De onça a jaguar, da crítica literária à crítica de tradução: O som do rugido da onça na tradução francesa
Tradução literária; Micheliny Verunschk; voz narrativa; cosmologias ameríndias; Antoine Berman; Antonio Candido
Esta dissertação investiga as relações entre voz narrativa, cosmologia ameríndia e tradução literária a partir do romance O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk, e de sua tradução francesa Requiem pour un jaguar, de Anne Pouzargues. A pesquisa articula a crítica dialética de Antonio Candido e a crítica das traduções de Antoine Berman, entendendo a obra literária como sistema de tensões formais, históricas e simbólicas, e a tradução como espaço de reconstrução ética e estética. O Capítulo 1 examina o léxico histórico e cosmológico da onça, suas figurações zoológicas, míticas e literárias, e os deslocamentos culturais contemporâneos que atravessam o signo “onça”, incluindo sua reapropriação como padrão de moda. O Capítulo 2 apresenta a fortuna crítica nacional e internacional do romance, mapeando o impacto da obra, seu processo de circulação e recepção em diferentes contextos, e analisa, em subseção específica, as capas e títulos das edições estrangeiras, observando como cada sistema literário reinscreve visual e linguisticamente a narrativa de Verunschk. O Capítulo 3 constitui o núcleo central da dissertação: nele, analisa-se a tessitura narrativa do romance, com foco na “voz de onça”, suas modulações enunciativas e temporais, e os desafios de sua recriação na tradução francesa, entre eles a marcação de gênero, a organização dos tempos verbais, a equivalência do léxico e a inevitável suavização do registro rosiano. A dissertação conclui discutindo a articulação entre mito, temporalidade e vingança cosmológica, evidenciando como o romance e sua tradução fabricam mundos por meio da linguagem.