associada às fases tardias da orogênese, no depósito, está diretamente relacionado à deformação por reativação de falhas e zonas de cisalhamento.


  • Mostrar Abstract
  • The Au-Te Posse deposit (with reserves of 23.8 Mt (dry), average grade of 1.18 g/t, and contained mineral of 0.902 Moz) is classified as an orogenic gold deposit hosted in a granodioritic gneiss, located in the northern segment of the Goiás Magmatic Arc, central Brazil. This deposit was developed during the late stages of the Brasiliano Orogeny and was affected by a regional metamorphism of amphibolite facies and retrograded to greenschist facies. The deposit is located 5 km north of the Mara Rosa city, in the state of Goiás, Brazil. The mine, when in operation, had an open pit system with a pit that extended for 1 km in length and 40 to 70 meters in width. In this study, we discuss, based on petrographic and chemical information, the process of hydrothermal alteration of the host rocks and its association with mineralization, highlighting the importance of the telluride minerals in the metallogenetic context of the deposit. Three lithotypes are distinguished in the Au-Te Posse deposit: granodioritic gneiss (Posse gneiss), mafic metavolcanic rocks (amphibolite), and kyanite-muscovite schist. Pervasive hydrothermal alteration zones associated with gold mineralization occur at the contact between the gneiss and the amphibolite, which have been classified based on the intensity of iii alterations, their different types, and mineralogical assemblages, namely: early, intermediate, advanced, and late stages, showing variable intensities of silicification, carbonation, sulfidation, and sericitization processes. In addition to the Posse Orogenic system, a second system was identified, named as pre-orogenic system (kyanitemuscovite schist) associated with a possible source of Te, as well as other elements such as Bi, Cu, and Mo. It is important to highlight that the positive correlation between Au and Ag in Posse, both in pyrite and tellurides, indicates that part of the gold is present in pyrite as Au tellurides and Au-Ag tellurides (calaverite and sylvanite), and that other tellurides in the deposit show weak association with gold. The model for gold mineralization associated with the late stages of orogenesis in the deposit is directly related to deformation through reactivation of faults and shear zones.

5
  • Vivian Marjorie Braga Bandeira
  • ASPECTOS GEOQUÍMICOS E PETROLÓGICOS DAS MINERALIZAÇÕES TIPO GREISEN ASSOCIADAS ÀS FÁCIES MAIS EVOLUÍDAS DOS GRANITOS NA “ZONA DA BACIA” DO MACIÇO PEDRA BRANCA, GOIÁS.

  • Orientador : FEDERICO ALBERTO CUADROS JIMENEZ
  • MEMBROS DA BANCA :
  • WASHINGTON BARBOSA LEITE JÚNIOR
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • FEDERICO ALBERTO CUADROS JIMENEZ
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • Data: 02/06/2023

  • Mostrar Resumo
  • O depósito da Zona da Bacia está localizado no Maciço Pedra Branca, ao nordeste do estado de Goiás. A área de estudo está inserida na porção norte da Província estanífera de Goiás, e é caracterizado por hospedar mineralizações de Sn associadas a rochas de composição granítica. Essas mineralizações ocorrem em greisens e em granitos greisenizados, formados a partir de eventos metassomáticos responsáveis por alterar quimicamente e mineralogicamente a rocha granítica original. Este trabalho aborda a caracterização mineralógica, geoquímica e petrológica das rochas da Zona da Bacia, com o objetivo de determinar as fases minerais, assembleia mineralógica e evolução de cada zona de alteração hidrotermal do depósito. Análises petrográficas permitiram classificar 4 fácies de alteração hidrotermal: alteração 1, alteração 2, alteração 3 e greisens, constituídos principalmente por quartzo, albita, feldspato potássico, e em estágios com processo hidrotermal mais avançado, por micas de alteração, topázio, cassiterita e fluorita. Dados de química mineral em micas, obtidos a partir de microssonda eletrônica (EPMA), mostram que processo de evolução metassomática do biotita albita granito até o greisen, gera como produto micas ricas em Fe, que transiciona para uma mica enriquecida em Al, Li e K. O balanço geoquímico de massa realizado através da litogeoquímica de rocha total, foi capaz de analisar o comportamento dos elementos em cada fácies de alteração, mostrando quais elementos entraram e saíram do sistema durante o hidrotermalismo. Os estudos de mobilidade química mostraram que no decorrer do processo de greisenização, grande parte da mineralogia do biotita albita granito foi substituída pela mineralogia dos greisens. Observou-se que os elementos que adquiriram massa ao longo do processo foram Al2O3, K2O, Fe2O3, MgO, MnO, Rb, Sn, Cs, Ba, Ta, Nb e Ga enquanto os elementos SiO2, Na2O, Zr, Y e W tiveram as perdas mais expressivas no decorrer da alteração. Os resultados apresentados juntamente com a literatura existente, nos leva a conclusão de que o depósito da Zona da Bacia é de associação granítica do tipo A, de origem tardi/pós magmática, com mineralizações hospedadas em greisens mineralizados a Sn. Trata-se de um sistema Li-F, e sua mineralização ocorre dentro da própria cúpula granítica, através da atividade magmática do granito Pb2d, que é considerado o mais evoluído e diferenciado do Maciço, conduzindo os fluídos enriquecidos em metais raros e Sn até a zona de cúpula, gerando a mineralização com zonas de intensa concentração de cassiterita variando para zonas disseminadas e estéreis. Os estudos constatam que a as mineralizações tipo greisen da Zona da Bacia têm gênese e características químicas e mineralógicas próximas daquelas já descritas na literatura para outros depósitos, como os greisens da Província estanífera de Pitinga e os dos depósitos estaníferos nigerianos.


  • Mostrar Abstract
  • The Zona da Bacia deposit is located in the Pedra Branca Massif, northeast of the state of Goiás. The study area is inserted in the northern portion of the Tin Province of Goiás, and is characterized by hosting Sn mineralizations associated with rocks of granitic composition. These mineralizations occur in greisens and greisenized granites, formed from metasomatic events responsible for chemically and mineralogically altering the original granitic rock. This work deals with the mineralogical, geochemical and petrological characterization of the rocks of the Basin Zone, with the objective of determining the mineral phases, mineralogical assemblage and evolution of each zone of hydrothermal alteration of the deposit. Petrographic analyzes allowed classifying 4 facies of hydrothermal alteration: alteration 1, alteration 2, alteration 3 and greisens, constituted mainly by quartz, albite, potassium feldspar, and in stages with more advanced hydrothermal process, by alteration micas, topaz, cassiterite and fluorite. Mineral chemistry data in micas, obtained from electron microprobe (EPMA), show that the process of metasomatic evolution of biotite albite granite to greisen generates Fe-rich micas as a product, which transitions to a mica enriched in Al, Li and K. The geochemical mass balance performed through whole rock lithogeochemistry was able to analyze the behavior of the elements in each alteration facies, showing which elements entered and left the system during hydrothermalism. The chemical mobility studies showed that during the greisenization process, a large part of the mineralogy of the granite albite biotite was replaced by the mineralogy of the greisens. It was observed that the elements that acquired mass during the process were Al2O3, K2O, Fe2O3, MgO, MnO, Rb, Sn, Cs, Ba, Ta, Nb and Ga while the elements SiO2, Na2O, Zr, Y and W had the most expressive losses during the alteration. The results presented together with the existing literature, lead us to the conclusion that the deposit of the Basin Zone is of type A granitic association, of late/post magmatic origin, with mineralizations hosted in greisens mineralized to Sn. It is a Li-F system, and its mineralization occurs within the granitic dome itself, through the magmatic activity of the Pb2d granite, which is considered the most evolved and differentiated of the Massif, leading the fluids enriched in rare metals and Sn to the dome zone, generating mineralization with zones of intense concentration of cassiterite varying to disseminated and sterile zones. The studies confirm that the greisen-type mineralizations of the Basin Zone have genesis and chemical and mineralogical characteristics similar to those already described in the literature for other deposits, such as the greisens of the Pitinga Tin Province and the Nigerian tin deposits.

6
  • LUCAS FERREIRA BITTENCOURT
  • Quimioestratigrafia isotópica da Formação Sete Lagoas na região central e sul da Bacia do São Francisco

  • Orientador : MARTINO GIORGIONI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GABRIEL JUBÉ UHLEIN
  • CARLOS JOSE SOUZA DE ALVARENGA
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • MARTINO GIORGIONI
  • Data: 27/06/2023

  • Mostrar Resumo
  • O Neoproterozoico é marcado por mudanças intensas no ciclo do carbono. Essas mudanças são únicas na história da terra e pode ser utilizada nas correlações quimioestratigráficas por meio do parâmetro δ 13C, obtido em rochas carbonáticas. A Formação Sete Lagoas, no Grupo Bambuí, é uma unidade predominantemente carbonática. Com isto, pela escassez de dados paleontológicos e geocronológicos, os isótopos passam a ter grande importância em correlações regionais e globais. Nesse contexto, seções diferentes da Formação Sete Lagoas foram estudadas detalhadamente na porção central e sul da Bacia do São Francisco. Estas seções foram avaliadas pelo ponto de vista sedimentológico e quimioestratigráfico (δ 18 Ocarb, δ 13Ccarb, δ 13Corg), para compreender como as mudanças isotópicas e do ambiente deposicional interferem entre si e se refletem características primárias, secundárias, locais ou regionais. A Seção PSB14 ocorre na região central da Bacia do São Francisco, ao sul de Januária, e representa a porção intermediária e superior da Formação Sete Lagoas. Os valores de δ 13Ccarb e δ 13Corg variam, respectivamente, de 0,01‰ a +12,27‰ e -27,54‰ a -19,31‰. A maior parte da sua sedimentação ocorre em ambiente deposicional raso, de rampa carbonática interna, e apresenta grande variação de litofácies carbonáticas e contribuição pelítica. Por outro lado, a Seção Gruta Rei do Mato ocorre na região sul da bacia, na cidade de Sete Lagoas (MG). Representa o topo da unidade e contém valores δ 13Ccarb acima de 9‰ e δ 13Corg dispersos, porém bastante alto, com média de -16‰. Esta seção apresenta características de ambiente mais profundo, de rampa carbonática média, com nenhuma contribuição pelítica ou dolomítica. Além destas, outras seções previamente estudadas foram utilizadas para correlação quimioestratigráfica regional de toda a Formação Sete Lagoas, na Bacia Bambuí. Assim, são identificados seis intervalos quimioestratigráficos, por meio do δ 13Ccarb, que podem ser utilizados com boa precisão para correlações da unidade: SL-1, SL-2, SL-3, SL-4, SL-5 e SL-6. Estes intervalos quimioestratigráficos da Formação Sete Lagoas podem ser usados em uma curva composta para correlacionar com outras unidades do Ediacarano. Portanto, com a unificação da quimioestratigrafia, geocronologia e paleontologia, a Formação Sete Lagoas correlaciona-se melhor com o Ediacarano inferior.


  • Mostrar Abstract
  • The Neoproterozoic is marked by intense changes in the carbon cycle. These changes are unique in the Earth's history and can be used in chemostratigraphic correlations through the parameter δ13C, obtained in carbonate rocks. The Sete Lagoas Formation is a predominantly carbonate unit in the Bambuí Group. Therefore, due to the scarcity of paleontological and geochronological data, isotopes start to have great importance in regional and global correlations. In this context, different sections of the Sete Lagoas Formation were studied in detail in the central and southern portion of the São Francisco Basin. These sections were evaluated from a sedimentological and chemostratigraphic features (δ18Ocarb, δ13Ccar, δ13Corg) to understand how isotopic and depositional environment changes interfere with each other and whether they reflect primary, secondary, local or regional characteristics. The PSB-14 Section is located in the central region of the São Francisco Basin, in south of Januária (MG), and represents the middle and upper portion of the Sete Lagoas Formation. The δ13Ccarb and δ13Corg values vary respectively from 0.01‰ to +12.27‰ and -27.54‰ to -19.31‰. Most of its sedimentation occurs in a shallow depositional environment and presents a great variation of carbonate lithofacies and pelitic contribution. However, the Gruta Rei do Mato Section is located in the southern region of the basin, in the Sete Lagoas (MG). It represents the top of the unit and contains δ 13Ccarb values above 9‰ and δ13Corg scattered and high, with an average of -16‰. This section presents characteristics of a deeper environment of mid ramp with no pelitic or dolomitic contribution. In addition to these sections, other previously studied sections were used for regional chemostratigraphic correlation of the Sete Lagoas Formation in the Bambuí Basin. Thus, six chemostratigraphic intervals are identified using δ13Ccarb and indicate good precision for unit correlations: SL-1, SL-2, SL3, SL-4, SL-5 and SL-6. These chemostratigraphic intervals of the Sete Lagoas Formation can be used in a composite curve to correlate with other Ediacaran units. Therefore, with the unification of chemostratigraphy, geochronology and paleontology data, the Sete Lagoas Formation correlates better with the lower Ediacaran.

7
  • Douglas Rodrigues Mendes
  • AVALIAÇÃO MINERALÓGICA E SOLUBILIDADE DE ROCHAS FOSFÁTICAS NA REGIÃO DE APUÍ-AM COMO POTENCIAIS FONTES DE FOSFATO PARA APLICAÇÃO AGRONÔMICA

  • Orientador : ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • GERALDO RESENDE BOAVENTURA
  • PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • ROMULO SIMOES ANGELICA
  • Data: 14/07/2023

  • Mostrar Resumo
  • O Brasil é o sétimo maior produtor de fosfato do mundo, representando 3% da produção total. Cerca de 20% da produção nacional de fosfato é de origem sedimentar, enquanto 80% é de origem magmática. A crescente demanda por fosfato tem despertado interesse em novos depósitos. No noroeste do Brasil, existe um novo depósito de fosforita na Formação São Benedito, Grupo Alto Tapajós. As amostras no presente estudo foram coletadas na região de Apuí, no estado do Amazonas, que faz parte do Grupo Alto Tapajós. Doze amostras foram coletadas para caracterização mineral, utilizando técnicas de difratometria de raio-x e microssonda eletrônica de varredura, e caracterização química, incluindo a determinação total de elementos maiores e traços por fusão e posterior dissolução. Foi testada a solubilidade em ácido cítrico a 2% e a cinética de liberação de P2O5. Todos os substratos foram analisados por ICP-OES. As rochas são arenitos cinzas compactados com quartzo, fluorapatita e glauconita, e cimento de siderita ocupando os espaços vazios entre os minerais. As amostras apresentaram até 6% de P2O5 e solubilidade acima de 60% em solução de ácido cítrico a 2%. Outros elementos também foram avaliados, juntamente com alguns elementos traço, mas apenas CaO e Fe2O3 apresentaram teores totais acima de 5%. A cinética de extração em ácido cítrico foi realizada em dez intervalos de tempo de até 180 minutos, revelando a correlação entre os teores solúveis e totais de CaO e P2O5, bem como MgO e Fe2O3. Durante a cinética com em ácido cítrico, os teores solúveis de Fe2O3 e CaO tiveram impacto na dissolução da fluorapatita, reduzindo assim sua solubilidade. Algumas das amostras estudadas apresentaram teores totais e solúveis de P2O5, que atendem às garantias mínimas para fertilizantes fosfatados naturais de acordo com o Ministério da Agricultura do Brasil.


  • Mostrar Abstract
  • Brazil is the seventh largest producer of phosphate in the world, representing 3% of the total production. Approximately 20% of the national phosphate production is of sedimentary origin, while 80% is of magmatic origin. The growing demand for phosphate has sparked interest in new deposits. In the northwest region of Brazil, there is a new phosphorite deposit in the São Benedito Formation, Alto Tapajós Group. The samples in the present study were collected in the Apuí region, in the state of Amazonas, which is part of the Alto Tapajós Group. Twelve samples were collected for mineral characterization using X-ray diffraction and scanning electron probe microanalysis techniques, as well as chemical characterization, including the determination of major and trace elements through fusion and subsequent dissolution. The solubility in 2% citric acid and the kinetics of P2O5 release were tested. All substrates were analyzed by ICP-OES. The rocks are compacted gray sandstones containing quartz, fluorapatite, and glauconite, with siderite cement occupying the empty spaces between minerals. The samples exhibited up to 6% P2O5 and solubility above 60% in 2% citric acid solution. Other elements were also evaluated, along with some trace elements, but only CaO and Fe2O3 showed total contents above 5%. The kinetics of extraction in citric acid were performed at ten time intervals up to 180 minutes, revealing the correlation between soluble and total contents of CaO and P2O5, as well as MgO and Fe2O3. During the kinetics in citric acid, the soluble contents of Fe2O3 and CaO had an impact on the dissolution of fluorapatite, thus reducing its solubility. Some of the studied samples showed total and soluble contents of P2O5 that meet the minimum guarantees for natural phosphate fertilizers according to the Brazilian Ministry of Agriculture.

8
  • Steffanie Loislen de Sousa Oliveira
  • CONTRIBUIÇÃO À PETROGÊNESE DO MAGMATISMO BASÁLTICO APOTERI, RIFTE TACUTU (RR)

  • Orientador : VALMIR DA SILVA SOUZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • ANA TAYLA RODRIGUES FERREIRA
  • Data: 26/07/2023

  • Mostrar Resumo
  • O rifte continental Tacutu, localizado entre o Brasil e Guiana está relacionado ao processo de abertura do Oceano Atlântico Centra. No lado brasileiro, durante o estágio pré-rifte, o vulcanismo basáltico (Formação Apoteri) associado a um sistema flúvio-deltaico ocorrido dentro de um domínio de rifte pobre em magma. Ao menos dois pulsos magmáticos foram registrados (Ap1 e Ap2), ao qual possui basalto subalcalino a andesito-basalto, assim como toleiíto continental calcialcalino e assinaturas químicas intraplacas. Entretanto, Ap1 apresenta textura afanítica a fina porfirítica, enquanto Ap2 possui notável textura vesicular. Ap1 possui baixo MgO, alto Ti, Zr e ETR, enquanto Ap2 possui alto Mg, alto Ti, Zr e ETR. Indicadores geoquímicos e isotópicos apontam para diferentes taxas de contaminação crustal entre os pulsos magmáticos Ap1 e Ap2, provavelmente relacionada ao tempo de residência crustal marcado por diferentes valores negativos de ƐNd. A arquitetura interna da falha (horst-gráben) e suas movimentações durante o rifteamento Tacutu controlaram o volume e a acomodação dos pulsos magmáticos basálticos. No Brasil, o vulcanismo basáltico Apoteri apresenta características subaéreo, com alguns graus de explosividade durante o pulso Ap2, associado ao sistema flúvio-deltaico, enquanto na Guiana ocorre principalmente um vulcanismo subaquático associado a um sistema deltaico-marinho.


  • Mostrar Abstract
  • The Tacutu continental rift located on the border between Brazil and Guyana is related to the Central Atlantic Ocean opening process. On the Brazilian side, during to pre-rift stage, basaltic vulcanism (Apoteri Formation) associated with a fluvial-deltaic system occurred within a magma-poor rift domain. At least two magmatic pulses have been recorded (Ap1 and Ap2), which have subalkaline basalt to basalt-andesite composition, as well as a tholeiite-calcalkaline continental and intra-plate chemical signatures. However, Ap1 display aphanitic to fine porphyritic texture, while Ap2 has notable vesicular textural feature. Ap1 has low MgO, high Ti, Zr and REE, while Ap2 has high MgO, low Ti, Zr and REE. Geochemical and isotopic indicators point to different crustal contamination rates between Ap1 and Ap2 magmatic pulses, probably related to crustal residence time that is marked by different negative ƐNd values. The internal fault architecture (horst-graben) and their movements during the Tucutu rifting controlled the volume and emplacement moment of the basaltic magmatic pulses. On the Brazilian side, the Apoteri basaltic volcanism had sub-aerial characteristics, with some degree of explosivity during the Ap2 pulse, associated with a fluvial-deltaic system, while on the Guyana side occurred mainly underwater volcanism associated with a deltaic-marine system. 


9
  • Maria Moutinho Masella Machado de Mendonça
  • Mineralogia Quantitativa de Alta Definição e sua Aplicação em Qualidade dos Reservatórios da Formação Barra Velha Superior, Bacia de Santos

  • Orientador : PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ALESSANDRO BATEZELLI
  • FEDERICO ALBERTO CUADROS JIMENEZ
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • Data: 26/07/2023

  • Mostrar Resumo
  • As rochas carbonáticas da seção sag do pré-sal da Bacia de Santos apresentam uma associação mineral original relativamente simples. Porém, os processos pósdeposicionais aumentam sua complexidade, camuflando os constituintes primários. Este estudo pretende melhorar a interpretação de dados das fácies in situ e retrabalhadas da formação Barra Velha Superior, considerando os constituintes, a textura, a porosidade e a permeabilidade das rochas. Por meio de interpretação de linhas sísmicas 3D, as rochas estudadas foram localizadas estruturalmente em um horst já elevado antes mesmo do momento da deposição dos sedimentos dessa formação. A integração entre os dados petrográficos de microscopia óptica e mineralogia quantitativa, somados à descrição de testemunhos, a dados de perfilagem de poços e a dados sísmicos fornecidos pela ANP, proporcionou uma compreensão ampla de escala microscópica (milimétrica) a macroscópica (métrica) da disposição dos ciclos definidos por fácies in situ e retrabalhadas, que se distribuem proporcionalmente ao longo da sequência analisada. A dolomitização e a silicificação foram bastante intensas. Os principais minerais analisados via QEMSCAN foram dolomita, calcita e quartzo, todos resultados de processos deposicionais e pós-deposicionais. Em média, as amostras obtidas ao longo dos testemunhos apresentaram 40% de dolomita, 40% de calcita e 20% de quartzo. Embora os processos de diagênese e hidrotermalismo tenham afetado a porosidade e permeabilidade do reservatório, a granulometria das fácies foi essencial para a definição da qualidade do reservatório. Em suma, fácies mais grossas como shrubstones e grainstones apresentaram maior permeabilidade, enquanto as mais finas, como mudstone e packstone, continuaram como não-reservatórios e reservatórios mais pobres, mesmo após a substituição de seus componentes primários.


  • Mostrar Abstract
  • The reservoir rocks of the post-rift section of the Santos Basin pre-salt present a relatively simple primary mineral association. However, post-depositional processes increase their complexity, camouflaging these constituents. This study aimsto contribute to the existing body of knowledge on the in situ and reworked facies description of the Upper Barra Velha Formation, considering the constituents, the texture, the porosity, and the permeability of the rocks. 3D seismic interpretation suggests that the studied rocks are located structurally in a horst already elevated even before the moment of the deposition of the Barra Velha sediments. The integration between petrographic data from optical microscopy and quantitative mineralogy, added to the description of cores, well-logging data, and seismic data provided by the ANP, provided a broad understanding of the microscopic (millimetric) to the macroscopic (metric) scale cycles stacking, defined by in situ and reworked facies, which are proportionally distributed along the studied pools. Dolomitization and silicification were quite intense. The main minerals analyzed via QEMSCAN were dolomite, calcite and quartz, the result of depositional and post-depositional processes. On average, the samples along the cores showed 40% dolomite, 40% calcite and 20% quartz. Finally, although the processes of diagenesis and hydrothermalism affected the reservoir's porosity and permeability, the facies' granulometry was essential for defining the quality of the reservoir. Finally, coarser facies such as shrubs and grainstones showed greater porosity and absolute permeability. In contrast, fine-grained facies such as mudstone and packstone remained non-reservoir and poor reservoirs, respectively, even after their primary components were replaced.

10
  • Gabriel Angelo Barbosa Silva
  • Caracterização e controles das Mineralizações Auríferas associadas à Suíte Granítica Aurumina e Formação Ticunzal, no nordeste do Estado de Goiás 

  • Orientador : NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • CLOVIS VAZ PARENTE
  • Data: 31/08/2023

  • Mostrar Resumo
  • Várias ocorrências de ouro na porção nordeste do Estado de Goiás têm sido esporadicamente exploradas desde o século XVIII. O foco deste trabalho é o estudo dos garimpos Novo Horizonte, Morro dos Borges e Tucano. A região se localiza na parte norte da Faixa Brasília, no seu embasamento paleoproterozoico exposto. As mineralizações de ouro estão relacionadas à granitos peraluminosos sin-tectônicos da Suíte Aurumina e suas rochas metasedimentares encaixantes da Formação Ticunzal. O minério está hospedado em zonas de cisalhamento com a direção variando de NE-SW até E-W no contato entre biotita-muscovita monzogranito e xisto grafitoso, em muscovita-quartzo milonito derivado do granito. Elementos estruturais e texturais indicam que as mineralizações são concomitantes à deformação dúctil e controladas pela trama S-C, com corpos mineralizados comumente apresentando morfologia sigmoidal, indicadores cinemáticos de rotação dextral e lineação de estiramento mineral oblíqua à foliação. A alteração hidrotermal formou zonas intensamente silicificadas, além de muscovita e clorita hidrotermais, sulfetos e ouro. Sulfetos incluem arsenopirita, pirita, calcopirita, galena, esfalerita e pirrotita. O ouro ocorre livre em veios de quartzo, associado a sulfetos ora como finas inclusões, e como grãos estirados entre lamelas de muscovita. Análises geoquímicas de rocha total em amostras de granito mostram alto SiO2 e Al2O3, enquanto valores de Fe2O3 e MgO são mais altos em amostras de xisto. Teores de ouro obtidos alcançam 6,017 ppb em amostra de milonito silicificado de Morro dos Borges, e até 16,273 ppb em veio de quartzo de Novo Horizonte. Amostras de biotita-muscovita granito de Novo Horizonte apresentam concentrações de Pd até 24.2 ppb e de Pt até 14.4 ppb. Amostras de milonito e granito dos depósitos possuem padrões de fracionamento de ETRs similares, e que são menos fracionados do que a média de amostras regionais para granitos da Suíte Aurumina. Dados de microssonda eletrônica em arsenopirita e calcocita de amostras mineralizadas do garimpo de Novo Horizonte indicam enriquecimento em Au, Ni, Co, Se, Bi, Sb e Te, e temperaturas estimadas pelo geotermômetro da arsenopirita entre 390-535 °C são interpretadas como o intervalo de temperatura de cristalização do minério. Análises in situ por LA-ICP-MS de isótopos de enxofre resultaram em razões de δ 34S para arsenopirita entre 5.62 to - 1.76‰ e entre +0.53 e +9.98‰ para pirita, ambos de uma amostra de veio mineralizado do depósito de Novo Horizonte, e indicam, em conjunto com dados de sulfeto total dissolvido de amostras de esfalerita (-4.7‰), pirrotita (-5.1‰) e pirita (- 6.4‰) da mina de Aurumina, sugerem um componente metasedimentar como fonte, ou como uma das diferentes fontes de enxofre. Trabalhos anteriores classificaram estes depósitos como do tipo ouro orogênico. Apesar de apresentarem muitas propriedades comuns a este tipo de depósito, as mineralizações possuem caracterísitcas essenciais que são consistentes com depósitos do tipo intrusionrelated reduzido. Tais características incluem o ambiente tectônico de interior de arco continental, ocorrência regional de mineralizações de estanho e tungstênio, forte associação com os plútons graníticos, com estruturas ativas durante seu alojamento e resfriamento e precipitação do ouro, temperaturas altas de formação, e ausência de mineralizações nos xistos sem a presença de granito. Um modelo viável para a formação dos depósitos envolve processos magmático-hidrotermais relacionados à exsolução de fluidos dos corpos graníticos durante o alojamento controlado pelas zonas de cisalhamento, formando mineralizações hospedadas nas intrusões.


  • Mostrar Abstract
  • Various gold occurrences have been sporadically exploited since the XVIII century in the northeast portion of the Goias State, central Brazil, as small-scale and artisanal mines (“garimpos”). Study of the garimpos named Novo Horizonte, Morro dos Borges and Tucano is the main focus of this work. The region is located in the northern part of the Brasilia Fold Belt, in its exposed Paleoproterozoic basement rocks. The gold mineralizations are related to Paleoproterozoic peraluminous, reduced syn-tectonic granites of the Aurumina Suite, and metasedimentary country rocks of the Ticunzal Formation. The ore is hosted in shear zones, with directions varying from NE-SW to E-W, near the contact between biotite-muscovite monzogranite and graphite-bearing schist, in muscovite-quartz mylonite derived from granite shearing. Structural and textural elements indicate that mineralization is coeval with ductile shearing and is controlled by S-C fabric, with orebodies commonly having sigmoidal morphology with dextral rotation kinematic indicators and oblique mineral stretching lineation. Hydrothermal alteration resulted in intense silicification in narrow zones near the contact between the two lithologies, as well as the crystallization of gold and associated hydrothermal muscovite, chlorite, and sulfides. Ore sulfides include arsenopyrite, pyrite, chalcopyrite, galena, sphalerite, and pyrrhotite. Gold occurs as free grains along fractures in quartz veins, as elongated grains between muscovite lamellae, and as fine inclusions in sulfides. Granite samples in whole-rock chemical analysis have high SiO2 and Al2O3 contents, while Fe2O3 and MgO are greater in the schists. Au concentrations obtained from ore samples are up to 6,017 ppb in silicified mylonite from Morro dos Borges, and up to 16,273 ppb in a quartz vein from Novo Horizonte. Biotite-muscovite granite samples from Novo Horizonte have up to 24.2 ppb Pd and 14.4 ppb Pt. Mylonite and granite samples from the deposits show similar REE fractionation patterns, which are less fractionated than those of regional Aurumina granite samples. EPMA results of goldassociated arsenopyrite and chalcocite from the Novo Horizonte deposit indicates variable enrichments in Au, Ni, Co, Se, Bi, Sb, and Te, and temperatures estimated using arsenopyrite geothermometry yield crystallization temperatures of 390–535°C, interpreted as the crystallisation temperature interval for gold. In situ LA-ICP-MS spot analysis yelded ranges of δ 34S ratios for arsenopyrite of 5.62 to -1.76‰ and between +0.53 and +9.98‰ for pyrite, from a mineralized vein sample of the Novo Horizonte deposit, and together with values from bulk dissolved sulfide analysis performed on sphalerite (-4.7‰), pyrrhotite (-5.1‰) and pyrite (-6.4‰) from the Aurumina mine, suggest a metasedimentary component as the source, or one of the different sources of sulfur. Previous works define these deposits as orogenic gold deposits. However, despite having similarities with orogenic gold deposits, the mineralizations have some essential features that are also consistent with reduced intrusion-related gold deposits. Such features include its cordilleran hinterland tectonic environment, a regional association with tin and tungsten mineralizations, a strong association between the ore and the granitic pluton, with structures active during emplacement, cooling, and gold precipitation, high formation temperatures, and absence of mineralizations hosted in schist without a granite intrusion present. A viable model for the formation of the gold deposits involves a magmatic-hydrothermal process related to fluid exsolution from granitic bodies during shear zone-controlled emplacement, in a RIRG system forming intrusion-hosted type mineralizations.

11
  • Ana Valéria Alves Calmon Almeida
  • Papel da diagênese na composição geoquímica e mineralógica das carapaças de Corumbella werneri, Formação Tamengo, Grupo Corumbá, Mato Grosso do Sul.

