VALÊNCIA NOMINAL EM GUAJÁ
valência nominal; Guajá; omnipredicatividade.
O objeto desta dissertação é o aprofundamento da investigação da subdivisão dos nomes em Guajá (subgrupo VIII da família Tupi-Guarani, conforme Rodrigues (2011)) em divalentes e monovalentes, conforme o número de argumentos que admitem (Magalhães e Mattos 2014). Os dados utilizados para descrever e classificar os nomes na língua Guajá são de Magalhães (2007, 2014), além de dados inéditos oriundos de levantamento em campo (gravações, transcrição fonética e entrevistas em áudio e/ou vídeo). A metodologia utilizada é a pesquisa bibliográfica e documental com revisão de literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa. A hipótese defendida no trabalho é a de que, na língua Guajá, os nomes têm, assim como os verbos, a capacidade de predicar e expressar sua relação com seus argumentos por meio de mecanismos de valência, sendo este mecanismo determinante para a subdivisão da classe. As primeiras análises mostram que tanto os nomes divalentes (ou relacionais) quanto os monovalentes (absolutos) ocorrem como núcleo de Sintagma Nominal (SN) e apresentam argumento externo quando em função de predicado equativo. O que diferencia as subclasses é o fato de que os divalentes são caracterizados por exigirem, além do argumento externo, um argumento interno indexado ao nome por meio de uma série de marcadores de pessoa (transcategorial) ou de um nome relacionado ao núcleo por um prefixo linker. Os monovalentes caracterizam-se por não admitirem argumento interno. Esperamos neste trabalho, inspiradas na interpretação de Queixalós (2005) para explicar a valência nominal em Katukina, descrever e explicar as subclasses nominais do Guajá com base no conceito de valência nominal conforme proposto por Kinkade (1982), Ágel e Fischer (2012) e Vapnarsky (2013), propondo uma abordagem teórica mais homogênea na descrição da língua a partir de uma perspectiva morfossintática do comportamento das classes de palavras.