VOZES QUE RETORNAM: AUTOETNOGRAFIA DE UMA EGRESSADOCENTE SOBRE LETRAMENTOS, VARIEDADE LINGUÍSTICA E FORMAÇÃO OMNILATERAL NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
Letramentos; Variedade Linguística; Ensino Médio Integrado; Sociolinguística educacional; Autoetnografia.
Este trabalho tem como objetivo refletir sobre as percepções acerca dos letramentos mobilizados por egressos do Ensino Médio Integrado bem como investigar a variedade linguística no percurso formativo no contexto da Educação Profissional e Tecnológica e de que modo essas percepções refletem em suas trajetórias acadêmicas. A pesquisa, de natureza qualitativo-narrativa e abordagem autoetnográfica, é conduzida por uma docente-pesquisadora que também é egressa de um Instituto Federal, o que confere à investigação um olhar situado e implicado. A investigação ancora-se nos pressupostos da Sociolinguística Educacional, e, toma como base teórico-metodológica, autores como Bortoni-Ricardo (2004, 2005, 2011, 2014, 2021, 2025) e Bagno (2007, 2017). Para os letramentos, Street (2014), Kalantzis, Cope e Pinheiro (2020), Coscarelli et al (2025) e Soares (2008). Para as discussões sobre os gêneros discursivos/textuais, Bakhtin (2016), Marcuschi (2002) e Sousa (2006). No âmbito do Ensino Médio Integrado e Educação Profissional e Tecnológica, Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005), Ramos (2008, 2014 e 2021) e Kuenzer & Grabowsk (2016). No campo metodológico, a pesquisa qualitativa com Flick (2009) e Gil (2021), a autoetnografia com Ellis e Bochner (2014 e 2016). O corpus é composto por entrevistas semiestruturadas, questionários abertos, narrativas, memórias de campo e relatos pessoais que envolvem, além da pesquisadora, quatro egressos do Ensino Médio Integrado. A escuta dessas vozes permite compreender os sentidos atribuídos às práticas de letramento vividas durante e após a formação técnica, assim como as percepções sobre suas próprias variedades linguísticas. Paralelamente, a autoetnografia da docente evidencia percursos subjetivos e profissionais que entrelaçam memória, linguagem, ensino e identidade de classe. A partir disso, esta pesquisa visa contribuir para o fortalecimento da consciência linguística dos estudantes da Educação Profissional e Tecnológica, valorizando a variedade linguística como um dos pilares da formação omnilateral e da percepção dos letramentos da classe trabalhadora.