  • Orientador : MARTINO GIORGIONI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLOS JOSE SOUZA DE ALVARENGA
  • FABRICIO DE ANDRADE CAXITO
  • MARCIO VINICIUS SANTANA DANTAS
  • MARTINO GIORGIONI
  • Data: 20/10/2023

  • Mostrar Resumo
  • O Neoproterozóico é notável por seus eventos de natureza tectônica, climática e ambiental de grande magnitude. A análise das sequências carbonáticas desse período tem se tornado cada vez mais relevante, impulsionada por descobertas geoquímicas, embora algumas apresentem-se um tanto controversas. No contexto brasileiro, destacase a Formação Tamengo, que compõe as camadas superiores do Grupo Corumbá, em virtude da sua significativa importância geológica e paleontológica. É nesta formação que são encontrados registros dos fósseis guias Corumbella werneri e Cloudina lucianoi. Este trabalho tem como escopo principal entender quais foram as contribuições da diagênese nos dados químicos elementares e isotópicos nas carapaças de Corumbella werneri e nas rochas dessa unidade. Para isso foram utilizadas as metodologias de petrografia, imageamento a partir de QEM-Scan, microssonda eletrônica, análises de ICP-MS e análises de isótopos de C, O e Sr. As Corumbellas ocorrem em níveis de pelitos e margas, e apresentam mineralogia composta, majoritariamente, por calcita. Já a matriz da rocha é composta por argilominerais e quartzo, em sua maioria, e outros minerais. A análise de elementos terras raras (ETR) mostrou um padrão homogêneo e enriquecido entre a matriz e as carapaças. Além disso, os valores médios de 87Sr/86Sr apresentam-se distintos para a matriz e a carapaça, enquanto os valores de δ 13C e δ 18O estão muito próximos nos dois constituintes. A assinatura dos isótopos estáveis apresenta uma origem prevalentemente primária, entretanto, a análise de ETR revelou a influência de um processo hidrotermal regional após a formação e soterramento dos sedimentos. Esse fenômeno, resultou em um notável enriquecimento tanto na matriz quanto nas carapaças em ETR com típica assinatura hidrotermal. No entanto, apesar de afetar a composição elementar, esse processo não alterou as características texturais e isotópicas da rocha.


  • Mostrar Abstract
  • The Neoproterozoic is notable for its tectonic, climatic, and environmental events of great magnitude. The analysis of carbonate sequences from this period has become increasingly relevant, driven by geochemical discoveries, although some are somewhat controversial. In the Brazilian context, the Tamengo Formation stands out, which is part of the upper layers of the Corumba Group, due to its remarkable geological and paleontological importance. It is in this formation that records of the index fossils Corumbella werneri and Cloudina lucianoi are found. This work's main scope is to understand the contributions of diagenesis to the elementary chemical and isotopic data in the carapaces of Corumbella werneri and the rocks of this unit. For this purpose, petrography, imaging from QEM-Scan, electron microprobe, ICP-MS analyses, and C, O, and Sr isotope analyses were used. Corumbellas occur in levels of impure, marly limestone, and present mineralogy composed mainly of calcites. The rock matrix is composed mostly of clay minerals quartz and other minerals. The analysis of rare earth elements (REE) showed a homogeneous and enriched pattern between the matrix and the carapaces. Furthermore, the average values of 87Sr/86Sr were different for the matrix and the carapace, but δ13C and δ18O values were very close in the two constituents. Detailed analysis of the rock and fossil revealed the influence of a regional hydrothermal process after its formation. This phenomenon occurred at a certain distance, resulting in a remarkable enrichment in both matrix and carapaces in REE. However, despite affecting the elemental composition, this process did not alter the textural and isotopic characteristics of the rock.

12
  • GABRIEL TAIRA
  • O Complexo Metamórfico Uruaçu, Brasil Central: Significado geológico e implicações na evolução tectono-metamórfica do Orógeno Brasília.

  • Orientador : CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CESAR FONSECA FERREIRA FILHO
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • TICIANO JOSE SARAIVA DOS SANTOS
  • Data: 30/11/2023

  • Mostrar Resumo
  • O Complexo Uruaçu é um terreno metamórfico neoproterozoico (690-650 Ma) de forma dômica exposto sob as rochas supracrustais do Grupo Serra da Mesa, na porção central da Faixa Brasília Norte, entre os complexos máfico-ultramáficos e o Arco Magmático de Mara Rosa. Neste estudo, combinamos dados de campo, modelagem metamórfica por pseudoseção e proveniência de zircões detríticos para determinar o ambiente tectônico e a evolução tectônica do Complexo Uruaçu e das suas rochas adjacentes associadas ao Grupo Serra da Mesa. As principais rochas encontradas no Complexo Uruaçu são ortognaisses de composição tonalítica a granítica e paragnaisses. Os anfibolitos ocorrem como pequenos corpos dispersos no complexo. As pseudosseções calculadas para o paragneisse e anfibolito, juntamente com geotermobarômetros convencionais indica o pico metamórfico em ~7 kbar e 700°C, com retrometamorfismo em ~4.42 e 551°C. O Grupo Serra da Mesa é principalmente composto de quartzitos e xistos, com ocorrências menores de mármores. A modelagem por pseudosseção com base no perfil composicional da granada prevê uma trajetória P-T de 4.3 kbar e 547°C até 5.9 kbar e 616°C para o granada xisto do Grupo Serra da Mesa. Além disso, foram observadas estruturas normais cortando a foliação regional, implicando em evidências preliminares de tectônica extensional na Faixa Brasília Norte. Os zircões detríticos coletados do Grupo Serra da Mesa sugerem que os sedimentos foram depositados em três bacias distintas: (1) bacia intracontinental paleo- mesoproterozoica a qual pode ser correlata ao Grupo Traíras; (2) Bacia de retroarco neoproterozoica nas margens do Arco Magmático de Mara Rosa e (3) Bacia de antepaís neoproterozoica, que também é associada à porção oriental da Sequência Santa Terezinha. Combinando esses novos dados, propomos que o Complexo Uruaçu foi exumado por meio de diapirismo durante a fase colisional do Orógeno Brasília.


  • Mostrar Abstract
  • The Uruaçu Complex is a Neoproterozoic domed-shaped metamorphic terrain (690-650 Ma) exposed underneath the supracrustal rocks of the Serra da Mesa Group in the central portion of the Northern Brasília Belt between the mafic-ultramafic complexes and the Mara Rosa Magmatic Arc. In this study, we combine field data, metamorphic modelling, and U-Pb detrital zircon provenance to constrain the tectonic setting and the evolution of the Uruaçu Complex and its surrounding rocks from the Serra da Mesa Group. The main rocks from the Uruaçu Complex are orthogneisses with tonalitic to granitic composition, and paragneisses. The amphibolites occur as scattered bodies through the complex. The pseudosection from the paragneiss and the amphibolite coupled with conventional geothermobarometers contrains the peak metamorphic at ~7 kbar and 700°C with retrogressive metamorphism at ~ 4.42 kbar and 551°C. The Serra da Mesa Group is mainly composed of quartzites and schist with minor occurrences of marble. The pseudosection modelling based on the garnet compositional profile predicts a P-T path from 4.3 kbar and 547°C to 5.9 kbar and 616°C for the garnet schist from the Serra da Mesa Groups. In addition, normal structures were observed cross-cutting the regional foliation implying in preliminary evidence for extensional tectonics in the Northern Brasília Belt. The U-Pb detrital zircons collected from the Serra da Mesa Group suggest that the sediments were deposited in three different basins: (1) Paleo-Mesoproterozoic intracontinental extensional basin which can be the lateral correlative of the Traíras Group; (2) Neoproterozoic back-arc basin in the margins of the Mara Rosa Magmatic Arc, and (3) Neoproterozoic foreland basin also associated with the eastern portion of the Santa Terezinha Sequence. Combining these new data, we proposed that the Uruaçu Complex underwent a diapiric ascent during the collisional stage of the Brasília Orogen.

13
  • JOÃO PEDRO SANTOS DE BRITO
  • DATAÇÃO U-PB DE ROCHAS CARBONÁTICAS DO PRÉ-SAL: IMPLICAÇÕES PARA A HISTÓRIA GEOLÓGICA DA BACIA DE SANTOS.

  • Orientador : ROBERTO VENTURA SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CRISTIANO DE CARVALHO LANA
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • MARCIO VINICIUS SANTANA DANTAS
  • ROBERTO VENTURA SANTOS
  • Data: 08/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • Os carbonatos do pré-sal e suas características únicas representam um desafio para a compreensão dos processos deposicionais e diagenéticos relacionados a essas rochas. Até a geocronologia da Formação Barra Velha é controversa. Por exemplo, há controvérsias se os carbonatos dessa formação foram depositados durante o Barremiano ou durante o Aptiano. Para se obter a cronologia dos processos deposicionais e diagenéticos relacionados aos carbonatos da porção superior da Formação Barra Velha e também entender como funciona o sistema isotópico U-Pb nos carbonatos, este estudo integrou petrografia convencional, imageamento por QEMSCAN, e datação U-Pb in situ de carbonatos. As amostras são de três testemunhos (3-BRSA-923A-SPS, 9- BRSA-928-SPS, e 7-SPH-6-SPS) do campo de Sapinhoá, localizado na porção central da Bacia de Santos. As idades obtidas neste estudo coincidiram com eventos tectônicos e termais regionais que afetaram a Bacia de Santos. Esses eventos têm idades de ~ 127/125 Ma, ~ 116/114 Ma, e ~ 105/100 Ma. Uma influência local nas idades obtidas também foi observada, já que os padrões de idades foram diferentes entre os testemunhos. Por exemplo, as partículas primárias de calcita dos testemunhos 9-BRSA-928-SPS e 3-BRSA-923A-SPS foram afetadas por resetting pósdeposicional do sistema U-Pb, o que resultou em idades entre ~ 106 Ma e ~ 84 Ma para essas partículas. No entanto, as partículas primárias do testemunho 7-SPH-6-SPS preservaram idades mais antigas de ~ 115 Ma. Tal comportamento contrastante das idades pode ser explicado por diferentes contextos magmáticos, hidrotermais, estruturais e estratigráficos atuando em diferentes áreas do campo de Sapinhoá. As dolomitas, por sua vez, demonstraram que o resetting geocronológico dos constituintes pode não ser um efeito pervasivo, mas que depende mais da interação rocha-fluido e das propriedades físicas das partículas, como porosidade e permeabilidade. Isso foi observado em consequência das camadas não-porosas e não-permeáveis de dolomita não terem sido afetadas pelo resetting geocronológico do sistema U-Pb. Na verdade, dolomita microcristalina e finos romboedros de dolomita registraram as primeiras datações diretas de idades Barremianas para os carbonatos da Formação Barra Velha Superior, fornecendo uma idade deposicional Barremiana da Formação Barra Velha Superior. Em relação às idades das dolomitas, estas foram separadas em dolomitas pré-silicificação e em dolomitas pós-silicificação. As dolomitas pré-sílica ocorrem como dolomitas microcristalinas e como finos romboedros de idades Barremiana-Aptiana; como cristais finos de dolomita romboédrica de ~115 – 109 Ma, produtos de dolomitização pervasiva; e como dolomitas microcristalinas pseudomórficas que sofreram resetting do sistema isotópico U-Pb relacionado a um evento de silicificação do AlbianoCenomaniano. Dolomitas pós-sílica têm idades por volta de ~100 Ma e são representadas por cimentos diagenéticos tardios como dolomita blocosa e dolomita em sela. A dolomita em sela limita temporalmente um evento de silicificação como mais velho que 100 Ma.


  • Mostrar Abstract
  • The Pre-salt carbonates and their unique characteristics represent a challenge for understanding depositional and diagenetic processes related to these rocks. Even the Barra Velha Formation's chronology is controversial, whether it was deposited during Barremian and Aptian times. To constrain the chronology of depositional and diagenetic processes related to the Upper Barra Velha carbonates and also to understand how the U-Pb isotopic system works in carbonates, this study presents an integrated study of conventional petrography, QEMSCAN imaging, and in situ U-Pb dating of carbonate samples from three wells (3-BRSA-923A-SPS, 9-BRSA-928-SPS, and 7-SPH-6-SPS) of the Sapinhoá field, located in the central part of the Santos Basin. Ages obtained in this study coincide with regional tectonic and thermal events that affected the Santos Basin. These events have geochronological ages of ~ 127/125 Ma, ~ 116/114 Ma, and ~ 105/100 Ma. A local influence of the geological and structural contexts of the analyzed particles was also detected, since the pattern of ages obtained in each well was different from the other. For instance, the calcite primary particles from the well 9-BRSA-928-SPS underwent U-Pb post-depositional resetting, which resulted in younger post-depositional ages of ~ 106 Ma for these particles. Instead, the calcite primary particles from the 7-SPH-6-SPS well preserved older ages of ~115 Ma. This different age behavior may be explained by different magmatic, hydrothermal, structural, or stratigraphic contexts acting on the studied wells. The dolomites, compared to calcite particles, showed that the geochronological resetting of the particles may not be a pervasive effect but may depend more on fluid-rock interaction and physical properties of the particles, such as porosity and permeability. This was observed hence the non-porous and non-permeable dolomitic aggregates were not affected by U-Pb geochronological resetting. Indeed, primary microcrystalline and fine dolomite rhombs recorded the first direct Barremian ages for the Barra Velha carbonates, providing a Barremian depositional age of the Upper Barra Velha Formation. Otherwise, microcrystalline pseudomorphic dolomites and calcite particles underwent U-Pb resetting caused probably by fluid-rock interactions and thermal effects. Concerning the dolomite ages, they were separated in pre-silicification and post-silicification dolomites. Pre-silicification dolomites occur as Barremian-Aptian microcrystalline to very fine laminated dolomite rhombs, as ~115 – 109 Ma fine rhombohedral dolomite crystals that are the product of pervasive dolomitization, and as pseudomorphic microcrystalline dolomites that underwent U-Pb resetting related to an Albian-Cenomanian silicification event. Post-silicification dolomites have ages of ~ 100 Ma and are represented by later diagenetic cements such as blocky dolomite and saddle dolomite. The saddle dolomite temporally limits a silicification event as older than 100 Ma.

14
  • VICTOR DIAS CAVALCANTE
  • Análise do salvamento paleontológico no contexto do licenciamento ambiental brasileiro.

  • Orientador : RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LUIZ CARLOS BORGES RIBEIRO
  • RICARDO LOURENCO PINTO
  • ROBERTO IANNUZZI
  • RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • Data: 12/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • O salvamento paleontológico é definido pela Portaria do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) 1 n° 155/2016 como a coleta exaustiva de fósseis para mitigar o risco iminente de destruição ou dano irreversível, incluindo, também, as medidas que se fizerem necessárias para a sua curadoria. A execução dessas atividades no Brasil é, em alguns casos, um requisito para a emissão de licenças ambientais de empreendimentos ou atividades com potencial de causar uma degradação do patrimônio paleontológico. Esta dissertação apresenta uma visão geral acerca da execução do salvamento paleontológico no Brasil desde o seu primeiro registro documentado na Agência Nacional de Mineração (ANM) em 2007 até o ano de 2022. Esta dissertação também apresenta um levantamento a respeito das normas que regem a execução desses programas e recomendações feitas com base em casos considerados bem sucedidos na gestão desses programas em contexto municipal, bem como na experiência de outras áreas do conhecimento, como a espeleologia e arqueologia, e que podem ser replicados na paleontologia para aprimorar as análises por parte dos órgãos licenciadores quanto à necessidade de solicitação de execução de programas de salvamento paleontológico.


  • Mostrar Abstract
  • Paleontological salvage is defined by the National Department of Mineral Production (DNPM) Ordinance N° 155/2016 as the exhaustive sampling of fossils with the objective of mitigating the risk of destruction or irreversible damage to the fossil record. This process also includes necessary measures to promote the curation of the sampled material. In Brazil, these activities are sometimes a requirement for the issuing of environmental licenses of projects or activities with the potential of leading to the degradation of the paleontological heritage. This dissertation provides an overview of paleontological salvage activities in Brazil from the first record at the Agência Nacional de Mineração (ANM), formerly DNPM, in 2007, up to the year 2022. It also discusses the existing regulation guiding these activities and provides recommendations based on successful experiences in the management of paleontological salvage activities at a municipal level. Drawing from the experiences of other fields of study, such as speleology and archeology, this dissertation suggests replicable practices in paleontology to improve the analysis made by the environmental agencies regarding the necessity of requiring the implementation of paleontological salvage activities.

15
  • ALEX GABRIEL CAJADO FERREIRA
  • Análise da microestrutura óssea dos osteodermos de Crocodylomorpha do Grupo Bauru

  • Orientador : RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • JULIA KLACZKO
  • RICARDO LOURENCO PINTO
  • RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • THIAGO DA SILVA MARINHO
  • Data: 12/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • Os crocodilomorfos viventes fazem parte do grupo monofilético Crocodylia, que atualmente inclui mais de 20 espécies distribuídas nas regiões intertropicais ao redor do mundo. Além das espécies viventes, como crocodilos, jacarés e gaviais, os Crocodylomorpha também abrangem várias linhagens extintas. No Brasil, os depósitos sedimentares continentais pós-paleozoicos são notáveis pela abundância de fósseis de Crocodylomorpha. Uma característica comum a todos os crocodilomorfos, sejam eles vivos ou extintos, é a presença do esqueleto dérmico. Esse revestimento é composto por ossos conhecidos como osteodermos ou placas dérmicas, que são interligados por tecidos fibrosos. Essas placas desempenham papéis essenciais na proteção, flexibilidade, absorção de energia e armazenamento mineral, variando em tamanho, forma, ornamentação e funções de acordo com a espécie. Este estudo tem como objetivo a análise das placas dérmicas de espécies fósseis pertencentes aos táxons Baurusuchidae, Peirosauridae, Sphagesauridae e Mariliasuchus, presentes na coleção FUP da Faculdade UnB Planaltina. Foram confeccionadas seções delgadas para a análise histológica dos espécimes a fim de comparar suas diferenças e semelhanças morfológicas com outras linhagens viventes e extintas. No decorrer da pesquisa, foram examinados osteodermos de um indivíduo de Baurusuchidae (nas regiões cervical, dorsal anterior e dorsal posterior) e lâminas de Sphagesauridae, tanto da fileira parasagital quanto do escudo ventral. Também foram analisados osteodermos de Baurusuchidae juvenil. Para efeitos de comparação, lâminas de Candidodontidae e Caimaninae (associados a Purussaurus) foram seccionadas. Embora as placas dérmicas analisadas provenham de crocodilomorfos de diferentes (Peirosauridae, Baurusuchidae, Sphagesauridae e Mariliasuchus), estas apresentam morfologias externas distintas em nível macroscópico. No entanto, a análise histológica revelou notáveis semelhanças, especialmente em relação à estrutura do tecido ósseo. O tecido apresenta fibras dispostas em uma matriz de fibras paralelas e entrelaçada, ósteons secundários muito maiores que os primários, indicando processos de reabsorção óssea, e a presença de linhas de crescimento em algumas das lâminas histológicas analisadas.


  • Mostrar Abstract
  • The living crocodylomorphs are part of the monophyletic group Crocodylia, which currently includes more than 20 species distributed in the intertropical regions around the world. In addition to the extant species such as crocodiles, alligators, and gharials, Crocodylomorpha also encompasses various extinct lineages. In Brazil, post-Paleozoic continental sedimentary deposits are notable for the abundance of Crocodylomorpha fossils. A common feature among all crocodylomorphs, whether living or extinct, is the presence of the dermal skeleton. This covering is composed of bones known as osteoderms or dermal plates, which are interconnected by fibrous tissues. These dermal plates play essential roles in protection, flexibility, energy absorption, and mineral storage, varying in size, shape, ornamentation, and functions according to the species. This study aims to analyze the dermal plates of fossil species belonging to the taxa Baurusuchidae, Peirosauridae, Sphagesauridae, and Mariliasuchus, kept in the collection of the University of Brasília, Planaltina Campus. Thin sections were prepared for the histological analysis of the specimens to compare their morphological differences and similarities with other living and extinct lineages. During the research, osteoderms from an individual of Baurusuchidae (cervical, anterior dorsal, and posterior dorsal regions) and dermal plates from Sphagesauridae, both from the parasagittal row and ventral shield, were examined. Osteoderms of juvenile Baurusuchidae were also analyzed. For comparison purposes, thin sections of osteoderms attributed to Candidodontidae and Caimaninae (associated with Purussaurus) were also made. Although the dermal plates analyzed come from crocodylomorphs of different crocodylomorph groups (Peirosauridae, Baurusuchidae, Sphagesauridae, and Mariliasuchus), they exhibit distinct external morphologies at a macroscopic level. However, histological analysis revealed notable similarities, especially regarding the structure of the bone tissue. The bone tissue shows fibers arranged in a matrix of parallel and interwoven fibers, secondary osteons are much larger than the primary ones, indicating bone resorption processes, and the presence of growth lines in some of the analyzed histological slides.

16
  • PATRÍCIA FABIANA RODRIGUES COSTA
  • DESCRIÇÃO E TAFONOMIA DA PALEOICTIOFAUNA DAS FORMAÇÕES ARAÇATUBA E ADAMANTINA (CRETÁCEO SUPERIOR), GRUPO BAURU DA REGIÃO DE PRESIDENTE PRUDENTE, ESTADO DE SÃO PAULO.

  • Orientador : RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELISEU VIEIRA DIAS
  • RICARDO LOURENCO PINTO
  • RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • VERONICA DE BARROS SLOBODIAN MOTTA
  • Data: 13/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • A paleoictiofauna do Grupo Bauru compreende em restos de peixes, normalmente isolados como escamas, vértebras, dentes e ossos do crânio. A diversidade de peixes abrange actinoperígios como Lepisosteidae, Amiidae, Osteoglossiformes, Characiformes e Perciformes, e alguns registros de dipnoicos mas que, dado o grau de escassez de exemplares mais completos, o entendimento dos componentes da paleoictiofauna nessa unidade ainda é desconhecido. O material aqui apresentado foi coletado na região de Presidente Prudente, próximo a Pirapozinho e General Goulart e está depositado na coleção paleontológica do LaPaDA-FUP, onde foram preparados e descritos com base em literatura específica, alguns analisados com auxílio de microtomografia computadorizada e análise morfométrica das escamas ganóides. Nesse trabalho, o material está associado a depósitos lacustres, preservados em arenitos finos a médios com intercalações de lamito e frequente cimentação carbonática e gretas de ressecamento associadas a períodos de seca do lago (Formação Araçatuba) e fluviais, preservados em arenitos finos a médios com cimentação carbonática e estratificação plano paralela, marcas onduladas e perfurações de invertebrados indicando uma porção de águas mais rasas (Formação Adamantina). A semelhança entre a Formação Araçatuba e Formação Adamantina estudadas nesse trabalho, indicou ser uma área de transição e gradual de uma unidade lacustre para fluvial, em ambas há níveis com vários restos ósseos de tartaruga e restos de peixes associados a um nível mais calmo e com cimentação carbonática, enquanto que no topo de ambas as sequências, há fósseis fortemente associados a altos níveis de transporte, abrasão e empacotamento, indicando fluxos maiores de energia do corpo aquoso. Na Formação Adamantina, mais na base, ocorrem várias dezenas de girogonites de algas carófitas. Concluiu-se que a paleoictiofauna dessas duas unidades são bem parecidas, havia espécies em simpatria como é o caso de Lepisosteidae e Atractosteus coabitando a região e ambas unidades apresentam registros de escamas cicloides de Characiformes e espinhos peitorais de Siluriformes com morfologias semelhantes. As escamas cicloides nunca foram devidamente estudadas no Grupo Bauru, seus registros são breves e vagos, dada a incompletude de material. Tentou-se então neste trabalho, abordar e caracterizar melhor a descrição morfológica dessas escamas elasmoides com base em estudos de escamas recentes e comparação com os morfotipos e subtipos atuais, podendo atribuí-las às escamas cicloides de Characiformes. Os registros mais comuns são, sem dúvida, de Lepisosteidae, podendo indicar uma abundância maior desses indivíduos ou que apenas possuem restos mais facilmente preservados no registro fóssil, como é o caso das escamas ganóides. Nesse trabalho é reportado pela primeira vez no Grupo Bauru, um dentário de Atractosteus juvenil, com base em suas características ímpares como três dentes cônicos robustos e com forte plicidentina, ausência de uma fileira de dentes menores laterais e morfologia do canal mandibular indicando estágio ontogenético de um juvenil.


  • Mostrar Abstract
  • The paleoichthyofauna of the Bauru Group comprises fish remains, usually isolated such as scales, vertebrae, teeth, and cranial bones. The diversity of fish includes Actinopterygians such as Lepisosteidae, Amiidae, Osteoglossiformes, Characiformes, and Perciformes, with some records of dipnoi. However, due to the scarcity of more complete specimens, the understanding of the components of the paleoichthyofauna in this unit is still unknown. The material was collected in the Presidente Prudente region, near Pirapozinho and General Goulart, and it is deposited in the paleontological collection of LaPaDA-FUP. It has been prepared and described based on specific literature, with some specimens analyzed using computerized microtomography and morphometric analysis of ganoid scales. In this study, the material is associated with lacustrine deposits, preserved in fine to medium sandstones with intercalations of mudstone and frequent carbonate cementation, as well as mudcracks associated with lake dry periods (Araçatuba Formation). Additionally, fluvial deposits are preserved in fine to medium sandstones with carbonate cementation, planar stratification, climbing ripples, and invertebrate burrows indicating shallower water conditions (Adamantina Formation). The similarity between the Araçatuba and Adamantina Formations studied in this work suggests a transitional area from lacustrine to fluvial conditions. In both formations, levels with various turtle bone remains and fish fossils associated with calmer to more turbulent water conditions and carbonate cementation were identified. At the top of both sequences, there are fossils strongly associated with high levels of transport, abrasion, and packing, indicating larger water body energy flows. In the Adamantina Formation, at the base, there are numerous gyrogonites of charophyte algae. It was concluded that the paleoichthyofauna of these two units are quite similar, with sympatric species such as Lepisosteidae and Atractosteus cohabiting the region. Both units show records of cycloid scales of Characiformes and pectoral spines of Siluriformes with similar morphologies. Cycloid scales have not been adequately studied in the Bauru Group, and their records are brief and vague due to the incompleteness of the material. Therefore, this study aimed to better characterize the morphological description of these cycloid scales based on recent scale studies and comparisons with current morphotypes and subtypes, possibly attributing them to cycloid scales of Characiformes. The most common records undoubtedly belong to Lepisosteidae, indicating either a greater abundance of these individuals or that they simply have more easily preserved remains in the fossil record, such as ganoid scales than elasmoid scales. This work reports for the first time in the Bauru Group a left dentary of a juvenile Atractosteus, based on its unique characteristics such as three robust conical teeth with strong plicidentine, the absence of a row of smaller lateral teeth, and mandibular canal morphology indicating an ontogenetic stage of a juvenile.

17
  • Carolina Michelon Camarda
  • ÓXIDOS DE FERRO HIDRATADOS NO MANTO SUPER PROFUNDO E SUAS IMPLICAÇÕES NA DINÂMICA TERRESTRE

  • Orientador : TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIANA ALVES
  • ROBERTA MARY VIDOTTI
  • TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • WOLF UWE REIMOLD
  • Data: 15/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • Minerais hidratados presentes na litosfera oceânica são conhecidos como os principais agentes responsáveis pelo transporte de água para o manto terrestre através das zonas de subducção. No manto superior, a água pode ser armazenada na estrutura cristalina de minerais como anfibólio e mica, ou em minerais nominalmente anidros, como olivina e piroxênios. Ainda, a zona de transição do manto tem sido reconhecida como um potencial reservatório de água do manto mais profundo. Estudos experimentais demonstraram que polimorfos de alta pressão da olivina que demarcam esta zona, wadsleyita e ringwoodita, possuem significativa capacidade de armazenamento de OH, o que também foi comprovado em duas ringwooditas naturais e hidratadas encontradas como inclusões em diamantes super profundos. Por outro lado, o manto inferior sempre foi considerado uma parte anidra do manto terrestre devido a sua mineralogia não ter capacidade de agregar OH nas estruturas cristalinas. Os minerais hidratados no manto inferior, conhecidos como silicatos de magnésio hidratados densos (dense hydrous magnesium silicates - DHMSs), conseguem agregar apenas uma pequena proporção de OH em suas estruturas cristalinas além de serem fases pouco abundantes. Estudos experimentais recentes mostraram que fases de oxihidróxido de ferro podem se manter estáveis em condições de pressão e temperatura do manto inferior, o que implica que a água pode ser transportada e armazenada no interior da Terra por polimorfos de goethita (α-FeOOH). Estes estudos sugerem que α-FeOOH, comumente presente nas placas oceânicas subductadas, decompõem-se parcialmente em óxidos de ferro do tipo Fe2O3 e Fe3O4 a pressões de ~ 35 - 76 GPa (~ 1.155 – 2.500 km) e temperaturas de 876,85- 2476,85 ºC, liberando assim H2O e O2 no manto inferior. De forma notável, através de investigações em inclusões minerais de um diamante super profundo de Juína, Mato Grosso - Brasil, encontrou-se a primeira ocorrência natural documentada de ε-FeOOH estável no manto inferior. Esta fase foi encontrada em transição, apresentando uma goethita natural (ε-FeOOH) decompondo-se para hematita de alta pressão (Fe2O3) possivelmente hidratada, e magnetita (Fe3O4). Através da estrutura cristalina da hematita, foi possível identificar que esta transição de fase ocorre a uma pressão de 56 GPa, que condiz a ~1.850 km de profundidade no manto inferior. Com a transição, se tem também a liberação de H2O e O2 para o manto profundo. Portanto, essa descoberta fornece informações valiosas sobre o ciclo da água no interior da Terra, sugerindo que o manto inferior contém mais água do que se acreditava, e que deve apresentar heterogeneidades composicionais formadas pelas reações de oxirredução geradas pela liberação de H2O e O2 em um ambiente majoritariamente redutor. Os resultados são baseados em diversos dados inovadores obtidos em três linhas de luz da nova fonte de radiação síncrotron de 4ª geração - Sirius no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) do Brasil, tais como μ-Tomografia (linha de luz MOGNO), fluorescência de raios-X (linha de luz CARNAÚBA), nanotomografia (linha de luz CARNAÚBA), XANES (linha de luz CARNAÚBA), e micro difração de raios-X (linha de luz EMA).


  • Mostrar Abstract
  • Hydrated minerals present in the oceanic lithosphere are known as the main agents responsible for the transport of water into the Earth's mantle through subduction zones. In the upper mantle, water can be stored in the crystalline structure of minerals such as amphibole and mica, or in nominally anhydrous minerals such as olivine and pyroxenes. Additionally, the mantle transition zone has been recognized as a potential reservoir of water. Experimental studies have demonstrated that high-pressure polymorphs of olivine that mark this zone, wadsleyite and ringwoodite, have significant OH storage capacity, which has also been confirmed in two naturally hydrated ringwoodites found as inclusions in super-deep diamonds. On the other hand, the lower mantle has always been considered anhydrous due to its main mineralogy that has low storage capacity of OH. Hydrated minerals in the lower mantle, known as dense hydrous magnesium silicates (DHMSs), can only incorporate a small proportion of OH into their crystal structures and are relatively scarce phases. Recent experimental studies have shown that iron oxihydroxide phases can remain stable under lower mantle conditions, implying that water can be transported and stored inside the Earth by goethite polymorphs (α-FeOOH). These studies suggest that α-FeOOH, commonly present in subducted oceanic plates, partially decomposes into Fe2O3 and Fe3O4 at pressures of ~35 - 76 GPa (~1,155 – 2,500 km) and temperatures of 876,85- 2476,85 ºC, thus releasing H2O and O2 into the lower mantle. Notably, through investigations on inclusions in a super-deep diamond from Juína, Mato Grosso - Brazil, the first documented natural occurrence of stable ε-FeOOH in the lower mantle was found. This phase was observed in transition, with natural goethite (εFeOOH) decomposing into possibly hydrated high-pressure hematite (Fe2O3) and magnetite (Fe3O4). Through the crystalline structure of hematite, it was possible to identify that this phase transition occurs at a pressure of 56 GPa, corresponding to ~1,850 km depth in the lower mantle. With the transition, there is also the release of H2O and O2 into the deep mantle. Therefore, this discovery provides valuable information about the water cycle inside the Earth, suggesting that the lower mantle contains more water than previously believed and may exhibit compositional heterogeneities formed by redox reactions generated by the release of H2O and O2 in a predominantly reducing environment. The results are based on novel data obtained from three beamlines of the new 4th generation synchrotron radiation source - Sirius at the Brazilian National Synchrotron Light Laboratory (LNLS), which includes μ-tomography (MOGNO beamline), X-ray fluorescence (CARNAÚBA beamline), nano-tomography (CARNAÚBA beamline), XANES (CARNAÚBA beamline), and micro-X-ray diffraction (EMA beamline).

