Topicalização, constituência e ordem de constituintes em Libras
Libras; topicalização; constituência; ordem de constituintes; funcionalismo.
Esta pesquisa tem como tema a topicalização, a constituência e a ordem de constituintes em Libras. Nosso estudo se baseia em abordagem teórica funcional-tipológica, em pesquisadores como Givón (2001), Payne (1994, 1997), Hopper e Thompson (1980), Shibatani (1985), Shibatani e Bynon (1995), Whaley (1997), Cunha, Oliveira e Martelotta (2003), Cunha e Souza (2011), Oliveira (2004, 2015), Chafe (1994, 1979, 1976), Martelotta e Kenedy (2015), e Neves (2000). Apresentamos uma revisão da literatura sobre a Libras, discutindo os aspectos gerais da constituência, a ordem de constituintes, uma introdução à topicalização, bem como as relações gramaticais, o uso do espaço, papéis semânticos e os tipos de verbos em Libras. Adotamos uma metodologia bifocal. Inicialmente, realizamos entrevistas estruturadas com dez surdos, cinco dos quais são graduados em Letras, e os outros em áreas diversas. O objetivo era identificar as preferências dos colaboradores por frases em Libras com os verbos AJUDAR, COMPRAR, BEBER, GOSTAR, DAR e PINTAR-COM-ROLO. Esses verbos foram colocados em sentenças diversas, envolvendo topicalizações e diferentes ordens de constituintes, cobrindo boa parte das hipóteses sobre o tema presentes na literatura corrente. Os resultados indicam uma forte preferência pela ordem SVO, mas também grande aceitação da ordem OSV, com ou sem elevação de sobrancelhas. Em um segundo momento, utilizamos o software ELAN para examinar sentenças naturais em Libras retiradas do corpus em Libras do banco de dados da UFSC. O objetivo foi analisar como as frases topicalizadas se comportam, observando as expressões não manuais e as ordens dos constituintes. Verificamos que o uso da expressão não manual, como o levantamento das sobrancelhas, não é obrigatório para sinalizar o tópico da frase. Além disso, descobrimos outros padrões nas expressões não manuais utilizadas nas frases topicalizadas.