RISCO E COMPLEXIDADE NAS POLÍTICAS CURRICULARES BRASILEIRAS: UMA ANÁLISE À LUZ DA SOCIEDADE DO RISCO E DO PENSAMENTO COMPLEXO
sociedade de risco; pensamento complexo; currículo; políticas educacionais; análise textual discursiva.
A pesquisa analisa como as políticas curriculares nacionais, especialmente os PCN, DCN, BNCC e o PNE, constroem sentidos sobre as noções de risco e incerteza ao tratar de temas socioambientais. O estudo parte da premissa de que esses documentos, ao definirem direitos de aprendizagem e conteúdos obrigatórios, configuram-se como dispositivos de poder-saber (Foucault, 2008), que produzem sujeitos e regulam práticas educacionais. Fundamentada nas contribuições de Beck (1992) sobre a sociedade de risco, Giddens (1991) sobre a modernidade reflexiva, e Morin (2015) sobre o pensamento complexo, a pesquisa propõe uma análise interpretativa e qualitativa, utilizando a Análise Textual Discursiva (Moraes & Galiazzi, 2007) como método. A investigação busca compreender em que medida o discurso curricular brasileiro incorpora o pensamento complexo e enfrenta as incertezas da sociedade contemporânea. A revisão de literatura identifica três racionalidades dominantes no campo da Educação em Ciências: técnica, performativa e formativa ampliada, revelando tensões entre a regulação e a formação crítica. Os documentos são tratados como artefatos discursivos que não apenas orientam práticas pedagógicas, mas produzem sentidos sobre ciência, cidadania e sustentabilidade. O estudo pretende contribuir para o aperfeiçoamento das políticas educacionais e para a consolidação de uma educação científica crítica, capaz de formar cidadãos aptos a compreender e agir diante dos riscos e incertezas socioambientais da modernidade reflexiva.