18
  • Aline Alves dos Santos
  • Química mineral, isótopos de Sr-Nd-Os e elementos do grupo da platina dos Peridotitos do vulcão Los Gemelos, Meseta de Canquel, Patagônia Argentina.

  • Orientador : TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GUILHERME DE OLIVEIRA GONCALVES
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • VALDECIR DE ASSIS JANASI
  • Data: 19/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • Os xenólitos mantélicos da Meseta de Canquel, Patagônia, são objeto deste estudo e compreendem a primeira investigação dos espinélio-peridotitos datados do Mesoproterozoico (1,3–0,9 Ga). A composição dos xenólitos varia de harzburgitos a lherzolitos, com baixo teor de clinopiroxênio, indicando eventos de fusão parcial. Os baixos teores de Al2O3 e CaO em rocha total (ambos <1.5 wt.%), o alto Mg# nas fases silicáticas (90–95) e o espinélio rico em Cr (Cr# 0.20–0.42), juntamente com a depleção de elementos altamente siderófilo (Re, Ru, Pd) em relação ao manto superior primitivo, o que confirma as altas taxas de fusão e o caráter fortemente depletado das amostras analisadas. A presença de flogopita, associada a presença abundante de veios de composição alcalina com alta e baixa SiO2, são evidências incontestáveis de metassomatismo modal. O enriquecimento do clinopiroxênios em elementos terras raras leves (LREE), assim como o padrão em U dos REE da rocha total, são evidências de metassomatismo críptico. A interação entre a rocha e o líquido (melt) é evidenciada pelo conteúdo de elementos maiores (e.g., Mg# vs. elementos basálticos) e traços (e.g., La/YbN vs. Sr/Y e Ti/Eu; e Sr vs. Ti/Eu) dos piroxênios. Além disso, as composições dos líquidos em equilíbrio com os clinopiroxênios coexistentes com a flogopita, assim com as razões isotópicas de rocha total de Sr-Nd, sugerem a interação com componentes relacionados a subducção. Os efeitos do metassomatismo são impressos mais proeminentemente nas porções mantélicas profundas (~70 km) em comparação com as porções mais rasas (~50 km). Tais características são consistentes com a hibridização do manto litosférico depletado com líquidos alcalinos ricos em K. Considerando o sistema de subducção de longa duração estabelecido na região de back-arc da Patagônia durante o Fanerozoico, é muito provável que o evento metassomático registrado pelos xenólitos mantélicos de Los Gemelos esteja associado ao soerguimento de material através de uma janela astenosférica durante o Paleoceno-Eoceno, que causou a fusão parcial da placa oceânica.


  • Mostrar Abstract
  • Mantle xenoliths from Canquel Plateau, Patagônia, are object of this study,which represent the first investigation of a new spinel-bearing suite dated from Mesoproterozoic (1.3–0.9 Ga). The composition vary between harzburgites and clinopyroxene-poor lherzolites characterized by typical indicators of partial melt extraction, such as low whole-rock Al2O3 and CaO contents (both <1.5 wt.%), high Mg# of silicate phases (90–95), and Cr-rich spinel (Cr# 0.20–0.42). The depletion of incompatible highly siderophile elements (Re, Ru, Pd) relative to the primitive upper mantle certify the high-degrees of melt extraction and the highly-depleted caracther of the samples. The existence of phlogopite, accompained by abundant alkaline glass veins containing high- and low-SiO2 compositions are undoubtable evidence of modal metasomatism. The light rare earth element (LREE) enrichment observed in clinopyroxene, as well as the whole-rock U-shaped REE pattern are evidence of cryptic metasomatism. The melt-rock interaction is corroborated by major (i.e., Mg# vs. basaltic elements) and trace (i.e., La/YbN vs. Sr/Y and Ti/Eu; and Sr vs. Ti/Eu) element contents of pyroxenes. Moreover, the calculated compositions of melts in equilibrium with clinopyroxene coexisting with phlogopite, as well as whole-rock SrNd isotopic ratios suggest interaction with subduction-related components. Remarkably, the metasomatic overprint is selectively prominent in the deeper (~70 km) mantle column compared to the shallower (~50 km). These features are consistent with the hybridization of the depleted lithosphere with a K-rich alkaline melt. Considering the long-lived subduction system established in the Patagonia back-arc throughout the Phanerozoic, it is most likely that the metasomatic event recorded by Los Gemelos mantle xenoliths is associated with the upwelling of asthenospheric material through a slab-window during the Paleocene-Eocene, wich promoted the partial melting of the oceanic crust.

19
  • TULIO MARQUES SOARES
  • Proveniência e ambiente tectônico das sequências metassedimentares do Greenstone Belt Serra de Santa Rita: implicações para evolução do Maciço de Goiás, Brasil Central.

  • Orientador : CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • NATALIA HAUSER
  • ELIZA INEZ NUNES PEIXOTO
  • FARID CHEMALE JUNIOR
  • Data: 20/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • O Domínio Crixás-Goiás está inserido no Maciço de Goiás, na porção centro-oeste da Faixa de Dobramentos Brasília, e é composto por uma associação de terrenos TTGs (Tonalitos, Trondjemitos e Granodioritos) e faixas de greenstone belts. O Greenstone Belt Serra de Santa Rita está localizado na porção sul do Domínio Crixás-Goiás e é composto, da base para o topo, por sequências de rochas metavulcânicas ultramáficas e máficas sotopostas a unidades metassedimentares mais jovens, que são objeto de investigação desta pesquisa. Este trabalho apresenta dados de geoquímica isotópica U-Pb, Sm-Nd e Lu-Hf das rochas metassedimentares do Greenstone Belt serra de Santa Rita com o objetivo de caracterizar possíveis fontes sedimentares, estilos de bacias, ambientes de deposição e a idade máxima de sedimentação, assim como propor uma evolução para essas bacias dentro do cenário regional. Os resultados obtidos nesta pesquisa permitiram individualizar sequências sedimentares pertencentes à duas bacias distintas: Serra de Santa Rita e Serra de Cantagalo, respectivamente. A bacia Serra de Santa Rita é constituída de meta-arcóseo, meta grauvaca, metapelito, filito carbonoso, mármore e arenitos de granulometria fina e apresenta dados de zircão detríticos com idades arqueanas e riacianas. As fontes arqueanas apresentam assinaturas isotópicas Lu-Hf e Sm-Nd condizentes com fontes crustais mais antigas, enquanto as fontes riacianas exibem uma assinatura crustal juvenil. A idade máxima de deposição, obtida com base na média ponderada das idades dos grãos de zircão mais jovens, aponta para uma idade de 2,14 Ga. A bacia Serra de Cantagalo compreende uma sequência metassedimentar composta por metaconglomerados, metaarenitos e quartzitos e apresenta dados de zircão detrítico de idades arqueanas, riacianas, orosirianas e estaterianas. A idade máxima de deposição para a sequência sedimentar dessa bacia é de 1,98 Ga. As assinaturas isotópicas Lu-Hf e Sm-Nd obtidas para a sequência sedimentar da bacia Serra de Cantagalo são condizentes com fontes crustais mais antigas. As possíveis fontes arqueanas são os TTG presentes no Domínio Crixás-Goiás. As fontes riacianas provavelmente se originaram de rochas ígneas e metamórficas presentes nos Domínios Campinorte, Cavalcante-Arraias e Almas-Conceição do Tocantins. Por sua vez, sugere-se que as fontes estaterianas e orosirianas estão relacionadas a rochas vulcânicas em um contexto geológico de rifteamento, correlacionável aos Grupos Araí e Serra da Mesa. A evolução tectono-sedimentar da bacia Serra de Santa Rita apresenta dois ciclos: o primeiro está relacionado à sua abertura, adotando um estilo de bacia do tipo pull-apart, com deposição de arcóseos e grauvacas da formação Fazenda Cruzeiro, enquanto o segundo ciclo está relacionado a um aumento do nível do mar e à deposição de uma sequência marinha, caracterizada por pelitos, filitos ricos em matéria orgânica, carbonatos e arenitos de granulometria fina da formação Fazenda Limeira. Este último ciclo é seguido pelo soerguimento da bacia após a diagênese e ínicio da erosão. A bacia de Serra do Cantagalo pode ser relacionada a um rifteamento pós-colisional, resultante do abatimento do orógeno riaciano, ou ao mesmo evento tectônico que formou as bacias Araí e Serra da Mesa. Por fim, a Formação Serra do Cantagalo foi posicionada tectonicamente sobre o Greenstone Belt Serra de Santa Rita durante o evento orogenético Brasiliano-Pan Africano.


  • Mostrar Abstract
  • The Crixás-Goiás Domain is situated in the Goiás Massif, central-western portion of the Brasília Fold Belt, and consists of an assemblage of TTGs (Tonalites, Trondhjemites, and Granodiorites) and greenstone belts. The Serra de Santa Rita Greenstone Belt is in the southern part of the Crixás-Goiás Domain and is composed, from base to top of sequences of ultramafic and mafic metavolcanic rocks underlying younger metasedimentary units. This study presents U-Pb, Sm-Nd, and Lu-Hf isotopic geochemistry data of the metasedimentary rocks from the Serra de Santa Rita Greenstone belt with the aim of characterizing potential sedimentary sources, basin styles, deposition environments, and maximum depositional ages, as well as proposing the evolutional history of these basins within the regional context. The results obtained in this research have allowed the identification of sedimentary sequences belonging to two distinct basins: the Serra de Santa Rita Basin and the Serra de Cantagalo Basin. The Serra de Santa Rita Basin is composed of meta-arkose, meta-graywacke, metapelites, carbonaceous phyllites, marble, and fine-grained sandstones. It presents detrital zircon data with Archean and Rhyacian ages. Archean sources exhibit Lu-Hf and Sm-Nd isotopic signatures consistent with older crustal sources, while Rhyacian sources display a juvenile crustal signature. The maximum deposition age, obtained based on the weighted mean of the youngest zircon grains, points to a 2.14Ga age. The Serra de Cantagalo Basin is a metasedimentary sequence composed of meta conglomerates, meta-arenites, and quartzites, with detrital zircon data indicating Archean, Rhyacian, Orosirian, and Statherian ages. The maximum deposition age for the sedimentary sequence in this basin is 1.98 Ga. The Lu-Hf and Sm-Nd isotopic signatures obtained for the sedimentary sequence of the Serra de Cantagalo Basin are consistent with the influence of older crustal sources. The possible Archean sources are the TTGs present in the Crixás-Goiás Domain. Rhyacian sources likely originated from igneous and metamorphic rocks of the Campinorte, Cavalcante-Arraias, and Almas-Conceição do Tocantins Domains. In turn, it is suggested that Statherian and Orosirian sources are related to volcanic rocks in a rift-related geological context, comparable to the Araí and Serra da Mesa Groups. The tectono-sedimentary evolution of the Serra de Santa Rita Basin presents two cycles: the first is related to its opening, adopting a pull-apart basin style, with the deposition of arkoses and graywackes of the Fazenda Cruzeiro Formation. The second cycle is associated with a sea-level rise and the deposition of a marine sequence characterized by pelites, organic-rich phyllites, carbonates, and finegrained sandstones of the Fazenda Limeira Formation. This latter cycle is followed by basin uplift after diagenesis and the onset of erosion. The Serra do Cantagalo Basin may be related to post-collisional rifting, resulting from the subsidence of the Rhyacian orogen, or to the same tectonic event that formed the Araí and Serra da Mesa basins. Finally, the Serra do Cantagalo Formation was tectonically positioned over the Serra de Santa Rita Greenstone Belt during the Brasiliano-Pan African orogenic event.

20
  • BRUNNO ABÍLIO CIRIACO ARAUJO
  • O Depósito de Fosfato Coqueiros, Complexo Alcalino-Carbonatítico Catalão II: Significância dos Processos Magmáticos na Concentração de Apatita

  • Orientador : CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ROGÉRIO GUITARRARI AZZONE
  • CLAUDINEI GOUVEIA DE OLIVEIRA
  • JOSE AFFONSO BROD
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • Data: 21/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • O Complexo de Catalão II está situado na porção setentrional da Província Ígnea Alto Paranaíba, próximo à cidade homônima de Catalão (Goiás, Brasil). O complexo é uma intrusão com forma bicêntrica e alongada no sentido NNE abrangendo uma área de 12 km², predominantemente composto por bebedouritos, foscoritos e carbonatitos, com alcalino-feldspáticos sienito e lamprófiros ultramáficos subordinados. Sistemas magmáticos distintos entre as porções sul e norte do complexo são reconhecidos com base em diferenças no modo de intrusão e nos tipos de rochas predominantes. Catalão II Sul é composto por foscoritos tardios e calcita a dolomita carbonatitos em um complexo sistema de diques e veios, com pequenas intrusões subordinadas. Catalão II Norte é composto por bebedouritos, apatitito, calcita carbonatitos e diques tardios que compreendem foscoritos, calcita a dolomita carbonatitos e álcali-feldspato sienito. Lamprófiros ultramáficos constituem ocorrem em toda a área. Rochas ricas em apatita abrigam importantes recursos de fosfato na porção norte. A área conhecida como o depósito Coqueiros permanece ainda inexplorada e pouco conhecida. Recursos de fosfato são estimados na ordem de 45 Mt a 11,0% de P2O5 para apatita residual no perfil de intemperismo, e 410 Mt a 9,0% de P2O5 em rocha fresca. As principais litologias portadoras de apatita são bebedouritos, apatitito e calcita carbonatitos associados. Embora foscoritos strictu sensu contenham um conteúdo importante de apatita, apresentam uma distribuição volumétrica limitada e não contribuem substancialmente para a mineralização de fosfato. Com base em descrições de testemunhos de sondagem, caracterização petrográfica, composição de rocha total e mineral, pelo menos três estágios intrusivos de bebedouritos podem ser reconhecidos, e dois deles associados a um respectivo clinopiroxênio calcita carbonatito. O tetraferriflogopita bebedourito compõe a porção externa do depósito Coqueiros. Intrusões marginais em forma de lente são compostas pelo apatita bebedourito e diopsídio calcita carbonatito. A porção central do depósito é predominantemente composta pelo tetraferriflogopita apatitito. Estágio tardio de titanita bebedourito e aegirina-augita calcita carbonatito ocorrem intrusivos como stocks, plugs e diques. Dados petrográficos, composição de rocha total e mineral indicam que múltiplos estágios de magmas variavelmente diferenciados tenham contribuído para a formação do complexo. Nesse contexto, a associação ultramáfico-carbonatítica em Catalão II é formada a partir da diferenciação de um magma parental de composição silicato-carbonatítico, provavelmente semelhante aos lamprófiros ultramáficos. O primeiro estágio intrusivo é representado pelo tetraferriflogopita bebedourito e fatores como a presença de xenoliths derivados do embasamento e padrões de elementos traços distintos indicam que contaminação crustal tenha tido certa contribuição na formação dessa litologia. Os segundo e terceiro estágio intrusivos são representados pelos bebedouritos pareados com carbonatitos. Em ambos os casos, há evidências a partir de contatos gradacionais, continuidade entre trends de evolução mineral e distribuição semelhante dos padrões de elementos traço, de uma evolução via cristalização fracionada. Portanto, a mineralização de fosfato hipogênica no depósito Coqueiros é representada por bebedouritos enriquecidos em apatita devido a um extenso fracionamento de minerais silicáticos, formando uma sequência de cumulados ultramáficos na base, níveis intermediários ricos em apatita e clinopiroxênio calcita carbonatitos residuais.


  • Mostrar Abstract
  • The Catalão II complex is the northernmost alkaline-carbonatite complex of the Alto Paranaíba Igneous Province situated next to the homonymous city of Catalão (Goiás, Brazil). The complex is an NNE kidney-shaped body that comprises an area of 12 km2 dominantly consisting of bebedourites, phoscorites, and carbonatites, with subordinate alkali-feldspar syenites and ultramafic lamprophyres. Separate magmatic systems between the southern and northern portions of the complex are recognized based on differences in the mode of emplacement and predominant rock types. Catalão II South is predominantly composed of evolved phoscorites and calcite- to dolomite carbonatites in a complex system of cross-cutting dikes with subordinate small-scale intrusions. On the other hand, Catalão II North is composed of successive intrusions of bebedourites, calcite carbonatites, and late transgressive dikes that comprise phoscorites, calcite- to dolomite carbonatites, and alkali-feldspar syenite. Ultramafic lamprophyres are the last magmatic pulse and occur in all area as plugs, pipes, and dikes. Apatite-rich rocks host important phosphate resources in the northern portion. The area known as the Coqueiros deposit remains unexplored and the detailed lithological characterization was poorly constrained in previous works. Phosphate resources are estimated in the order of 45 Mt at a grade of 11. 0% P2O5 for residual apatite in the weathering profile, and 410 Mt at a grade of 9.0% P2O5 for fresh rock apatite. The major apatite-bearing lithologies are the bebedourites, apatitite, and associated calcite carbonatites. Although strictu sensu phoscorites contain an important apatite content, they are volumetrically limited and do not contribute substantially to the phosphate mineralization. Based on drill-core descriptions, petrographical characterization, mineral and hole-rock composition, at least three bebedourite stages can be recognized and two of them can be paired with a respective clinopyroxene-bearing calcite carbonatite. A tetraferriphlogopite-rich bebedourite composes an external ultramafic rim in the Coqueiros deposit. Marginal lens-shaped intrusions are composed of apatite bebedourite and diopside calcite carbonatite. The central core is predominantly composed of a tetraferriphlogopite apatitite. Late-stage titanite-rich bebedourites and an associated aegirine-augite calcite carbonatite occur as small-scale stocks and plugs. Petrographical and compositional data indicate a multistage emplacement of variably differentiated magma batches. The ultramaficcarbonatite association in Catalão II represents the result of a complex differentiation of a mixed silicatecarbonate parental magma probably similar to the coeval ultramafic lamprophyres in the complex. The first intrusion stage is represented by the tetraferriphlogopite bebedourite and the presence of basement xenoliths and distinct trace-element patterns are compatible with some contribution of crustal contamination. The second and third intrusion stages are represented by paired consanguineous bebedourites and carbonatites. In both cases, there is clear evidence from gradational contacts, mineral composition trends, and similar trace-element distribution, of an evolution mechanism via fractional crystallization. In that sense, hypogenic phosphate mineralization in the Coqueiros deposit is represented by apatite-enriched bebedourites formed due to an extensive fractionation of silicate minerals forming a sequence of bottom ultramafic cumulates, intermediate apatite-rich levels, and residual clinopyroxene calcite carbonatites.

21
  • Mariana da Silva Gomes
  • Caracterização granulométrica e mineralógica de sedimentos de manguezais da Ilha de Tinharé, Bahia, Brasil: uma contribuição ao manejo ambiental e à elaboração de modelo deposicional.

  • Orientador : EDI MENDES GUIMARAES
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DERMEVAL APARECIDO DO CARMO
  • EDI MENDES GUIMARAES
  • JOSEFA VARELA GUERRA
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • Data: 21/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • Este trabalho examina as características granulométricas e mineralógicas de sedimentos obtidos de dois manguezais — Pedarta e Garapuá — localizados na Ilha de Tinharé (BA). A distribuição das classes granulométricas e as formas dos grãos são principalmente influenciadas pela energia hidrodinâmica das marés e pelas condições do substrato. De modo geral, ambos os manguezais apresentam uma prevalência de areia média a muito fina, mal selecionada (0,5 a 0,125 mm), com Pedarta atingindo até 40%, e Garapuá ultrapassando 60%. Os sedimentos consistem em bioclastos retrabalhados e grãos siliciclásticos, juntamente com minerais autigênicos, como halita, gipsita e cimentos carbonáticos. Os grãos de bioclastos (Halimeda, moluscos e outros) são predominantemente fragmentos sub-arredondados e perfurados, enquanto os constituintes siliciclásticos são quartzo sub-angular, feldspato (albita, microclina), micas e raros grãos de gibbsita. A composição mineral, determinada por meio de análise por difração de raios X da amostra total de ambos os manguezais, revela os constituintes principais em cada um: aragonita, halita, quartzo, Mg-calcita, calcita e caulinita. Além disso, outros minerais como albita, microclina, gipsita e gibbsita estão presentes, contribuindo para a diversidade mineralógica geral. A morfologia e regime de energia do manguezal Pedarta não favorece a formação de cimento de composição Mg-Calcita nos bioclastos, em contrapartida, Garapuá, sujeita à ação das ondas devido à sua morfologia e descontinuidade do recife de coral, revelou bioclastos cimentados com cimento calcítico de alto Mg.


  • Mostrar Abstract
  • This work examines the granulometric and mineralogical features of sediments obtained from two mangroves—Pedarta and Garapuá—situated on Tinharé Island (BA). The distribution of granulometric classes and the shapes of grains are primarily influenced by tidal hydrodynamic energy and substrate conditions. Generally, both mangroves exhibit a prevalence of poorly sorted medium to very fine sand (0.5 to 0.125 mm), with Pedarta reaching up to 40%, and Garapuá exceeding 60%. The sediments consist of reworked bioclasts and siliciclastic grains, alongside authigenic minerals such as halite, gypsum, and carbonate cements. Bioclasts (Halimeda, mollusks, and others) grains are predominantly sub-rounded fragments and perforated, while siliciclastic constituents are sub-angular quartz, feldspar (albite, microcline), micas, and rare gibbsite grains. The mineral composition, determined through XRD analysis of the bulk sample from both mangroves, reveals the primary constituents in each: aragonite, halite, quartz, Mg-calcite, calcite, and kaolinite. Additionally, other minerals such as albite, microcline, gypsum, and gibbsite are present, contributing to the overall mineralogical diversity. The morphology and energy regime of the Pedarta mangrove do not favor the formation of Mg-Calcite composition cement in the bioclasts. In contrast, Garapuá, subject to wave action due to its morphology and coral reef discontinuity, revealed bioclasts cemented with high-Mg calcite cement.

Teses
1
  • Eder Luis Mathias Medeiros
  • SIGNIFICADO GEOTECTÔNICO DO ALTO DE EMBASAMENTO DE CORRENTINA –BAHIA.

  • Orientador : ELTON LUIZ DANTAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LAURO CÉZAR MONTEFALCO DE LIRA SANTOS
  • ELIZA INEZ NUNES PEIXOTO
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • REINHARDT ADOLFO FUCK
  • SIMONE CERQUEIRA PEREIRA CRUZ
  • Data: 28/02/2023

  • Mostrar Resumo
  • Grande parte do embasamento da porção noroeste do Cráton do São Francisco encontra-see encoberto pelas rochas sedimentares da Bacia do São Francisco e da Bacia São Franciscana. Nesse cenário, com pouca exposição do embasamento cristalino, a Janela erosiva Correntina-Coribe (BA) e a região de Júlio Borges e Avelino Lopes (PI) representam uma região estratégica do ponto de vista científico, pois expõe o embasamento cristalino a noroeste do CSF. Para esse estudo combinamos o mapeamento geológico, micropetrografia das assembleias minerais, mapas geofísicos de anomalia magnética e da primeira derivada vertical e integração dos resultados das análises de dados Sm-Nd e U- Pb. O objetivo é compreender os dados isotópicos das rochas presentes na borda e interior do Cráton e estabelecer correlação com os basement inliers circunvizinhos presentes nos orogénos Brasilia e Rio Preto. Ademais, este trabalho tem por objetivo verificar evidências e registros de possível perda de estabilidade cratônica na porção NW do CSF e sua influência para configuração tectônica do quadro atual. Dados da análise de zircão U-Pb (LA-ICP-MS) para as rochas graníticas do Complexo correntina, e unidades do Complexo Júlio Borges, junto aos granitos tipo mansidão indicam a presença de núcleos da crosta riaciana, com idades de cristalização de 2.15 Ma. Análises de Sm-Nd indicam valores juvenis com TDM entre 2,2 2.1 Ga, indicando um pequeno intervalo desde a extração até a cristalização, típico em sistemas de arcos intra oceânicos. Os sienogranitos de Correntina correspondem a evolução do arco intraoceânico para um arco continental com retrabalhamento e contaminação em um cenário pos colisional. As análises isotópicas Sm - Nd mostra valores negativos de ƐNd(t), indicando uma reciclagem crustal intensiva e valores TDM entre 3.0 a 2.26 Ga indicando retrabalhamento e fusão de rochas crustais mais antigas. O conjunto de amostra sinaliza uma grande proximidade petrogenética e mostra que os blocos que compõem o embasamento cratônico na porção noroeste representam um importante episódio de crescimento e acresção crustal que evolui durante o riaciano e culminou na amalgamação do embasamento do Paleo continente São Francisco Congo 2,3 e 1,9 Ga. O novo supercontinente paleoproterozoico, sofreu ao longo de sua história evolutiva diversos eventos térmicos regionais que são relacionados a possiveis plumas mantélicas com ocorrências de exames de diques estateriano e toniano. Os grandes lineamentos identificados nos mapas geofísicos são interpretados como extensão da área de dano do Lineamento Transbrasiliano e desempenham um papel muito importante na configuração da borda NW do CSF, pois seu delineamento foi gerado através de um sistema de escape tectônico dado por zonas de cisalhamento transcorrentes que rotacionam em profundidade os blocos crustais do embasamento, reativando estruturas já existentes. Análise microestrutural dessas rochas permitiu a identificação de quatro estágios de deformação (E1, E2, E3 e E4) que operam em diferentes escalas e evidenciam a transição de rochas da série milonítica para rochas da série cataclástica.


  • Mostrar Abstract
  • A large part of the basement of the northwest portion of the São Francisco Craton is covered by sedimentary rocks from the São Francisco Basin and the São Franciscana Basin. In this scenario, with little exposure of the crystalline basement, the Correntina- Coribe (BA) erosive window and the region of Júlio Borges and Avelino Lopes (PI) represents a strategic region from the scientific point of view, as it exposes the crystalline basement northwest of the CSF. For this study we combined geological mapping, micropetrography of mineral assemblages, geophysical maps of magnetic anomaly and first vertical derivative and integration of the results of Sm-Nd and U-Pb data analysis. The objective is to understand the isotopic data of the rocks present on the edge and interior of the Craton and establish a correlation with the surrounding basement inliers present in the Brasilia and Rio Preto orogens. Furthermore, this work aims to verify evidence and records of possible loss of cratonic stability in the NW portion of the CSF and its influence on the current tectonic configuration. Data from the analysis of U-Pb zircon (LA-ICP-MS) for the granitic rocks of the Correntina Complex, and units of the Júlio Borges Complex, together with the mansidão-type granites, indicate the presence of riatian crust cores, with crystallization ages of 2.15 Bad. Sm-Nd analyzes indicate juvenile values with TDM between 2.2 2.1 Ga, indicating a short interval from extraction to crystallization, typical in intraoceanic arc systems. The Correntina syenogranites correspond to the evolution of the intraoceanic arc to a continental arc with reworking and contamination in a post collision scenario. Sm – Nd isotopic analyzes show negative ƐNd(t) values, indicating intensive crustal recycling, and TDM values between 3.0 to 2.26 Ga indicating reworking and melting of older crustal rocks. The sample set indicates a great petrogenetic proximity and shows that the blocks that make up the cratonic basement in the northwest portion represent an importante episode of crustal growth and accretion that evolved during the Riatian and culminated in the amalgamation of the basement of the Paleo continent São Francisco Congo 2, 3 and 1.9 Ga. The new Paleoproterozoic supercontinent has suffered, throughout its evolutionary history, several regional thermal events that are related to possible mantle plumes with occurrences of statherian and tonian dykes. The large lineaments identified in the geophysical maps are interpreted as an extension of the Transbrasiliano Lineament damage area and play a very important role in the configuration of the NW border of the CSF, since its delineation was generated through a tectonic escape system given by transcurrent shear zones that deeply rotate the crustal basement blocks, reactivating existing structures. Microstructural analysis of these rocks allowed the identification of four stages of deformation (E1, E2, E3 and E4) that operate at different scales and show the transition from rocks of the mylonitic series to rocks of the cataclastic series.

2
  • RAPHAEL TEIXEIRA CORRÊA
  • Estrutura Termal e Elétrica do Cráton Amazônico

  • Orientador : ROBERTA MARY VIDOTTI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANTÔNIO LOPES PADILHA
  • MAURICIO DE SOUZA BOLOGNA
  • GEORGE SAND LEÃO ARAÚJO DE FRANÇA
  • ROBERTA MARY VIDOTTI
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • Data: 17/03/2023

  • Mostrar Resumo
  • O Cráton Amazônico evoluiu durante o Paleo-Mesoproterozoico através de sucessivos arcos magmáticos continentais, as quais idades diminuem na direção oeste. No entanto, quando, onde e se esses arcos magmáticos colidiram com outro continente, incluindo o fechamento de bacia oceânica é um debate em andamento. Províncias Geocronólogicas foram propostas para explicar a evolução geológica do cráton. Entretanto, a distribuição geográfica irregular dos dados geocronológicos associada há um certo grau de descorrelação com estruturas magnetométricas e gravimétricas profundas faz surgir uma série de questionamentos em relação a continuação das províncias e o significado estrutural de suas bordas. Tendo como base a premissa que a reologia dos sólidos é controlada principalmente pela temperatura, mapeou-se a profundidade da base da litosfera magnética, assumida como uma estimativa à profundidade da temperatura Curie, de modo a endereçar a estrutura termal. Além disso, modelos de resistividade elétrica tem sido efetivos em mapear descontinuidades de escala crustal. Desta forma, adquiriu-se dados magnetotelúricos em regiões chaves, de modo que fosse possível comparar as crostas formadas durante a evolução dos arcos magmáticos. Nosso modelo termal sugere que os limites dos domínios Carajás e Bacajás devem ser revisitados, assim como o limite entre Tapajós e Iriri-Xingú. Permitiu-se concluir que o manto na porção leste do domínio Carajás e no domínio Tapajós preservaram minerais serpentinizados. O modelo de resistividade elétrica confirmou que o manto do domínio Tapajós foi hidratado e refertilizado devido ao longo processo de subducção. Essa fertilidade mantélica possui correlação com um aumento de depósitos magmático-hidrotermais. Uma estrutura de escala crustal com mais de 1000 km de extensão foi identificada. Argumenta-se que esta estrutura separa dois fragmentos tectônicos, uma vez que os mesmos possuem diferenças relevantes na direção das estruturas e no gradiente magnético. Ao longo desta feição, encontra-se i) par de longo comprimento de onda de baixo e alto bouguer, ii) um degrau na descontinuidade de Mohorovic, iii) e um condutor na crosta inferior. Essas evidências corroboram a hipótese de uma colisão Paleoproterozoica.


