Caracterização do processo de inclusão a partir do trabalho docente em uma sala de recursos multifuncional específica para estudantes com Deficiência Visual
Ensino de Ciências; Formação Docente; Inclusão Educacional; Sala de Recursos Multifuncionais.
A presente dissertação investiga e caracteriza o processo de inclusão escolar de estudantes com deficiência visual. O estudo adota como eixo analítico o trabalho e a ótica de professores especialistas atuantes em uma Sala de Recursos para Deficientes Visuais na rede pública do Distrito Federal, com especial atenção aos desafios atrelados ao ensino de Ciências da Natureza. O problema de pesquisa fundamenta-se na lacuna existente entre as normativas legais da Educação Inclusiva e a sua efetivação no chão da escola. A investigação problematiza como a invisibilização da agência e do perfil dos docentes especialistas mascara entraves pedagógicos, sobretudo diante da alta abstração exigida pelas Ciências da Naturezas e das necessidades de adaptação metodológica para discentes cegos ou com baixa visão. De natureza qualitativa, o delineamento metodológico compreendeu um aprofundado levantamento bibliográfico e a análise dos dados obtidos pela observação participante e entrevistas semiestruturadas de forma qualitativa. A análise dos dados empíricos foi estruturada a partir de três eixos: a caracterização do perfil e dos saberes dos professores especialistas; a compreensão da anatomia e fisiologia da Sala de Recursos para Deficientes Visuais e da percepção desses educadores frente à dinâmica inclusiva. Os resultados revelam um cenário de fortes contrastes. Por um lado, o processo encontra êxito no engajamento afetivo, ético e na autoformação dos professores do Atendimento Educacional Especializado. Esses profissionais suprem as barreiras comunicacionais por meio da construção empírica de materiais didáticos adaptados (táteis e tridimensionais), fundamentais para a transposição didática das Ciências. Por outro lado, os dados expõem uma severa fragilidade institucional caracterizada pela “terceirização” da inclusão. Os resultados indicam que a SRM ocupa papel estruturante na promoção da acessibilidade, da participação e da aprendizagem de estudantes com deficiência visual. O estudo identifica estratégias pedagógicas que favorecem a autonomia discente, com destaque para a produção e adaptação de materiais didáticos e para o uso de recursos específicos no AEE. Ao mesmo tempo, evidencia desafios persistentes, como a necessidade de ampliar a formação continuada dos professores, fortalecer a articulação entre os profissionais da escola e consolidar um compromisso institucional mais amplo com a inclusão. Conclui-se que a efetivação de uma educação inclusiva e equitativa depende não apenas da existência de recursos e normativas, mas da transformação das práticas pedagógicas e das relações escolares em condições concretas de participação, aprendizagem e permanência qualificada.