Potencial fitotóxico em tapetes de musgos da Antártica
Allelopathy; Sanionia uncinata; Mosses; Antarctica; Invasive Species; Secondary Metabolites
A Antártica é um continente no qual a pegada humana tem aumentado com a presença de partes vegetais. Neste cenário, o estabelecimento de plantas na Antártica é limitado por fatores abióticos. A produção de metabólitos secundários com potencial fitotóxico pelas briófitas antárticas representa um mecanismo de resistência ainda pouco explorado. O objetivo deste estudo foi avaliar o potencial fitotóxico de metabólitos secundários de tapetes de musgos com predominância de Sanionia uncinata e iniciar a identificação de seus compostos bioativos. Extratos aquosos, de acetona e acetato de etila de amostras de campo (Amostras Antigas - AA e Amostras Novas - AN) e de cultura de S. uncinata foram testados em bioensaios de coleóptilos de trigo e em bioensaios de fitotoxicidade com sementes de alface, tomate, agrião e cebola. Análises por Cromatografia em Camada Delgada (CCD) e testes fitoquímicos preliminares foram realizados, e o extrato de acetona da amostra AA, que demonstrou maior bioatividade, foi fracionado por cromatografia em coluna. Os extratos orgânicos da amostra AA demonstraram bioatividade inibitória em coleóptilos e em todas as plantas-alvo testadas, com inibições que alcançaram até 88% em plântulas, sem uma relação doseresposta linear, sugerindo saturação de dose. A bioatividade desses extratos foi influenciada pelas condições de armazenamento das amostras. Apenas o extrato aquoso da cultura apresentou atividade significativa em coleóptilos,testes fitoquímicos preliminares revelaram a presença de terpenos em todas as amostras analisadas, enquanto fenóis e alcaloides não foram detectados. O fracionamento do extrato de acetona da amostra AA concentrou a bioatividade em frações específicas (F1, F2, F3 e F6), com a fração F3 exibindo a maior inibição (51%) em coleóptilos. A identificação dos compostos bioativos por Cromatografia Líquida Acoplada à Espectrometria de Massas (LC-MS) e outras técnicas ainda está em andamento. Os resultados confirmam o potencial fitotóxico dos tapetes de musgos antárticos e a riqueza de seus metabólitos secundários, sugerindo um papel crucial na defesa química contra a invasão biológica na Antártica. Este trabalho oferece uma base para futuras investigações sobre a ecologia química polar e a conservação da biodiversidade antártica