  • Mostrar Abstract
  • The Amazon Craton evolved in the Paleo-Mesoproterozoic through sucessive continental magmatic arcs, which ages decrease westwards. However, when, where and if these magmatic arcs collided to another continent closing an ocean-basin is a subject of ongoing debate. Geochronological Provinces have been proposed to explain the geological evolution of the Craton. However, the irregular geographic distribution of geochronological data associated to a certain degree of decorrelation with magnetic and gravity strucutres rised a series of questions about the continuation of these provinces and the meaning of their boundaries. Assuming that the reology of solids is primarly a function of temperature, we mapped the depth to the bottom of the magnetic’s lithosphere, which is a proxy of the depth to the Curie temperature thereby addressing the thermal structure. Furthermore, electrical resistivity models have been effective to map crustal scale discontinuities. Therefore, we acquired magnetotelluric data in key regions in order to compare the crusts formed during the evolutions of the magmatic arcs. The thermal model suggests that the limits between Carajás and Bacajas domains should be revisited, as well the limits between Tapajós and Iriri Xingu domains. It also suggests that the mantle of the eastern portion of the Carajás domain and Tapajós have preserved serpentinized minerals. The electrical resistivity model confirmed that the mantle of the Tapajós domain was hydrated and refertilized due to long lived subduction processes. This mantelic fertility has high correlation with the position of magmatic-hydrothermal mineral deposits. A major crustal-scale strucuture (more than 1000 km in extension) separates two tectonic fragments with remarkable differences in the magnetic gradient and the structures trend. Additionally, we also find along this major boundary: i) high and low bouguer anomalies of long-wavelenght paired; ii) step in Mohorovic discontinuity; and iii) a lower crust conductor. These evidence support the hypothesis of a collision in Paleoproterozoic times.

3
  • Rodrigo Tokuta Castro
  • O domínio laterítico do Centro Oeste brasileiro: características do regolito e dinâmica.

  • Orientador : ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • TIAGO AMÂNCIO NOVO
  • MARIA LÍDIA MEDEIROS VIGNOL
  • ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • JEREMIE GARNIER
  • Data: 10/05/2023

  • Mostrar Resumo
  • No Centro-Oeste do Brasil, a Província Tocantins é um grande orógeno Neoproterozóico que resultou da colisão dos paleocontinentes Amazônico, São Francisco e Paranapanema durante o ciclo Brasiliano/Pan Africano, como parte da amalgamação do Gondwana Ocidental. As deformações intracontinentais causam soerguimento de superfícies erosivas e são consequência de processos de desestabilização da litosfera em domínios cratônicos. A abertura do Oceano Atlântico influenciou processos a 2,000 km da costa com reflexos no regolito. O regolito do Centro-Oeste brasileiro é caracterizado por uma paisagem escalonada de planaltos, serras, chapadas, inselbergs, cânions e planícies aluviais que formam quatro superfícies morfoestratigráficas. A superfície 1 é sustentada por serras de quartzito e as superfícies 2 e 3 por crostas lateríticas ferruginosas. As crostas da superfície 2 são quartzohematíticas, endurecidas, colunares, rosa-avermelhadas a vermelhoamareladas, possuem texturas protonodulares, brechóide e pisolíticas e alcançam até 3 m de espessura, enquanto as crostas lateríticas ferruginosas da superfície 3 são mais friáveis, quartzo-goethíticas, colunares, vermelhoamareladas a amarelo-alaranjadas, apresentam textura vermiforme com matriz argilo-ferruginosa microagregada e bioturbada, alcançando até 2 m de espessura. A superfície 4 inclui as planícies aluviais inferiores. O objetivo deste estudo foi entender a formação dessas superfícies regolíticas, suas relações, o impacto da dinâmica laterítica e as influências continentais como agentes formadores/controladores da paisagem. A área foi estudada por meio de imagens SRTM, perfis de varredura e Índice de Concentração de Rugosidade, bem como controle de campo, texturas, mineralogia, análise geoquímica e traços de fissão em apatita. Essas técnicas permitiram contribuir na modelagem térmica da Província Tocantins e investigar episódios de resfriamento/aquecimento e a possível influência desses processos na evolução do regolito do Centro-Oeste brasileiro. A superfície 1 marca o evento regional de erosão, enquanto as superfícies 2 e 3 marcam dois episódios de ferruginização relacionados a lateritização e mudança climática sazonal seca a úmida. A superfície 4 esculpe as planícies. As características dessas superfícies sequenciais foram produzidas a partir do final do Paléogeno em complexo processo paisagístico modelado por um extenso regime erosivo UnB|IG|PPG Geologia iv resultante de movimentos tectônicos durante a evolução do Oceano Atlântico e clima tropical. Os ATF identificaram dois modelos de resfriamento para a região que indicam taxas de erosão de 60-80 m Myr-1 compatíveis com a formação de crostas lateríticas apenas nos últimos 20 Ma quando a taxa de erosão decresceu.


  • Mostrar Abstract
  • In Midwest Brazil, the Tocantins Province is a large Neoproterozoic orogen that resulted from the collision of the Amazonian, São Francisco and Paranapanema paleocontinents during the Brasiliano/Pan African cycle, as part of the West Gondwana amalgamation. Intracontinental deformations cause the uplift of erosive surfaces and are a consequence of destabilization processes of the lithosphere in cratonic domains. The opening of the Atlantic Ocean influenced processes 2.000 km from the coast with reflections on the regolith. The regolith of the Brazilian Midwest is characterized by a stepwise landscape of highlands, mountains, plateaus, inselbergs, canyons, and alluvial plains that form four morphostratigraphic surfaces. Surface 1 is supported by quartzite saws and surfaces 2 and 3 by ferruginous lateritic crusts. The crusts of surface 2 are quartz-hematitic, hardened, columnar, reddish-pink to yellowish-red, have protonodular, breccia and pisolitic textures and reach up to 3 m in thickness, while the ferruginous lateritic crusts of surface 3 are more friable, quartz - goethitic, columnar, yellowish-red to orange-yellow, they have a vermiform texture with a microaggregated and bioturbated clay-ferruginous matrix, reaching up to 2 m in thickness. Surface 4 includes the lower floodplains. The objective of this study was to understand the formation of these regolith surfaces, their relationships, the impact of lateritic dynamics and continental influences as forming/controlling agents of the landscape. The area was studied using SRTM images, scan profiles and Roughness Concentration Index, as well as field control, textures, mineralogy, geochemical analysis and fission traces in apatite. These techniques allowed contributing to the thermal modeling of the Tocantins Province and investigating cooling/heating episodes and the possible influence of these processes on the evolution of regolith in the Brazilian Midwest. Surface 1 marks the regional erosion event, while surfaces 2 and 3 mark two ferruginization episodes related to lateritization and seasonal dry to wet climate change. Surface 4 carves the plains. The characteristics of these sequential surfaces were produced from the end of the Paleogene in a complex landscape process modelled by an extensive erosion regime resulting from tectonic movements during the evolution of the Atlantic Ocean and tropical climate. The TFA identified two cooling models for the region that indicate erosion rates of 60-80 m Myr-1 compatible with the formation of lateritic UnB|IG|PPG Geologia vi duricrusts only in the last 20 Ma when the erosion rate decreased in consequence of final cooling.

4
  • Fernando Santos Diener
  • Geologia da Suíte Gabro-Anortosítica Córrego das Campinas e de rochas metamórficas da porção sul da Faixa Araguaia: relações com o Arco Magmático de Goiás e implicações na evolução geodinâmica da Província Tocantins.

  • Orientador : REINHARDT ADOLFO FUCK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • FABRICIO DE ANDRADE CAXITO
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • PAULO SERGIO DE SOUSA GORAYEB
  • REINHARDT ADOLFO FUCK
  • Data: 16/05/2023

  • Mostrar Resumo
  • A Província Tocantins, localizada na porção central do Brasil, apresenta rochas que estão  relacionadas a importantes eventos geotectônicos do Neoproterozoico. A história evolutiva  da província é complexa, marcada por eventos acrescionários e de rifteamento que  levaram ao amálgama de Gondwana Oeste. Tendo em vista contribuir para o  entendimento evolutivo da província, no presente trabalho foram estudadas rochas de dois  contextos geológicos distintos, localizados na porção central da província. A partir dos  resultados deste estudo, são levantadas novas possibilidades para os processos  geodinâmicos que levaram à formação da Província Tocantins. Na primeira área foi  estudada a Suíte Gabro-Anotosítica Córrego das Campinas. A suíte está inserida no  arcabouço do Arco Magmático de Goiás no contexto da Faixa Brasília. A suíte é  constituída por um corpo de anortosito do tipo maciço proterozóico, associado a corpo  gabróico de dimensões semelhantes e corpos e lentes menores de tonalito, quartzo  monzodiorito, quartzo sienito, albita granito, diques de Fe dioritos e níveis ricos em  ilmenita. A interpretação dos dados petrográficos, litoquímicos e de química mineral indica  que a formação da suíte está de acordo com o modelo petrológico clássico dos  anortositos do tipo maciço, com a segregação de magmas basálticos cálcio-alcalinos,  acúmulo de plagioclásio em câmaras magmáticas e sua posterior ascensão diapírica,  gerando o anortosito, o corpo gabróico e quartzo sienito, enquanto a cristalização de  líquidos residuais gerou as demais rochas. Datações U-Pb em zircão de várias rochas da  suíte mostram idade de cristalização variando entre aproximadamente 648 e 661 Ma. A  idade da suíte e seu posicionamento indicam correlação com importante evento  magmático máfico que ocorreu na Faixa Brasília entre 670 e 600 Ma. A interpretação de  dados geológicos da Faixa Brasília, associada ao presente estudo, indica que as rochas  da suíte se desenvolveram em ambiente de retro arco de uma margem continental ativa. A  presença do anortosito do tipo maciço no contexto da Faixa Brasília reforça a tese de que  a evolução da faixa é marcada pela elevação dos gradientes termais, sugerindo que a  combinação entre o isolamento do manto provocado por uma “Armadilha de Calor”,  associada ao calor proveniente da pluma de quebra de Rodínia, espessamento crustal e  formato alongado da placa tectônica foram os principais responsáveis pela elevação dos  gradientes termais no contexto de formação da Faixa Brasília. A outra área de estudo,  está mais a oeste, na porção sul da Faixa Araguaia. Nessa área ocorrem faixas rochosas  de orientação preferencial NE-SW, representadas principalmente por rochas  metassedimentares imaturas, associadas a lentes de rochas metamáficas e ortognaisses. Esse arcabouço foi afetado por esforços compressivos que geraram dobras e empurrões  e pelo sistema de zonas de cisalhamento dextrais do Lineamento Transbrasiliano. As  rochas metassedimentares imaturas apresentam composições similares às de rochas  tonalíticas a graníticas, tendo grauvacas e litoarenitos como prováveis protólitos. Estudo  de proveniência de zircão detrítico das rochas metassedimentares imaturas indica  sedimentação neoproterozoica, com idade máxima de deposição em torno de 600 Ma e  participação de fontes mais antigas, mesoproterozoicas a arqueanas. As rochas  metamáficas são representadas principalmente por estreitas lentes de anfibolitos,  interpretadas como prováveis soleiras e diques. O estudo litoquímico de anfibolitos mostra  composições variando entre basalto e andesito, com assinatura tipo OIB e E-MORB, que  se desenvolveram em ambiente de arco magmático. Datação U-Pb em zircão de anfibolito  fino mostra idade de cristalização de aproximadamente 664 Ma. A associação entre  rochas metassedimentares imaturas e lentes metamáficas indica estágio inicial de  abertura ou reativação de bacia, em que são comuns enxames de diques e sedimentação  proximal de alta energia. A assinatura de arco magmático das rochas metamáficas e  paraderivadas, associada às idades neoproterozoicas, indica provável ambiente de bacia  de retro arco relacionado à evolução do Arco Magmático de Goiás, entre  aproximadamente 660 e 600 Ma. Os pacotes metassedimentares e de rochas  metamáficas são correlacionáveis às rochas da Formação Monte do Carmo, indicando o  possível prolongamento dessa unidade para a porção sul da Faixa Araguaia. Datação U Pb em zircão de ortognaisses associados aos pacotes metassedimentares indica idade de  cristalização de 596±18 Ma e 1.985±12 Ma. A rocha de idade mais nova é correlacionável  à Suíte Aliança, enquanto a mais antiga pode ser associada ao Complexo Rio dos  Mangues, interpretado como embasamento da Faixa Araguaia. As datações  geocronológicas revelaram também duas idades de metamorfismo (~580 Ma e ~540 Ma),  indicativas de dois eventos colisionais no contexto da Faixa Araguaia. A partir dos dados  levantados, é discutida a possibilidade de que o Arco Magmático de Goiás tenha se  desenvolvido também no contexto da Faixa Araguaia. O novo modelo evolutivo explicaria  algumas características peculiares da Faixa Araguaia, como a constante presença de  rochas metassedimentares textural e mineralogicamente imaturas, evidência de dois picos  metamórficos e presença de rochas com assinatura de arco magmático.  As áreas de estudo representam dois contextos geológicos distintos de evolução da  Província Tocantins, separadas pela Sutura de Porangatu, mas que apresentam rochas  de ambientes tectônicos e idades semelhantes. Este fato mostra que a evolução da  Província foi complexa e provavelmente marcada por várias frentes acrescionárias do  Arco Magmático de Goiás em intervalos similares de tempo. A integração dos dados obtidos no presente estudo e do extenso acervo de dados da  Província Tocantins permite estabelecer os compartimentos e eventos geotectônicos da  província e elaborar uma possível história evolutiva. Essas interpretações indicam que os  eventos geotectônicos que levaram à formação da Província Tocantins são  correlacionáveis aos processos que induziram a fragmentação do Rodínia. Neste sentido,  sugere-se que a contínua elevação dos gradientes termais na Província Tocantins esteja  relacionada ao processo de fragmentação do Rodínia. A condição de elevadas  temperaturas determinou a formação de boa parte dos constituintes litológicos da  província e muitos processos geodinâmicos de sua evolução dando origem, por exemplo,  a adakitos, charnockitos, evento metamórfico de Ultra Alta Temperatura, expressivo  magmatismo máfico rico em complexos acamadados e ao anortosito do tipo maciço  proterozoico. Corroborando a correlação entre os eventos, vários estudos mostram  magmatismo do tipo OIB no contexto de evolução da província, sugerindo a possível  atuação de uma pluma em várias ocasiões de sua evolução. Além disso, os processos de  rifteamento que ocorreram na província também são temporalmente correlacionáveis aos  movimentos divergentes de fragmentação de Rodínia, indicando que a fragmentação de  Rodínia teve significativa influência na formação de Gondwana Oeste.



  • Mostrar Abstract
  • The Tocantins Province, located in Central Brazil, comprises rock types that are related  to important Neoproterozoic geotectonic events. The evolution history of the province is  complex, marked by accretionary and rifting events that led to the Western Gondwana  amalgamation. In order to contribute to the understanding of the evolution processes,  in the present work, rocks of two distinct geological contexts located in the central part  of the Tocantins Province were studied. New possibilities for the geodynamic  processes that resulted in the formation of the Tocantins Province are raised from the  results of this study. In the first area, the Córrego das Campinas Gabbro-Anorthosite  Suite was investigated. It is inserted in the Goiás Magmatic Arc framework, Brasília  Belt. The Córrego das Campinas Gabbro-Anortosite Suite is constituted of a  Proterozoic massive-type anorthosite body associated to a gabbroic body of similar  dimensions and minor intrusions and lenses of tonalite, quartz monzogranite, quartz  syenite, albite granite, Fe-diorite dykes, and ilmenite-enriched layers. The interpretation  of petrographic, lithogeochemistry and mineral chemistry data indicate that the Córrego  das Campinas Gabbro-Anorthosite Suite genesis is in accordance with the traditional  petrological model of the massive-type anorthosites related to calc-alkaline basaltic  magma segregation, plagioclase accumulation in magmatic chambers and its  subsequent diapiric ascent, generating anorthosites, gabbros, and quartz syenites.  Crystallization of residual liquids formed the other rock types. Zircon U-Pb dating of  different rocks of the suite shows crystallization ages of ca. 661 and 648 Ma. The age  of the suite and its positioning indicates a correlation with an important mafic magmatic  event in the Brasília Belt at 670–600 Ma. Interpretation of the Brasília Belt geological  data, associated with the present study, indicates that the rocks of the suite developed  in an active continental margin back-arc environment. The presence of massive type anorthosite in the Brasília Belt context reinforces the thesis that the evolution of  this belt is characterized by thermal gradient raising. It is suggested  that mantle isolation that resulted from a “heat trap”, heat coming from the Rodinia  break-off mantle plume, crustal thickening, and elongated shape of the tectonic plate  were the main factors responsible for the thermal gradients in the context of the  Brasília Belt formation. The other study area is located to the west, in the southern  Araguaia Belt. In this area, NE-SW-oriented layers of mainly immature  metasedimentary rocks associated with metamafic and orthogneiss lenses are  exposed. This framework was affected by compressive forces forming folds and  thrusts, and by the Transbrasiliano Lineament dextral shear zone system. The immature metasedimentary rocks show compositions similar to those of tonalite to  granite, suggesting graywacke and lithoarenite as likely protoliths. Detrital zircon  provenance study indicates Neoproterozoic sedimentation, with maximum depositional  ages at around 600 Ma, and contribution of older Archean to Mesoproterozoic sources.  The metamafic rocks are represented mainly by narrow amphibolite lenses interpreted  as probable dykes and sills. Lithogeochemical data of the amphibolites show basaltic to  andesitic compositions, with OIB and E-MORB signatures developed in a magmatic arc  setting. Zircon U-Pb dating of a fine-grained amphibolite yielded a crystallization age of  ca. 664 Ma. The association between immature metasedimentary rocks and metamafic  lenses indicates an early stage opening or reactivation of basin, in which dyke swarms  and high-energy proximal sedimentation are common. The magmatic arc signature of  metamafic and paraderived rocks, associated with Neoproterozoic ages, indicates a  probable retro-arc basin environment related to the evolution of the Goiás Magmatic  Arc, between approximately 660 and 600 Ma. The metasedimentary and mafic rocks  can be correlated to the Monte do Carmo Formation rocks, indicating the possible  extension of this unit to the southern portion of the Araguaia Belt. Zircon U-Pb dating of  orthogneisses associated with the metasedimentary rocks provided crystallization ages  of 596±18 Ma and 1985±12 Ma. The youngest rock can be correlated to the Aliança  Suite, while the oldest can be associated with the Rio dos Mangues Complex,  interpreted as the Araguaia Belt basement. Geochronological data also revealed two  metamorphic ages (ca. 580 and 540 Ma), indicative of two collisional events in the  context of the Araguaia Belt. From the obtained data, it is discussed the possibility that  the Goiás Magmatic Arc had developed also in the Faixa Araguaia context. The new  evolutional model would explain some peculiar features of the Araguaia Belt, such as  the common presence of textural and mineralogical immature metasedimentary rocks,  two metamorphic peaks, and magmatic arc-related rocks.  The study area represents two distinct geological contexts of the Tocantins Province  evolution, separated by the Porangatu Suture, but displays rocks of similar tectonic  settings and ages. This fact indicates that the province evolution is complex and was  likely marked by many accretionary fronts of the Goiás Magmatic Arc during similar age  periods.  Integration of obtained data from this study and the extensive available data of the  Tocantins Province allows the establishment of the compartments and geotectonic  events of the province and the elaboration of an evolution model. These interpretations  indicate that the geotectonic events that formed the Tocantins Province are correlated  to the processes that induced the Rodinia fragmentation. In this sense, it is suggested that the continuous raising of thermal gradients inside the Tocantins Province is related  to the Rodinia break-off. This condition of elevated temperatures resulted in many  lithological constituents and geodynamic processes generating, for example, adakites,  charnockites, ultrahigh-temperature metamorphism, extensive mafic magmatism with  many layered complexes, and Proterozoic massive-type anorthosites. Corroborating  this correlation between the events, many studies show OIB-type magmatism in the  evolution context of the province, suggesting the likely presence of a mantle plume on  various occasions of its evolution. Further, the rifting processes that took place in the  Province are also time-correlated to the divergent settings of Rodinia fragmentation.  Thus, it appears that the Rodinia break-off had a significant role in the Western  Gondwana generation.  




5
  • Rick Souza de Oliveira
  • Compartimentação crustal e evolução tectono-sedimentar da Bacia do Acre.

  • Orientador : ROBERTA MARY VIDOTTI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLOS JOSE SOUZA DE ALVARENGA
  • DAVID LOPES DE CASTRO
  • FERNANDO FLECHA DE ALKMIM
  • MARTIN BERNARD RODDAZ
  • ROBERTA MARY VIDOTTI
  • Data: 13/07/2023

  • Mostrar Resumo
  • A compreensão acerca da transição crustal entre zonas orogênicas e terrenos cratônicos em regiões distais de bacias antepaís tem aumentado, mas a análise é muitas vezes limitada pela cobertura sedimentar. Apesar de os Andes ser um dos clássicos exemplos de subducção, pouco se conhece acerca da área de influência do cinturão de dobras e cavalgamentos na deformação da região retroarco distal. Nesse contexto, a Bacia do Acre por apresentar poucos estudos acerca do seu embasamento e preenchimento, se torna um ambiente tectônico chave devido a sua localização peculiar, especificamente entre o Craton Amazônico e a zona sub-Andina, na região do flat slab peruano. Portanto, esta tese busca mapear as profundidades do embasamento, estimar as composições crustais, identificar os principais depocentros, estruturas, limites e propor uma evolução tectonoestratigráfica para a Bacia do Acre visando compreender a evolução litosférica, sua relação com o Cráton Amazônico e seu posicionamento dentro da orogenia Andina. Para tanto, foi utilizado uma abordagem integrada entre métodos potenciais, sísmica 2D e dados de poços. As estimativas de profundidade Tilt indicam embasamento entre 500 e 7.800 m, com maiores espessuras sedimentares na porção norte da bacia. Grupos de fontes potenciais foram modelados entre 0,1 e 22 km e profundidades de Moho entre 26 e 37 km. A modelagem direta conjunta de dados de gravimetria e magnetometria também aponta para uma crosta superior constituída predominantemente de rochas metassedimentares e metamórficas de baixo grau e granitos, indicando que as bacias subAndinas e do Acre compartilham embasamento com composição semelhante. Há indícios de que o embasamento da Bacia do Acre seja formado essencialmente pela província Sunsás do Cráton Amazônico. Diferenças locais na profundidade do embasamento, susceptibilidade magnética e potencial exploratório levaram à subdivisão em sub-bacias Divisor e Xapuri, respectivamente ao norte e ao sul do Arco de Fitzcarrald. A história deposicional da Bacia do Acre é marcada pelo grande controle por falhas, mediante uma alternância entre regimes extensionais e compressionais, onde o embasamento e a herança estrutural de antigas falhas, muitas vezes definiu a deposição e o estilo de deformação em períodos mais jovens. A definição e mapeamento de seis unidades sísmicas com idades entre o Devoniano e o Neógeno, confirmadas por restauração, indicaram uma história tectônica compatível com os principais eventos registrados nas bacias sub-Andinas, marcadas por uma intercalação entre sinéclise, rifte e regimes compressionais. Foram identificadas unidades sísmicas representativas das orogenias Famatiniana, Gondwanide, Juruá, Andina e fragmentação do Pangeia. O posicionamento atual do Arco de Iquitos foi condicionado por um mecanismo localmente não elástico de soerguimento relacionado ao alto do embasamento do Jurássico superior (Alto do Javari), reativação cenozóica de falhas de rifte Triássico e pelo soerguimento de blocos do embasamento intra-antepaís em tectônica thick-skinned durante a fase Andina Quechua III. Assim, além de colocar a Bacia do Acre no contexto das bacias sub-Andinas, compondo o Foredeep da Amazônia Ocidental instalado durante o Neógeno, esses depósitos ajudam a entender os mecanismos geodinâmicos e a complexidade da deformação Andina mesmo em regiões distais ao cinturão de dobras e cavalgamentos.


  • Mostrar Abstract
  • Understanding of the crustal transition between orogenic zones and cratonic terranes in distal regions of foreland basins has increased, but analysis is often limited by sedimentary cover. Although the Andes are one of the classic examples of subduction, little is known about the area of influence of the fold-thrust belt in the deformation of the distal retroarc region. In this context, the Acre Basin, for presenting a lack of studies about its basement and filling, becomes a key tectonic environment due to its peculiar location, specifically between the Amazonian Craton and the sub-Andean zone, in the Peruvian flat slab region. Therefore, this thesis seeks to map the depths of the basement, estimate the crustal compositions, identify the main depocenters, structures, boundaries and propose a tectono-stratigraphic evolution for the Acre Basin in order to understand the lithospheric evolution, its relationship with the Amazonian Craton and its positioning within the Andean orogeny. For that, an integrated methodological approach was used that included potential methods, 2D seismic and well data. Tilt depth estimates indicate a basement between 500 and 7,800 m, with greater sedimentary thicknesses in the northern portion of the basin. Potential source groups were modeled between 0.1 and 22 km and Moho depths between 26 and 37 km. The modeling also points to an upper crust consisting predominantly of low-grade meta-sedimentary and metamorphic rocks and granites, indicating that the sub-Andean and Acre basins share a basement with similar composition. There are indications that the basement of the Acre Basin is essentially formed by the Sunsás province of the Amazonian Craton. Local differences in basement depth, magnetic susceptibility and exploratory potential led to the subdivision into Divisor and Xapuri sub-basins, in the north and south of the Fitzcarrald Arch, respectively. The depositional history of the Acre Basin is marked by great control exerted by faults, through an alternation between extensional and compressional regimes, where the basement and the structural inheritance of ancient faults, many times defined the deposition and the style of deformation in younger periods. The definition and mapping of six seismic units with ages between the Devonian and the Neogene, confirmed by restoration, indicated a tectonic history compatible with the main events registered in the sub-Andean basins, marked by an intercalation between syneclisis, rift and compressional regimes. Seismic units representative of the Famatinian, Gondwanide, Juruá and Andean oregenies, and the Pangea breakup were identified. The current positioning of the Iquitos Arch was conditioned by a locally non-elastic uplift mechanism related to the upper Jurassic basement high (Javari High), Cenozoic reactivation of Triassic rift faults, and by the uplift of intra-foreland basement blocks in thick-skinned tectonics during the Andean phase Quechua III. Thus, in addition to placing the Acre Basin in the context of the sub-Andean basins, composing the Foredeep of the Western Amazon installed during the Neogene, these deposits help to understand the geodynamic mechanisms and the complexity of the Andean deformation even in regions distal to the fold-thrust belt.

6
  • Débora Ezequiel Cavalcanti
  • ESPECTROSCOPIA, CRISTALOQUÍMICA E INCLUSÕES FLUIDAS DA ESMERALDA DE MONTE SANTO, TOCANTINS, BRASIL.

  • Orientador : VALMIR DA SILVA SOUZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DANIEL ATENCIO
  • FEDERICO ALBERTO CUADROS JIMENEZ
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • RICARDO AUGUSTO SCHOLZ CIPRIANO
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • Data: 04/08/2023

  • Mostrar Resumo
  • As esmeraldas de Monte Santo ocorrem no Cinturão Araguaia, Tocantins, Brasil. O depósito foi descoberto em 1996 e vem tornando-se uma importante fonte de esmeraldas, uma vez que são tipicamente de excelente qualidade e comparáveis a algumas das melhores esmeraldas do mundo. A proveniência é uma importante questão econômica e social inerente à indústria de pedras preciosas. Os consumidores procuram cada vez mais conhecer a origem das suas pedras preciosas para garantir que a sua compra não apoia condições de trabalho desumanas, não causa problemas legais e para distinguir entre pedras naturais, tratadas e sintetizadas. Esta pesquisa apresenta, pela primeira vez, dados espectroscópicos, cristaloquímicos e de inclusões fluidas detalhados, da esmeralda de Monte Santo, com o objetivo de estabelecer sua assinatura, tornando possível compará-la e distingui-la de outros importantes depósitos de esmeraldas em todo o mundo, além de alcançar uma melhor compreensão das características acerca da origem dos fluidos parentais, e outras informações sobre a gênese do depósito. Cerca de sessenta amostras de esmeraldas do depósito de Monte Santo foram analisadas por métodos espectroscópicos, como a espetroscopia Raman, a espetroscopia no ultravioleta-visível-infravermelho proximal (UV-Vis-NIR) e a espetroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (FTIR). As assinaturas de elementos maiores e traços foram analisadas através da análise por microssonda eletrônica (EMPA). A técnica de difração de raios-X em monocristal (XRD) foi utilizada para estudar a sua estrutura cristalográfica. A origem dos fluidos parentais e o processo de cristalização deste depósito são muito complexos e o estudo das inclusões fluidas (FIs) ajudou a elucidar aspectos de sua formação. A análise da composição química do berilo revelou a presença de elementos alcalinos como Na, K e Cs nos canais. Foram detectados componentes fluidos H2O tipos I, II; CO2 e CH4, bem como a presença de V, Cr e Sc como elementos cromóforos, a sua carga iónica e provável posição na estrutura cristalina. A esmeralda de Monte Santo éclassificada como tipo octaédrico e como esmeraldas ricas em álcalis. São V-dominantes, com quantidades consideráveis de Cr. Entre os depósitos significativos conhecidos, a esmeralda de Monte Santo tem uma composição química muito singular na sua combinação de V e Sc elevados, Cr moderado a elevado e concentração de Fe de baixa a moderada. Uma concentração nitidamente mais elevada de Sc é o principal critério que separa a esmeralda de Monte Santo de outras esmeraldas ao redor do mundo. A gênese do depósito de esmeraldas é consistente com uma mineralização multi-fases, com contribuições metamórficas e magmáticas.


  • Mostrar Abstract
  • Monte Santo emeralds occur in the Araguaia Belt, Tocantins, central Brazil. The deposit was discovered in 1996 and is becoming an important source of emeralds, since they are typically of excellent quality and compare with some of the finest emeralds worldwide. Provenance is an important economic and societal issue inherent to the gems industry. Consumers increasingly aim to know the origin of their gems to ensure that their purchase does not support inhumane working conditions, cause legal problems, and to distinguish between natural, treated, and synthesized stones. This study presents, for the very first time, detailed spectroscopic, crystallochemical and fluid inclusions data for the Monte Santo emerald, in order to establish its fingerprints, making it possible to compare and distinguish it from other important emerald deposits worldwide, as well as to achieve a better understanding of the depositional-fluid characteristics, pressure-temperature emplacement conditions, and formational model. About sixty emerald samples from the Monte Santo emerald deposit were analyzed by spectroscopic methods, such as Raman spectroscopy, ultraviolet-visible-near-infrared spectroscopy (UV-Vis-NIR) and Fourier transform infrared spectroscopy (FTIR). Both major and trace element signatures were analyzed through electron microprobe analysis (EMPA). Single-crystal X-ray diffraction (XRD), was used to study its crystallographic structure. The origin of the parental fluid and the crystallization process of this deposit is very complex and the study of fluid inclusions (FIs) helped to understand its formation. Analysis of beryl chemical composition revealed the alkaline elements such as Na, K and Cs into the channels. Fluid H2O types I, II; CO2 and CH4 components were detected, as well as the presence of V, Cr and Sc as chromophore elements, their ionic charge and probable position in the crystalline structure. The Monte Santo emerald is classified into octahedral type and as alkali-rich emeralds. They are vanadium-dominant, with considerable amounts of Cr. Among significant known deposits, Monte Santo emerald has a very unique chemical composition in its combination of high V and Sc, moderate to high Cr, and low to moderate Fe concentrations. A distinctly higher Sc concentration is the main criteria that separates the Monte Santo emerald from its worldwide counterparts. The emerald deposit genesis is consistent with a multi-stage mineralizing episode derived from both metamorphic and magmatic contributions.

