"Influência do fogo sobre a produção e qualidade de sementes de gramíneas nativas do Cerrado"
Cerrado, Emergência, Fogo, Germinação, Raios X, Viabilidade.
O efeito do regime do fogo na qualidade de sementes nativas pode ser crucial para identificar áreas de coleta que forneçam insumos com maior viabilidade e vigor, otimizando o manejo adaptativo e a restauração de formações campestre e savânica. Assim, o objetivo do trabalho foi analisar o efeito de diferentes regimes de fogo na qualidade física e fisiológica de sementes de Aristida gibbosa (Nees) Kunth, Axonopus aureus P. Beauv. e Schizachyrium sanguineum (Retz.) Alston. As sementes foram coletadas em junho de 2025, no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em três áreas de campo sujo: com queima precoce em maio de 2024, queima tardia em setembro de 2024 e uma área sem fogo há mais de três anos. As sementes foram armazenadas a 20 °C até a realização dos experimentos. A qualidade física foi avaliada pelo Peso de Mil Sementes (PMS) e pela classificação de imagens de raios X (cheias, vazias ou mal formadas), conforme as Regras para Análises de Sementes (2025). A avaliação fisiológica foi realizada por meio de testes de germinação, emergência e desenvolvimento inicial das plântulas. O teste de germinação foi conduzido em câmara B.O.D., sob fotoperíodo de 12 horas e temperatura alternada de 18/28 °C, utilizando placas de Petri contendo papel filtro umedecido com água destilada. Os testes de emergência e desenvolvimento foram realizados em condições ambientais, sob amplitude térmica variando entre 15,2 °C e 31,6 °C, com irrigação diária de 100 mL por saco, dividida em dois turnos de três minutos, utilizando sacos de polietileno contendo substrato composto por latossolo, areia e matéria orgânica na proporção 13:6:1. Em ambos os testes fisiológicos, utilizaram-se apenas sementes classificadas como cheias, sendo as avaliações conduzidas durante 90 dias. Foram analisados os parâmetros de germinação e emergência, tempo médio (TMG e TME), índice de velocidade (IVG e IVE), além do comprimento e biomassa fresca e seca das plântulas. Os dados foram submetidos à ANOVA seguido de teste post hoc de Tukey, quando os pressupostos não foram atendidos, utilizamos Kruskal-Wallis e o teste de Dunn com ajuste de Bonferroni, (α = 0,05), utilizando o software R. A época do fogo influenciou a qualidade física e fisiológica das sementes (p < 0,05). Para A. gibbosa, o fogo tardio elevou o PMS (0,3989 g), mas a área sem fogo produziu mais sementes cheias (73%), maior germinação (74%) e emergência (60%), além de apresentar maior crescimento e acúmulo de biomassa aérea. Para A. aureus, a queima tardia reduziu o PMS (0,0875 g), porém aumentou a proporção de sementes cheias (9,8%) em comparação aos demais tratamentos, em contraste, a área sem fogo e a queima precoce apresentaram sementes mais pesadas, mas com menor integridade interna. Enquanto, para S. sanguineum, o fogo atuou como estímulo; o PMS dobrou em ambas as áreas queimadas em relação à área sem fogo, o fogo precoce aumentou a proporção de sementes cheias (46,9%), enquanto a queima tardia promoveu maior germinação (83%) e emergência (85%), porém, o desenvolvimento inicial foi favorecido principalmente na área sem fogo, que apresentou maior crescimento radicular e maior acúmulo de biomassa fresca e seca, enquanto a queima precoce reduziu o crescimento da parte aérea. A época de queima altera a qualidade físico-fisiológica das sementes, exigindo estratégias de coleta específicas por espécie: para A. gibbosa, áreas sem registro de fogo há mais de três anos garantem melhor qualidade das sementes; para S. sanguineum, o fogo tardio; enquanto para A. aureus, os regimes de fogo influenciaram os atributos físicos das sementes de forma distinta.