Tradução Intersemiótica e Transcriação: Os Poemóbiles de Augusto de Campos e Julio Plaza em Francês
Poemóbiles; Augusto de Campos; Julio Plaza; poesia concreta; tradução intersemiótica; transcriação.
Na poesia concreta brasileira, alguns poemas chamam a atenção pelo uso peculiar das mídias, como na manipulação da fisicalidade das páginas do livro. No caso dos Poemóbiles (1974), de Augusto de Campos e Julio Plaza, a página é transformada em uma escultura tridimensional manipulável com significação verbal, visual, sonora e cinética. A presente pesquisa se propõe a traduzir a obra Poemóbiles para o francês de acordo com a transcriação poética, como formulada por Haroldo de Campos, e com base em análises dos poemas-objeto embasadas na Semiótica. Nos Estudos da Tradução, consideramos as teorias da tradução intersemiótica e da Tradução Audiovisual para problematizar o conceito de texto e como a consideração da textualidade afeta a tradução de poesia. Para aprofundar no método da transcriação, analisamos a tradução A Rosa Doente, de Augusto de Campos, do poema The Sick Rose, de William Blake. A análise d'A Rosa Doente sugere uma abordagem de transcriação poética que considere os aspectos indiciais da obra originária para efetivamente modificar o processo de composição da transcriação. As análises dos Poemóbiles demonstram que a apresentação física na leitura dos poemas-objeto destacam a materialidade do livro como parte integrante do processo de significação e, com isso, ressaltamos a importância de uma abordagem de tradução que considere a materialidade da poesia tanto quanto a verbalidade.