7
  • Lucas Santos Batista Teles
  • Depósitos de Agrominerais da Faixa de Dobramentos Brasília: Geologia, Caracterização e Potencial

  • Orientador : JOSE ELOI GUIMARAES CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DANIEL BEZERRA DAS CHAGAS
  • FARID CHEMALE JUNIOR
  • JOSE ELOI GUIMARAES CAMPOS
  • MARCIO VINICIUS SANTANA DANTAS
  • MARTINO GIORGIONI
  • Data: 10/11/2023

  • Mostrar Resumo
  • O agronegócio é um dos principais componentes do Produto Interno Bruto brasileiro, sendo inclusive reconhecido internacionalmente por sua força e expectativa de desenvolvimento crescente. No entanto, a dependência externa de insumos, em especial dos elementos fósforo (P) e potássio (K) para a fabricação de fertilizantes, representa uma fragilidade que impõe a atual necessidade de evolução da pesquisa e exploração do setor de agrominerais. Atualmente, a produção nacional de fosfato é basicamente oriunda de complexos alcalinos carbonatíticos e o real potencial dos depósitos sedimentares permanece incerto, o que contraria a tendência mundial. Para o potássio, o cenário ainda é mais crítico, tendo em vista que todas as bacias do hemisfério sul são naturalmente empobrecidas no elemento devido a sua evolução geológica. Dentro dessa questão, surge o interesse nas rochas dos grupos Vazante e Bambuí, inseridos na Porção Externa da Faixa de Dobramentos Brasília e que hospedam depósitos conhecidos de P e K. Por mais que esses depósitos já tenham sido aborados na literatura, o número de trabalhos focados na caracterização geológica dessas áreas é bastante reduzido e carente de novos dados e modelos que fomentem a discussão e consequente evolução do conhecimento acerca dos depósitos sedimentares de agrominerais. Com o principal objetivo de preencher essa lacuna, a presente tese de doutorado propõe uma descrição detalhada das rochas, associações faciológicas, ambientes deposicionais e modelos genéticos dos depósitos sedimentares fosfáticos do Tipo Coromandel-MG, Tipo Campos Belos-GO e finalmente, para o depósito potássico de Cedro do Abaeté-MG. O depósito Tipo Coromandel-MG ocorre inserido na Formação Retiro, base do Grupo Vazante e apresenta uma intrínseca relação entre uma Unidade Rudácea, composta por diamictitos polimíticos, arenitos conglomeráticos e arcóseos finos e a Unidade Fosfatada. As fácies fosfatadas compreendem Fosforitos Laminados, Fosforitos Brechados e Siltitos Fosfatadas que apresentam teores de P2O5 variando de 2% a 34%. Devido as correlações de campo e evolução da bacia Vazante, essas rochas foram interpretadas como a materialização da sedimentação ocorrida em ambiente glaciomarinho, onde as condições físico-químicas favoráveis, a precipitação fosfática, foram diretamente controladas por geleiras terminais, em um mecanismo classificado como depósitos de fosforitos de capa (“cap phosphorites”) em analogia e semelhança com os dolomitos glaciais já amplamente abordados. De forma semelhante, o depósito do Tipo Campos Belos-GO, enquadrado no contexto da Formação Sete Lagoas, base do Grupo Bambuí, também apresenta uma relação inerente entre a Unidade Fosfatada e os diamictitos da Formação Jequitaí. Tal unidade é subdividida nas fácies Fosforito Estratificado/Laminado, Fosforito Brechado, Fosforito Pedogenético e Siltito Fosfatado, nas quais os valores de P2O5 variam entre 4% e até mais de 30%. Por mais que os modelos genéticos entre os depósitos do Tipo Coromandel e Campos Belos possuam suas similaridades, alguns outros fatores genéticos cruciais não permitem o mesmo enquadramento. A ação do paleo relevo, incluindo paleo canais encaixados nas rochas graníticas da Suíte Aurumina ou arcóseos do topo do Grupo Araí são controles fundamentais nos depósitos e que, conjuntamente com assembléia mineral mais simples, fácies de minério e interpretações ambientais distinguem os dois modelos. O depósito potássico de Cedro do Abaeté está inserido na Formação Serra da Saudade, topo do Grupo Bambuí. O depósito é composto por pelitos exóticos de coloração esverdeada denominados de verdetes e possui relatos de teores de P2O5, em média de 8%, porém com locais pontuais com até 34%, entretanto, a importância econômica do depósito se dá pela presença de teores de 7% a 14% de K2O espacializados em um massivo volume de verdetes. A partir dos dados de magnetometria, gamaespectrometria, geoquímica e mineralogia é possível relacionar a gênese dos verdetes a intrusões alcalinas profundas do Grupo Mata da Corda e interpretar a mineralização como resultado de metassomatismo potássico dos sedimentos pelíticos primários, em razão da circulação dos fluídos oriundos dessas intrusões. Finalmente, os novos dados adicionados com as novas interpretações genéticas e seus respectivos vetores exploratórios são poderosas ferramentas para a ampliação, tanto do conhecimento, como também no âmbito de exploração e suprimento do mercado nacional de agrominerais.


  • Mostrar Abstract
  • Agrobusiness is one of the main components of the Brazilian Gross Domestic Product, internationally recognized for its strength and expectations of continuous growth. However, the external dependence on inputs, especially on phosphorus (P) and potassium (K) elements for fertilizer production represents a vulnerability that imposes the current need for the evolution of research and exploration in the agromineral sector. Currently, national phosphate production is mainly derived from carbonatite alkaline complexes, and the real potential of sedimentary deposits remains uncertain, contrary to global trends. Regarding potassium, the scenario is even more drastic, considering that all southern hemisphere basins are naturally deficient in this element due to their geological evolution. Within this problem, there is interest in the rocks of the Vazante and Bambuí groups, located in the External Portion of the Brasília Fold Belt, which host wellrecognized deposits of P and K. Despite these deposits being discussed in the literature, there is a limited number of works focused on the geological characterization of these areas, lacking new data and models that can stimulate the discussion and evolution of knowledge about sedimentary agromineral deposits. With the primary goal of filling this gap, this doctoral thesis proposes a detailed description of the rocks, facies associations, depositional environments, and genetic models of sedimentary phosphate deposits of the Coromandel and Campos Belos types, and of the potassic deposit of Cedro do Abaeté. The Coromandel Type deposit is found within the Retiro Formation, at the base of the Vazante Group, and exhibits an intrinsic relationship between a Rudaceous Unit, composed of polymictic diamictites, conglomeratic sandstones, and fine arkoses, and the Phosphatic Unit. The phosphatic facies comprise Laminated Phosphorites, Brecciated Phosphorites, and Phosphatic Siltstones with P2O5 contents ranging from 2% to 34%. Due to field correlations and the evolution of the Vazante basin, these rocks were interpreted as the result of sedimentation in a glacimarine environment, where physicochemical conditions favorable for phosphate precipitation were directly controlled by terminal glaciers, in a mechanism classified as "cap phosphorites" deposition due to similarities with widely discussed glacial dolomites (cap dolomite). Similarly, the Campos Belos Type deposit, situated within the context of the Sete Lagoas Formation, at the base of the Bambuí Group, also exhibits an inherent relationship between the Phosphatic Unit and the diamictite of the Jequitaí Formation. This unit is subdivided into Stratified/Laminated Phosphorite, Brecciated Phosphorite, Pedogenic Phosphorite, and Phosphatic Siltstone facies, with P2O5 values ranging from 4% to up 30%. Although the genetic models between the Coromandel and Campos Belos Type deposits share similarities, crucial genetic factors distinguish them. The influence of paleorelief, such as paleochannels incised in the granitic rocks of the Aurumina Suite or arkoses at the top of the Araí Group, plays a fundamental role in the deposition and, together with simpler mineral assemblages, ore facies, and environmental interpretations, distinguishes the two models. The potassic deposit of Cedro do Abaeté, located within the context of the Serra da Saudade Formation at the top of the Bambuí Group, is composed of exotic greenish-colored pelite known as verdetes and has reported P2O5 contents averaging 8%, with occasional areas reaching up to 34%. However, the economic significance of the deposit lies in the presence of 7% to 14% K2O content spatially distributed within a massive volume of verdetes. Based on magnetometry, gamma spectrometry, and mineralogy data, it is possible to relate the genesis of verdetes to deep alkaline intrusions of the Mata da Corda Group and interpret the mineralization as a result of potassic metasomatism of primary pelitic sediments due to the circulation of fluids from these intrusions. Finally, the new data added with the new genetic interpretations and their respective exploration vectors are powerful tools for expanding both knowledge and exploration in the context of supplying the domestic agromineral market.

8
  • Frankie James Serrano Fachetti
  • Evolução geológica de migmatitos da Zona de Cisalhamento Patos, Província Borborema, NE do Brasil: Abordagem integrada U-Pb, Lu-Hf e Sm-Nd.

  • Orientador : REINHARDT ADOLFO FUCK
  • MEMBROS DA BANCA :
  • LAURO CÉZAR MONTEFALCO DE LIRA SANTOS
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • REINHARDT ADOLFO FUCK
  • TICIANO JOSE SARAIVA DOS SANTOS
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • Data: 13/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • A configuração tectônica da Província Borborema exibe complexo arcabouço estrutural, definido por história policíclica desde o arqueano até o final do Neoproterozóico. Diferentes blocos crustais foram acrescidos, amalgamados e retrabalhados, formando um conjunto de sub províncias, cada qual com história evolutiva distinta separados por um sistema de zonas de cisalhamento interconectadas. A Zona de Cisalhamento Patos corresponde a extensa estrutura de mais de 400 km de comprimento, orientação E-W, separando Domínio Rio Grande do Norte e a Zona Transversal a sul, no estado da Paraíba. Dentro do corredor de cisalhamento, cuja cinemática é essencialmente dextral, afloram migmatitos, granitos foliados, gnaisses diversos e faixas de milonitos, afetados em maior ou menor grau de deformação. Neste trabalho apresentamos resultados de diferentes fases de migmatização nas rochas que se encontram dentro da faixa definida pelo Lineamento de Patos. O principal objetivo foi determinar a sequência de eventos que permitiu estabelecer diferentes fases de geração de migmatitos em rochas submetidas a diferentes eventos de fusão parcial e retrabalhamento crustal. Idades U-Pb de 3.5 e 3.3 Ga são interpretados com sendo a cristalização destes migmatitos no Paleoarqueano. Idades Meso-Neoarqueanas encontradas nas rochas datadas mostram história contínua de magmatismo e deformação em 3.2, 3.0 e 2.65 Ga, com fases de geração de migmatitos contemporâneos. Um novo pulso de eventos magmáticos com migmatização associada se desenvolve no Paleoproterozóico, com idades de 2.2, 2.1 e 2.0 Ga. Por fim, um evento em 575 Ma é bem evidente na geração de migmatitos róseos avermelhados, com magmatismo granítico rico em K, cortando e injetando as demais rochas anteriormente descritas. Assim, embora a Orogenia Brasiliana seja o responsável pelo desenvolvimento das extensas zonas de cisalhamento transcorrentes na região, e o desenvolvimento do arcabouço tectônico do Lineamento Patos, nossos resultados mostram que foram preservados fragmentos de crosta antiga ao longo do mesmo. A semelhança entre as idades e a estruturação geológica dessas rochas permite concluir estas unidades de crosta paleoproterozóica do Cráton do São Francisco e os inliers adjacentes do embasamento, que carrega uma história tectônica semelhante, sejam consideradas como um sistema orogênico coevo,possivelmente contínuo em sua formação, e sejam conhecidas como Orógeno do Grande São Francisco.


  • Mostrar Abstract
  • The tectonic configuration of the Borborema Province exhibits a complex structural framework defined by polycyclic history from the Archean to the end of the Neoproterozoic. Different crustal blocks have been accreted, amalgamated, and reworked, forming a set of sub-provinces, each with a distinct evolutionary history separated by an interconnected system of shear zones. The Patos Shear Zone corresponds to an extensive structure over 400 km in length, oriented E-W, separating the Rio Grande do Norte Domain from the Transversal Zone to the south in the state of Paraíba. Within the shear corridor, whose kinematics are essentially dextral, migmatites, foliated granites, various gneisses, and mylonite zones are exposed, affected to varying degrees by deformation. In this study, we present results from different phases of migmatization in rocks within the belt defined by the Patos Lineament. The main objective was to determine the sequence of events that allowed the establishment of different phases of migmatite generation in rocks subjected to different episodes of partial melting and crustal reworking. U-Pb ages of 3.5 and 3.3 Ga are interpreted as the crystallization of these migmatites in the Paleoarchean. Meso-Neoarchean ages found in dated rocks show a continuous history of magmatism and deformation at 3.2, 3.0, and 2.65 Ga, with contemporaneous phases of migmatite generation. A new pulse of magmatic events with associated migmatization developed in the Paleoproterozoic, with ages of 2.2, 2.1, and 2.0 Ga. Finally, an event at 575 Ma is clearly evident in the generation of pinkish-red migmatites, with K-rich granitic magmatism cutting across and injecting the previously described rocks. Thus, although the Brasiliano Orogeny is responsible for the development of extensive strike-slip shear zones in the region and the development of the tectonic framework of the Patos Lineament, our results show that fragments of ancient crust have been preserved along it. The similarity between the ages and geological structure of these rocks allows us to conclude that these Paleoproterozoic crustal units of the São Francisco Craton and the adjacent basement inliers, which carry a similar tectonic history, should be considered as a coeval orogenic system, possibly continuous in its formation, and be known as the Greater São Francisco Orogen.

9
  • Mariana de Assunção Rodrigues
  • Análise da proveniência de sedimentos das bacias cretáceas do sistema Andes-Amazônia-Margem Equatorial e sua relação com a paleogeografia e tectônica.

  • Orientador : ROBERTO VENTURA SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CÉCILE GAUTHERON
  • CARLOS JOSE SOUZA DE ALVARENGA
  • CHRISTIAN GORINI
  • JEAN MICHEL LAFON
  • JÉRÔME VIERS
  • MARTIN BERNARD RODDAZ
  • NATALIA HAUSER
  • ROBERTO VENTURA SANTOS
  • Data: 18/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • O Cretáceo é caracterizado por grandes mudanças paleogeográficas, geodinâmicas e climáticas, incluindo a formação de novos oceanos, como o Oceano Atlântico equatorial, a fragmentação contínua do Gondwana e períodos de efeito estufa. Todas essas mudanças estão potencialmente contidas nos registros sedimentares das bacias. O sistema Andes-Amazônia-Margem Equatorial é um vasto sistema sedimentar cuja evolução geodinâmica e paleoambiental está registrada nas bacias foreland do retroarco amazônico, nas bacias intracratônicas brasileiras e nas da margem equatorial. Na parte ocidental (região andina), estudos recentes sugerem que o início da orogenia andina ocorreu durante o Cretáceo Superior, mas o desenvolvimento dos sistemas de drenagem e a origem dos sedimentos depositados durante o Cretáceo ainda são pouco conhecidos. O Cretáceo Inferior é registrado nas bacias intracratônicas e equatoriais brasileiras e testemunha as fases de rifteamento da crosta após a quebra de Gondwana. A Bacia do Araripe é um bom exemplo dessas bacias, pois contém um registro sedimentar completo e particularmente bem estudado. No entanto, a origem dos sedimentos dos vários estágios tectônicos da formação da bacia e a origem cretácea das incursões marinhas que a afetaram ainda não foram determinadas. O objetivo desta tese é propor uma reconstrução paleogeográfica do sistema Margem Andes-Amazônia-Equatorial durante o Cretáceo e analisar as mudanças geodinâmicas e tectônicas que o afetaram. Para isso, usamos métodos de proveniência, em especial a geoquímica de elementos principais e traços, a composição isotópica de Sm e Nd e idades UPb em zircões. Os resultados obtidos nos permitiram identificar as zonas de origem da Bacia do Araripe durante as fases pré, sin e pós-rifte e, assim, obter uma melhor compreensão da configuração paleogeográfica da região nordeste do Brasil no início do Cretáceo. Os sedimentos da Bacia do Araripe provêm principalmente dos terrenos paleoproterozoicos (2,3-1,6 Ga) da Província Borborema e dos plútons graníticos do ciclo Brasiliano (720-541Ma). A bacia tem uma história sedimentar ligada às fases de ruptura do Atlântico Sul e Equatorial. Durante a fase pré-rifte (~152-135 Ma), a bacia fazia parte da depressão afrobrasileira e recebia sedimentos do N-NW. Durante a fase de rifte (~135-125Ma), houve uma mudança na fonte devido à ruptura continental e à formação do Atlântico Sul, com um influxo de sedimentos da parte oriental da província da Borborema. Durante a fase pós-rifte (121-113 Ma), a bacia deixou de ser alimentada pela parte oriental e as incursões marinhas dominaram o ambiente de sedimentação. Finalmente, durante a fase pós-rifte II (113-100 Ma), foi observada uma última mudança nas fontes, com fontes para o NE refletindo o momento final da fragmentação de Gondwana. Um estudo da proveniência dos sedimentos das bacias da Amazônia ocidental (Acre e Madre de Dios) indica que as fontes são cratônicas, originadas principalmente dos terrenos Ventuari Tapajós (2,0 - 1,82 Ga) e Rio Negro - Juruena (1,82 - 1,54 Ga). Esses resultados indicam que uma vasta rede de drenagem intracontinental ("Sanozama") surgiu em resposta à elevação do Arco do Purus e das regiões cratônicas do Brasil e das Guianas durante a abertura do Oceano Atlântico equatorial. A integração dos resultados obtidos, compilados com dados da literatura, possibilitou a proposta de quatro mapas paleogeográficos da parte norte da plataforma sulamericana. Eles destacam como os mecanismos geodinâmicos ligados à abertura dos oceanos Atlântico Sul e equatorial controlaram e moldaram a paleogeografia dessa região.


  • Mostrar Abstract
  • The Cretaceous is characterized by major paleogeographic, geodynamic, and climatic changes, including the formation of new oceans such as the equatorial Atlantic Ocean, the continued fragmentation of Gondwana, and greenhouse effect periods. All these changes are potentially contained in the sedimentary records of the basins. The Andes-Amazonia-Equatorial Margin system is a vast sedimentary system whose geodynamic and palaeoenvironmental evolution is recorded in the Amazonian retroarc foreland basins, the Brazilian intracratonic basins, and those of the equatorial margin. In the western part (Andean region), recent studies suggest that the onset of the Andean orogeny occurred during the Late Cretaceous. However, the development of drainage systems and the source of sediments deposited during the Cretaceous are still poorly understood. The Lower Cretaceous is recorded in Brazilian intracratonic and equatorial basins and bears witness to crustal rifting phases following Gondwana's break-up. The Araripe Basin is a good example of these basins since it contains a complete and particularly well-studied sedimentary record. However, the origin of the sediments from the various tectonic stages of basin formation and the Cretaceous origin of the marine incursions that affected it remain to be determined. This thesis aims to propose a palaeogeographic reconstruction of the Andes-Amazonia Equatorial Margin system during the Cretaceous and to analyze the geodynamic and tectonic changes that affected it. To do this, we used provenance methods, particularly major and trace element geochemistry, Sm and Nd isotopic composition, and U-Pb ages on zircons. The results obtained have enabled us to identify the source zones of the Araripe Basin during the pre-, syn- and post-rift phases and thus to gain a better understanding of the palaeogeographic configuration of the north-eastern region of Brazil at the beginning of the Cretaceous. The sediments in the Araripe basin come mainly from the Palaeoproterozoic (2.3-1.6 Ga) terrains of the Borborema province and the granitic plutons of the Brasiliano cycle (720-541Ma). The basin has a sedimentary history linked to the South Atlantic and equatorial break-up phases. During the pre-rift phase (~152-135 Ma), the basin was part of the Afro-Brazilian depression and received sediments from the N-NW. During the rift phase (~135-125Ma), there was a change in source due to continental break-up and the formation of the South Atlantic, with an influx of sediments from the eastern part of the Borborema province. During the post-rift phase (121-113 Ma), the basin ceased to be fed by the eastern part and marine incursions dominated the sedimentation environment. Finally, during the post-rift II phase (113-100 Ma) a last change in sources was observed, with sources to the NE reflecting the final moment of the fragmentation of Gondwana. A study of the provenance of sediments from the basins of western Amazonia (Acre and Madre de Dios) indicates that the sources are cratonic, originating mainly from the Ventuari-Tapajos (2.0 - 1.82 Ga) and Rio Negro - Juruena (1.82 - 1.54 Ga) terrains. These results indicate that a vast intracontinental drainage network ('Sanozama') emerged in response to the uplift of the Purus Arch and the cratonic regions of Brazil and the Guianas during the opening of the equatorial Atlantic Ocean. The integration of the results obtained compiled with data from the literature has made it possible to propose four palaeogeographic maps of the northern part of the South American platform. They highlight how geodynamic mechanisms linked to the opening of the South Atlantic and equatorial oceans controlled and shaped the paleogeography of this region.

10
  • HARIS RAZA
  • Investigations of the Reservoir-triggered Seismicity of Nova Ponte and Irapé, Brazil

  • Orientador : GEORGE SAND LEÃO ARAÚJO DE FRANÇA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • GEORGE SAND LEÃO ARAÚJO DE FRANÇA
  • MONICA GIANNOCCARO VON HUELSEN
  • SUSANNE TAINA RAMALHO MACIEL
  • ALANNA COSTA DUTRA
  • CRISTOBAL CONDORI QUISPE
  • Data: 18/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • A ascensão de grandes centrais hidroeléctricas com extensos reservatórios levantou a necessidade de uma compreensão mais profunda da sismicidade desencadeada por reservatórios (SDR), um fenómeno que causa desafios significativos para a gestão segura dos reservatórios. A sismicidade desencadeada por reservatórios é um tema de interesse cada vez mais relevante em todo o mundo. Os casos de distribuição global envolvem um grande número de centrais hidroelétricas, bem como futuras barragens e reservatórios planejados , com muitos casos documentados há mais de seis décadas. Nesse cenário, o Brasil registrou 29 casos de SDR, entre os quais, o caso de magnitude 4.0 em Nova Ponte e de magnitude 3.0 em Irapé é ainda bem discutido. Ainda é importante entender o mecanismo M4.0 SDR em Nova Ponte, o segundo maior caso conhecido de SDR de reservatório no Brasil. O evento principal ocorreu no ano de 1998 ao longo de falhas predominantemente reversas e aproximadamente orientadas NE-SW. Mas ainda não foi possível esclarecer se isso ocorreu por pressão dos poros ou pela resposta não drenada do excesso de carga do reservatório em rochas de baixa permeabilidade que são necessárias para acionar o SDR. Se a difusão da pressão dos poros não puder se propagar profundamente nas rochas verticais de baixa permeabilidade, pode levar centenas de anos para atingir a profundidade dos eventos sísmicos. Assim, nessas condições acima, os dois principais eventos de SDR ocorreram em 1995 e 1998, apenas 1,5 anos após o represamento do reservatório, quando a água atingiu o nível mais alto. Assim, neste estudo, fizemos testes a nesta área para explorar o mecanismo causal criando o modelo 3D do reservatório e seu efeito no subsolo tanto em termos de pressão dos poros quanto de mudanças de tensão com a ajuda da modelagem numérica. Simulamos numericamente a resposta poromecânica do subsolo ao represamento do reservatório usando um modelo 3D que inclui três camadas de rochas geológicas até 10 km de profundidade. A partir dos potenciais planos nodais propostos para o evento de magnitude M3.5 de 1995, mostramos que o terremoto provavelmente ocorreu em uma falha vertical, orientada para E-W, com um componente de deslocamento reverso. As tensões desviantes geradas pelo carregamento da coluna de água na superfície, sobrepostas pelo aumento da pressão dos poros não drenados em camadas profundas de baixa permeabilidade podem explicar a reativação da falha. Descobrimos que para que o o evento de magnitude M4.0 de 1998 ocorra, deveriam existir caminhos de fluxo condutivo com permeabilidade tão alta quanto 6,6·10-15 m2 para transmitir a pressão dos poros para uma falha profunda e criticamente orientada. A análise de nossa propriedade aumenta a importância de levar em conta os mecanismos poromecânicos acoplados que controlam a estabilidade da falha, as propriedades hidromecânicas de diferentes camadas rochosas e a forma realista do reservatório para avaliar com precisão o potencial de sismicidade desencadeada pelo reservatório. Observamos que nossas descobertas podem explicar a SDR pela resposta não drenada do excesso de carga do enchimento do reservatório devido à perturbação da pressão dos poros, como em rochas subterrâneas profundas e pouco permeáveis.O segundo estudo de caso Irapé no Brasil é um local SDR proeminente onde a sismicidade aumentou após o enchimento do reservatório, com um evento máximo de magnitude 3,0 em maio de 2006. Tentamos compreender as causas potenciais do SDR na barragem de Irapé, Brasil, que é a barragem mais alta no Brasil com cerca de 208 m, e o segundo mais alto da América do Sul. Apesar de mais de uma década, os fatores que governam estes tremores e a sua ligação às propriedades das rochas subterrâneas permanecem pouco compreendidos. Realizamos testes de permeabilidade e porosidade de núcleos cilíndricos de amostras duras e intactas de rochas, que foram extraídas (por pite a 10 cm da superfície) próximas à zona SDR para determinar o papel da permeabilidade e da porosidade no desencadeamento dos terremotos de Irapé. Relatamos valores de porosidade variando de 6,340 a 14,734% e maioria dos valores de permeabilidade são <0,002 milidarcia (mD). De acordo com nossos cálculos analíticos, o nível da água do reservatório aumentou 137 m, resultando em um aumento de 0,96 MPa na pressão dos poros. A tensão efetiva vertical resultante aumentou 0,41 MPa e a tensão efetiva horizontal diminuiu 0,08 MPa. Assim, a tensão desviante aumentaria no regime de tensão de falha, desestabilizando a falha e causando SDR. Abaixo do reservatório, há um aumento instantâneo na pressão dos poros no subsolo devido à compressão elástica, o que aproxima as falhas potenciais localizadas abaixo do reservatório das condições de falha. As medições laboratoriais e cálculos analíticos corroboram a hipótese de que a atividade sísmica inicial foi induzida pela resposta não drenada do subsolo ao carregamento do reservatório em Irapé.


  • Mostrar Abstract
  • The rise of large hydropower plants with extensive reservoirs has raised the need for a deeper understanding of reservoir-triggered seismicity, a phenomenon that causes significant challenges for safe reservoir management. Reservoir-triggered seismicity is an increasingly relevant topic of interest throughout the world. The global distribution cases involve a large number of hydroelectric power plants as well as future planned dams and reservoirs, with many documented cases for more than six decades. In this scenario, Brazil has experienced 29 cases of RTS in which the mechanism of magnitude 4.0 Nova Ponte and M3.0 Irape is not well understood. The M4.0 RTS mechanism at Nova Ponte is still important to understand, the second-largest known case of Reservoir reservoir-triggered earthquake in Brazil. The main event occurred in the year 1998 along predominantly reverse faulting and roughly oriented NE-SW. But it still remains to be understood whether it occurred by state pore pressure or undrained response of excess loading of the reservoir is such low permeable rocks that are needed to trigger RTS. If the pore pressure diffusion could not propagate deep into vertical low permeable rocks it can take hundreds of years to reach the depth of the earthquakes. So, in such above conditions, the two major events of triggered earthquakes occurred in 1995 and 1998 just 1.5 years after the impoundment of the reservoir when the water reached the highest level. Thus, in this study, we made an attempt in this area to explore the causal mechanism by creating the 3D Reservoir model and its effect on the subsurface both in terms of pore pressure and stress changes with the help of numerical modeling. We numerically simulate the poromechanical subsurface response to reservoir impoundment using a 3D model that includes three geological rock layers down to 10 km depth. From the proposed potential nodal planes of the 1995 M3.5 earthquake, we show that the earthquake has most likely occurred on a vertical, E-W-oriented strike-slip fault with a reverse-displacement component. The deviatoric stresses generated by the water column loading on the surface, superimposed by undrained pore pressure enhancement in deep low-permeability layers can explain the fault reactivation. We find that for the 1998 M4.0 earthquake to occur, conductive flow pathways with permeability as high as 6.6·10-15 m2 should exist to transmit pore pressure to a deep critically oriented fault. The analysis owned by us raises the importance of accounting for coupled poromechanical mechanisms controlling fault stability, hydromechanical properties of different rock layers, and realistic shape of the reservoir to accurately assess the potential for reservoir-triggered seismicity. We remarked that our findings can explain the triggered seismicity by the undrained response of excess loading of the reservoir filling due to pore pressure perturbation such as in deep underground low permeable rocks. The second case study Irapé in Brazil is a prominent RTS site where seismicity surged after reservoir filling, with a maximum event of M3.0 in May 2006. We attempt to understand the potential causes of RTS at Irapé dam, Brazil, which is the highest dam in Brazil with about 208 m, and the second highest in South America. Despite more than a decade, the factors governing these earthquakes and their connection to subsurface rock properties remain poorly understood. We have done permeability and porosity tests of cylindrical cores from hard and intact samples of rocks, which have been extracted (by pitting 10 cm from the surface) near the RTS zone to determine the role of permeability and porosity on the triggering of the Irapé earthquakes. We report porosity values ranging from 6.340 to 14.734% and most of the permeability values are <0.002 mD. According to our analytical calculations, the reservoir-water level increased by 137 m, resulting in a 0.96 MPa pore pressure rise. The resulting vertical effective stress increased by 0.41 MPa and the horizontal effective stress decreased by 0.08 MPa. Thus, the deviatoric stress would increase in the faulting stress regime, destabilizing the fault and causing RTS. Below the reservoir, there is an instantaneous increase in pore pressure in the subsurface due to elastic compression, which brings potential faults located below the reservoir closer to failure conditions. The laboratory measurements and analytical calculations corroborate the hypothesis that the initial seismic activity was induced by the undrained subsurface response to the reservoir loading at Irapé.

11
  • Michele Andriolli Custódio
  • Evolução sedimentar Cenozoica do sistema fonte-sedimentaçãoAndes-Amazônia-Margem Equatorial Sul-Americana.

  • Orientador : ROBERTO VENTURA SANTOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIANO DOMINGOS DOS REIS
  • CHRISTIAN GORINI
  • CÉCILE GAUTHERON
  • DILCE DE FÁTIMA ROSSETTI
  • GUILHERME DE OLIVEIRA GONCALVES
  • JÉRÔME VIERS
  • MARTIN BERNARD RODDAZ
  • ROBERTO VENTURA SANTOS
  • Data: 19/12/2023

  • Mostrar Resumo
  • O sistema fonte-sedimentação (S2S) Andes-Amazônia-Margem Equatorial SulAmericana (AAMESA), que se estende por cerca de 3.200 km e está localizado ao norte da plataforma Sul-Americana, é um dos maiores sistemas S2S do mundo. Atualmente, o sistema AAMESA é controlado pelos Andes do ponto de vista sedimentar, pois 95% do fluxo médio anual de sedimentos suspensos fornecidos pela Amazônia ao Oceano Atlântico provêm de afluentes Andinos. Apesar dos avanços científicos que detalham as influências dos processos de construção e erosão dos Andes na sua origem, evolução e registro sedimentar do sistema S2S AAMESA desde o final do Cretáceo ao início do Paleoceno na Amazônia Ocidental e o estabelecimento do rio Amazonas transcontinental no final do Mioceno (Neógeno) na Amazônia Oriental, a história geológica e, em particular, as configurações pré-Neogeno e Plioceno do sistema AAMESA ainda não foram esclarecidas. O principal objetivo desta tese é propor uma reconstrução paleogeográfica do sistema Andes-Amazônia-Margem Equatorial durante o Cenozoico, com base em novos dados estratigráficos, sedimentológicos e de proveniência sedimentar obtidos de uma das bacias que constituem o sistema de bacias do foreland do retroarco Amazônico (Bacia Huallaga, norte do Peru) e da principal bacia da margem equatorial amazônica (Bacia da Foz do Amazonas). Mostramos que, do Paleoceno ao Eoceno Inferior (Daniano - Ypresiano) (66 – 43.5 Ma), desenvolveu-se um hiato deposicional nas bacias do retroarco Amazônico ligado a um episódio de quiescência tectônica nos Andes. Essa quiescência tectônica é contemporânea da formação das superfícies lateríticas "SulAmericanas" na Amazônia Central e das baixas taxas de sedimentação na Bacia da Foz do Amazonas. A retomada da elevação e da erosão dos Andes peruanos no Eoceno médio a tardio (Luteciano - Bartoniano) (43.5 – 37.6 Ma) foi registrada na sedimentação da bacia de foreland do retroarco Amazônico pela presença de detritos dos arcos magmáticos da Cordilheira Ocidental e por uma transgressão Bartoniana marcada pela presença de depósitos de maré em depósitos lacustres continentais. O início da elevação da Cordilheira Oriental está registrado nos sedimentos da bacia de foreland do retroarco Amazônico (Bacia Huallaga) há 30 Ma, no Rupeliano. Do Rupeliano ao Mioceno Médio, a Cordilheira Oriental continuou a se elevar, criando um relevo topográfico capaz de atuar como uma barreira orográfica aos fluxos atmosféricos do Oceano Atlântico. Essa elevação contínua pode ter levado à presença de climas mais úmidos no oeste da Amazônia, o que poderia ter favorecido a formação de superfícies lateríticas na Amazônia Central entre o Oligoceno e o Mioceno Inferior, em relação à intensa fase de alteração que ocorreu entre 30 e 18 Ma. Nossos dados de proveniência registram um novo período de exumação da Cordilheira Oriental desde o Mioceno Superior até os dias atuais. Esse período de rejuvenescimento do relevo da Cordilheira Oriental está ligado a um período de propagação do prisma orogênico amazônico em direção ao cráton. Isso levou a uma reorganização da rede de drenagem Amazônica e é provavelmente uma das forças motrizes por trás da transcontinentalização da Amazônia no Mioceno Médio-Superior. Por fim, o sistema AAMESA não existia em termos de "source-to-sink" (S2S) até o Mioceno tardio, com o estabelecimento transcontinental do rio Amazonas. O período anterior foi marcado pelo domínio de dois sistemas diferentes, representados pelo cráton Amazônico Oriental e pela região NE da América do Sul (província Borborema, cráton São Luís, cinturão Gurupi).


