"Efeito da aplicação do bioestimulante Arbolina® no desenvolvimento de espécies nativas do Cerrado."
carbon dots, estabelecimento vegetal, nanobioestimulantes, restauração ecológica
Diante do atual cenário de degradação ecossistêmica, onde a regeneração natural ocorre de forma mais lenta, a restauração ecológica surge como alternativa para alcançar os objetivos globais de conservação e restauração. Como o estabelecimento das espécies nativas é frequentemente prejudicado pela competição, o uso de bioestimulantes à base de carbono (como a Arbolina®) surge como alternativa para otimizar o desenvolvimento inicial. Nesse cenário, o presente trabalho tem como objetivo analisar os efeitos da aplicação do bioestimulante Arbolina® no desenvolvimento de espécies nativas do Cerrado. Após a germinação, plântulas de Copaifera langsdorffii, Guazuma ulmifolia, Handroanthus heptaphyllus e Solanum lycocarpum foram transplantadas para tubetes de polietileno, contendo mistura de areia média lavada e latossolo vermelho-amarelo (3:1), em condições de casa de vegetação. Após a emissão do primeiro par de folhas verdadeiras, iniciaram-se quatro aplicações foliares quinzenais de Arbolina® (5 mL/planta). O delineamento constituiu em três concentrações do bioestimulante (50, 100 e 200 mL ha-1 ) e um controle (água). Quinze dias após a última aplicação, foram avaliados o comprimento aéreo e radicular, número de folhas, massa fresca e seca (aérea, radicular e total) área foliar específica, teor de pigmentos fotossintéticos e potencial hídrico. Após a percepção de que os tubetes utilizados no primeiro experimento impediam o crescimento radicular das plantas, foi realizado um segundo experimento (ainda em andamento) com Eugenia dysenterica e Handroanthus impetiginosus, em condições ambientais naturais, semeados em tubos de policloreto de vinila (PVC) de 1 m de altura, contendo o mesmo tipo de substrato mencionado anteriormente. Após o surgimento das primeiras folhas verdadeiras, iniciaram-se duas formas de aplicação a cada 30 dias do bioestimulante Arbolina®: foliar (DA; 5 mL/planta) e radicular (DR; 100 mL/planta). As concentrações utilizadas foram as mesmas mencionadas anteriormente, tanto para DA quanto para DR. Para além dos parâmetros citados para o primeiro experimento, serão avaliados parâmetros fotossintéticos (PhotosynQ), trocas gasosas (IRGA), perfil metabólico e condutância estomática. Os dados foram submetidos ao teste de normalidade Shapiro-Wilk e, a depender da normalidade dos dados, foram submetidos à ANOVA seguida do teste de Tukey (p < 0,05) ou pelo teste de Kruskall-Wallis (p < 0,05), seguido do teste de Dunn com ajuste de Bonferroni. A aplicação das diferentes concentrações de Arbolina® influenciou de maneira distinta as espécies avaliadas. Apenas S. lycocarpum apresentou respostas significativas aos tratamentos aplicados (p < 0,05). Em contraste, para C. langsdorffi, G. ulmifolia e H. heptaphyllus, as concentrações aplicadas não promoveram alterações significativas (p > 0,05) em nenhum dos parâmetros analisados. Para S. lycocarpum, a aplicação de Arbolina® aumentou significativamente o número de folhas e o acúmulo de biomassa. A dose de 200 mL ha⁻¹ destacou-se, incrementando o número de folhas em 51% e as biomassas seca radicular e total em 81% em relação ao controle. Para a biomassa seca aérea, as doses de 100 e 200 mL ha⁻¹ promoveram os maiores ganhos (47% e 74%, respectivamente). A quantificação de pigmentos seguiu o padrão da biomassa, com a dose de 200 mL ha⁻¹ maximizando todos os teores avaliados. Em relação ao controle, essa concentração aumentou a Clorofila A em 192%, os Carotenoides em 159%, a Clorofila B em 152% e as Clorofilas Totais em 178%. Os demais parâmetros não sofreram alterações significativas. O uso da Arbolina® demonstrou ter um efeito espécie-específico no desenvolvimento inicial de plantas nativas do Cerrado. Para S. lycocarpum, a dose de 200 mL ha⁻¹ maximizou o acúmulo de biomassa e a produção de pigmentos fotossintéticos. Assim, a biotecnologia surge como uma ferramenta viável para otimizar o crescimento de espécies nativas.