Briosfera artica: acessando biodiversidade escondida em tapetes de musgo com DNA Metabarcoding
Briosfera; DNA ambiental; Ártico; mudanças climáticas; antropização.
Com o aquecimento acelerado e o rápido avanço antrópico no Ártico, o ecossistema da região tem passado por mudanças drásticas, que podem ter consequências não apenas em escala local, mas também em escala global. A briosfera, composta por tecido vivo e morto dos musgos, bem como os organismos vivendo no tapete de musgo, é um ecossistema complexo, muitas vezes ignorado. Assim, neste trabalho foi investigada a composição da comunidade da briosfera em dois pontos com diferentes intensidades de fluxo humano em Svalbard. Longyearbyen, o primeiro ponto de coleta, é uma cidade com grande quantidade de fluxo turístico, enquanto o segundo ponto, Diabasodden, é isolado e apenas pode ser acessado por transporte aquático. Foram coletadas amostras de Sanionia uncinata, que foram processadas utilizando a técnica de DNA Metabarcoding para a extração de DNA ambiental. Cinco reinos foram analisados: Chromista, Fungi, Metazoa, Protista e Viridiplantae. Foram encontradas 1023 ASVs (amplicon sequence variants), das quais apenas 148 ocorreram em ambos os pontos. Em Diabasodden, Viridiplantae foi o reino mais abundante, enquanto Fungi foi o reino mais rico. Em Longyearbyen Fungi também foi o reino mais rico, enquanto Metazoa foi o mais abundante. No reino Chromista, foram encontradas 107 ASVs distribuídas em 5 filos, sendo Ochrophyta e Ciliophora os filos mais ricos, com 33 ASVs cada, e Ochrophyta o mais abundante. No reino Fungi, com 313 ASVs, o filo mais rico foi Ascomycota e o mais abundante foi Basidiomycota. Em Metazoa foram encontradas 135 ASVs, com Arthropoda sendo o filo mais rico e mais abundante. No reino Protista foram encontradas apenas 10 ASVs, a maioria pertencendo ao filo Amoebozoa. Por fim, no reino Viridiplantae, foram encontradas 73 ASVs, com Chlorophyta sendo o filo mais rico e Bryophyta o mais abundante. Foram encontradas 36 espécies exóticas em Diabasodden e 46 em Longyearbyen, oriundas de todas as regiões biogeográficas. Além disso, 384 ASVs não puderam ser identificadas a nível de reino, sendo classificadas como desconhecidas. A diferença entre as comunidades e a maior ocorrência de espécies exóticas em Longyearbyen indicam maior impacto na briosfera próxima à cidade, sendo provável que o impacto seja de origem antrópica. Por fim, o alto número de ASVs desconhecidas é alarmante, levantando a necessidade de futuras investigações sobre os organismos da região em ordem de evitar possíveis patógenos e proteger a segurança alimentar e de saúde da população.