  • Mostrar Abstract
  • The Andes-Amazon-South American Equatorial Margin (AAMESA) sourcesedimentation system (S2S), which extends for around 3,200 km and is located north of the South American platform, is one of the largest S2S systems in the world. Currently, the AAMESA system is controlled by the Andes from a sedimentary point of view, as 95% of the average annual flow of suspended sediment supplied by the Amazon to the Atlantic Ocean comes from Andean tributaries. Despite scientific advances detailing the influences of Andean construction and erosion processes on the origin, evolution and sedimentary record of the S2S AAMESA system from the end of the Cretaceous to the beginning of the Paleocene in Western Amazonia and the establishment of the transcontinental Amazon River at the end of the Miocene (Neogene) in Eastern Amazonia, the geological history and, in particular, the pre-Neogene and Pliocene configurations of the AAMESA system have yet to be clarified. The main objective of this thesis is to propose a paleogeographic reconstruction of the Andes-AmazonEquatorial Margin system during the Cenozoic, based on new stratigraphic, sedimentological and sedimentary provenance data obtained from one of the basins that make up the foreland basin system of the Amazonian backarc (Huallaga Basin, northern Peru) and the main basin of the Amazonian equatorial margin (Foz do Amazonas Basin). We show that, from the Paleocene to the Lower Eocene (Danian - Ypresian) (66 - 43.5 Ma), a depositional hiatus developed in the basins of the Amazonian backarc linked to an episode of tectonic quiescence in the Andes. This tectonic quiescence is contemporaneous with the formation of the "South American" laterite surfaces in Central Amazonia and the low sedimentation rates in the Foz do Amazonas Basin. The resumption of uplift and erosion of the Peruvian Andes in the middle to late Eocene (Lutetian - Bartonian) (43.5 - 37.6 Ma) was recorded in the sedimentation of the foreland basin of the Amazonian backarc by the presence of debris from the magmatic arcs of the Cordillera Occidental and by a Bartonian transgression marked by the presence of tidal deposits in continental lacustrine deposits. The beginning of the rise of the Eastern Cordillera is recorded in the sediments of the foreland basin of the Amazonian backarc (Huallaga Basin) 30 Ma ago, in the Rupelian. From the Rupelian to the Middle Miocene, the Eastern Cordillera continued to rise, creating a topographic relief capable of acting as an orographic barrier to atmospheric flows from the Atlantic Ocean. This continuous elevation may have led to the presence of wetter climates in western Amazonia, which could have favored the formation of laterite surfaces in central Amazonia between the Oligocene and the Lower Miocene, in relation to the intense phase of alteration that occurred between 30 and 18 Ma. Our provenance data record a new period of exhumation of the Cordillera Oriental from the Upper Miocene to the present day. This period of rejuvenation of the relief of the Eastern Cordillera is linked to a period of propagation of the Amazonian orogenic prism towards the craton. This led to a reorganization of the Amazon drainage network and is probably one of the driving forces behind the transcontinentalization of Amazonia in the Middle-Upper Miocene. Finally, the AAMESA system did not exist in "source-tosink" (S2S) terms until the late Miocene, with the transcontinental establishment of the Amazon River. The preceding period was marked by the dominance of two different systems, represented by the Eastern Amazon craton and the NE region of South America (Borborema province, São Luís craton, Gurupi belt).

2022
Dissertações
1
  • BÁRBARA COSTA DA SILVA
  • Mapeamento do regolito laterítico no centro-oeste brasileiro por sensoriamento remoto multiespectral.

  • Orientador : ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • JULIA BARBOSA CURTO MA
  • TATI DE ALMEIDA
  • VINICIUS HECTOR ABUD LOURO
  • Data: 21/07/2022

  • Mostrar Resumo
  • Na região central do Brasil há espesso manto de intemperismo desenvolvido a partir de diferentes tipos de rochas e superfícies geomórficas, com ampla ocorrência de crostas lateríticas e seus produtos. O mapeamento das unidades do regolito, especialmente as crostas lateríticas, fornece informações de grande interesse à exploração mineral e ao entendimento dos processos evolutivos das paisagens, principalmente aquelas em ambiente tropical. O desenvolvimento de ferramentas GIS, a robustez dos modelos matemáticos e estatísticos para processamento e análise de dados, e a computação em nuvem, representam avanços no mapeamento geológico em larga escala, além de fornecer informações relevantes acerca dos terrenos lateríticos tropicais. Dados de sensoriamento remoto e técnicas de processamento de imagens são efetivas no mapeamento dessas superfícies, seja com o uso de razões de bandas ou análises de componentes principais. Diversos são os métodos utilizados em sensoriamento remoto para o mapeamento do regolito. Neste trabalho foram testadas três técnicas matemáticas e estatísticas em imagens multiespectrais dos sensores Landsat-8 OLI/TIRS e Sentinel-2 MSI, para verificar aquela com melhor eficácia para a área de estudo: 1 — razões de bandas (BR), 2 — análise de componentes principais direcionada (DPCA) e 3 — sobreposição de índices (IOM). O processamento dos dados foi realizado na plataforma em nuvem Google Earth Engine e permitiu a discriminação das áreas onde afloram rocha, saprólito e as crostas lateríticas, na região limítrofe dos estados de Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e Bahia, no centro-oeste do Brasil. Os mapas preditivos tiveram acurácia global superior à 70% e valores de k e t próximos a 0,6, indicando forte correspondência com os dados de campo. Entre os sensores, o Landsat-8 teve melhor concordância com os dados de campo, em relação aos dados do Sentinel2. Desta forma, os modelos aplicados às imagens OLI e MSI, validados por dados de campo, mostram a eficácia do uso de dados multiespectrais para o mapeamento das unidades do regolito em condições tropicais, podendo ser facilmente aplicada e testada em outras áreas de estudo.


  • Mostrar Abstract
  • In central Brazil, there is a thick mantle of weathering developed from different types of rocks and geomorphic surfaces, with a wide occurrence of lateritic crusts and their products. The mapping of regolith units, especially the lateritic duricrusts, provides information of great interest to mineral exploration and the understanding of evolutionary processes in landscapes, especially those in a tropical environment. The development of GIS tools, the robustness of mathematical and statistical models for data processing and analysis, and cloud computing represent advances in large-scale geological mapping, in addition to providing relevant information about tropical lateritic terrains. Remote sensing data and image processing techniques are effective in mapping these surfaces, whether using band ratios or principal component analyses. There are several methods used in remote sensing for mapping the regolith. In this work, were tested three mathematical and statistical techniques in multispectral images from Landsat-8 OLI/TIRS and Sentinel-2 MSI sensors, to verify the one with the best efficiency for the study area: 1 — band ratios (BR), 2 — analysis Principal Components (DPCA) and 3 — Index Overlay (IOM). Data processing was performed on the Google Earth Engine cloud platform and allowed the discrimination of areas where rock, saprolite and lateritic crusts outcrop, in the border region of the states of Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais and Bahia, in the center-west of the state. Brazil. The predictive maps had an overall accuracy greater than 70% and k and t values close to 0.6, indicating a strong correspondence with the field data. Among the sensors, Landsat-8 had better agreement with field data than Sentinel-2 data. Thus, the models applied to OLI and MSI images, validated by field data, show the effectiveness of using multispectral data for mapping regolith units in tropical conditions, which can be easily applied and tested in other study areas.

2
  • Wilson Humberto López Abanto
  • PROVENIÊNCIA SEDIMENTAR DAS FORMAÇÕES PONTA GROSSA E SÃO DOMINGOS (DEVONIANO) DO NW DA BACIA DO PARANÁ (BRASIL): IMPLICAÇÕES REGIONAIS PARA OS EVENTOS T-R DO SW DE GONDWANA

  • Orientador : NATALIA HAUSER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CARLOS JOSE SOUZA DE ALVARENGA
  • EDI MENDES GUIMARAES
  • MIGUEL ANGELO STIPP BASEI
  • NATALIA HAUSER
  • Data: 22/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • A Bacia do Paraná é uma típica bacia intracratônica localizada na plataforma brasileira. Esta bacia registrou sedimentação do Ordoviciano ao Cretáceo. Três grandes variações do nível do mar de segunda ordem relacionadas à tectônica e eustasia ocorreram no sudoeste de Gondwana e também são reconhecidas na Bacia do Paraná. O primeiro desses eventos foi transgressivo e está relacionado à orogenia Precordillerana I. Na bacia do Paraná, a Formação Furnas está relacionada à elevação do nível do mar, e os folhelhos da Formação Ponta Grossa representam a superfície máxima de inundação para esta primeira transgressão. A segunda variação do nível do mar foi regressiva e está relacionada à orogenia Precordillerana II. Os arenitos do Membro Tibagi da Formação São Domingos foram relacionados à queda do nível do mar durante este segundo evento. O terceiro evento foi novamente transgressivo e está relacionado a uma elevação global do nível do mar. Este evento tem sido relacionado com os Folhelhos da parte superior da Formação São Domingos. Como existe uma relação bem restrita entre a estratigrafia e as variações do nível do mar para a Bacia do Paraná durante o Devoniano, esta dissertação de mestrado foi desenvolvida para testar essas variações do nível do mar com estudos de datação UPb em zircão detrítico e isotopia Sr-Nd. Cinco amostras da parte norte da bacia do Paraná, incluindo duas da Formação Ponta Grossa, dois do Membro Tibagi e um da Formação São Domingos. Para nossa discussão, levamos em consideração: 1) dados de paleocorrentes indicando que a principal proveniência para a parte norte da bacia do Paraná era do ENE-W, e subordinada do E; e 2) assumimos que a configuração paleogeográfica atual da bacia é um substituto para a paleogeografia durante o Devoniano. Isso permite classificar as prováveis fontes em próximo, intermediária e distais: o Arco Magmático de Goiás (~630 Ma) representaria uma fonte próximo, a Serra da Mesa, o Grupo Paranoá e o Bloco Goiás (~1770 Ma e 2100 Ma para a Serra da Mesa, e apenas ~2100 Ma para o Grupo Paranoá, e ~2420 Ma para o Bloco Goiás) representariam fontes intermediárias; e o Grupo Trairas (~1520 e 2604 Ma), o Cinturão Sunsas (~900-1200 Ma) e o magmatismo Famatiniano (~435 Ma) poderiam representar fontes distais/muito distais, respectivamente. A principal diferença entre os padrões de proveniência das três unidades é um pico de idade de ~2604 Ma, que só é observado na parte superior da Formação São Domingos e provavelmente pode estar relacionado ao Grupo Trairas. Como a parte superior da Formação São Domingos registrou o segundo evento transgressivo, este pico está relacionado a uma fonte muito distais, como o Grupo Trairas, que representaria o embasamento da Faixa Brasília ao NE, hoje ~500 km da bacia. O pico em ~435 Ma que foi observado na Formação Ponta Grossa (4% zircão), Tibagi (3% zircão) e Formação São Domingos (6% zircão), mas não na Formação Furnas subjacente, pode ser explicado como fonte direta do Arco Magmático Famatiniano, localizado a ~1100 km de distância ou zircões com essas idades derivadas do retrabalhamento da Bacia do Tarija, que se localiza a cerca de 650 km a oeste e possivelmente estava ligada à Bacia do Paraná no Devoniano. Também as relações 87Sr/86Sr(380) e os valores de TDM mostram uma diminuição quando há contribuições de fontes mais jovens, como é o caso da Formação Ponta Grossa e da parte superior da vi Formação São Domingos onde há maior presença de fontes muito jovens, fontes associadas ao Arco Magmático Famatiniano. Assim, fontes distais/muito distais são observadas para a primeira transgressão, representada pela Formação Ponta Grossa, e então registradas novamente para a segunda transgressão na parte superior da Formação São Domingos. Podemos concluir que a análise de proveniência U-Pb em zircão detrítico e isótopos Sr - Nd pode ser aplicada para reconhecer as variações do nível do mar em uma bacia.


  • Mostrar Abstract
  • The Paraná Basin is a typical intracratonic Basin located on the Brazilian platform. This basin recorded sedimentation from the Ordovician to the Cretaceous. Three major secondorder sea level variations related to tectonics and eustatic have occurred in southwestern Gondwana and are also recognized in the Paraná Basin. The first of these events was transgressive and it is related to the Precordillera orogeny I. In the Paraná Basin, the Furnas Formation is related to the sea level rise, and the shales of the Ponta Grossa Formation represent the maximum flood surface for this first transgression. The second sea level variation was regressive and is related to the Precordillera orogeny II. The sandstones of the Tibagi member of the São Domingos formation were related to the drop in sea level during this second event. The third event was again transgressive and it is related to a global rise in sea level. This event has been related to the shales of the upper part of the São Domingos Formation. As there is a very restricted relationship between stratigraphy and sea level variations for the Paraná Basin during the Devonian, this master's thesis was developed to test these sea level variations with U-Pb dating studies on detrital zircon and Sr-Nd isotope. Five samples from the northern part of the Paraná Basin, including two from the Ponta Grossa Formation, two from the Tibagi member and one from the São Domingos Formation. For our discussion, we take into account: 1) paleocurrent data indicating that the main provenance for the northern part of the Paraná basin was from the ENE-W, and subordinate from the E; and 2) we assume that the current paleogeographic configuration of the basin is a substitute for paleogeography during the Devonian. This allows classifying the probable sources into near, intermediate, and distal: the Goiás magmatic arc (~630 Ma) would represent a near source, the Serra da Mesa, Paranoá Group, and Goiás block (~1770 Ma and 2100 Ma for the Serra da Mesa, and only ~2100 Ma for the Paranoá Group, and ~2420 Ma for the Goiás block) would represent intermediate sources; and the Trairas Group (~1520 and 2604 Ma), the Sunsas belt (~900- 1200 Ma) and the Famatinian magmatism (~435 Ma) could represent distal/very distal sources, respectively. The main difference between the provenance patterns of the three units is an age peak of ~2604 Ma, which is only observed in the upper part of the São Domingos Formation and can probably be related to the Trairas Group. As the upper part of the São Domingos Formation recorded the second transgressive event, this peak is related to a very distal source, such as the Trairas Group, which would represent the basement of the Brasília range to the NE, today ~500 km from the basin. The peak at ~435 Ma that was observed in the Ponta Grossa Formation (4% zircon), Tibagi (3% zircon) and São Domingos Formation (6% zircon), but not in the underlying Furnas Formation, can be explained as direct source of the Famatinian magmatic arc, located ~1100 km away or zircons with these ages derived from the reworking of the Tarija Basin, which is located about 650 km to the West and was possibly linked to the Paraná Basin in the Devonian. Also the 87sr/86Sr(380) ratios and the TDM values show a decrease when there are contributions from younger sources, as is the case of the Ponta Grossa Formation and the upper part of the São Domingos Formation where there is a greater presence of very young sources, sources associated with the Famatinian magmatic arc. viii Thus, distal/very distal sources are observed for the first transgression, represented by the Ponta Grossa Formation, and then recorded again for the second transgression in the upper part of the São Domingos Formation. We can conclude that u-Pb provenance analysis on detrital zircon and Sr - Nd isotopes can be applied to recognize sea level variations in a basin.

3
  • Heriscarth Marcell Dantas Pinheiro
  • Processos de Enriquecimento de Magnetita em Depósitos de Fe-Skarns do Núcleo Arqueano São José do Campestre, Rio Grande do Norte, Nordeste do Brasil.

  • Orientador : ELTON LUIZ DANTAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • ELDER YOKOYAMA
  • DAVID LOPES DE CASTRO
  • Data: 14/09/2022

  • Mostrar Resumo
  • O Núcleo Arqueano São José do Campestre, situado no extremo nordeste do Brasil, possui um contexto tectono-estrutural complexo, apresentando rochas situadas geocronologicamente, que vão desde o paleo-aqrqueano ao cambriano. Esse ambiente favoreceu a formação de rochas ricas em magnetita com potencial metalogenético. Tais rochas não possuem gênese bem definida e estão associadas ao Complexo Serra Caiada. Em paralelo, técnicas convencionais, especialmente as que envolvem amostragem e análises químicas (rocha total e química mineral), são caras. Nesse sentido, técnicas indiretas como geofísica podem se mostrar bons guias prospectivos, quando associadas a outras informações de cunho geológico. O presente trabalho se propõe a investigar o enriquecimento em magnetita nessas rochas, através de geofísica terrestre. Para entender melhor as relações entre os corpos mineralizados e as rochas encaixantes, técnicas de realce foram aplicadas e um modelo geofísico foi gerado (inversão 3D). As técnicas de realce utilizadas, Amplitude do Sinal Analítico e Primeira Derivada Vertical, forneceram um mapa de intensidades com 3 Domínios estabelecidos, os quais aumentam em intensidade de Oeste para Leste; além de um mapa de estruturas magnéticas, com predominância de direções NE-SW e influência de estruturas rasas. O modelo gerado, acusou dois corpos mineralizados em subsuperfície, Target 1 (em forma de dique) e Target 2 (em forma de pipa), com direções N-S e NE-SW, respectivamente. Os resultados geofísicos foram associados a informações geológicas (análises petrográficas e observações de campo), petrofísicas (Susceptibilidade Magnética) e geoquímicas (SATMAGAN). Análises petrográficas ajudaram a delimitar e classificar 4 zonas ou faciologias, de acordo com a paragênese mineral progradante: Piroxênio Anfibólio Skarn, Piroxênio Skarn, Granada Piroxênio Skarn e Magnetita Skarn; além de correlacionar as rochas encaixantes com o contexto geológico regional. Resultados de SATMAGAN apresentaram valores entre 3,68 e 53,68% de magnetita, e medidas de susceptibilidade magnética portátil forneceram valores entre 91,25 e 2.867,25 x 10 -3 SI para os corpos mineralizados. Tais números são compatíveis com os resultados obtidos na inversão 3D, entre 95 e 1.591,8 x 10 -3 SI. Os resultados são similares a parâmetros de literatura os quais classificam tal mineralização como do tipo Fe-Skarn. Por fim, a integração dos resultados obtidos permitiu a interpretação de retrabalhamento crustal das rochas pré-existentes e remobilização de Ferro proveniente de silicatos, como piroxênios, e óxidos e solubilizados como magnetita em bolsões e lentes, onde o principal conduíte seriam diques graníticos.


  • Mostrar Abstract
  • The Archean Nucleus of São José do Campestre, located in the extreme northeast of Brazil, has a complex tectono-structural context, featuring geochronologically situated rocks ranging from paleo-arquean to cambrian. This environment favored the formation of magnetite-rich rocks with metallogenetic potential. Such rocks do not have well-defined genesis and are associated with the Serra Caiada Complex. In parallel, conventional techniques, especially those involving sampling and chemical analyses (whole rock and mineral chemistry), are expensive. In this sense, indirect techniques such as geophysics can prove to be good prospective guides when associated with other geological information. The present work aims to investigate magnetite enrichment in these rocks, through terrestrial geophysics. To better understand the relationships between mineralized bodies and country rocks, enhancement technics were applied and a geophysical model was generated (3D inversion). The enhancement techniques used, Analytical Signal Amplitude and First Vertical Derivative, provided an intensity map with 3 established domains, which increase in intensity from West to East; in addition to a map of magnetic structures with predominance of NE-SW directions and influence of shallow structures. The generated model accused two mineralized bodies in subsurface, Target 1 (dike-shaped) and Target 2 (pipe-shaped), with N-S and NE-SW directions, respectively. The geophysical results were associated with geological (petrographic analyses and field observations), petrophysical (Magnetic Susceptibility) and geochemical (SATMAGAN) Petrographic analyses helped to delimit and classify 4 zones or faciologies, according to the prograding mineral paragenesis: Pyroxene Skarn Anfibolium, Pyroxine Skarn, Piroxênio Skarn and Magnetite Skarn; in addition to correlating the country rocks with the regional geological context. SATMAGAN results showed values between 3.68 and 53.68% of magnetite, and measurements of portable magnetic susceptibility provided values between 91.25 and 2,867.25 x 10-3 SI for mineralized bodies. These numbers are compatible with the results obtained in 3D inversion, between 95 and 1,591.8 x 10-3 SI. Results are similar to literature parameters which classify such mineralization as Fe-Skarn type. Finally, the integration of the obtained results allows the interpretation of crustal rework of pre-existing rocks and remobilization of Iron from silicates, such as pyroxenes, and oxides and solubilized as magnetite in pockets and lenses, where the main conduit would be granite dikes.

4
  • Rodrigo Antonio de Freitas Rodrigues
  • Refertilização do manto litosférico abaixo da parte sudoeste do Cráton São Francisco, Brasil

  • Orientador : TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • REINHARDT ADOLFO FUCK
  • ROMMULO VIEIRA CONCEIÇÃO
  • TIAGO LUIS REIS JALOWITZKI
  • Data: 18/10/2022

  • Mostrar Resumo
  • Na porção sudoeste do Cráton do São Francisco, região centro-oeste do Brasil, xenólitos do manto hospedados em kimberlito fornecem informações valiosas sobre a natureza e a evolução da litosfera continental. Esses peridotitos variam de espinélio lherzolitos (876-915 °C; 1,5 GPa) e harzburgito contendo clinopiroxênio (914 °C; 5,28 GPa) a granada-flogopita wehrlitos (1066-1101 °C; 5,03-5,23 GPa). A composição química desses peridotitos revelam um manto litosférico subcontinental estratificado sob o Cráton São Francisco. O manto mais profundo (~170 km) passou por vários eventos metassomáticos, enquanto o manto mais raso é caracterizado por fusão parcial com poucas evidências de metassomatismo. O manto profundo sofreu ~10 % de fusão parcial e registra episódios metassomáticos causados por fluidos ricos em álcalis (K2O, H2O, CO2, F, ± Cl), líquidos carbonatíticos e proto-kimberlíticos. A geração da flogopita de baixo Ti-Cr (Phl1) que ocorre associada ao Cr-espinélio ao redor da granada nos granada-flogopita wehrlitos foram geradas por reações metassomáticas envolvendo fluidos ricos em álcalis. Essas flogopitas possuem composição semelhante a flogopitas de xenólitos metassomatizados ao redor do mundo e xenocristais de flogopitas presentes em kimberlitos. A reação entre fluidos ricos em álcalis e os peridotitos geraram os cristais de flogopita com baixo teor de Ti e Cr, Cr-espinélio e carbonato às custas da granada. Os cristais de clinopiroxênio com alto teor de Cr e baixo teor de Al presentes nos granada-flogopita wehrlitos e harzburgito apresentam altas razões de Mg#, Ca/Al, La/YbN, Zr/Hf e altos teores de Sr, além de razões baixas a intermediárias de Ti/Eu e Ti/Nb, sugerindo que foram gerados por reações envolvendo líquidos de composição carbonatítica. As olivinas presentes nos granada-flogopita wehrlitos e harzburgito contêm inclusões de carbonato identificadas por espectroscopia Raman como magnesita (picos em 213, 330, 738 e 1095 cm-1) e dolomita (picos em 175, 300, 723 e 1097 cm-1), reforçando a hipótese de metassomatismo por um líquido rico em carbonato. A flogopita que apresenta alto Ti-Cr (Phl2) ocorrem como bordas ao redor de Phl1 e como cristais ao redor das granadas e na matriz. A composição desta flogopita é semelhante às flogopitas de brechas polimíticas do manto, interpretadas como cristalizadas a partir de líquidos kimberlíticos no manto profundo. Por outro lado, o manto mais raso (~50 km), representado pelos espinélio lherzolitos, registra essencialmente processos de fusão parcial (2-4 %) e um leve enriquecimento em elementos incompatíveis. Os cristais de clinopiroxênio dessas amostras apresentam alto teor de Al e baixo teor de Cr e alguns mostram leve enriquecimento em LILE, LREE e Ti. Eles também apresentam baixas razões Ca/Al, alto Mg#, baixas razões La/YbN, Zr/Hf e baixos conteúdos de Sr. Além disso, apresentam altas razões de Ti/Eu e Ti/Nb e fortes correlações positivas entre Ti e HFSE e LREE, sugerindo interação com um líquido silicático subalcalino empobrecido em elementos incompatíveis. As composições químicas dos minerais, juntamente com dados geotermobarométricos e estimativas de fusão parcial indicam que o manto litosférico subcontinental sob a região de Catalão é estratificado. A refertilização nas partes mais profundas do Cráton São Francisco é atribuída a fluidos e líquidos gerados por baixas taxas de fusão, ambos enriquecidos em elementos incompatíveis que reagiram com os peridotitos empobrecidos tipicamente presentes na raiz de litosfera cratônica de idade Arqueana. Este processo modifica química e mineralogicamente a litosfera podendo gerar grandes impactos na estabilidade tectônica do cráton.


  • Mostrar Abstract
  • In the Southwestern border of the São Francisco Craton, central-western Brazil, a suite of kimberlite-hosted mantle xenoliths provides valuable insights into the nature and evolution of the continental lithosphere. These peridotites vary from spinel lherzolites (876-915 °C; 1.5 GPa) and clinopyroxene-bearing harzburgite (914 °C; 5.28 GPa) to garnet-phlogopite wehrlites (1066-1101 °C; 5.03-5.23 GPa). The chemical compositionof these peridotites reveals a stratified subcontinental lithospheric mantle beneath the São Francisco Craton. The deeper mantle (~170 km) has experienced multiple metasomatic events, but the shallower mantle is a product of partial melting and shows only little evidence of metasomatic reaction. Samples from the deeper mantle underwent ~10 % of partial melting and recorded metasomatism caused by alkaline-rich fluids (K2O, H2O, CO2, F, ± Cl), carbonatite, and proto-kimberlite melt. The low-Ti-Cr phlogopite (Phl1) that occurs associated with Cr-spinel around garnet in the garnet-phlogopite wehrlites is formed by metasomatic reactions with alkaline-rich fluids. This phlogopite has similar composition compared to phlogopites from metasomatized xenoliths worldwide and phlogopite xenocrysts present in kimberlites. The reaction between the alkaline-rich fluids and peridotites generates this low-Ti-Cr phlogopite and also Cr-spinel and carbonate at expense of garnet. The high-Cr low-Al clinopyroxenes present in garnet-phlogopite wehrlites and harzburgite have high Mg#, high Ca/Al, La/YbN, Zr/Hf ratios, and high Sr contents, coupled with low to intermediate Ti/Eu and Ti/Nb ratios, suggesting that they were formed by carbonatite melts. Olivines present in the garnet-phlogopite wehrlites and harzburgite contain carbonate inclusions identified by Raman spectroscopy as magnesite (Raman shifts at 213, 330, 738, and 1095 cm-1) and dolomite (Raman shifts at 175, 300, 723, and 1097 cm-1) reinforcing the carbonate-rich melt as the metasomatic agent. The high-Ti-Cr phlogopite (Phl2) occurs as rims around Phl1 as well as crystals around garnet and in the groundmass. The composition of this phlogopite is similar to phlogopites from polymict mantle breccias, often thought to be crystallized from failed kimberlite melts in the deep mantle. Conversely, the shallower mantle (~50 km) represented by the spinel lherzolites mostly records partial melting processes and slight enrichment in incompatible elements. These samples underwent a lower degree of partial melting, varying from 2-4 %. Some high-Al low-Cr clinopyroxene crystals of these samples are slightly enriched LILE, LREE, and Ti. They also display low Ca/Al ratios at high Mg#, low La/YbN, Zr/Hf ratios, and Sr contents, coupled with high Ti/Eu and Ti/Nb and strong positive correlations between Ti versus HFSE and LREE, suggesting certain degree of interaction with a subalkaline silicate melt depleted in incompatible elements. The chemical compositions together with geothermobarometric data and partial melting estimates indicate that the subcontinental lithospheric mantle beneath the Catalão region is stratified. The refertilization in the deeper parts of the São Francisco Craton is attributed to fluids and deep-seated low-degree melts enriched in incompatible elements that reacted with the depleted peridotites typically present in the root of the cratonic lithosphere ofArchean ages. This process modifies the lithosphere chemically and mineralogically, which may have a great impact on the tectonic stability of the craton.

5
  • André Sena de Oliveira
  • Trama magnética dentro e fora de um Cráton: Insights a partir de dados aeromagnéticos da Faixa Gurupi, Brasil

  • Orientador : ELTON LUIZ DANTAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADALENE MOREIRA SILVA
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • ROBERTO VIZEU LIMA PINHEIRO
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • Data: 17/11/2022

  • Mostrar Resumo
  • As fronteiras entre Cráton e Faixa Móvel consistem em regiões geologicamente ativas e registram, após sua história evolutiva, uma complexa superposição de eventos deformacionais. O Cráton São Luís e a Faixa Gurupi, localizados no norte do Brasil, são exemplos de terrenos Pré-Cambrianos que apresentam evidências de uma complexa história deformacional derivada das orogenias Paleoproterozóica, Neoproterozóica e posterior fragmentação do Cráton Oeste Africano com a abertura do Oceano Atlântico. No entanto, a compreensão dos estilos deformacionais do Cráton São Luís e da Faixa Gurupi permanece pouco compreendida. Nesse contexto, este estudo faz uma abordagem multidisciplinar que integra dados aerogeofísicos de alta resolução à dados geológicos existentes para investigar as deformações e mecanismos atuantes na evolução do Cráton São Luís da Faixa Gurupi. O processamento dos dados aeromagnéticos resultou em diferentes profundidades para a região: 22 km, 5.7 km e 0.53 km. Para a maior profundidade, quatro domínios geofísicos foram definidos, no qual a fronteira entre o Cráton São Luís e a Faixa é dado pelo lineamento WSZ de direção NW-SE, enquanto no Cráton São Luís três domínios com direções E-W a NE-SW foram encontrados. Nas profundidades mais rasas da área estudada, os lineamentos magnéticos definiram padrões deformacionais dúcteis. Sobre o Cráton São Luís os lineamentos magnéticos variam de E-W a NE-SW e são interpretados como evento deformacional D1. Sobre a Faixa Gurupi, os padrões deformacionais são sigmoidais com cinemática sinistral, associados a zonas de cisalhamento Tentugal com direção NW-SE, e são interpretados como evento deformacional D2. O terceiro evento deformacional com direção N-S e E-W foi associado ao terceiro evento D3 com regime rúptil-dúctil. A partir do modelo digital de elevação e do sinal analítico, os lineamentos de superfície revelam um par conjugado de falhas na direção NE-SW e NW-SE e, a partir das soluções de Euler, as profundidades demonstram ser inferiores a 500 m. Adicionalmente, ocorrências e depósitos auríferos localizados na Faixa Gurupi estão distribuídos espacialmente na direção NW-SE de caráter dúctil e em direções secundárias N-S de caráter rúptil. Por fim, após análise cinemática da região e sua correlação com outras partes do mundo, sugere-se que esta região deve ser inserida dentro do modelo de ciclo de supercontinentes, do Paleoproterozóico e Neoproterozoico, em escala global.


