Banca de DEFESA: Cinthia Gracielly Rodrigues Caldeira

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : Cinthia Gracielly Rodrigues Caldeira
DATA : 11/12/2024
HORA: 08:00
LOCAL: Meio virtual
TÍTULO:

Evolução do gineceu em Fabaceae Lindl. abordada pela ontogênese floral


PALAVRAS-CHAVES:

anatomia floral; carpelo; desenvolvimento floral; estipe; Leguminosae; vascularização.


PÁGINAS: 194
RESUMO:

Fabaceae é a terceira maior família das angiospermas e uma das famílias mais importantes da flora mundial, por sua riqueza florística e valor econômico, ecológico, medicinal e ornamental. Grande parte das flores dessa família apresenta um pedúnculo basal que eleva o gineceu, predominantemente denominado estipe e raramente denominado ginóforo. O termo ginóforo remete a uma estrutura de natureza caulinar e origem receptacular, distinta do carpelo. Sendo assim, a natureza, origem e desenvolvimento do pedúnculo basal foram investigados neste estudo, a fim de determinar a nomenclatura adequada para designá-lo e contribuir para a melhor compreensão da evolução do gineceu em Fabaceae. Para alcançar os objetivos propostos, o presente estudo investigou 18 espécies representativas da flora brasileira, algumas com morfologias diversas do pedúnculo basal e outras que não apresentavam essa estrutura. Botões florais e flores de pelo menos dois indivíduos de cada espécie foram investigados por meio da análise do desenvolvimento sob MEV e/ou do exame anatômico e de vascularização sob microscopia de luz. Em Bowdichia virgilioides, botões florais em estágio precoce, que aparentemente ainda não apresentavam ginóforo, possuiam um cilindro vascular na base do carpelo, a partir do qual divergiam os traços vasculares do ovário. Essa região com cilindro vascular corresponde a um pequeno pedestal, visualizado abaixo da fenda carpelar, nos estágios intermediários do desenvolvimento floral. Nos estágios tardios, meristemas intercalares surgem no receptáculo, alongando a base do carpelo e consequentemente elevando o gineceu e o pedestal. A natureza caulinar e origem receptacular mostram que o pedúnculo que sustenta o gineceu de B. virgilioides corresponde a um ginóforo em sentido estrito. Por conseguinte, o estudo foi expandido para outros legumes papilionoides que apresentam ginóforo curto (Luetzelburgia auriculata), longo (Andira vermifuga, Vatairea macrocarpa e Leptolobium brachystachyum) ou ovário séssil (Zornia latifolia e Crotalaria paulina). A. hypogaea também foi investigada por sua característica distinta de alongar o ginóforo após a polinização. As espécies que possuem ginóforo apresentaram resultados semelhantes ao verificado em B. virgilioides, diferindo apenas quanto à origem do alongamento do ginóforo, por meio do crescimento intercalar. Na maioria das espécies, o crescimento intercalar ocorre no próprio pedestal basal (Andira vermifuga, Vatairea macrocarpa e Arachis hypogaea), enquanto em L. brachystachyum o meristema emerge no receptáculo. Nas espécies que não apresentam ginóforo, a fenda carpelar estende-se até a base do carpelo, não havendo formação de pedestal. Portanto, nessas espécies, os traços carpelares partem do cilindro central no receptáculo. A fim de observar se essas características são contantes em outras subfamílias de Fabaceae, o estudo foi estendido para Caesalpinioideae (Enterolobium timbouva, Paubrasilia echinata, Libidibia ferrea e Moldenhawera emarginata). A anatomia do receptáculo, ginóforo e carpelo também foi avaliada em outras espécies de diferentes subfamílias, incluindo uma representante cercidoide e uma detarioide (Bauhinia acuruana, Hymenaea stigonocarpa, Chamaecrista repens, Senna macranthera, S. silvestris e Eriosema glabrum). Em todas as espécies analisadas os resultados foram semelhantes aos obtidos inicialmente em papilionoides. Morfologicamente, o ginóforo das leguminosas é bastante diverso, mas uniformemente, sua natureza é caulinar, divergindo da natureza carpelar do ovário, semelhante à folha. No ápice do ginóforo, os traços carpelares partem do cilindro vascular, mas nas espécies que não possuem um ginóforo os traços divergem no receptáculo. O ginóforo inicia como um pedestal, visualizado abaixo da fenda carpelar, nos estágios intermediários do desenvolvimento. Seu alongamento ocorre por crescimento intercalar, nos estágios tardios, com origem no pedestal basal ou no receptáculo. O pedestal basal é uma extensão do receptáculo e, por isso, o ginóforo que se origina dele também possui natureza caulinar. Diante do exposto, concluimos que ginóforo é o termo adequado para designar o pedúnculo que sustenta o ovário das leguminosas. Aproveitando os dados morfoanatômicos e de desenvolvimento gerados no presente estudo e nos diversos estudos de ontogenia floral, revisamos as características do gineceu e ginóforo em Fabaceae. Além disso, caracteres morfo-anatômicos e do desenvolvimento floral na totalidade foram discutidos em um contexto filogenético atualizado. Os caracteres anatômicos são mais conservados do que os morfológicos. Em geral, a morfologia não é um indicador preciso de parentesco evolutivo, mas é resultado de convergência evolutiva, evidenciando a capacidade de adaptação da família, que possibilitou a conquista de ambientes diversos. Fatores ambientais, sobretudo relacionados à polinização, interferem no meristema floral, causando mudanças sutis no desenvolvimento, que, por sua vez, provocam alterações na morfologia floral.


MEMBROS DA BANCA:
Externa à Instituição - SIMONE DE PÁDUA TEIXEIRA - USP
Interno - ***.879.211-** - MARCELO FRAGOMENI SIMON - UOX
Externa à Instituição - MARIANA MACIEL MONTEIRO - UFGD
Interna - 2445697 - REGINA CELIA DE OLIVEIRA
Presidente - 1549282 - SUELI MARIA GOMES
Notícia cadastrada em: 25/11/2024 14:14
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