EDUCAÇÃO AMBIENTAL CRÍTICA E RACISMO AMBIENTAL: REFLEXÕES A PARTIR DO TERRITÓRIO E DA ESCREVIVÊNCIA DE ESTUDANTES DO 9º ANO DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE CEILÂNDIA (DF)
Educação Ambiental Crítica; Racismo Ambiental; Escrevivência;
Esta pesquisa investiga a articulação entre a Educação Ambiental Crítica (EAC) e o conceito de Racismo Ambiental, tomando como cenário o território de Ceilândia (DF). O objetivo central é analisar de que maneira a observação e a reflexão sobre o território vivido podem favorecer a compreensão do racismo ambiental por estudantes do 9º ano de uma escola pública local. Fundamentada em autores como Freire, Guimarães, Loureiro e Layrargues, a EAC é apresentada como uma perspectiva político-pedagógica voltada para a transformação social e o enfrentamento das injustiças socioambientais que afetam majoritariamente populações negras e periféricas.
A fundamentação teórica aprofunda o histórico da Educação Ambiental no mundo e no Brasil, as disputas entre suas macrotendências e a gênese do conceito de racismo ambiental, compreendido como a distribuição desigual de riscos e danos ambientais baseada em critérios raciais. Metodologicamente, o estudo adota uma abordagem qualitativa, centrada na elaboração e aplicação de uma Sequência Didática (SD) que utiliza a escrevivência, conceito de Conceição Evaristo, como princípio pedagógico para valorizar as narrativas e vivências dos estudantes. Os instrumentos de coleta de dados incluem observação participante, diário de campo, questionários e produções audiovisuais e textuais dos estudantes.
Para a interpretação dos resultados, utiliza-se a Análise do Discurso (AD) de linha francesa, buscando compreender como os sentidos sobre território, desigualdade e meio ambiente são produzidos pelos estudantes sob determinadas condições históricas e sociais. Espera-se que o trabalho contribua para a formação de sujeitos críticos, capazes de reconhecer as estruturas de poder que perpassam os conflitos socioambientais em seu cotidiano.