  • Mostrar Abstract
  • The boundaries between Craton and Mobile Belt consist of geologically active regions and record, after their evolutionary history, a complex superposition of deformational events. The São Luís Craton and the Gurupi Belt, located in northern Brazil, are examples of Precambrian terrains that show evidence of a complex deformational history derived from the Paleoproterozoic, Neoproterozoic orogenies and subsequent fragmentation of the West African Craton with the opening of the Atlantic Ocean. However, the understanding of the deformational styles of the São Luís Craton and the Gurupi Belt remains poorly understood. In this context, this study takes a multidisciplinary approach that integrates high resolution aerogeophysical data with existing geological data to investigate the deformations and mechanisms involved in the evolution of the São Luís Craton in the Gurupi Belt. The processing of the aeromagnetic data resulted in different depths for the region: 22 km, 5.7 km and 0.53 km. For the greatest depth, four geophysical domains were defined, in which the boundary between the São Luís Craton and the Belt is given by the WSZ lineament of NW-SE direction, while in the São Luís Craton three domains with E-W to NE-SW directions were found. . In the shallower depths of the studied area, the magnetic lineaments defined ductile deformation patterns. Over the São Luís Craton, the magnetic lineaments vary from E-W to NE-SW and are interpreted as a D1 deformation event. Over the Gurupi Belt, the deformation patterns are sigmoidal with sinistral kinematics, associated with Tentugal shear zones with NW-SE direction, and are interpreted as a D2 deformation event. The third deformational event with N-S and E-W direction was associated with the third event D3 with brittle-ductile regime. From the digital elevation model and the analytical signal, the surface lineaments reveal a conjugated pair of faults in the NE-SW and NW-SE direction and, from the Euler solutions, the depths show to be less than 500 m. Additionally, occurrences and auriferous deposits located in the Gurupi Belt are spatially distributed in the NW-SE direction of ductile character and in secondary directions N-S of brittle character. Finally, after kinematic analysis of the region and its correlation with other parts of the world, it is suggested that this region should be inserted into the Paleoproterozoic and Neoproterozoic supercontinent cycle model, on a global scale.

6
  • Kawinã Cardoso de Araújo
  • CONTROLE ESTRUTURAL DA MINERALIZAÇÃO DE OURO NO GREENSTONE BELT FAINA, BRASIL CENTRAL.

  • Orientador : CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • LUIS GUSTAVO FERREIRA VIEGAS
  • ELIZA INEZ NUNES PEIXOTO
  • ROBERTO VIZEU LIMA PINHEIRO
  • Data: 18/11/2022

  • Mostrar Resumo
  • O greenstone belt Faina está inserido no Domínio Crixás-Goiás, um dos principais componentes do Maciço de Goiás, localizado na porção central da Faixa Brasília, no Brasil Central. A mineralização de ouro presente no greenstone belt é de natureza orogênica, fortemente controlada pelas estruturas tectônicas. A investigação das estruturas regionais distribuídas nos diferentes domínios do greenstone belt Faina, assim como as meso-estruturas presentes nos principais alvos e minas da região, permitiram a identificação de um acervo complexo de elementos estruturais geneticamente relacionados a um sistema de empurrões e dobramento regional. Através da análise descritiva e cinemática foi possível individualizar seis fases deformacionais sucessivas, geradas em pelo menos três eventos deformacionais distintos. O primeiro evento E1, de provável idade Paleoproterozóica, é caracterizado por três fases deformacionais progressivas, D1, D2 e D3, desenvolvidas em regime dúctil a dúctil-ruptil. A fase D1 é marcada por xistosidade paralela ao acamamento sedimentar. As estruturas atribuídas à fase de deformação D2 são as feições estruturais mais proeminentes do greenstone belt Faina. Elas foram geradas em regime dúctil e incluem dobramentos em todas as escalas (F2), foliação plano axial (S2), foliação milonítica (Sm2), lineação de estiramento (Le2) e lineação de intersecção (Li2). Aliado a estas feições, foi ainda observado um sistema complexo de empurrões regionais, com direção NW-SE, aos quais estão associadas zonas de cisalhamento reversas, com indicadores cinemáticos de transporte tectônico de sul para norte. A Fase D2 evolui para zonas de cisalhamento direcionais destrais de alto ângulo, com direção NW-SE, interpretadas como escape tectônico, durante a fase D3. O evento E2, de natureza dúctil-rúptil, tem idade neoproterozoica e é caracterizado por duas fases deformacionais D4 e D5. A principal estrutura da fase D4 é a Falha de Faina, que consiste em uma falha regional direcional destral, com direção NE, que separa os greenstone belts Faina e Serra de Santa Rita. A fase D5 é marcada por dobras suaves a abertas em todas as escalas, desenvolvidos em níveis crustais mais rasos e presente em toda a Faixa Brasília. O último evento E3, representado pela fase D6 de natureza rúptil, é caracterizado por brechas de direção EW a NE-SW. Os principais controles da mineralização de ouro no greenstone belt Faina estão associados à fase de deformação D2. Os empurrões regionais gerados durante essa fase funcionaram como condutos para migração de fluidos mineralizantes que se alojam em estruturas secundárias, onde a mineralização está associada a zonas de cisalhamento monoclínicas. A mineralização ocorre como ouro livre em veios de quartzo, concordantes com as zonas de cisalhamento D2, com plunge paralelo à lineação de estiramento Le2. Os veios mineralizados estão estruturados em rampas e patamares e a mineralização está concentrada em sombras de pressão de estruturas regionais, que vão desde a escala regional até a escala microscópica.


  • Mostrar Abstract
  • The Faina greenstone belt is part of Crixás-Goiás Domain, one of the main components of the Goiás Massif. It is located in the central portion of the Brasília Belt, Central Brazil. The gold mineralization is orogenic in nature, strongly controlled by tectonic structures. Investigation of regional structures distributed in different domains of Faina greenstone belt and the meso-structures present in the main targets and mining at the region allowed the identification of a complex cluster of structural elements genetically related to thrusts system and regional folding. Through descriptive and kinematic analysis it was possible to identify six successive deformational phases, generated in at least three different deformational events. The first E1 event, probably Paleoproterozoic, is characterized by three progressive deformational phases, D1, D2 and D3, developed in a ductile to ductile-ruptile regime. The D1 phase is marked by schistosity parallel to sedimentary bedding. The structures attributed to D2 deformation phase are the most prominent structural features of the Faina greenstone belt. They were generated in a ductile regime and include folding at diverses scales (F2), axial plane foliation (S2), mylonitic foliation (Sm2), stretch lineation (Le2) and intersection lineation (Li2). Allied to these features, a complex system of NW-SE regional thrusts was observed, associated with reverse shear zones with kinematic indicators indicating tectonic transport from south to north. Phase D2 evolves into NW-SE strike-slip shear zones, interpreted as tectonic escape during phase D3. The E2 event, which is ductile-ruptile in nature, has a neoproterozoic age and is characterized by two deformational phases D4 and D5. The main D4 phase structure is the Faina Fault, a NE dextral directional regional fault that separates the Faina and Serra de Santa Rita greenstone belts. The D5 phase is marked by open folds developed at shallower crustal levels and present throughout the Brasília Belt. The last E3 event, represented by the brittle D6 phase, is characterized by E-W to NE-SW trending breccias and faults. The main gold mineralization control in the Faina greenstone belt is associated with D2 deformation phase. The D2 regional thrusts are the main conduits for mineralizing fluids migration that are hosted by secondary structures, where mineralization is associated with monoclinic shear zones. Mineralization occurs as free gold in quartz veins, concordant with D2 shear zones, pluging parallel to Le2 stretch lineation. The veins are structured in ramps and plateaus and the mineralization is concentrated in pressure shadows of regional sigmoidal structures, ranging from large to microscopic scale.

7
  • Gabriel Castro de Oliveira Domingues
  • MANGANÊS ASSOCIADO AO GRUPO ARAÍ E PARANOÁ NA PORÇÃO NORDESTE DO ESTADO DE GOIÁS

  • Orientador : ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MÁRCIO FERNANDO DOS SANTOS ALBUQUERQUE
  • ADRIANA MARIA COIMBRA HORBE
  • JEREMIE GARNIER
  • ROBERTO VENTURA SANTOS
  • Data: 25/11/2022

  • Mostrar Resumo
  • Pequenos depósitos de Mn ocorrem na zona externa da faixa de dobramentos Brasília, um orôgeno neoproterozoico localizado no Brasil Central. Os depósitos estão associados aos grupos Araí (Monjolo), uma bacia tipo rift de idade paleoproterozoica, e Paranoá (Minaçu, Raizama, Niquelândia, Pedra Preta, Fortaleza, Vãozinho, Corrente, Vereda, Formosa, Brazlândia, Formoso) uma bacia de margem cratônica de idade mesoproterozoica. Esses pequenos depósitos ocorrem em camadas, lamelas, bolsões e preenchendo fraturas e são considerados de origem supergênica. Estudos feitos por difração de raios-x, microscopia eletrônica, microssonda e análises químicas indicam a presença de pirolusita e criptomelana e em menor quantidade hausmannita e concentrações mais altas de U, Tl e Sr, baixas razões Co/Zn e altas razões (La/Yb)Eu/Eu* naquele associado ao Grupo Araí. Romanechita, hollandita, litioforita, criptomelana e pirolusita e concentrações mais altas de Al2O3, Ba, Co, Cu, Ni, maior variação dos ETR, além de baixas razões (La/Yb)são as características daqueles associados ao Grupo Paranoá. Análise estatística dos dados (análise de componente principal) identificou que as variações químicas naqueles do Grupo Paranoá estão relacionadas a intensidade da atividade supergênica que forma romanechita e litioforita nos estágios mais avançados à medida que concentra Al, Ba, Co, Cu, Ni e Zn. Entretanto, a presença de hausmannita e as características geoquímicas (baixas razões Co/Zn e altas razões (La/Yb)Eu/Eu*) indicam contribuição hidrotermal para o do Grupo Araí. As menores razões (La/Yb)podem estar associadas a alteração supergênica e ao fracionamento nos isótopos de Sm e Nd, além dos valores mais radiogênicos de isótopos de Sr. As razões de 208Pb/206Pb e 207Pb/206Pb não variam com as razões (La/Yb)e apresentam valores elevados de 206Pb/204Pb nas amostras MJ1 e RZ1. Os valores εNd e TDM indicam fonte continental antiga.


  • Mostrar Abstract
  • Small Mn deposits occur in the external zone of Brasilia fold belt, a Neoproterozoic orogen located in Central Brazil. The deposits are associated with the Arai Group (Monjolo) a Paleoproterozoic rift basin and Paranoa group (Minaçu, Raizama, Niquelandia, Pedra Preta, Fortaleza, Vãozinho, Corrente, Vereda, Formosa, Brazlândia, Formoso) a cratonic margin basin of Mesoproterozoic age. These small deposits occur as layers, plates, fillings in pockets and fractures and are considered of supergenic origin. Studies carried out by X-ray diffraction, SEM, EPMA and chemical analysis indicate the presence of pyrolusite, cryptomelane and, to a lesser extent, hausmannite together with higher concentrations of U, Tl and Sr, Co/Zn ratios and high ratios (La/Yb)and Eu/Eu* in the one associated with the Arai Group. Romanechite, hollandite, lithiophorite, cryptomelane and pyrolusite and higher concentrations of Al2O3, Ba, Co, Cu, Ni, greater variation of REE, in addition to low ratios (La/Yb)are the characteristic of those associated with the Paranoa Group. Statistical analysis of the data (Principal component) identified that the chemical variations in those from Paranoa Group are related to the intensity of the supergenic activity that forms romanechite and lithiophorite in the most advanced stages as it concentrates Al, Ba, Co, Cu, Ni and Zn. However, the presence of hausmannite and the geochemical characteristics (low Co/Zn ratios and high (La/Yb)N and Eu/Eu*) indicates a hydrothermal contribution to the Arai Group. The lower ratios (La/Yb)may be associated with supergenic alteration and fractionation in Sm and Nd isotopes, in addition to the more radiogenic values of Sr isotopes.
    The 
    208Pb/206Pb and 207Pb/206Pb ratios do not vary with the (La/Yb)ratios and present high values of 206Pb/204Pb in samples MJ1 and RZ1. The εNd and TDM values indicate ancient continental source.

Teses
1
  • Ítalo Lopes de Oliveira
  • Estudo do sistema Nefelina-Kalsilita em rochas vulcânicas da Província Alcalina de Goiás (GAP), Brasil Central.

  • Orientador : JOSE AFFONSO BROD
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • JOSE AFFONSO BROD
  • PAOLA FERREIRA BARBOSA
  • REINER NEUMANN
  • SERGIO DE CASTRO VALENTE
  • Data: 30/08/2022

  • Mostrar Resumo
  • A Província Alcalina de Goiás (GAP em inglês) engloba uma grande variedade de rochas vulcânicas alcalinas máficas e félsicas. Os estudos anteriores, na sua maioria, se concentraram em mapeamento geológico, na caracterização petrográfica, e em estudos de geoquímica de rocha total. Uma investigação detalhada sobre a química mineral, principalmente no que diz respeito ao sistema nefelina-kalsilita ainda está por ser realizada. Tais minerais são de enorme relevancia para os modelos petrogenéticos sobre a gênese da GAP. Neste contexto, um estudo sistemático está sendo conduzido com o objetivo de melhor entender a presença incomum de nefelina e kalsilita juntos em algumas dessas rochas vulcânicas, bem como a sua importância para o entendimento a respeito da origem desse magmatismo alcalino na região central do Brasil. Desta forma, a amostragem concentrou-se em rochas de granulação fina (lavas, diques, sills e plugs) de modo a ter a maior representatividade possível dos magmas que originaram a GAP. A petrografia detalhada possibilitou individualizar ao menos dois grupos distintos de rochas vulcânicas: (1) rochas máficas sem feldspatos, e (2) rochas máficas e félsicas com feldspatos. De acordo com o objetivo proposto inicialmente, o estudo concentrou em detalhar as características texturais e composicionais dos minerais de interesse (nefelina e kalsilita) somente nas rochas livres de feldspatos. Os resultados mostram que a nefelina potássica é o principal mineral félsico na matriz das rochas estudadas. Tanto a nefelina potássica quanto a kalsilita se formaram a partir do magma. Além disso, observou-se que tais rochas vulcânicas não podem ser nomeadas segundo nenhum dos esquema vigentes. Desta forma, foi proposto um novo sistema de nomenclatura para rochas vulcânicas com kalsilita. A composição da nefelina encontrada neste estudo permitiu ampliar consideravelmente o entendimento sobre as soluções sólidas de nefelina ricas em potássio. Ademais, a rara associação entre nefelina e kalsilita primárias sugere que os modelos para a origem da GAP devem ser revisados.


  • Mostrar Abstract
  • The Goiás Alkaline Province comprises a wide variety of alkaline mafic and felsic volcanic rocks. Most of the earlier researches emphasised field mapping, petrography, and bulk rock geochemistry. Detailed mineral chemistry is still lacking, particularly in regard to those from the nepheline-kalsilite system, which have guided the current view about the genesis of the GAP magmas. In view of that, a systematic study is being carried out to better understand the uncommon coexistence of nepheline and kalsilite in some of these volcanic rocks, and their significance for the source and origin of this alkaline magmatism in central Brazil. Sampling was focused on gather volcanic and subvolcanic rocks through the province representative of parental magmas. A careful petrographic study permitted to recognize at least two distinct groups: feldspar-free mafic rocks and feldspar-bearing mafic and felsic rocks. Based on the proposed initial objective, the study was focused on detailing the textural and compositional characteristics of the minerals of interest (nepheline and kalsilite) in the feldspar-free mafic rocks only. The results show that potassic nepheline is the dominant groundmass felsic phase of the feldspar-free volcanic rocks and it has a primary magmatic origin as kalsilite. These volcanic rocks cannot be properly named by strictly following any of the current systems. Hence, it has been proposed a new nomenclature scheme. Furthermore, the variations in the composition of potassic nepheline that occurs in the GAP feldspar-free volcanic rocks expand considerably the current understanding about the nepheline solid solutions in nature. At last, the rare mineral assemblage with nepheline and kalsilite as primary igneous phases suggests that the parental magma(s) as well as the mantle source(s) of the GAP feldspar-free alkaline rocks should be somewhat different from that currently hypothesised (i.e. predominantly potassic rather than ultrapotassic / kamafugite).

2
  • Juliana Rezende de Oliveira
  • EMBASAMENTO PRÉ-MESOZOICO DOS TERRENOS AREQUIPA E ANTOFALLA: IMPLICAÇÕES GEODINÂMICAS E GERAÇÃO DE ARCOS MAGMÁTICOS NA REGIÃO BOLÍVIA-CHILE.

  • Orientador : NATALIA HAUSER
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • CÉSAR CASQUET MARTÍN
  • LUIS GUSTAVO FERREIRA VIEGAS
  • NATALIA HAUSER
  • VICTOR ALBERTO RAMOS
  • Data: 02/09/2022

  • Mostrar Resumo
  • Na região dos Andes Centrais, especificamente na costa oeste da América do Sul, duas exposições do embasamento pré-andino, uma no Cerro Uyarani, na Bolivia e outra perto de Belén, no Chile, registram a história tectono-magmática e metamórfica do Paleoproterozoico, Mesoproterozoico a Neoproterozoico e Ordoviciano do embasamento pre-gondwanico. O estudo destas áreas de suma importância pois nestes terrenos está registrada a história de evolução da parte oeste da América do sul. O embasamento Paleoproterozoico do terreno Arequipa (18ºS a 14ºS) ocorre desde a costa oeste do Peru até o Altiplano boliviano. Este embasamento está exposto no Cerro Uyarani, no departamento de Oruro, Bolívia. O Complexo Metamórfico Cerro Uyarani (CMCU), este trabalho, é constituído por litotipos félsicos e máficos metamorfizados em fácies granulito. Este Complexo tinha sido considerado um fragmento de crosta continental afetado por eventos magmáticos e metamórficos de alto grau no Paleoproterozoico, e de mais baixo grau no Mesoproterozoico a Neoproterozoico. Nossos novos dados U-Pb (LA-ICP-MS) em zircão e dados inéditos de isotópicos de Hf revelam uma história distinta. O estudo de texturas de zircão combinados com as idades U-Pb revela dois eventos principais, um durante o Paleoproterozoico, revelado pelos núcleos de zircão magmático de 1.81-1.75 Ga, e raros núcleos metamórficos de 1.88 Ga e um segundo evento Mesoproterozoico, durante o qual os núcleos antigos foram recristalizados. Este segundo evento está caracterizado por um primeiro ciclo de migmatização do embasamento, em 1,19–1,17 Ga. . O segundo ciclo, em ~1,1–1,0 Ga, é registrado em bordas metamórficas e em novos cristais de zircão metamórfico pela transformação do embasamento migmatítico em fácies granulitos. Os dados isotópicos combinados U-Pb e Hf sugerem que o CMCU fazia parte da porção mais ao sul do terreno Arequipa pelo menos desde os ~1,74 Ga, acrescido ao terreno Paraguá e Cráton Amazônico em 1,19–1,17 Ga. O evento 2 é caracterizado por uma fase acrescionária - ciclo 1 seguido por uma fase colisional - ciclo 2 - no qual as condições de metamorfismo foram elevadas para fácies granulito. Os dados de U-Pb e εHfT em zircão apresentam similaridade com terreno Arequipa, do terreno Rio Apa, do SW do Cráton Amazônico e outros inliers grenvillianos.

    O Complexo Metamórfico Belén é caracterizado principalmente por ortognaisses, seguidos de xistos, rochas ultramáficas e diques máficos e félsicos alojados ao longo deu uma faixa de aproximadamente ~20 Km, de direção NNW-SSE. Os dados de U-Pb/Hf (LA-ICP-MS) nos zircões destes litotipos permitem delinear a história evolutiva relacionada ao magmatismo Famatiniano

    nesta região. O magmatismo teve um pico entre 470 e 464 Ma com a geração de quartzo monzodioritos, granodioritos e tonalitos que foram intrudidos por diques máficos sin-plutônicos. Essas rochas encontram-se intensamente deformadas e metamorfizadas em fácies anfibolito-alto. Os valores de εHfT indicam, como em outras áreas afetadas pelo magmatismo Famatiniano, um magmatismo juvenil com forte assimilação crustal para a região de Belén. Várias hipóteses foram postuladas para explicar como um magmatismo de fonte mantélica pode ter intensa assinatura crustal entre elas: 1) retrabalhamento de crosta antiga; 2) retrabalhamento de sedimentos subductados; ou 3) instalação do arco magmático em prisma acrescionário, todos envolvendo entrada de componente mantélico. Os poucos zircões herdados (1.97-1.95 Ga) encontrados no anfibolito e anfibólio gnaisse do CMB e os dados isotópicos de Hf sugerem o retrabalhamento do terreno Arequipa (CUMC como parte do terreno), o qual foi retrabalhado durante a Orogenia Sunsas-Grenville. O CMB representaria então um terreno retrabalhado no Mesoproterozoico intrudido por rochas plutônicas félsicas a máficas durante o Ordoviciano. Os novos dados U-Pb e os poucos dados de Hf, aportados até o momento nesta tese, são muito importantes no entendimento da evolução do Paleoproterozoico ao Ordoviciano, na parte oeste do continente sul-americano, um lugar com poucos afloramentos de embasamento.


  • Mostrar Abstract
  • In the Central Andes region, specifically on the west coast of South America, two exposures of the pre-Andean basement, in the Cerro Uyarani, in Bolivia and another near Belén, in Chile, record the tectono-magmatic and metamorphic history of the Paleoproterozoic, Mesoproterozoic, Neoproterozoic, and Ordovician pre-gondwanic basement. The study of these areas is of paramount importance because these terranes recorded the evolution history of the western part of South America. The Paleoproterozoic basement of the Arequipa terrane (18 to 14 ºS) occurs from the west coast of Peru to the Bolivian Altiplano. This basement crops out in the Cerro Uyarani area in Oruro department, Bolivia. The Cerro Uyarani Metamorphic Complex (CUMC) – this work, consists of felsic and mafic granulite facies metamorphic rocks. This exposure was recognized as a crustal fragment that experienced magmatic and high-grade metamorphic events in the Paleoproterozoic and lower-grade metamorphism in Mesoproterozoic-Neoproterozoic times. Our new zircon U-Pb (LA-ICP-MS) and first Hf isotopic data reveal a distinct geological history. The zircon textures study combined with U-Pb ages indicate two main events, one during the Paleoproterozoic, indicated by magmatic zircon cores of 1.81-1.75 Ga, and rare metamorphic cores of 1.88 Ga, and a second Mesoproterozoic event, during which the old cores were recrystallized. This second event include a first cycle with basement migmatization at 1.19–1.17 Ga. The second cycle at ~1.1–1.0 Ga recorded the transformation of the migmatitic basement into granulite facies. Hafnium and U-Pb isotopic data together suggest that the CUMC was part of the southernmost portion of the Arequipa terrane at least from ~1.74 Ga, and was added to the Paraguá terrane and Amazonian Craton at 1.19–1.17 Ga. The second event is characterized by a accretionary phase – cycle 1 - followed by a colisional phase – cycle 2 - when metamorphic conditions reached granulitic facies. The zircon U-Pb and εHfT data show similarity with the Arequipa terrane, Rio Apa terrane, SW Amazon Craton, and other Grenvillian inliers.

    The Belén Metamorphic Complex comprises mainly orthogneisses, and minor schists, ultramafic rocks, and mafic and felsic dykes emplaced along approximately 20 km extent exposure, in an NNW-SSE arrangement. The U-Pb/Hf (LA-ICP-MS) in these lithotypes zircon grains allow to trace the evolutionary history of Famatinian magmatism in this region. The magmatism flare-ups between 470 and 464 Ma with generation of quartz monzodiorite, granodiorite, and tonalite intruded by syn-plutonic mafic dikes. These rocks are intensely deformed and metamorphosed

    to upper amphibolite grade. The εHfT values indicate, as in other areas affected by Famatinian magmatism, juvenile magmatism with high crustal assimilation to the Belén region. Several hypotheses have been postulated to explain how a mantle source magmatism can have an intense crustal signature among them: 1) reworking of old crust; 2) reworking of subducted sediments; or 3) installation of the magmatic arc in an accretionary prism, all involving mantle component input. A few inherited zircon grains (1.97-1.95 Ga) from amphibolite and amphibole gneiss of the CMB and the isotopic Hf data suggest reworking of the Arequipa terrane (CUMC being considered as part of this terrane), which was reworked during the Sunsas-Grenville Orogeny. Then, the BMC would represent a Mesoproterozoic reworked terrane intruded by felsic to mafic plutonic rocks during the Ordovician. The new U-Pb data and the few Hf data provided so far in this thesis are very important to the understanding of the tectonic evolution from the Paleoproterozoic to the Ordovician in the western part of the South America, a place with few basement outcrops.

3
  • Cláudia Tharis Augustin
  • Petrogenesis of Mafic-ultramafic Intrusions in the Southern Goiás Magmatic Arc, Central Brazil.

  • Orientador : MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA EMILIA SCHUTESKY
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • CESAR FONSECA FERREIRA FILHO
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • JAMES E MUNGALL
  • FRED GAIDIES
  • DANIEL GREGOIRE
  • MICHAEL LESHER
  • Data: 06/09/2022

  • Mostrar Resumo
  • Os Complexos Americano do Brasil e Mangabal pertencem a um aglomerado de intrusões máfico-ultramáficas neoproterozoicas no sul do Arco Magmático de Goiás, que se encontra na Faixa Brasília. A Faixa Brasília é um Orógeno Neoproterozóico complexo e de longa duração que se formou durante o amalgamento dos crátons São Francisco/Congo, Amazônia e Paranapanema no oeste do Gondwana. Embora deformados e parcialmente recristalizado devido ao efeito do metamorfismo regional, as rochas de ambos os complexos ainda preservam texturas ígneas. Ambos apresentam texturas cumuláticas que variam de adcumulados a ortocumulados. Petrografia, geoquímica, geocronologia e modelagem petrológica foram realizadas para melhor compreender a petrogênese dos complexos.

    O modelamento indica que o magma parental do Complexo Americano do Brasil tinha uma composição picrítica rica em ferro, com assinatura semelhante à OIB, enquanto o modelamento indica que o magma parental do Complexo Mangabal poderia ter sido semelhante à um basalto toleítico. Considerando as correlações temporais e espaciais, uma fusão por descompressão da ascensão da astenosfera desencadeada por uma regressão da placa subductante e/ou influência de uma pluma mantélica são fontes plausíveis para explicar a petrogênese dessas intrusões máfico-ultramáficas próximo ao limite leste do arco Arenópolis e parte oeste do Complexo Anápolis-Itauçu. Os complexos foram afetados por um metamorfismo regional com picos indicando pelo menos fácies anfibolito. As rochas de ambos os complexos apresentam alteração posterior associada ao metassomatismo por fluidos ricos em CO2-Ca-S.


  • Mostrar Abstract
  • The Americano do Brasil and Mangabal Complexes belong to a cluster of Neoproterozoic mafic-ultramafic intrusions in the southern Goiás Magmatic Arc in Brazil that lies within the Brasília Belt, a complex, long-lived Neoproterozoic Orogen that formed during the amalgamation of the São Francisco/Congo, Amazonian, and Paranapanema Craton in western Gondwana. Although deformed and partially recrystallized by a regional metamorphic overprint, the rocks of both complexes still preserve igneous textures. The rocks in both complexes show cumulate textures that range from adcumulate to orthocumulate. Petrography, geochemistry, geochronology, and petrological modeling were carried out to constrain the petrogenesis of the complexes.

    Modeling indicates that the parental magma for the Americano do Brasil Complex had an OIB-like Fe-rich picrite composition, while the parental magma of the Mangabal Complex could have been a tholeiitic basalt. Considering the temporal and spatial correlations, decompression melting of upwelling asthenosphere triggered by rollback subduction and/or influence of a mantle plume are plausible sources to explain the petrogenesis of these mafic-ultramafic intrusions in the vicinities of the eastern Arenópolis arc and westernmost Anápolis-Itauçu belt. The complexes have experienced a protracted metamorphic evolution with peaks indicating amphibolite facies. The rocks from both complexes shows posterior alteration associated with metasomatism by CO2-Ca-S-rich fluids.

4
  • Rhander Taufner Altoé
  • Localização da deformação na crosta oceânica inferior: o Complexo de Núcleo Metamórfico do Atlantis Bank, Sudoeste da Cordilheira Índica - Expedição IODP 360.

  • Orientador : LUIS GUSTAVO FERREIRA VIEGAS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ANDREA TOMMASI
  • CAIO ARTHUR SANTOS
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • LEONARDO EVANGELISTA LAGOEIRO
  • LUIS GUSTAVO FERREIRA VIEGAS
  • Data: 09/09/2022

  • Mostrar Resumo
  • Falhas de detachment têm sido hipotetizadas como a principal estrutura que permite acreção crustal
    em dorsais meso-oceânicas de espalhamento lento, levando à exumação de rochas da crosta inferior,
    intercaladas com agregados primitivos do manto superior, denominados de complexos de núcleo
    metamórfico oceânicos (OCC). Embora diversos modelos propõem um contraste reológico que
    permite a nucleação de falhas de detachment em profundidade, a interação entre deformação e
    transformação mineral assistida por fluidos durante milonitização e exumação de OCC ao longo das
    falhas de detachment ainda é pouco compreendida. Particularmente, o papel de zonas de cisalhamento

    dúcteis em profundidade como condutos para percolação de fluidos, favorecendo interação fluido-
    rocha e transformação mineral, ainda é controverso. Logo, a influência dos fluidos nos processos

    pelos quais a deformação se localiza na crosta oceânica, e seu impacto no comportamento mecânico
    da litosfera, precisa ser melhor investigado.
    Nesta contribuição, investigamos os processos de localização da deformação na crosta oceânica
    inferior através de uma análise tectono-metamórfica detalhada em gabro milonitos do complexo de
    núcleo metamórfico do Atlantis Bank (Sudoeste da Cordilheira Índica), recuperados no furo U1473A,
    alvo da Expedição IODP 360. Nosso objetivo é melhor compreender os mecanismos de deformação
    responsáveis pelo soerguimento da porção de alta temperatura da crosta oceânica através de zonas de
    cisalhamento, levando em conta a influência dos fluidos no enfraquecimento mecânico da litosfera.
    Nossos resultados mostram que milonitos em zonas de cisalhamento gabróicas localizam a
    deformação em condições de fácies granulito por uma combinação de fragmentação mecânica e fluxo
    viscoso (e.g., fluências por deslocamento e difusão) na presença de fluidos. Interação-fluido rocha
    promove enfraquecimento mineral e formação de anfibólio, favorecendo mistura de fases e mantendo
    fluência por difusão. Reações metamórficas assistidas por fluidos são mais pervasivas e localizadas
    em rochas intensamente deformadas (i.e., ultramilonito), indicando um feedback positivo entre
    deformação e metamorfismo. Nossos resultados indicam que fluidos contribuem para o
    desenvolvimento de zonas de cisalhamento em rochas gabróicas anidras, e desempenham um papel
    crucial no comportamento mecânico da crosta oceânica inferior. Desse modo, a reologia dessa porção
    da litosfera seria melhor modelada a partir de leis de fluxo aplicadas em agregados poliminerálicos,
    levando em conta o papel da água promovendo mecanismos de enfraquecimento mineral. Tais
    interações fluido-rocha são complexas e indicam a forma como a deformação é distribuída na base
    dos complexos de núcleo metamórfico oceânicos durante falhamento de detachment e exumação do
    limite crosta inferior/ manto superior.


