Banca de QUALIFICAÇÃO: ANNA CLEA DE SOUZA MADURO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : ANNA CLEA DE SOUZA MADURO
DATA : 21/02/2025
HORA: 14:00
LOCAL: Sala 32 - ICC Sul
TÍTULO:

Ele matou ou ela foi morta? – Uma análise variacionista das vozes verbais em notícias de feminicídio


PALAVRAS-CHAVES:

Voz passiva. Voz ativa. Feminicídio. Notícia. Sociolinguística Variacionista


PÁGINAS: 60
RESUMO:

Esta dissertação apresenta uma análise sobre o uso das vozes verbais (voz passiva e voz ativa) em textos jornalísticos. O marco teórico da pesquisa é a proposta laboviana (2008 [1972]) e a Teoria da Mudança Linguística (1968), as quais propõem a análise quantitativa de fenômenos linguísticos variáveis. A autora, enquanto jornalista, percebeu algumas características no que se refere à abordagem linguística do feminicídio em notícias publicadas na imprensa, sobretudo, quanto ao predomínio da voz passiva em textos que narram crimes de violência contra a mulher. A partir dessa hipótese, questionase: as matérias de feminicídio privilegiam a voz passiva nas orações com “verbos de agressão” (matar, morrer, enforcar, assassinar, asfixiar, atacar, etc)? Nossos objetivos específicos com esse estudo, são: i) analisar a voz ativa e a voz passiva em matérias sobre feminicídio cujas sentenças apresentem verbos de agressão e ii) analisar as variáveis linguísticas e sociais que estão condicionando a escolha das vozes verbais. O corpus é composto de 140 notícias de feminicídio, retiradas de 33 portais jornalísticos brasileiros entre os anos 2000 e 2024. Após a coleta dos 379 dados, foi realizada a análise dos fenômenos linguísticos a partir do programa estatístico GoldVarb-X, uma das ferramentas estatísticas da Sociolinguística Variacionista. Foram codificadas e analisadas oito variáveis independentes linguísticas/sociais: sexo dos repórteres, veículo, ano de publicação, localização do fenômeno na estrutura da notícia, presença ou ausência do agente da passiva, presença das preposições por e após, verbos/locuções e tempo verbal. Os resultados revelaram que 68,6% dos dados são de voz passiva e 31.4%, de voz ativa. Assim, os fatores mais significativos e bem acima da média da voz passiva foram dos veículos G1 (76.4%) e UOL (74.4%); as fotolegendas (87.5%), os subtítulos (78.6%) e os lides (72.6%) com destaque para os textos que compõem as fotografias. Com a variável tipo de verbo/locução, foi possível perceber que matar/morrer (98.6%), assassinar (92.6%), esfaquear (77.8%) e balear (75%) apareceram com mais frequência na voz passiva. Constatou-se que foi publicado um número maior de matérias sobre casos de feminicídio nos anos, em ordem decrescente: 2023, 2020, 2019, 2014, 2011 e 2009. Os dados também indicaram que a violência contra a mulher é minimizada nos textos com ênfase para o apagamento do agente. No excerto “Noélia tinha relacionamento com vizinho que A MATOU, diz delegada”, é possível verificar a existência de uma estrutura linguística que age discursivamente para justificar a ação agressora pelo fato da vítima ter um relacionamento extraconjugal (VAN DIJK, 2012 [1992]). Na sentença “Juíza MORTA por ex abriu mão de escolta”, a escolha discursiva culpabiliza a mulher pela agressão por ela ter renunciado à escolta policial – o que também atenua a ação. Identifica-se ainda uma sexualização feminina nas fotolegendas a partir de representações femininas estereotipadas que não têm qualquer relação com o foco do texto. Por fim, essa pesquisa apontou que as notícias não têm sido utilizadas como ferramenta de conscientização social e coletiva sobre a erradicação da violência de homens contra mulheres. Das 140 matérias analisadas, apenas 5,71% continham informações sobre o Ligue 180, serviço que recebe denúncias de violações contra as mulheres e encaminha o conteúdo dos relatos aos órgãos competentes (BRASIL, 2020).


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1220784 - CINTIA DA SILVA PACHECO
Interno - 2503858 - MARCUS VINICIUS DA SILVA LUNGUINHO
Notícia cadastrada em: 05/02/2025 08:16
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