Análises fisiológicas e bioquímicas do trigo (Triticum aestivum L) em situação de estresse hídrico.
trigo, déficit hídrico, metabolismo
O Brasil é o nono maior consumidor mundial de trigo (Triticum aestivum L), mas não produz o suficiente para atender à demanda, o que significa que o aumento da produção é necessário para garantir a autossuficiência. O trigo pode ser cultivado durante a entressafra ou sob irrigação no Cerrado brasileiro, mas é suscetível a condições de déficit hídrico. Portanto, é importante o desenvolvimento de genótipos de trigo com maior tolerância ao estresse e eficiência no uso da água. Para entender como o estresse hídrico afeta a fisiologia e o metabolismo do trigo no campo, o genótipo PF020037 foi plantado na Embrapa Cerrados em 2022 e 2023. Da emergência ao estágio de perfilhamento, as irrigações foram homogêneas e, após essa fase, uma barra com aspersores com diferentes vazões foi usada para produzir um gradiente de 100%, 83%, 50% e 30% de reposição da perda de água pela transpiração. A análise de trocas gasosas em 2023 confirmou que níveis mais baixos de irrigação resultaram em diminuição da fotossíntese líquida, condutância estomática e transpiração. As plantas foram colhidas em dois pontos durante o crescimento reprodutivo em 2022 para análise bioquímica. A massa seca dos órgãos não variou entre os tratamentos. O amido aumentou no tratamento de 30% nos colmos, mas não foi afetado pela irrigação nos outros órgãos. As concentrações de amido aumentaram entre as colheitas nos colmos, folhas e grãos, mas diminuíram entre as colheitas nas folhas bandeira. A análise de HPLC indicou que os colmos acumulam açúcares sob déficit hídrico. Os colmos também continham uma porcentagem maior de carbono sob a irrigação de 50%, enquanto detectou diminuição de nitrogênio em colmos e folhas nos tratamentos mais estressados. Não houve muitas alterações no metabolismo de aminoácidos, com exceção da histidina que aumentou em folha bandeira e nos grãos no mais estressado e treonina que diminuiu no mais estressado. A análise de GC-MS revelou que o déficit hídrico resultou em aumento de ácidos graxos em grãos, mas diminuição em outros órgãos. No geral, a diminuição da irrigação resultou em senescência mais rápida, juntamente com alterações no metabolismo de carboidratos em colmos de trigo.