Políticas e Experiências de Avaliação na Educação em Ciências
Avaliação educacional; Atos de instituição; Poder simbólico; Análise Axiológica.
A avaliação educacional ocupa lugar central nas instituições de ensino, mobilizando práticas formais e informais de julgamento, classificação e atribuição de valor. Embora o campo da avaliação educacional tenha produzido importantes reflexões acerca dos métodos, finalidades e usos da avaliação, são menos frequentes as discussões voltadas à sua natureza social e simbólica. Nesta pesquisa, propomos compreender a avaliação educacional a partir da sociologia de Pierre Bourdieu, argumentando que ela pode ser entendida como um ato de instituição, isto é, uma prática classificatória dotada de eficácia simbólica capaz de produzir efeitos sobre indivíduos, instituições e práticas. Nessa perspectiva, a avaliação não apenas descreve ou verifica aprendizagens, desempenhos e qualidades previamente existentes, mas participa ativamente da produção das realidades que pretende avaliar. Além disso, assume-se que toda avaliação mobiliza princípios de classificação socialmente produzidos, por meio dos quais determinadas formas de excelência são definidas e legitimadas. Portanto, fundamentado na sociologia de Pierre Bourdieu e mobilizando contribuições da translinguística do Círculo de Bakhtin, tomamos os enunciados avaliativos como unidade de análise e propomos um procedimento voltado à reconstrução das posições axiológicas expressas em instrumentos, interações e políticas de avaliação, articulando a investigação dos recursos discursivos mobilizados pelos enunciados às relações de poder que condicionam sua eficácia simbólica. Com isso, deslocando a atenção dos resultados da avaliação para os valores que sustentam os processos de classificação, esperamos contribuir para a investigação dos princípios de excelência instituídos pelas práticas avaliativas em diferentes contextos educacionais.