CONTRIBUIÇÃO À DOCUMENTAÇÃO E DESCRIÇÃO LINGUÍSTICA DA LÍNGUA ARUÁ (FAMÍLIA MONDÉ, TRONCO TUPÍ)
Língua Aruá; Família Mondé; Tronco Tupí; Análise e Descrição linguística.
Este projeto de tese resulta de uma pesquisa dedicada à documentação e à descrição linguística da língua Aruá com vistas à elaboração de um sistema de escrita adequado às demandas do povo Aruá, que vive em três Terras Indígenas, localizadas no Vale do Guaporé em Rondônia: a TI Rio Branco, TI Rio Guaporé e TI Sagarana. A língua Aruá é classificada na família linguística Mondé, conforme descrito por Rodrigues (1954, 1964, 1984, 1996), Moore (2005) e Rodrigues e Cabral (2012). O objetivo principal foi registrar dados junto aos últimos falantes da língua e realizar uma análise fonêmica para fundamentar uma ortografia eficiente. A análise fonológica baseou-se nos pressupostos de Pik (1947). Foram incorporados ainda os estudos de Barbosa e Madureira (2015) para a fonética acústica, Clements e Keyser (1983) para a estrutura silábica, e Michaud e Vaissière (2015) e Maddieson (2013) para a descrição dos tons. Para a análise morfológica e morfossintática, foi adotada uma abordagem tipológica funcional, fundamentada nos trabalhos de Shopen (2007a, 2007b, 2007c), Dixon (2010a, 2010b, 2012) e Aikhenvald (2015), entre outros autores. Os dados foram coletados por meio de uma metodologia participativa, na qual os falantes Aruá decidiram o que, como e quando registrar. O corpus inclui dados elicitados, narrativas e falas espontâneas, abrangendo materiais coletados em campo pelo autor e outros pesquisadores (Cabral, 2016; Araya Pinto,s/d). O estudo tem relevância para o povo Aruá por se constituir em um repositório fundamental para preservação da sua memória linguística e cultural, garantindo que futuras gerações tenham acesso à sua língua; para a linguística brasileira, por contribuir com dados inéditos sobre fonologia, morfologia, sintaxe e léxico desta língua Tupí-Mondé enriquecendo o conhecimento sobre a estrutura do Aruá e sua relação com as demais línguas Mondé. Em um contexto de iminente extinção – com apenas quatro falantes remanescentes –, esta tese se posiciona como uma iniciativa pioneira e essencial para evitar o desaparecimento completo da língua, preenchendo lacunas significativas na documentação de línguas indígenas no Brasil.