"Revisão etnobotânica, fitoquímica das plantas e de vinhos do Complexo da Jurema"
análises fitoquímicas, compostos químicos, DMT, enteógenos, etnobotânica, Mimosas
O termo "Jurema" abrange plantas, bebidas rituais, locais místicos e entidades espirituais. O vinho de Jurema, utilizado por grupos étnicos em rituais de cura e espiritualidade, difundiu-se nas religiões afro-indígenas. Preparado de forma sigilosa e com variações tradicionais, seu efeito enteógeno se deve à presença do alcaloide indólico N,N-dimetiltriptamina (DMT). Os povos Kariri relatam preferência pela Jurema mansa, sem espinhos, considerando a variante com espinhos tóxicas. A Jurema tem como principal função induzir visões do mundo dos sonhos e promover uma conexão mais profunda entre os indígenas e os encantados. Existem 19 espécies, 16 da família Fabaceae e seis do gênero Mimosa L., conhecidas como Jurema. O objetivo é realizar uma revisão integrada das espécies, especialmente do gênero Mimosa - pela maior citação de M. tenuiflora e a dificuldade de distinção das espécies da série Leiocarpa - que estão relacionadas ao complexo da Jurema, comparando-se os perfis fitoquímicos, promovendo uma análise crítica e organizada para embasar estudos futuros. Foram realizadas buscas de artigos publicados entre 1940 e 2024 nas bases Google Acadêmico, Pubmed, SciElo, Science Direct, utilizando o operador Booleano ‘AND’ (e). 87 artigos foram selecionados a M. tenuiflora é a espécie mais citada na preparação do vinho e a que possui mais detalhes das suas análises fitoquímica, enquanto as outras espécies de Mimosas não possui um detalhamento aprofundado sobre seus compostos químicos. Foram encontradas três espécies que são conhecidas como Jurema o que ampliou a lista de espécies que são conhecidas com esse nome e muitas espécies são usadas como aditivo do vinho para amenizar o sabor amargo e para efeitos enteógenos. esta revisão enfatiza a necessidade de estudos sobre as composições químicas das espécies de Jurema. Um estudo está em andamento para comparar as espécies com e sem espinhos, buscando validar cientificamente se a espécie com espinhos é tóxica.