Estudo articulatório, acústico e aerodinâmico sobre a Harmonia Nasal na língua Guajá (Tupi-Guarani)
Harmonia nasal. língua Guajá. tipologia fonológica. nasalidade.
Este trabalho tem como objetivo apresentar um estudo mais aprofundado do fenômeno da Harmonia Nasal na língua Guajá. Partindo de descrições anteriores de Cunha (1987) e Lion (2008), pretendemos investigar o estatuto da nasalização na língua sob a ancoragem de novas metodologias, bem como de novos dados. Para tanto, os novos dados que baseiam nossa atual proposta de análise foram coletados com uso de material adequado, a saber o EGG-D800, cujo maior diferencial está na distinção que o aparelho emprega, quando da coleta, entre os fluxos de ar oral e nasal e sua otimidade para submissão à análise acústica moderna, via Praat. Com relação à interpretação do fenômeno, trabalhos como Escobar (2017) e Miranda e Picanço (2020) servem como norte de análise. Assim, verificamos no Guajá alguns resultados preliminares, tais como: A partir do gatilho, que é a vogal nasal tônica mais à direita dos vocábulos, as demais vogais figuram como alvo da nasalidade, assim como os glides /w, j/, a fricativa glotal /h/ e a alveolar /ɾ/. As obstruintes /p, t, tʃ, k, k ʷ/, por sua vez, só agem como bloqueadoras da harmonia nasal se estiverem em sequência. Em contrapartida, funcionam como segmentos transparentes ou semitransparentes quando isoladas, num contexto silábico ou vocabular. O mesmo comportamento foi atestado para a oclusiva glotal /ʔ/.