Banca de QUALIFICAÇÃO: LEONARDO DA CUNHA MESQUITA CAFÉ

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : LEONARDO DA CUNHA MESQUITA CAFÉ
DATA : 20/09/2024
HORA: 14:30
LOCAL: Sala 35 IL
TÍTULO:

"Reconhecendo a Diversidade Sexual na Escola": Processos de Reflexividade Crítica e Agência para a promoção de uma educação antiLGBTIfóbica a partir da Formação Continuada de Professores/as da SEEDF


PALAVRAS-CHAVES:

Agência; Diversidade Sexual; Estudos Críticos do Discurso; Formação Continuada; Mudança Pedagógica e Social; Reflexividade Crítica.


PÁGINAS: 87
RESUMO:

A vida social é um sistema aberto em que estrutura social e linguagem, enquanto discurso e outras semioses, estão em relação dialética (Fairclough, 1992). Dessa maneira, uma é parte constitutiva da outra. A estrutura, por sua vez, moldando e restringindo os discursos e semioses, um dos momentos da prática social (Chouliaraki; Fairclough, 1999), os quais contribuem para a constituição das próprias normas e convenções utilizadas por aquela. Nessa relação, manutenção e atualização das práticas são elementos presentes na luta hegemônica, em que estamos presentes como agentes sociais. Apesar do constrangimento da estrutura, somos dotados de agência (Acher, 2000), essa capacidade criativa de fissurar o sistema por dentro, que pode ser provocada pelos processos de reflexividade crítica (Giddens, 1991). Com essas concepções em mente, propus, em 2021, o Reconhecendo a Diversidade Sexual na Escola (RDSE), uma ação de formação continuada de 60 horas oferecida pela EAPE (Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação Básica do Distrito Federal) em 2022 e 2023. Textualmente orientado, o RDSE utilizava-se dos poderes causais dos textos, essa capacidade de causar efeitos no mundo (nos sistemas de conhecimento e crença, bem como nas relações entre as pessoas) (Fairclough, 2003) para promover discussões sobre gênero e diversidade sexual (Butler, 2022; 2023; Junqueira, 2012; 2022; Louro, 2014), em uma perspectiva interseccional (Akotirene, 2019, Carneiro, 201; Crenshaw, 2004; Collins, 2019) entre as/es/os profissionais da educação pública do Distrito Federal. Durante sua execução, percebi que, para além de um letramento necessário entre as/es/os participantes, uma mudança pedagógica potente se iniciava graças aos processos de reflexividade crítica provocados pelas discussões em grupo, mediadas pelos textos e outros materiais audiovisuais utilizados pelo RDSE, o que também pode ser observado nas ações que tais profissionais começavam a propor em suas escolas. Por isso, a pergunta de pesquisa “como as ações empreendidas pelas/es/os cursistas, durante e após o curso ‘RDSE’, impactam a reconstituição de sua práxis pedagógica e possibilitam a promoção de uma educação antiLGBTIfóbica nas escolas em que atuam? ” orienta a coleta e geração de dados dessa pesquisa de abordagem qualitativa, interpretativista e explanatória crítica que busca, como objetivo geral, “analisar como essa ação de formação continuada provocou processos de reflexividade crítica capazes de motivar mudanças empreendidas pela agência das/es/os cursistas que a frequentaram nas escolas em que trabalham”. Assim, como desdobramentos desse intuito de pesquisa, é importante compreender como os aspectos da significação textual emergem nos textos produzidos pelas/es/os cursistas. Gêneros, discursos e estilos estão respectivamente ligados as formas de agir, representar e identificar-se no mundo e nas relações, também em relação dialética apesar de emergirem em extensões diferentes nos textos (Fairclough, 2003). Nessa perspectiva, como objetivos específicos, busco: 1.Identificar os processos representacionais que as/es/os cursistas tecem a respeito dos espaços escolares em que atuam quanto à presença do discurso LGBTIfóbico; 2.Analisar como os relatos das/es/os cursistas aponta para a percepção que elas/os/es têm dos textos teóricos e materiais audiovisuais utilizados no RDSE quanto aos efeitos que produzem em termos de processos de reflexividade crítica; 3.Avaliar possíveis mudanças no processo de identificação das/es/os cursistas depois da formação e como, caso existam, eles afetam suas práticas pedagógicas; e 4.Analisar como, por meio de seus poderes causais, a produção de ações pedagógicas interventivas, e também as/es/os cursistas que as elaboraram, podem promover insumos teórico-pedagógicos para uma educação antiLGBTIfóbica. Como é impossível recriar os eventos sociais em que tais processos de reflexividade crítica se deram, e como a agência das/es/os participantes atuou em seus locais de trabalho, recorro aos textos por essas pessoas produzidos para neles identificar os traços e marcas textuais que apontem para a prática social, a desarticulação e rearticulação dos seus momentos, a fim de compreender como tais mudanças aconteceram e quais são seus efeitos na escola. Desse modo, utilizo as entrevistas semiestruturadas e grupos focais para que as/es/os cursistas participantes possam responder livremente e gerar os dados necessários para os objetivos dessa pesquisa, bem como a análise documental das ações pedagógicas desenvolvidas pelas/es/os participantes, a ementa do curso RDSE e as Diretrizes de Formação Continuada da EAPE. O presente texto apresentado como requisito parcial para meu Exame de Qualificação é composto por dois capítulos completos, um esboço do que será o capítulo teórico e um outro em andamento. No primeiro capítulo, Considerações Iniciais, trago para a discussão as motivações de pesquisa, a pergunta e os objetivos, geral e específicos, que orientam meu fazer investigativo. No segundo, Caminhos Metodológicos, apresento a Análise de Discurso Crítica como metodologia, além de fornecer informações importantes sobre o processo de coleta e geração de dados em pesquisas crítico-discursivas. O esboço do Capítulo Teórico aponta para um conversatório necessário entre Estudos Críticos do Discurso, Estudos de Gênero e Pedagogia Engajada. No capítulo em andamento, temos duas subseções de análise com dados discutidos em dois artigos publicados em periódicos científicos Qualis A1 e 2. Por fim, trago as Referências Bibliográficas até o momento acionadas.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ANDRE LUCIO BENTO - SEEDF
Interna - 1193529 - MARIA CARMEN AIRES GOMES
Presidente - 1171102 - MARIA LUIZA MONTEIRO SALES COROA
Externa à Instituição - RENATA NOGUEIRA DA SILVA - SEEDF
Interna - 2504998 - VIVIANE CRISTINA VIEIRA
Notícia cadastrada em: 27/08/2024 09:24
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