  • Mostrar Abstract
  • Detachment faulting has been hypothesized as the main process of tectonic spreading in slow-
    spreading mid-ocean ridges, leading to exhumation of lower crustal rocks interlayered with pristine

    upper-mantle aggregates through large-scale normal faulting, namely ocean core complexes (OCC).
    Although many models have been proposed for the rooting of detachments and the exhumation of
    ocean core complexes, the interplay between deformation and fluid-assisted metamorphic reactions
    during mylonitizatin and unroofing of OCC is still poorly constrained. Particularly, the role of ductile
    shear zones at depth and their potential pathways for melt and/or fluids in enhancing phase
    transformation during large-scale faulting is still contentious. Thus, the influence of fluids on the
    modes which strain is localized in the oceanic crust is yet to be constrained in terms of their impact
    on the mechanical behavior of the lithosphere.
    In this contribution, we have investigated the mechanical characteristic of lower crustal rocks through
    a detailed tectono-metamorphic analysis of gabbro mylonites recovered in the hole U1473A from the
    Atlantis Bank ocean core complex, Southwest Indian Ridge (IODP Expedition 360), to better
    understand strain localization processes during uplift of the high-temperature ocean crust, taking into
    account the influence of fluids as a potential weakening mechanism.
    We have shown that mylonites in gabbroic shear zones localize deformation at granulite facies
    conditions by a combination of mechanical fragmentation and viscous flow (e.g., dislocation and
    diffusion creep) in the presence of fluids. The percolating fluids promote syn-kinematic hydration
    reaction products (i.e., amphibole), and the amount of amphibole produced is intimately linked to the
    degree of strain the rock experienced. Our results evidence that fluids contribute to the development
    of fine-grained shear zones in ‘dry’ gabbroic rocks and play a crucial role on the overall mechanical
    behavior of the lower oceanic crust. Hence, the rheology of the lower crust at slow-spreading ridges
    would be best modeled with flow laws for polymineralic aggregates, taking into account the role of
    water in promoting reaction-softening. Such fluid-rock interactions are complex and indicate the way
    strain is distributed in the footwall of oceanic core complexes during large-scale, detachment faulting
    and exhumation of the lower crust/upper mantle boundary.

5
  • Luis Gomes Carvalho
  • Compartimentação Estratigráfica e Estrutural do Sistema Aquífero Urucuia Como Subsídio a Gestão dos Recursos Hídricos na Região Oeste do Estado da Bahia

  • Orientador : JOSE ELOI GUIMARAES CAMPOS
  • MEMBROS DA BANCA :
  • ADALENE MOREIRA SILVA
  • GERSON CARDOSO DA SILVA JUNIOR
  • JOSE ELOI GUIMARAES CAMPOS
  • MÁRCIA TEREZA PANTOJA GASPAR
  • WELITOM RODRIGUES BORGES
  • Data: 16/09/2022

  • Mostrar Resumo
  • Esta tese tem porobjetivo estudar a estruturação e evolução da Sub-Bacia Urucuia dando ênfase às suas porções central e norte, bem como agregar informações da região de sobreposição da Bacia Sanfranciscana à Bacia do Parnaíba, trecho comum situado entre o Alto do São Francisco e o Lineamento Transbrasiliano. A Sub-Bacia Urucuia comporta o Sistema Aquifero Urucuia, um importante aquífero brasileiro que recobre 65% da região oeste do Estado da Bahia e se estende em porções menores aos estados do Piauí, Tocantins, Goiás e Minas Gerais. Para atender ao objetivo proposto foram elaborados três artigos que apresentam: i) uma revisão e atualização da morfotectônica gerada por reativações de blocos cratônicos com registros do Neoproterozoico ao Holoceno que deram origem a depressão responsável pela instalação e segmentação da Bacia Sanfranciscana e as reativações neotectônicas que fraturaram as rochas silicificadas do Grupo Urucuia; ii) mapa potenciométrico obtido com a aplicação de interpolação por Krigagem Ordinária no qual foram identificados 4 divisores hidrogeológicos responsáveis pela subdivisão do Sistema Urucuia Central em sub-bacias hidrogelógicas; iii) processos rasos de abatimentos (sinkholes) que predominam na porção norte da Sub-Bacia Urucuia ocasionando acidentes com veículos, máquinas/implementos e restringido áreas ao cultivo, os quais foram associados a evolução de tubos subterrâneos que se formam na interface dos latossolos da Formação Chapadão com as rochas silicificadas e intensamente fraturadas da Formação Serra das Araras situadas na abrangência da Faixa Rio Preto, e iv) processos de abatimentos profundos que geram grandes depressões mapeadas na região sobre influência da Faixa Rio Preto e outras depressões menores na região do Alto do Rio Grande, relacionadas respectivamente às reativações tectônicas de duplex extensionais e ao carreamento de sedimentos friáveis da Formação Posse bem como a dissolução das rochas carbonáticas do Grupo Bambuí, dando origem às bacias que geram o colapso das coberturas sedimentares neocretáceas e holocênicas. Os dados geofísicos integrados às informações derivadas de geoprocessamento e de campo mostram que a deposição na Sub-Bacia Urucuia sempre foi controlada pela estruturação do embasamento, com reativações e acomodações de feições existentes desde o Proterozoico. As manifestações neotectônicas evidenciadas na porção norte da Bacia Sanfranciscana são passíveis de aumento de frequência quando associadas ao stress compressional exercido pela expansão da cadeia mesoatlântica e o soerguimento da cadeia andina transmitidos pelas descontinuidades do embasamento que convergem para sua porção norte-noroeste marcadas pelos lineamentos Tocantins-Araguaia, Transbrasiliano, Senador Pompeu, Patos e Pernambuco. Estes resultados confirmam a existência de descontinuidades hidrogeológicas do Sistema Aquífero Urucuia Central associadas à morfotectônica e permite a correlação da morfologia superficial e subterrânea regionalmente com base no mapa potenciométrico, contribuindo para melhor definição de ações relacionadas à gestão dos recursos hídricos. A determinação dos sistemas de fluxo em compartimentos é importante para a futura gestão do Sistema Aquífero Urucuia, de forma que os compartimentos e os divisores hidrogeológicos, em conjunto com os diferentes subtipos de aquíferos devem ser considerados nos processos de gerenciamento, com aplicação de ações distintas para cada aquífero e respectivo compartimento. A cobertura colúvio-aluvionar da Formação Chapadão tem mostrado comportamento colapsível o que favorece a ocorrência de abatimentos evidentes nas áreas agrícolas e em estradas. A presença de níveis silicificados no Aquífero Urucuia é importante, pois pode definir porções do aquífero com comportamento fraturado ou de dupla porosidade e também amplia a ocorrência de abatimentos do tipo sinkhole que vêm se tornado mais frequentes.


  • Mostrar Abstract
  • This thesis aims to study the structuring and evolution of the Urucuia Sub-Basin, emphasizing its central and northern portions, as well as adding information from the overlap region of the Sanfranciscan Basin to the Parnaíba Basin, a common area located between the Alto do São Francisco and the Transbrasiliano Lineament. The Urucuia Sub-Basin comprises the Urucuia Aquifer System, an important Brazilian aquifer that covers 65% of the western region of the State of Bahia and extends in smaller parts to the states of Piauí, Tocantins, Goiás and Minas Gerais. To meet the proposed objective, three papers were purposed, presenting: i) a review and update of morphotectonics structures generated by reactivations of cratonic blocks with records from neoproterozoic to Holocene that gave rise to the depression responsible for the installation and segmentation of the Sanfranciscan Basin and the neotectonic reactivations that fractured the siliceous rocks of the Urucuia Group; ii) potentiometric map obtained with the application of interpolation by Ordinary Kriging in which 4 hydrogeological dividers responsible for the subdivision of the Central Urucuia System into hydrogelogical sub-basins were identified; iii) shallow sinkholes that predominate in the northern part of the Urucuia Sub-Basin causing accidents with vehicles, machines/implements and restricting areas to cultivation, which were associated with the evolution of underground tubes that form at the interface of the oxisols of the Chapadão Formation with the siliceous and intensely fractured rocks of the Serra das Araras Formation located in the scope of the Rio Preto Lineament, and iv) deep abatement processes that generate large depressions mapped in the region under the influence of the Rio Preto Belt and other minor depressions in the Alto do Rio Grande region, related respectively to the tectonic reactivations of extensional-extensional duplexes and the transport of friable sediments of the Posse Formation as well as the dissolution of the carbonate rocks of the Bambuí Group, giving rise to the basins that generate the collapse of the eocretaceous to Holocene sediments. The geophysical data integrated with the information derived from geoprocessing and field show that the deposition in the Urucuia Sub-Basin has always controlled by the structuring of the basement, with reactivations and accommodations of existing features since the Proterozoic. The neotectonic manifestations evidenced in the northern part of the Sanfranciscan Basin are susceptible to increase frequency when associated with the compressional stress related to the expansion of the Mesoatlantic chain and the upheaval of the Andean chain transmitted by the discontinuities of the basement that converge to its north-northwest portion marked by the Tocantins-Araguaia, Transbrasiliano, Senador Pompeu, Patos and Pernambuco lineaments. These results confirm the existence of hydrogeological discontinuities in the Central Urucuia Aquifer System associated with morphotectonics and allow the correlation of surface and underground morphology regionally based on the potentiometric map, contributing to a better definition of actions related to the management of water resources. The determination of flow systems in compartments is important for the future management of the Urucuia Aquifer System, so that the compartments and hydrogeological dividers, together with the different subtypes of aquifers should be considered in the management processes, with the application of different actions for each aquifer and its compartment. The coluvium-alluvial coverage of the Chapadão Formation has shown collapsible behavior, which favors the occurrence of evident abatements in agricultural areas and on roads. The presence of siliceous levels in the Urucuia Aquifer is important, as it can define sections of the aquifer with fractured or double porosity behavior and also increases the occurrence of sinkhole abatements that have become more frequent.

6
  • Joilma Prazeres Santos
  • PETROGÊNESE DOS MACIÇOS CERAÍMA E ESTREITO E COMPARAÇÃO ENTRE O MAGMATISMO POTÁSSICO/ULTRAPOTÁSSICO DO SUDOESTE E DO LESTE DO ESTADO DA BAHIA.

  • Orientador : NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • MARIA DE LOURDES DA SILVA ROSA
  • ANTÔNIO MISSON GODOY
  • CATARINA LABOURE BEMFICA TOLEDO
  • FEDERICO ALBERTO CUADROS JIMENEZ
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • Data: 03/10/2022

  • Mostrar Resumo
  • Os maciços Ceraíma e Estreito são representantes do domínio magmático alcalino potássico a ultrapotássico localizado na porção oeste do Estado da Bahia, ocupando uma área total de 6.000 km2, e registrando a história geológica de um evento magmático ocorrido no final do Paleoproterozóico, durante a orogenia Riaciana-Orosiriana no Cráton do São Francisco. Esta tese objetiva entender o cenário magmático que afetou o cráton, ampliando os horizontes para a compreensão dos processos magmáticos e o significado tectônico/crustral que envolveram os maciços Ceraíma e Estreito, foco desta pesquisa, correlacionando-os com outras ocorrências magmáticas de idade entre 2,05 a 2,1Ga tanto na Bahia quanto no Brasil. Neste estudo, os procedimentos de mapeamento visaram identificar e destacar as diferentes fácies magmáticas com base em feições petrográficas, juntamente com dados de química mineral e litogeoquímica. As rochas de ambos os maciços têm idade aproximada de 2,05 Ga e são intrusivas em rochas gnáissicas migmatizadas e migmatitos do Complexo Santa Isabel, de idade Arqueana. A intrusão foi controlada por sistemas de falhas nas direções preferenciais N-S e NNE-SSW. A distribuição litológica em ambos os maciços consiste em fácies com composições variando de sienito a monzonito e, localmente, de monzo a sienogranito. O maciço Ceraíma é composto por cinco fácies enquanto o maciço de Estreito apresenta três faciologias distintas. As rochas preservam feições texturais indicativas de fluxo magmático, marcadas pela presença de fenocristais de feldspato alinhados. Perto das bordas do maciço Estreito, fenocristais de feldspato aparecem rotacionados sob a influência de zonas de cisalhamento, o que imprime uma fábrica milonítica nas rochas das fácies sienítica e monzonítica. Observações petrográficas indicam que os maciços apresentam uma diversidade mineralógica, que se inicia em sequência com a formação precoce de apatita, zircão e magnetita, seguida pela cristalização de piroxênios (diopsídio/augita) e microclínio, e uma geração tardia de anfibólios (edenita e magnésio). -hornblenda), biotita e plagioclásio (albita e andesina). Clorita, actinolita e muscovita foram identificadas como resultado de processos tardi/pós-magmáticos. O comportamento geoquímico dos maciços é caracterizado por uma assinatura alcalina potássica com alguns representantes ultrapotássicos de natureza shoshonítica, metaluminosa a fracamente peraluminosa. Assinaturas geoquímicas semelhantes são encontradas em outras rochas magmáticas alcalinas da Bahia, como a Fácies Guanambi, a oeste, e o maciço Santanápolis, a leste. As composições nos diagramas geoquímicos mostram tendências retilíneas de elementos maiores e traços, com enriquecimento em LREE e LILE em relação a HREE e HSFE. Os padrões de REE são fortemente fracionados e exibem anomalias negativas e positivas de európio, fracas a moderadas. Essas características sugerem que as fácies de ambos os maciços são cogenéticas entre si, assim como com a fácies Guanambi. Os padrões geoquímicos indicam uma relação genética entre os magmas parentais dos maciços de oeste e do maciço Santanápolis, originados por pelo menos dois pulsos magmáticos, que formaram os sienitos e os monzonitos. Os dados geoquímicos e a relação com o cenário tectônico regional apontam para um magmatismo pós-colisional, evidenciado pelas anomalias negativas de alguns elementos-traço (Ta, Nb e Ti) e pelo intervalo de tempo entre a idade de intrusão (2,05 Ga.) e a idade de pico do metamorfismo regional (2,09 a 2,1 Ga.).


  • Mostrar Abstract
  • The Ceraíma and Estreito massifs are representatives of the alkaline potassic to ultrapotassic magmatic domain located in the western portion of the Bahia State, occupying a total area of 6,000 km2, and recording the geological history of a magmatic event that took place at the end of the Paleoproterozoic during the Rhyacian-Orosirian orogeny within the São Francisco Craton. This work aims to understand this magmatic scenario and how it affected the craton, expanding the horizons for the understanding of the magmatic processes and the tectonic/crustal significance of the Ceraíma and Estreito massifs, , and establishing a correlation with other magmatic units between 2.05 and 2.1 Ga in age, both in the Bahia State and Brazil. In this study, mapping procedures aimed to identify and single out the different magmatic facies based on petrographic features along with mineral chemistry and lithogeochemical data. The rocks of both massifs are approximately 2.05 Ga in age, and are intrusive in migmatized gneissic rocks and migmatites of the Santa Isabel Complex, of Archean age. Intrusion was controlled by fault systems in the preferred N-S and NNE-SSW directions. The lithological distribution in both massifs consists of facies with compositions varying from syenite to monzonite and, locally, monzo- to syenogranite. The Ceraíma massif consists of five facies whereas the Estreito massif displays three distinct faciologies. The rocks preserve textural features indicative of magmatic flow, marked by the presence of aligned feldspar phenocrysts. Near the edges of the Estreito massif, feldspar phenocrysts appear rotated under the influence of shear zones, which imprints a mylonitic fabric to the rocks of syenitic and monzonitic facies. Petrographic observations indicate that the massifs exhibit a mineralogical diversity, which starts in sequence with the early formation of apatite, zircon and magnetite, followed by the crystallization of pyroxene (diopside/augite) and microcline, and a late generation of amphibole (edenite and magnesio-hornblende), biotite and plagioclase (albite and andesine). Chlorite, actinolite and muscovite were identified as a result of late- to post-magmatic processes. The geochemical behavior of the massifs is characterized by an alkaline potassic signature with some ultrapotassic representatives of shoshonitic, metaluminous to weakly peraluminous nature. Similar geochemical signatures are found in other alkaline magmatic rocks in Bahia, such as the Guanambi Facies to the west, and the Santanápolis massif to the east. The compositions in geochemical diagrams show rectilinear trends of both major and trace elements, with enrichment in LREE and LILE in relation to HREE and HSFE. REE patterns are strongly fractionated and display weak to moderate negative to positive europium anomalies. These characteristics suggest that the facies of both massifs are cogenetic with each other, as well as with the Guanambi facies. The geochemical patterns indicate a genetic relationship between the parent magmas of the western massifs and the Santanápolis massif, originated by at least two magmatic pulses, which formed the syenites and the monzonites. The geochemical data suggest a post-collisional setting for the magmatism, as highlighted by the negative anomalies of some trace elements (Ta, Nb and Ti) and by the time gap between the age of intrusion (2.05 Ga.) and the age of peak regional metamorphism (2.09 to 2.1 Ga.).

7
  • Giulia Guimarães Barbosa Trivelli
  • EVOLUÇÃO MAGMÁTICA DA ASSOCIAÇÃO CHARNOCKITO-GRANITO ALTO CANDEIAS, MESOPROTEROZOICO DO SW DO CRATON AMAZÔNICO.

  • Orientador : VALMIR DA SILVA SOUZA
  • MEMBROS DA BANCA :
  • DAVIS CARVALHO DE OLIVEIRA
  • ELTON LUIZ DANTAS
  • MOACIR JOSE BUENANO MACAMBIRA
  • NILSON FRANCISQUINI BOTELHO
  • VALMIR DA SILVA SOUZA
  • Data: 07/10/2022

  • Mostrar Resumo
  • O Estado de Rondônia hospeda, em sua região centro-norte, um volumoso magmatismo granítico rapakivi, de idade Meso- ao Neoproterozóico, formado durante sucessivos episódios, ocorridos entre 1610 e 950 Ma, os quais constituem a chamada Província Estanífera de Rondônia (PER). Esse magmatismo tem sido subdividido em suítes intrusivas, formadas por associações de stocks, plutons e batólitos polifásicos, que apresentam, em geral, assinatura geoquímica subalcalina, meta- a peraluminosa, do tipo A e de ambiente tectônico intra-placa a pós-colisional. A associação charnockito-granito do Alto Candeias está inserida na unidade regional de suíte intrusiva homônima, é um importante representante desse magmatismo granítico rapakivi polifásico na PER, e sua vasta área de exposição (cerca de 15.000 Km2) é marcada por variações faciológicas e geoquímicas que têm sido foco de acaloradas discussões petrogenéticas quanto sua origem, evolução e ambiente tectônico.As informações geológicas e geoquímicas disponíveis mostram que o batólito Alto Candeias é dominado pela associação rapakivi sieno a monzogranítica apresentando assinatura meta- a peraluminosa, subalcalina, tipo A2 e pós-colisional. Estas rochas são circundadas por litologias de charnockitos com características metaluminosas e cálcio-alcalinas (I e A) mostrando assinatura sin- a pós-colisional com litologias subordinadas relacionadas a rochas subvulcânicas e granitos alcalinos do tipo (A1 e A2) com assinatura intraplaca. Este volumoso magmatismo polifásico teve evolução marcada pelo processo de diferenciação principalmente controlado por cristalização fracionada de feldspatos e minerais ferromagnesianos, bem como de alguns minerais acessórios, que favoreceram o aumento progressivo do teor de HFSE e REE. Por outro lado, as litologias alcalinas Campo Novo representam os membros mais fracionados ou evoluídos identificados no magmatismo do Alto Candeias, que não seguem a tendência geoquímica do outras litologias, sugerindo uma associação plutono-vulcânica com evolução magmática distinta. Além disso, as litologias de charnockito, sienogranito e monzogranito rapakivi possuem assinatura geoquímica pós-colisional, enquanto que as litologias alcalinas de Campo Novo possuem geoquímica típica intraplaca. Os dados isotópicos disponíveis de Pb-Pb, U-Pb, Sm-Nd e Lu-Hf indicam que o magmatismo de Alto Candeias tipo CG, ocorrido entre 1357 – 1329 Ma, envolveu interação de fusão de fontes mantélicas e crustais na orogenia Rondoniano-San Ignácio (1356 – 1330 Ma). Embora não represente uma fase magmática especializada em estanho, o batólito polifásico Alto Candeias hospeda alguns pequenos depósitos polimetálicos (Sn ± Cu, Pb, As), os quais estão associados às intrusões de fases magmáticas mais jovens.


  • Mostrar Abstract
  • The State of Rondônia hosts, in its central-north region, a voluminous rapakivi granitic, of Meso-Neoproterozoic, the chematism to the event, formed during successive incidents that occurred between 1610 and 950 Ma, the focus of the Rondônia Staniferous Province (RSP). This magma has been subdivided into intrusive environments, plutonic by associations of actions, which generally present a geochemical signature, meta- to peraluminous, type A and from intra-plate to post-collisional tectonics. The Alto Candeias charnockite-granite association is part of the reginional homonymous intrusive suite unit, is an important representative of this polyphasic rapakivi granitic magmatism in the PER, and its exposure area (about 15,000 Km²) is marked by faciological and geochemical variations that have been the focus of heated petrogenetic discussions regarding its origin, evolution and tectonic environment. These rocks are surrounded by charnockite lithologies with metaluminous and calc-alkaline characteristics (I and A) showing syn- to post-collisional signature with subordinate lithologies related to subvolcanic rocks and alkaline granites of the type (A1 and A2) with intraplate signature. This voluminous polyphase magmatism had its evolution marked by the differentiation process mainly controlled by fractional crystallization of feldspars and ferromagnesian minerals, as well as some accessory minerals, which favored the progressive increase of the HFSE and REE content. On the other hand, the Campo Novo alkaline lithologies represent the most fractional or evolved members identified in the Alto Candeias magmatism, which do not follow the geochemical trend of the other lithologies, suggesting a plutono-volcanic association with distinct magmatic evolution. Furthermore, the rapakivi charnockite, syenogranite and monzogranite lithologies have post-collisional geochemical signature, while the Campo Novo alkaline lithologies have typical intraplate geochemistry. The available isotopic data of Pb-Pb, U-Pb, Sm-Nd and Lu-Hf indicate that the CG-type Alto Candeias magmatism, which occurred between 1357 – 1329 Ma, involved the interaction of fusion of mantle and crustal sources in the Rondonian- San Ignacio (1356 – 1330 Ma). Although it does not represent a specialized tin magmatic phase, the Alto Candeias polyphase batholith hosts some small polymetallic deposits (Sn ± Cu, Pb, As), which are associated with the intrusions of younger magmatic phases.

8
  • JOYCE CELERINO DE CARVALHO
  • Descrição e sistemática de novos exemplares de Crocodylomorpha e Lepidosauria da Formação Quiricó, Cretáceo Inferior da Bacia Sanfranciscana.

  • Orientador : RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • MEMBROS DA BANCA :
  • FELIPE CHINAGLIA MONTEFELTRO
  • PEDRO LORENA GODOY
  • DERMEVAL APARECIDO DO CARMO
  • JULIA KLACZKO
  • RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • Data: 27/10/2022

  • Mostrar Resumo
  • A Bacia Sanfranciscana tem se tornado o foco de muitos estudos devido à sua posição dentro do contexto paleogeográfico e cronológico. Os fósseis de vertebrados encontrados recentemente e apresentados neste trabalho se revestem de uma grande importância não apenas pelo seu ineditismo e raridade, mas também por representarem peças fundamentais para o entendimento das relações das faunas de vertebrados brasileiras e africanas durante os estágios iniciais de abertura do Oceano Atlântico Sul. Durante a realização deste trabalho, descrevemos e discutimos novas ocorrências de um notossúquio basal (crânio, esqueleto axial e apendicular, parcialmente preservados) e um lagarto Borioteiiodea (ramos anteriores direito e esquerdo do dentário) em depósitos da Formação Quiricó, da Bacia Sanfranciscana, coletados na região de Campo Azul, Estado de Minas Gerais. Essas ocorrências de crocodilomorfo e Squamata, associadas a fósseis já descritos de dinossauros saurópodos (restos ósseos) pertencentes à família Rebbachisauridae, terópodos (dentes isolados) de Carcharodontosauridae e Abelisauridae, bem como restos de peixes dipnoicos e Lepisosteidae para a mesma localidade, apontam semelhanças entre a fauna africana das Kem Kem Beds com a Formação Quiricó e contribui para um melhor entendimento da evolução e distribuição geográfica desses grupos de crocodilomorfos e Borioteiiodea que habitaram essa região durante o Cretáceo.


  • Mostrar Abstract
  • The Sanfranciscana Basin has become the focus of many paleontological studies due to its paleogeographic context and age. The vertebrate fossils recently found and presented in this work are of great importance because of their uniqueness and rarity. They also represent key pieces for understanding the relationships between Brazilian and African vertebrate faunas during the initial stages of the opening of the South Atlantic Ocean. In this work, we describe and discuss new occurrences of a basal notosuchian (skull, axial and appendicular skeleton, partially preserved) and a borioteiiodean lizard (right and left anterior dentary rami) from deposits of the Quiricó Formation, Sanfranciscana Basin, collected in the region of Campo Azul, State of Minas Gerais. These occurrences of crocodylomorphs and Squamata, associated with previously described fossils of sauropod dinosaurs (bony remains) assigned as Rebbachisauridae, isolated theropod teeth (Carcharodontosauridae and Abelisauridae), as well as remains of dipnoan fish and Lepisosteidae for the same locality, point out similarities between the African fauna of the Kem Kem Beds and the Quiricó Formation and contribute to a better understanding of the evolution and paleogeographic distribution of these groups of crocodylomorphs and Borioteiioidea that inhabited this region during the Cretaceous.

9
  • MATHEUS DENEZINE
  • TAXONOMIA DE MICROFÓSSEIS ORGÂNICOS DA FORMAÇÃO SETE LAGOAS, BRASIL: BIOESTRATIGRAFIA E PALEOBIOGEOGRAFIA DO GONDWANA DURANTE O EDIACARIANO

  • Orientador : DERMEVAL APARECIDO DO CARMO
  • MEMBROS DA BANCA :
  • CLAUDIO GAUCHER
  • JULIANA DE MORAES LEME
  • DERMEVAL APARECIDO DO CARMO
  • LUCIETH CRUZ VIEIRA
  • RODRIGO MILONI SANTUCCI
  • Data: 01/11/2022

  • Mostrar Resumo
  • A presente tese apresenta um estudo taxonômico de microfósseis de parede orgânica da Formação Sete Lagoas, Ediacariano, Grupo Bambuí, bacia do São Francisco, Brasil. Essa formação foi descrita a partir de exposições de rochas carbonáticas em sua localidade-tipo, Município de Sete Lagoas, Estado de Minas Gerais. No entanto, a seção-tipo nunca foi descrita. O presente trabalho apresenta a primeira descrição da seção-tipo da Formação Sete Lagoas e a proposta de duas seções-tipo suplementares, a partir da descrição litológica e registro fossilífero. As seções estudadas estão localizadas no Estado de Minas Gerais, sudeste do Brasil: 1. Seção-tipo, Município de Sete Lagoas; 2. Seção-tipo suplementar da PRF, Município de Sete Lagoas; 3. Seção-tipo suplementar da comunidade do Barreiro, Município de Januária; bem como no Distrito Federal: 4. Seção Fercal, Brasília. Nove espécies de microfósseis de parede orgânica foram recuperadas nas quatro seções estudadas da Formação Sete Lagoas: Germinosphaera bispinosa Mikhailova, 1986, Leiosphaeridia crassa (Naumova, 1949), Leiosphaeridia jacutica (Timofeev, 1966), Leiosphaeridia minutissima (Naumova, 1949), Leiosphaeridia tenuissima Eisenack, 1958, Leiosphaeridia ternata (Timofeev, 1966), Bambuites erichsenii Sommer, 1971, Siphonophycus robustum (Schopf, 1968) e Ghoshia januarensis nova espécie. Adicionalmente, uma espécie indeterminada de estromatólito também é relatada: Gymnosolen sp. Duas unidades bioestratigráficas foram reconhecidas na Formação Sete Lagoas ao abordar as quatro seções estudadas. Duas zonas são descritas: Zona Leiosphaeridia minutissima, uma zona diferencial inferior, Ediacariano inferior/intermediário, e a Zona Bambuites erichsenii, uma zona de amplitude, Ediacariano superior. Dados estratigráficos e taxonômicos de microfósseis de parede orgânica e dos estromatólitos descritos, indicam que a Formação Sete Lagoas foi depositada em ambiente marinho nerítico. A conexão por zona nerítica da Amazônia com outros crátons que formam o Gondwana ocidental, incluindo o cráton São Francisco, em 550 Ma é corroborada com base nas ocorrências de Bambuites erichsenii e Ghoshia januarensis, enquanto os paleocontinentes Laurentia, Báltica e Sibéria estavam separados.


  • Mostrar Abstract
  • This thesis presents a detailed taxonomic study on organic-walled microfossils from the Sete Lagoas Formation, Ediacaran, Bambuí Group, São Francisco basin, Brazil. This formation was described from carbonate expositions in its type locality, Sete Lagoas County, Minas Gerais State. However, the stratotype section was never described. The present work presents the first description of the lectostratotype section of the Sete Lagoas Formation and the proposal of two hypostratotype sections based on the lithological description and fossil record. The studied sections are located in the Minas Gerais State and the Federal District, southeast Brazil: 1. Lectostratotype section, Sete Lagoas County; 2. Hypostratotype section from the PRF, Sete Lagoas County; 3. Hypostratotype section from the Barreiro community, Januária County; 4. Fercal section, Brasília. Nine species of organic-walled microfossils were recovered in the four studied sections from Sete Lagoas Formation: Germinosphaera bispinosa Mikhailova, 1986, Leiosphaeridia crassa (Naumova, 1949), Leiosphaeridia jacutica (Timofeev, 1966), Leiosphaeridia minutissima (Naumova, 1949), Leiosphaeridia tenuissima Eisenack, 1958, Leiosphaeridia ternata (Timofeev, 1966), Bambuites erichsenii Sommer, 1971, Siphonophycus robustum (Schopf, 1968), and Ghoshia januarensis new species. Additionally, an undetermined stromatolite species is also reported: Gymnosolen sp. Two biostratigraphic units are currently recognized in the Sete Lagoas Formation, approaching all four studied sections. Two zones are described: Leiosphaeridia minutissima Zone, a lowest-occurrence interval zone, lower/mid Ediacaran, and Bambuites erichsenii Zone, a range zone, upper Ediacaran. Stratigraphic data and organic-walled microfossil taxonomy indicate that the Sete Lagoas Formation was deposited in a neritic marine environment. The connection by a neritic zone of Amazonia with other cratons that form the western Gondwana, including the São Francisco craton, in 550 Ma is corroborated based on Bambuites erichsenii and Ghoshia januarensis occurrences. At the same time, Laurentia, Baltica, and Siberia were paleocontinents apart.

SIGAA | Secretaria de Tecnologia da Informação - STI - (61) 3107-0102 | Copyright © 2006-2026 - UFRN - app32.sigaa32