Banca de DEFESA: JOAO VICTOR PACIFICO DAMASCENO ROCHA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE : JOAO VICTOR PACIFICO DAMASCENO ROCHA
DATA : 21/02/2025
HORA: 09:00
LOCAL: Sala 37 IL
TÍTULO:

A construção de identidades insurgentes - etnografia discursiva crítica na Marcha da Maconha do Distrito Federal


PALAVRAS-CHAVES:

Marcha da Maconha. Análise de Discurso Crítica. Identidade. Movimentos Sociais. Cultura Canábica.


PÁGINAS: 180
RESUMO:

O presente trabalho tem por objetivo analisar a construção de práticas discursivo-identitárias sobre a cultura canábica e o papel de maconheiro em interações situadas no âmbito do movimento social Marcha da Maconha do Distrito Federal (MMDF). A MMDF se configura como um movimento social (MS) que luta pela legalização das drogas de uma perspectiva antiproibicionista, mobilizando discursos e representações anti-hegemônicos para ressignificar o uso de substâncias ora proibidas. Os MS se articulam em torno de objetivos comuns e identidades sociais politizáveis, como as identidades de usuário, maconheiro e ativista. O maconheiro é uma identidade de resistência que corresponde a uma rede de práticas sociais denominada cultura canábica, criada como forma de proteção mútua e difusão de discurso situado nas interações entre usuários de canábis. Essa identidade é politizada na MMDF para a construção de uma identidade insurgente de maconheiro-ativista, que produz significados em relação aos papéis sociais de usuário, maconheiro e ativista, às lutas políticas e às representações da maconha na sociedade brasileira.

Esta pesquisa se deu como uma etnografia discursiva crítica realizada no contexto da organização da Marcha da Maconha e atividades correlatas, em meio on-line e off-line, valendo-se de dados produzidos nas reuniões organizativas, eventos, grupo de Whatsapp e reuniões de grupo focal. O referencial teórico está embasado na Análise de Discurso Crítica (ADC) segundo Chouliaraki & Fairclough (1999) e Fairclough (2003; 2016), na teoria dos movimentos sociais contemporâneos (CASTELLS, 2008; LANÇAS, 2018; SCHERER-WARREN, 2018) e na Antropologia Urbana (MAGNANI, 1996; 2002; 2005). A metodologia está embasada na Etnografia Discursiva Crítica (CAETANO, 2009; MAGALHÃES et al., 2017), na netnografia (FRAGOSO et al., 2012) e no grupo focal (BARBOUR, 2009), considerando a combinação de métodos como forma de abordar os diferentes elementos da prática social (MASON, 2002).

A cultura canábica é uma rede de práticas que recontextualiza práticas hegemônicas do proibicionismo de forma a produzir outros significados sobre a maconha e seus usuários. Essa cultura pode ser politizada no contexto da Marcha da Maconha, na forma de insurgência, para criar as condições para a emancipação dos usuários e dos povos marginalizados na sociedade atual. Os participantes da MMDF se identificam como maconheiros e buscam politizar sua identidade para a construção de um projeto de transformação social, uma identidade de projeto, que tem se configurado de maneira difusa, por meio das tensões entre identidades de maconheiro e ativista no movimento social. Os maconheiros-ativistas também mantêm práticas não hegemônicas, como formas de solidariedade entre pares e de autonomia sobre o corpo, além de práticas ilegais de uso e cultivo de maconha, ao mesmo tempo em que lutam para legitimar suas práticas junto à sociedade.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - VINÍCIUS RAMOS LANÇAS - UFSC
Externo à Instituição - ANDRE LUCIO BENTO - SEEDF
Presidente - 2534790 - CARMEM JENA MACHADO CAETANO
Interna - 1093236 - FRANCISCA CORDELIA OLIVEIRA DA SILVA
Interno - 1713830 - KLEBER APARECIDO DA SILVA
Notícia cadastrada em: 10/02/2025 13:35
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