Dislexia, consciência morfológica e consciência sintática: uma análise linguística de textos escritos por jovens e adultos em contextos de avaliação
língua portuguesa; escrita; consciência morfológica; consciência sintática.
A pesquisa “Dislexia, consciência morfológica e consciência sintática: uma análise linguística de textos escritos por jovens e adultos em contextos de avaliação” visa investigar se a consciência morfológica e/ou a consciência sintática (ou morfossintática) dos disléxicos também seriam afetadas devido à existência desse distúrbio de aprendizagem, assim como ocorre com a consciência fonológica. Entre os objetivos, buscamos não só mostrar a relevância do debate sobre a dislexia no contexto educacional, como também revisar criticamente, mediante a perspectiva linguística, os testes sobre consciência morfológica e consciência sintática disponíveis na literatura. Pretendemos também propor um protocolo de investigação de consciência morfológica e sintática para análise de textos produzidos por disléxicos jovens e adultos. Acerca dos estudos sobre dislexia na língua portuguesa, utilizamos Cuba dos Santos (1987), Ellis (1995), Martins (2003), Ianhez e Nico (2003), Davis e Braun (2004), Lukasova et al. (2009), ABD (2015) e Moura (2017), os quais apontam como manifestações disléxicas as trocas de fonemas e grafemas, a alteração na ordem das letras ou sílabas, as omissões e acréscimos de letras, as trocas de palavras por outras semelhantes, as aglutinações e fragmentações inadequadas de vocábulos, a confusão entre letras simétricas e inversão da ordem das sílabas nas palavras, características tipicamente fonológicas. Em se tratando das características tipicamente morfológicas e sintáticas, nossos aportes teóricos são Capovilla e Capovilla (2008), Ferrari Neto e Sousa (2014), Zuanetti et al. (2016) e Inep (2020), que apontam mais repetições de palavras nos textos produzidos por disléxicos em comparação aos textos escritos por não disléxicos, a dificuldade no uso de flexões verbais e flexões de gênero e erros de posição da palavra dentro das frases, dentre outras. Nossa abordagem metodológica tem como pilares a pesquisa qualitativa, a quantitativa e a triangulação metodológica (Flick, 2009; Fonseca, 2002; Maxwell, 1996). Nosso corpus é composto por 296 produções textuais de disléxicos no Programa de Avaliação Seriada (PAS/UnB) e no Vestibular da Universidade de Brasília, entre 2010 e 2016, cujas características da dislexia foram analisadas por nós com fundamento na literatura específica sobre o tema e nos pressupostos da Linguística Funcional Centrada no Uso (Martelotta, 2011; Bybee, 2016). Como resultado desta tese, produzimos uma proposta aplicada e aplicável para análise de textos produzidos por disléxicos jovens e adultos e identificamos, nos textos analisados, traços típicos da dislexia já apontados na literatura relacionados à consciência fonológica e, especialmente, identificamos também traços relativos à consciência morfológica e sintática dos disléxicos, que merecem ser investigados em pesquisas futuras.