A Borboleta Bela-Dama: olhares surdos sobre políticas linguísticas de internacionalização
políticas linguísticas; internacionalização; surdos.
Neste estudo, o objetivo geral consiste em analisar como, no âmbito da graduação e da pós-graduação, as políticas linguísticas de internacionalização para surdos se articulam às expectativas desse grupo de pessoas, partindo de uma perspectiva decolonial. O tema da internacionalização no Brasil tem recebido destaque, de modo especial na educação superior. Na mesma proporção, tem ganhado evidência, a temática relativa ao ingresso dos surdos e surdocegos, cada vez mais, à educação superior. Neste sentido, buscamos ver a interseccionalidade entre os dois temas. Os objetivos específicos consistem em: (i) compreender as políticas linguísticas de internacionalização para surdos nas universidades federais no Brasil, que possuem o curso de Letras-libras e foram contempladas com o Programa CAPES-Print; (ii) descrever as propostas dos surdos quanto às políticas linguísticas de internacionalização; e (iii) identificar a presença de metapragmáticas, entendidas como processos linguístico-discursivos e políticoideológicos que podem estar implícitos ou explícitos nos textos, na perspectiva de Signorini (2008); em outras palavras, trata-se da linguagem em ação social. Essas metapragmáticas serão analisadas nas políticas linguísticas de internacionalização, sob a ótica da pesquisadora e dos registros avaliativos extraídos de entrevistas com surdos que vivenciaram a internacionalização. O quadro teórico envolve políticas linguísticas inspirada em Lagares (2018) e Rajagopalan (2004, 2013); perspectiva crítica sobre as políticas linguísticas para surdos baseada em Skliar (1997, 1998, 2005); Quadros (2006, 2009, 2012); Oliveira (2013); Brito et al. (2013); já em políticas linguísticas de internacionalização, os principais autores que embasaram essa pesquisa forma Blanco; et al. (2011); Toledo (2021); Luna (2016); Pereira et al. (2018); Stallivieri (2016). A pesquisa também se apoia em documentos institucionais como os planos de internacionalização das universidades. Para responder aos objetivos definidos, utilizamos a abordagem qualitativa. A tese que orienta este trabalho é a de que as políticas linguísticas de internacionalização das IES não têm sido concebidas em consonância com as expectativas das comunidades surdas. Assumimos a tese de que é possível estabelecer convergências entre as políticas vindouras, na perspectiva da “Surdidade”, que é a tradução utilizada por escritores lusitanos do termo “Deafhood”. Alguns autores brasileiros preferem o termo em seu original, optamos pela tradução por posicionamento político. O conceito foi criado para romper com a visão reducionista do termo surdez adotado no viés clinico-terapêutico. Concluímos que falantes de português como segunda língua, como surdos, surdocegos, quilombolas e indígenas são negligenciadas nos Planos de Internacionalização das universidades. Além disso, o processo de internacionalização para surdos é mais burocrático e exige justificativas adicionais. Sopeso que os surdos estão vivenciando a internacionalização na educação superior, de modo especial, os surdos da UFSC. Isso indica que os surdos possuem interesse e potencialidade de vivenciar essas experiências e que políticas linguísticas estabelecidas na perspectiva da surdidade já existe em uma universidade e tem contribuído com o desenvolvimento de estudantes surdos. Consideramos que esta pesquisa é relevante para dar visibilidade às vivências de mobilidade física internacional de surdos, contribuir com a reflexão de gestores das universidades públicas do país, subsidiando de modo inicial as propostas que possam contemplar os surdos.