Banca de DEFESA: SCHEILA CRISTINA BIAZATTI

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : SCHEILA CRISTINA BIAZATTI
DATA : 24/04/2026
HORA: 14:30
LOCAL: Auditório 3 do Instituto de Ciências Biológicas - IB
TÍTULO:

"Taxonomia e morfoanatomia de taxa relacionados aos cipós do Ayahuasca (Malpighiaceae Juss.)"


PALAVRAS-CHAVES:

Banisteriopsis caapi; taxonomia vegetal; morfoanatomia; tipificação nomenclatural; inteligência artificial; etnotaxonomia.


PÁGINAS: 161
RESUMO:

A Ayahuasca é uma bebida ritualística amazônica que combina, prioritariamente, caules de Banisteriopsis caapi (Malpighiaceae) e folhas de Psychotria viridis (Rubiaceae). B. caapi é considerada uma “planta sagrada” por diversos povos tradicionais e seu uso expandiu-se globalmente em contextos religiosos, terapêuticos e culturais. A complexidade botânica relacionada aos componentes do chá, especialmente à diversidade de etnotaxa e espécies associadas a B. caapi, ainda representa um desafio à taxonomia, devido à escassez de materiais férteis em coleções científicas e à frequente sobreposição entre etnotaxa tradicionalmente reconhecidos e espécies formalmente descritas. A presente tese adota uma abordagem integrativa com o objetivo de ampliar o conhecimento taxonômico e morfoanatômico de B. caapi, seus etnotaxa e outras espécies de Malpighiaceae associadas ao uso da Ayahuasca. Para isso, foram desenvolvidos estudos de revisão nomenclatural, análises morfonatômicas e do uso ferramentas computacionais de apoio à taxonomia. O primeiro capítulo aborda inconsistências nomenclaturais relacionadas a espécies pouco conhecidas da Ayahuasca. Com base em revisões bibliográficas e análise de tipos históricos, foram identificadas incongruências na circunscrição de espécies de Banisteriopsis, Diplopterys e Tetrapterys. Para solucionar essas questões e garantir estabilidade taxonômica, foram propostas 7 lectotipificações fundamentadas nos preceitos do Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ICN), com o intuito de padronizar o uso dos nomes e facilitar futuras investigações etnobotânicas e taxonômicas. No segundo capítulo, avaliou-se a capacidade de algoritmos de aprendizado de máquina em recuperar classificações etnotaxonômicas (categorias tradicionalmente reconhecidas por comunidades Ayahuasqueiras) de B. caapi a partir de imagens digitais de folhas herborizadas. Foram analisadas 768 imagens das faces adaxial e abaxial de folhas provenientes de 47 indivíduos, majoritariamente representando nove etnotaxa de B. caapi, além de Diplopterys cabrerana como grupo externo. Características relacionadas à cor, forma e textura foram extraídas e submetidas a seis algoritmos de classificação. Embora os desempenhos tenham sido estatisticamente semelhantes, o algoritmo Support Vector Machine (SVM) apresentou a maior acurácia geral (70%), especialmente quando consideradas conjuntamente as duas faces foliares. A matriz de confusão indicou elevada precisão para determinados etnotaxa e maior sobreposição morfológica em outros, refletindo padrões parcialmente consistentes com classificações etnobotânicas prévias. Os resultados demonstram que a integração entre morfologia foliar e inteligência artificial constitui ferramenta promissora para a validação e sistematização de categorias etnotaxonômicas, contribuindo para o diálogo entre conhecimento tradicional e taxonomia científica. O terceiro capítulo investiga a diversidade morfoanatômica foliar de etnotaxa de B. caapi e das espécies relacionadas Alicia macrodisca, D. cabrerana e D. pubipetala, integrando análises macromorfológicas, anatômicas e micromorfológicas. Os caracteres foram organizados em matriz comparativa e analisados por métodos multivariados de similaridade. Os resultados evidenciaram delimitação morfoanatômica consistente entre as espécies relacionadas, sustentando sua distinção interespecífica. Em relação aos etnotaxa de B. caapi, observou-se elevada variabilidade morfoanatômica intraespecífica, com ampla sobreposição de caracteres. Embora compartilhem a maior parte dos atributos estruturais avaliados, alguns, especialmente Caupuri e Quebrador, apresentaram caracteres exclusivos e combinações morfoanatômicas raras que promoveram sua segregação consistente nas análises multivariadas. Tais evidências revelam organização morfoanatômica interna em B. caapi, demonstrando que os etnotaxa não constituem categorias arbitrárias, ainda que a formalização de subdivisões taxonômicas exija integração com outros conjuntos de dados. A integração entre caracteres qualitativos e quantitativos demonstrou-se abordagem robusta para distinguir variação intraespecífica de diferenciação interespecífica, especialmente diante da recorrente ausência de material fértil em coleções botânicas. Com tudo, este trabalho contribui para o resgate e sistematização do conhecimento tradicional, promove avanços na taxonomia de um grupo de plantas de alto valor etnobotânico e oferece suporte técnico-científico para estratégias de conservação e reconhecimento da diversidade associada ao uso da Ayahuasca e a biodiversidade Amazônica.


MEMBROS DA BANCA:
Externo ao Programa - 3402633 - IGOR BALLEGO CAMPOS - nullExterno à Instituição - JEFFERSON RODRIGUES MACIEL - UFRPE
Interna - 2195579 - JULIA SONSIN OLIVEIRA
Presidente - 2445697 - REGINA CELIA DE OLIVEIRA
Externa à Instituição - SILVIA RODRIGUES MACHADO - UNESP
Notícia cadastrada em: 23/04/2026 10:11
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